Caprichos do tempo

As mais belas fotografias meteorológicas

Se você está entre aqueles que se perdem observando as nuvens ou o mar tempestuoso ou as mil formas às quais a neve e o gelo dão vida, se você está encantado diante dos fenômenos climáticos mais bizarros e extremos, então o concurso Fotógrafo Meteorológico do Ano 2019 é o prêmio fotográfico para você.
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Por: Equipe Oásis
A Royal Meteorological Society, em Londres, anunciou os vencedores do prêmio fotográfico The Weather Photographer of the Year 2019. Mais de 5.700 fotografias foram examinadas por um júri de especialistas em meteorologia. Aqui estão as cinco fotos vencedoras e os outros finalistas.
Além das nuvens
1 Além das minhas expectativas
O vencedor absoluto do Fotógrafo Meteorológico do Ano 2019 é Gareth Mon Jones com esta imagem tirada ao amanhecer nas montanhas do País de Gales, após uma excursão que o levou a um ponto bem acima do manto de nuvens. Foto: Gareth Mon Jones
Raio
2 O poder do raio
A fotógrafa italiana Elena Salvai conquistou o segundo lugar e o prêmio do júri popular ao imortalizar um raio que atinge Riomaggiore, na região da Cinque Terre. Foto: Elena Salvai
Rolo de neve
3 Rolo de neve em Wiltshire
O terceiro lugar foi para a imagem de Brian Bayliss, que retratou um fenômeno natural bizarro: um rolo de neve foi formado rolando devido ao vento. Foto: Brian Bayliss.
Relâmpago
4 Relâmpagos espetaculares sobre a Trial Bay
O vencedor absoluto da categoria sub-17 é Hugo Begg, com esta foto tirada perto de South West Rock, Austrália. Foto: Hugo Begg
Motocicleta
5 Motocicleta presa na neve
Ali Bagheri ocupa o segundo lugar na categoria abaixo dos 17 anos, graças a esta fotografia que mostra dois motociclistas lutando com os eventos inesperados causados ​​pela neve no Irã. Foto: Ali Bagheri.
Companheiro de viagem
6 A música Comin ta Getcha
A foto de Stu Short retrata caçadores de tempestades que fogem de uma supercélula aterrorizante, uma tempestade poderosa e perigosa que atinge as ruas do Novo México. Foto: Stu Short.
Tâmisa
7 As barreiras do Tâmisa sob a tempestade
Sob uma chuva muito forte, as barreiras do rio Tâmisa brilham na foto de Brian Michael Denton. Foto: Brian Michael Denton.
Farol do fim do mundo
8 Onda explosiva
Owen Humphreys captura o momento em que uma onda espetacular bate no píer em Tynemouth, Inglaterra. Foto: Owen Humphreys.
Nuvem sobre o lago
9 Ar
Steve Baker usou um drone para capturar o turbilhão de neve no céu acima de Tunbridge Wells, na Grã-Bretanha. Foto: Steve Baker.
Disco voador
10 Bolo de nuvem temperada com canela
Assim foi batizada essa nuvem suspensa como uma nave alienígena na lagoa Jökulsárlón, na Islândia, aos olhos do fotógrafo Bingyin Sun. Estamos admirando uma formação incomum chamada altocumulus lenticular. Foto: Bingyin Sun.
Castelo da Branca de Neve
11 Fichtelberg
Esta foto de conto de fadas foi tirada por Christoph Schaarschmidt nos picos do Monte Fichtelberg, na Saxônia, Alemanha, em condições extremas de congelamento e com um vento forte. Foto: Christoph Schaarschmidt.
Inundação
12 Inundação
Mohammad Hossein Moheimany filmou uma planície inundada no norte do Irã com um drone. Foto: Mohammad Hossein Moheimany.
Chuva em Menphis
13 Chuva na cidade
Um olhar noturno sobre a cidade de Memphis, nos Estados Unidos, através de uma janela de ônibus e graças às lentes da fotógrafa Christine Holt. Foto: Christine Holt.
Nave encalhada
14 A nave encalhada
É a temporada de tufões em Taiwan. Um deles se abateu violentamente sobre a cidade costeira de Kaohsiung, atirando um barco contra um píer. A cena foi imortalizada por Peng-Gang Fang. Foto: Peng-Gang Fang
Geisha em Quioto
15 Chuva forte
Uma gueixa em seu vestido tradicional, um quimono, caminha sob uma chuva forte no centro histórico de Quioto, Japão. Foto: Patrick Hochner.
Vendaval
16 A super célula 
Um fenômeno de tempestade que causa calafrios: um imponente sistema de nuvens com fortes correntes ascendentes eleva o ar para cima. Isso geralmente acontece em Oklahoma, nos Estados Unidos, e Dennis Oswald capturou esse fenômeno. Foto: Dennis Oswald. 
Sobre a montanha
17 Nuvens sobre as montanhas 
Essa esplêndida nuvem lenticular paira sobre os Alpes na França, uma visão extraordinária das lentes de Iain Afshar. Foto: Iain Afshar. 
Na praia
18 Troféus 
A praia coberta de neve em southwold com as típicas cabanas de banho inglesas. Foto: Lee Acaster.
Brumas da manhã
19 Sombras da manhã 
O castelo de Scotney, no interior da Inglaterra, em Kent, envolto em brumas de inverno, está no centro. Foto: Chris Brown.
Mar revolto
20 Tempestade
A fúria do mar tempestuoso dá origem a ondas espetaculares em Newhaven, Inglaterra, que aparecem como em uma pintura na foto de Dan Portch. Foto: Dan Portch. 
Dançar no céu
21 Apocalíptico 
Um haboob, ou uma tempestade de poeira e areia, parece engolir a vasta extensão de terra no Arizona, nos Estados Unidos. Foto: Kevin Juberg. 
Arco-iris branco
22 Um arco-íris branco sobre o jardim de inverno 
Um fenômeno raro, o arco-íris branco foi fotografado por Elena Belozorova em Vologda, no coração da Rússia. Foto: Elena Belozorova. 
A onda e o farol
23 Portcawl 
O fotógrafo Jay Birmingham captura a fúria das ondas que atingem o farol de Portcawl, no País de Gales. Foto Jay Birmingham. 
Carneirinhos no céu
24 Rocha negra 
O farol de New Brighton, não muito longe de Liverpool, na foto de Steve Carr. Foto: Steve Carr.
Aurora de luz
25 Dança lenta 
As luzes do norte (aurora boreal) dançam com os galhos nevados. Foto: Andrei Baskevich. 
Barquinho solitário
26  Sampjer 
O barco de um pescador ao pôr do sol na Croácia. Foto: Lucijan Spanic.


