investigação realizada pelo Pr. Psi. Jor Jônatas David Brandão Mota
001 A DECISÃO
002 OLHOS AJUSTADOS
003 O COPO CHEIO
004 ALEGRIA COMO DISCIPLINA
005 A VIRTUDE QUE ME HABITA
6. O BEM ESCONDIDO NAS COISAS
Aquilo que só se revela a quem olha com calma.
7. AS MELHORES PESSOAS
O exercício de enxergar o melhor mesmo quando não é óbvio.
8. A BONDADE IMPERFEITA
O valor do bem que não é puro, mas é real.
9. SER BÊNÇÃO SEM ALARDE
A alegria que se espalha sem anunciar-se.
10. A LEVEZA RESPONSÁVEL
Alegria que não foge do mundo, mas o carrega melhor.
11. QUANDO A DECEPÇÃO CHEGA
O encontro inevitável com a fratura humana.
12. O PREJUÍZO QUE ENSINA
Perdas que lapidam, não que destroem.
13. ALEGRIA FERIDA
A alegria que sangra, mas não morre.
14. A TRISTEZA ACOLHIDA
O direito de entristecer sem abandonar a escolha.
15. PREPARADO PARA O INVERNO
A alegria como reserva para dias escuros.
16. O TEMPO COMO ALIADO
A maturidade de quem não apressa a alma.
17. SILÊNCIO FELIZ
Quando não é preciso explicar nada para estar bem.
18. A PAZ QUE NÃO DEPENDE
Independência emocional diante do caos.
19. ALEGRIA E VERDADE
Recusar a mentira feliz para viver a alegria honesta.
20. O RISO QUE NÃO HUMILHA
Alegria que não se alimenta da dor alheia.
21. A ESPERANÇA REALISTA
Esperar sem fantasia, confiar sem cegueira.
22. O AMOR COMO LENTE
Ver o mundo a partir do cuidado.
23. A BONDADE COMO RESISTÊNCIA
Ser alegre como forma de enfrentamento do mal.
24. O QUE NÃO POSSO MUDAR
Aceitação como gesto libertador.
25. O QUE AINDA POSSO SER
Alegria projetada no devir.
26. CAMINHAR COM FRAGILIDADE
A leveza de não precisar ser invencível.
27. A ALEGRIA QUE SOBRA
Quando, mesmo depois de tudo, algo permanece.
28. QUERO VIVER ALEGRE
Síntese, confissão e renovação da decisão.
A DECISÃO COMO PONTO DE PARTIDA
Este mês nasce de uma escolha consciente, reiterada e amadurecida: quero viver alegre. Não como fuga da realidade, nem como negação das dores que atravessam a existência, mas como um posicionamento diante da vida. A alegria aqui não é um acaso emocional, mas um eixo ético e espiritual, uma lente deliberadamente ajustada. Decidir viver alegre é assumir responsabilidade sobre o próprio olhar, reconhecendo que não controlo o mundo, as pessoas ou os acontecimentos, mas posso escolher o modo como me coloco diante deles. Esta decisão inaugura um caminho, e todo caminho começa antes dos passos, começa no íntimo, quando a vontade se alinha com aquilo que se deseja cultivar.
O OLHAR QUE EDUCA A ALMA
Ao escolher viver alegre, o olhar deixa de ser ingênuo e passa a ser educado. O mundo permanece ambíguo, complexo, ferido e belo ao mesmo tempo. Nada se torna magicamente melhor, mas tudo passa a ser visto com mais profundidade. Como o copo d’água, a realidade sempre carrega a parte cheia e a parte vazia, e o foco escolhido não altera o copo, mas transforma a experiência de quem o segura. Olhar para a parte cheia não é ignorar a falta, mas reconhecer que a plenitude possível sustenta a caminhada. Esse exercício cotidiano vai moldando a sensibilidade, treinando a atenção e refinando a percepção do bem que insiste em existir mesmo em cenários adversos.