FONTE
https://www.brasil247.com/oasis/caprichos-do-tempo-as-mais-belas-fotografias-meteorologicas

Racismo estrutural

Quando o preconceito vira regra e se torna “normal”

A naturalização de pensamentos e situações que promovem a discriminação racial formam o racismo estrutural. Entenda o significado do termo, e as consequências do fenômeno
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Por: Maria Teresa Ferreira Jurado – do MOMUNES – Movimento de Mulheres Negras de Sorocaba http://www.momunes.org.br/

Para entender do que se trata o racismo estrutural, é preciso dar um passo atrás. Entender, antes de tudo, o que é racismo — e o lugar que ele ocupa na formação da sociedade brasileira.
Pois bem: O que é Racismo?
Vamos pensar nos materiais usados para a construção de uma casa. São necessários cimento, vergalhões, tijolos, areia e água para a construção do alicerce. Ao subir os vergalhões, os tijolos são sobrepostos um ao outro, fixados sobre camadas de cimento.  Isso dará sustentação a toda construção. Conseguiu imaginar a construção desse alicerce? E o que essa história toda tem a ver com a definição de racismo?
Na construção da sociedade brasileira, o racismo é o cimento. Ele é o elemento que sustenta a estrutura social, política e econômica da sociedade brasileira.
O Brasil carrega uma história de 300 anos de escravidão. Dentre os países da América, o nosso foi o último a abolir a escravidão negra formalmente, em 1888.  Depois de mais de um século, ficou enraizado no inconsciente coletivo da sociedade brasileira um pensamento que marginaliza as pessoas negras, as impede de se constituírem como cidadãs plenas.
Isso posto, vamos adiante:
Nelson Mandela

O que é racismo estrutural?
Racismo estrutural é essa naturalização de ações, hábitos, situações, falas e pensamentos que já fazem parte da vida cotidiana do povo brasileiro, e que promovem, direta ou indiretamente, a segregação ou o preconceito racial. Um processo que atinge tão duramente — e diariamente — a população negra.
No cotidiano da sociedade brasileira estão normalizadas frases e atitudes de cunho racista e preconceituoso. São piadas que associam negros e indígenas a situações vexatórias, degradantes ou criminosas. Ou atitudes baseadas em preconceitos, como desconfiar da índole de alguém pela cor de sua pele.
Outra forma comum de racismo é a adoção de eufemismos para fazer referência a negros ou pretos, como as palavras “moreno” e “pessoa de cor”. Essa atitude evidencia um desconforto das pessoas, em geral, ao utilizar as palavras “negro” ou “preto” pelo estigma social que a população negra recebeu ao longo dos anos.
Essas ações reverberam nas instituições públicas e privadas. No Estado e nas leis que alimentam a exclusão da população negra. Elas se materializam, por exemplo, na ausência de políticas públicas que possam promover melhores condições de vida a essa população.
Marielle Franco

Por que essa discussão importa?
As questões raciais são estruturantes porque fazem parte da construção das nossas sociedades. As subjetividades que nos compõem — os nossos preconceitos, por exemplo — acabam construindo as relações sociais que estabelecemos. E essas relações estão impregnadas de uma construção histórica equivocada, que mantém a população negra em posição de subalternidade.
Como explica o filósofo Silvio Almeida, autor de “O que é racismo estrutural”,  longe de ser uma anomalia, o racismo é “o normal”: “Independentemente de aceitarmos o racismo ou não, ele constitui as relações no seu padrão de normalidade”.
Esse equívoco de narrativa resulta na desvalorização da cultura, intelecto e história da população negra. Mina suas potencialidades e, principalmente, aumenta o abismo criado por desigualdades sociais, políticas e econômicas.
É um problema evidenciado por números. No Brasil, pessoas negras são mortas com mais frequência que pessoas não negras: os negros representam 75% das vítimas de homicídio, segundo o Atlas da Violência de 2019. São maioria, também, em meio à camada mais pobre da população: dos 10% de brasileiros mais pobres, 75% são negros, segundo o IBGE.
Para falar sobre os efeitos do racismo na sociedade brasileira é preciso encará-lo como um fenômeno essencialmente transversal. É preciso entender que ele forma uma teia de violências que afeta jovens, homens e mulheres encarceradas e encarcerados;  que define os mecanismos que regem o tráfico de mulheres e meninas; que afeta a vida da população LGBTQI+, da população quilombola e ribeirinha; e que explica o preconceito contra as religiões de matriz africana, ameaçando seu direito de existir.


FONTE
https://www.brasil247.com/oasis/racismo-estrutural-quando-o-preconceito-vira-regra-e-se-torna-normal


A força da música.

Você deve ouvi-la enquanto trabalha?