A ALEGRIA QUE REVELA VIRTUDES
Com o tempo, essa decisão começa a revelar algo essencial: ao focar no que há de bom, o sujeito passa a enxergar também suas próprias virtudes. Não por vaidade, mas por lucidez. A alegria fortalece a autoestima saudável, aquela que reconhece limites sem se reduzir a eles. Quem decide viver alegre aprende a identificar suas capacidades, seus afetos mais nobres, sua força de permanência. Esse reconhecimento não isola, ao contrário, amplia a empatia. Quanto mais alguém se percebe inteiro, mais consegue ver inteireza nos outros. Assim, a alegria se torna um espelho que devolve humanidade, tanto para dentro quanto para fora.
SER BÊNÇÃO EM UM MUNDO FRATURADO
Essa postura diante da vida inevitavelmente transborda. A alegria consciente não é silenciosa no sentido de ser invisível, mas discreta no sentido de não se impor. Ela se manifesta em gestos, palavras, escutas e presenças que aliviam o peso do mundo ao redor. Decidir viver alegre é tornar-se, quase sem perceber, uma bênção cotidiana para outras pessoas. Não porque se tem respostas, mas porque se oferece companhia. Não porque se evita a dor alheia, mas porque se permanece mesmo quando ela aparece. Nesse sentido, a alegria não é individualista; ela é relacional, social, profundamente ética.
A PREPARAÇÃO PARA A DOR INEVITÁVEL
Nada disso elimina os prejuízos, as decepções e os encontros com a tristeza. Pelo contrário, viver alegre expõe mais, cria expectativas, aprofunda vínculos e, por isso mesmo, amplia a possibilidade de feridas. Mas há aqui um paradoxo fecundo: quanto mais a alegria é fortalecida, mais preparada a alma se torna para atravessar os dias escuros. A tristeza não vem como ruptura total, mas como passagem. A decisão pela alegria cria reservas internas, um lastro emocional e espiritual que sustenta quando tudo parece falhar. Assim, este mês não será sobre negar a dor, mas sobre aprender a atravessá-la sem perder a luz escolhida. É com esse espírito que os poemas nascerão: como exercícios diários de fidelidade a uma decisão que deseja permanecer viva.
(estrofe 1)
Não foi o sol que veio me escolher,
nem a sorte mudando de direção,
foi dentro do peito um verbo nascer:
alegria é escolha, não condição.
(estrofe 2)
O dia acorda neutro, quase cru,
não promete abrigo nem vendaval,
sou eu quem decide o tom do que viu,
se faço do comum algo essencial.
(estrofe 3)
As circunstâncias passam como maré,
ora mansas, ora duras no chão,
mas minha vontade aprende a ficar em pé
quando digo ao caos: não mando o coração.
(refrão)
Quero ser alegre, mesmo sem razão,
não por fuga, mas por direção,
não espero o mundo me dar permissão:
a alegria nasce da decisão.
(estrofe 4)
Há dias em que o peso tenta ensinar
que sorrir é luxo, erro ou ilusão,
mas descubro força em continuar
sem vender a alma à resignação.
(estrofe 5)
Nem todo riso vem da facilidade,
alguns brotam do chão mais duro,
são sementes lançadas na adversidade
que insistem em florescer no escuro.
(estrofe 6)
Escolher alegria não é negar a dor,
é não coroá-la dona do trono,
é dizer ao medo, sem rancor:
você passa, mas eu permaneço inteiro.
(refrão)
Quero ser alegre, mesmo sem razão,
não por fuga, mas por direção,
não espero o mundo me dar permissão:
a alegria nasce da decisão.
(estrofe 7)
Quando falham promessas e mãos,
e o humano revela seu limite,
a alegria vira afirmação
de quem não desiste do que acredita.
(estrofe 8)
Assim caminho com passos atentos,
sabendo o custo de não endurecer,
pois viver alegre, entre tantos ventos,
é escolher amar antes de se defender.
(ponte)
Lamento os dias em que me neguei,
quando apaguei a luz por cansaço ou temor,
quando, ferido, também privei
o mundo do bem que eu poderia ser.
(refrão)
Quero ser alegre, mesmo sem razão,
não por fuga, mas por direção,
não espero o mundo me dar permissão:
a alegria nasce da decisão.
(refrão final)
Hoje eu me amo, inteiro e imperfeito,
e escolho a alegria como morada,
sei que a tristeza terá seu direito,
mas não será mais a voz soberana.