Estudo americano mostra que músicas mais sofisticadas auxiliam na execução de tarefas fáceis; já nas tarefas mais difíceis, nenhum tipo de música ajuda
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Por: Manuel F. Gonzalez e John Aiello (*)
Fonte: Site The Conversation
Faça essa pergunta em uma festa e provavelmente obterá respostas polarizadoras. Alguns dirão que adoram, alegando que isso melhora seu desempenho; outros dirão que acham isso perturbador e não podem funcionar efetivamente com a música tocando em segundo plano.
Como entusiastas de música e psicólogos, queríamos entender quando ouvir música ajuda e quando ela é prejudicial durante a execução de tarefas.
Curiosamente, nossa pesquisa descobriu que essas duas perspectivas podem ser verdadeiras. Depende apenas do tipo de trabalho que você está fazendo.
Com música, sem música
Ouvir música pode ajudar em tarefas mais simples, mas não nas mais complicadas, informam pesquisadores americanos.
Estrutura mais ampla
Pesquisadores examinaram como a música influencia o desempenho em uma variedade de tarefas, do atletismo à matemática e à leitura. Eles também analisaram se a música afeta o desempenho por fatores como o humor do ouvinte ou sua capacidade de memória de trabalho.
No entanto, grande parte dessa pesquisa se concentra em contextos específicos ou tipos específicos de tarefas. Queríamos desenvolver uma estrutura mais abrangente que pudesse ser aplicada de maneira mais ampla.
Assim, em um estudo recente, levamos os participantes ao nosso laboratório para executar uma variedade de tarefas. Havia uma tarefa fácil (pesquisar em listas de palavras e riscar as palavras que continham a letra “a”) e uma mais difícil (memorizar pares de palavras e repassar com o parceiro cada palavra). Alguns participantes concluíram todas as tarefas em silêncio, enquanto outros concluíram as tarefas com música instrumental que era alta ou suave, e simples ou complexa (a última classificação significando música com mais faixas instrumentais).
Uma faixa de música simples pode incluir um ou dois instrumentos, sua melodia pode não mudar com muita frequência e pode ter um ritmo mais lento. A música complexa, no entanto, pode incluir uma grande variedade de instrumentos, pode ter melodias que mudam frequentemente e em geral tem um ritmo mais rápido.
O tipo de tarefa é importante
Várias descobertas importantes surgiram em nosso estudo.
Descobrimos que os participantes que ouviram música simples ou nenhuma música apresentaram o mesmo desempenho na tarefa fácil. No entanto, os participantes que ouviram música complexa tiveram melhor desempenho na tarefa fácil.
Por outro lado, os participantes tiveram um desempenho pior na tarefa mais difícil quando ouviram alguma música, independentemente da complexidade ou volume, em comparação com aqueles que não ouviram música.
O que devemos fazer com essas descobertas?
Sugerimos que as pessoas têm recursos mentais limitados a partir dos quais tanto a música quanto as tarefas podem se basear.
Podemos ficar entediados e nossa mente pode vagar quando esses recursos são subutilizados. Mas também podemos ficar superestimulados e distraídos quando esses recursos ficam sobrecarregados.
Não surpreendentemente, em geral precisamos usar menos de nossos recursos mentais quando realizamos tarefas fáceis, enquanto tarefas mais complexas exigem mais inteligência. No entanto, como podemos estar menos envolvidos em tarefas mais fáceis, há um risco maior de cair no sono. A música pode nos dar o impulso extra que precisamos para atravessar a monotonia. No entanto, tarefas difíceis já exigem muitos de nossos recursos. Ouvir música pode se tornar um exagero.
Portanto, o desempenho ideal deve ocorrer quando atingimos um “ponto ideal”, que pode depender do tipo de música e do tipo de tarefa.
O fator personalidade
Nossos resultados de pesquisa sugerem que os efeitos da música também podem depender de nossas personalidades. No mesmo estudo, examinamos as preferências dos participantes quanto à estimulação externa.
Algumas pessoas têm o que é chamado de “preferências por estímulos externos”. Isso significa que elas tendem a procurar – e prestar mais atenção a – coisas que estão acontecendo ao seu redor, como imagens ou sons.
A música, então, pode absorver mais recursos mentais de pessoas com fortes preferências por estímulos externos, o que significa que um equilíbrio mais delicado pode ser necessário para esse tipo de pessoa quando ela ouve música durante as tarefas.
Reforçando esse raciocínio, descobrimos que a música complexa tende a prejudicar até o desempenho em tarefas mais fáceis em pessoas com fortes preferências por estímulos. Da mesma forma, descobrimos que qualquer música dificultava o desempenho de tarefas complexas quando as pessoas tinham fortes preferências por estímulos externos.
Ganhos e perdas
Então, resumindo: pode ser útil colocar algumas músicas quando você trabalha em algo que considera relativamente simples e repetitivo. Um de nós, por exemplo, ouve heavy metal ??ao executar análises básicas de dados. O outro de nós adora o som de blues ao ler seu e-mail.
No entanto, a música pode prejudicar quando surge uma tarefa que exige toda a sua atenção. Portanto, provavelmente é melhor desligar o Iron Maiden ou o B.B. King na hora de escrever este artigo.
E provavelmente não é preciso dizer que o que funciona melhor para você pode não funcionar para a pessoa que trabalha ao seu lado – por isso, certifique-se de conectar os fones de ouvido.
(*) Manuel F. Gonzalez é doutorando em Psicologia Industrial-Organizacional pelo Baruch College, da Universidade da Cidade de Nova York (CUNY); John R. Aiello é professor de Psicologia da Universidade Rutgers.


FONTE
https://www.brasil247.com/oasis/a-forca-da-musica-voce-deve-ouvi-la-enquanto-trabalha


Álcool e imunologia

Como as bebidas alcoólicas afetam o nosso sistema de defesa imunológica

Claro, não estamos falando do hoje célebre álcool 70, aquele que usamos para desinfetar as mãos. Nos referimos às bebidas alcoólicas: todas elas. O álcool, infelizmente, afeta muitos órgãos do organismo, e um dos mais afetados é justamente o nosso sistema imunológico. Até mesmo quando ingerido em pequenas quantidades, o álcool influencia a capacidade que nosso corpo tem de se defender dos micróbios agressores.
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Por: Equipe Oásis
Durante a quarentena da COVID-19, em todo o mundo as vendas de bebidas alcoólicas aumentaram. Conclusão óbvio: o consumo delas também aumentou. Com tantas horas trancadas em casa, não podendo ir trabalhar, acossadas pelo tédio e as tensões provocadas pelo distanciamento social, as pessoas estão bebendo bem mais do que o habitual. E a maioria não sabe como isso afeta o seu sistema imunológico.
Sim: o álcool altera e enfraquece esse sistema. Embora beber ocasionalmente possa nos ajudar a relaxar e tornar o contato social mais agradável, o álcool também pode causar desidratação, esgotar vitaminas e nutrientes, piorar o sono, causar inflamação e desequilibrar a flora intestinal, e tudo isso pode enfraquecer a capacidade de imunidade do nosso corpo.
Beber é comportamento social

O abuso de álcool suprime vários braços da resposta imune, aumentando o risco de infecções. O curso e a resolução de infecções bacterianas e virais são severamente afetados em pacientes que abusam de álcool, resultando em maior morbi/mortalidade do paciente.
O metabolismo é priorizado
Seu corpo não pode armazenar álcool. Ele sabe perfeitamente que se trata de uma substância tóxica e, por isso, quando ingerimos álcool, o corpo deixa de fazer tudo o que está fazendo e considera que a eliminação do álcool é a prioridade número um do metabolismo. Isso significa que o processamento do álcool passa a ter prioridade sobre proteínas, carboidratos e gorduras.
O álcool basicamente é levado para o fígado, órgão que tem a função de destrui-lo e de eliminar os seus resíduos através da urina, das fezes e da transpiração. À medida que o álcool é processado, água e nutrientes são usados para removê-lo, deixando seu corpo empobrecido e desidratado.
Grupos AA

A inflamação é o maior efeito geral que o álcool tem sobre o seu corpo. Inflamação é a resposta protetora do seu corpo a ameaças. Em resposta ao álcool, seu corpo gera endotoxinas que desencadeiam inflamações. Se você bebe com frequência, seu corpo nunca será capaz de manter suas defesas em alto nível. Ficar em constante estado de inflamação afeta o corpo, causando danos aos tecidos na forma de inflamação crônica.
Perturba o equilíbrio das bactérias intestinais
O álcool causa um crescimento rápido e quase sempre excessivo do número de certas bactérias intestinais. As toxinas produzidas por essas bactérias sobrecarregam outras bactérias, úteis e necessárias, interrompendo os delicados sistemas que processam os alimentos e enviam sinais ao sistema imunológico para proteger o corpo.
Um estudo descobriu que 30% das pessoas com doença hepática causada pelo álcool têm uma cepa rara de bactérias intestinais que produz uma toxina destruidora de células chamada citolisina.
Quando estimulada pelo álcool, outra bactéria que se reproduz rapidamente começa a produzir substâncias chamadas lipopolissacarídeos (LPS). O LPS sobrecarrega as bactérias intestinais, permitindo que essas toxinas penetrem na barreira intestinal e se espalhem por todo o corpo e invadam outros órgãos.
Tomar ou largar? Eis a questão

As toxinas afetam mais do que apenas seu intestino. O trabalho do fígado é filtrar essas toxinas e enviá-las para fora do corpo. Esse órgão consegue fazer isso dentro de certas medidas. À medida que elas forem superadas, seu fígado começará a degenerar e acabará desenvolvendo uma condição com risco de vida chamada cirrose.
Alcool e cigarro

Álcool e cigarro: a pior combinação
Segundo a  CDC – Cleveland Clinic (EUA), aproximadamente 90% das pessoas que bebem 4-5 bebidas por dia durante décadas têm esteatose hepática (fígado gorduroso) (*). Só essa já seria razão suficiente para considerar parar de beber com tanta frequência e começar a pedir coquetéis não alcoólicos.
Como o álcool afeta a imunologia?
Quando o nosso corpo é exposto a uma ameaça (a presença de um vírus invasivo, por exemplo), o sistema imunológico prepara uma resposta ao ataque e elimina o patógeno estranho. Em geral, quanto mais saudável for o sistema imunológico de uma pessoa, mais rápido ele consegue eliminar a bactéria, o antígeno ou o vírus invasor e se recuperar da doença.
O álcool dificulta o funcionamento correto do sistema imunológico acarretando nele diferentes processos prejudiciais.
O álcool “distrai” seu sistema imunológico. Se seu corpo estiver constantemente trabalhando para se livrar do álcool, você poderá não perceber outros problemas começando a aparecer. Seu cérebro desempenha um papel importante na detecção de perigo na hora de acelerar sua resposta imunológica. Em resposta ao estresse, seu cérebro ativa os eixos hipotalâmico, hipofisário e adrenal (HPA). O eixo HPA, juntamente com as células imunológicas do seu corpo, mantem a inflamação sob controle. O problema é que o eixo HPA interpreta o álcool como um evento estressante e, quando você bebe, aumenta os níveis de hormônio do estresse. A exposição crônica ao álcool pode saturar o eixo HPA e diminuir a resposta do seu corpo a outros estressores. Isso significa que seu corpo terá mais dificuldade em controlar a inflamação. Além disso, o consumo de álcool aumenta suas chances de desenvolver seis tipos diferentes de câncer, e quanto mais você bebe, maiores são suas chances de que isso lhe aconteça.
O álcool danifica suas defesas físicas
O álcool pode danificar os cílios microscópicos que existem na parte alta dos pulmões, cuja função é capturar e impedir que bactérias, antígenos e vírus prejudiciais à medida que entram.
Se os invasores superam a barreira dos cílios, isso é uma má notícia, porque o álcool também danifica a última linha de defesa: a membrana mucosa no fundo dos pulmões, que geralmente impede que os invasores penetrem no corpo. Estudos mostram que beber álcool torna os pulmões mais suscetíveis a doenças como pneumonias e viroses.
Ao atuar dessa forma, o álcool nos torna vulneráveis ??a infecções, a inflamações e a outras doenças crônicas
O álcool tem uma ampla gama de efeitos sobre os componentes estruturais, celulares e endócrinos do sistema imunológico. Essa desregulação do sistema imunológico induzida pelo álcool torna o paciente suscetível a uma ampla variedade de patógenos infecciosos, resultando em consequências biomédicas, como aumento do risco de infecções após cirurgia, lesão traumática ou queimaduras; doença hepática, como infecção por hepatite C, fibrose e câncer de fígado; infecções nos pulmões; uma progressão acelerada das doenças provocadas pelo HIV.
A CDC define o consumo moderado de álcool como até uma bebida por dia para mulheres e até duas bebidas por dia para homens. Mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem adotado uma postura bem mais conservadora durante a atual pandemia da Covid-19, recomendando que a quantidade ideal de álcool por dia seja … nada.
Então, pelo menos durante a pandemia, devemos parar completamente de beber?
Antes de concluir, é preciso lembrar que muitas ameaças podem afetar o sistema imunológico do nosso corpo, da qualidade e quantidade do sono às bactérias intestinais. Mas, ao contrário de outros fatores de saúde, a quantidade de álcool que ingerimos está em nossas mãos.
O mais prudente seria considerar que – dado que o álcool faz parte de nossas vidas sociais; é parte de como interagimos com os amigos (virtualmente ou não); é algo que desfrutamos no jantar com nossos entes queridos – se bebermos de vez em quando, poderemos obter alguns benefícios. Mas, se bebermos demais e com muita frequência, perderemos esses benefícios. Em tempos de pandemia, podemos perder inclusive as nossas vidas.
(*) O fígado gorduroso (ou esteatose hepática) é mais comum em pessoas que têm sobrepeso, obesidade, ou a chamada síndrome metabólica (conjunto de doenças como colesterol e triglicérides alterados, diabetes ou pressão alta, que aumentam os riscos de doenças cardíacas). O consumo excessivo de álcool também pode causar a doença.



FONTE
https://www.brasil247.com/oasis/alcool-e-imunologia-como-as-bebidas-alcoolicas-afetam-o-nosso-sistema-de-defesa-imunologica