EXPLICAÇÃO DO TEMA
A alegria como ato de vontade parte do reconhecimento de que a vida, por si só, não garante serenidade, sentido ou contentamento. As circunstâncias são instáveis, assim como o clima ou as marés, e esperar que elas se organizem para então viver com leveza é adiar indefinidamente a própria vida. Psicologicamente, autores como Viktor Frankl demonstraram que mesmo em contextos extremos o ser humano preserva uma liberdade última: a atitude diante do que lhe acontece. Essa decisão não elimina a dor, mas redefine seu lugar. Tal como um navegador que não controla o vento, mas ajusta as velas, a pessoa que decide ser alegre escolhe a orientação da própria alma, transformando resistência em caminho.
Biblicamente, essa compreensão aparece de modo contundente quando o apóstolo Paulo escreve “alegrai-vos sempre” não a partir de conforto, mas de prisões, perdas e conflitos. A alegria cristã não nasce da ausência de sofrimento, mas da confiança que o sofrimento não tem a palavra final. Em Provérbios, lemos que “o coração alegre aformoseia o rosto”, indicando que a alegria é uma força que reorganiza o interior e transborda no exterior. Filosoficamente, Spinoza compreendia a alegria como aumento de potência de existir, e não como simples prazer. O poema traduz essas ideias ao afirmar que a alegria não é reação automática ao que acontece, mas uma decisão diária que fortalece o sujeito, o torna mais humano e, paradoxalmente, mais preparado para atravessar os momentos justificáveis de tristeza.
BIBLIOGRAFIA
FRANKL, Viktor E. Em Busca de Sentido. 1946.
SPINOZA, Baruch. Ética. 1677.
SNYDER, C. R.; LOPEZ, Shane J. Positive Psychology: The Scientific and Practical Explorations of Human Strengths. 2002.
LEWIS, C. S. O Peso da Glória. 1949.
NOUWEN, Henri J. M. A Voz do Amor. 1992.
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Pr. Jônatas David Brandão Mota... pastorado4
teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)
(estrofe 1)
O mundo não muda quando abro os olhos,
muda o ângulo do meu perceber,
o mesmo fato veste outros lençóis
quando decido como vou ver.
(estrofe 2)
Nada nasce bom só por aparecer,
nem mau por insistir em ficar,
é o foco escolhido ao amanhecer
que define o que vai me formar.
(estrofe 3)
Há beleza quieta no que é comum,
há lição onde pensei haver ruína,
meus olhos aprendem, um a um,
a enxergar sentido na rotina.
(refrão)
Ajusto os olhos, não fujo da verdade,
mudo o foco, não nego a dor,
ver é escolha, não casualidade:
olhar certo também é amor.
(estrofe 4)
Já vi espinhos antes de ver flor,
já chamei de perda o que era semente,
porque o olhar cansado, sem vigor,
confunde o tempo com o presente.
(estrofe 5)
Quando o medo segura o meu ver,
tudo parece maior que eu sou,
mas basta a lente certa escolher
pra lembrar quem decide sou eu.
(estrofe 6)
Não é o caos que governa a paisagem,
nem a falha escreve o final,
meu olhar define a mensagem
que dou sentido ao real.
(refrão)
Ajusto os olhos, não fujo da verdade,
mudo o foco, não nego a dor,
ver é escolha, não casualidade:
olhar certo também é amor.
(estrofe 7)
Há pessoas inteiras por trás do erro,
há bondade mesmo em quem fere,
quando o olhar não nasce do desespero,
o humano aparece e resiste.
(estrofe 8)
Assim aprendo a ver devagar,
sem vender esperança ao cansaço,
quem escolhe como olhar
reconstrói o mundo no passo.
(ponte)
Lamento os dias em que ceguei meu ver,
quando deixei a sombra mandar,
quando, por não querer ser alegre,
ensinei outros a também não olhar.
(refrão)
Ajusto os olhos, não fujo da verdade,
mudo o foco, não nego a dor,
ver é escolha, não casualidade:
olhar certo também é amor.
(refrão final)
Hoje eu me amo e afino meu olhar,
escolho alegria sem me trair,
sei que a tristeza vai me visitar,
mas não governa meu modo de existir.
EXPLICAÇÃO DO TEMA
“Olhos ajustados” expressa a compreensão de que a realidade não é acessada de forma neutra, mas sempre mediada pelo foco que escolhemos sustentar. Psicologicamente, isso dialoga com a teoria da atenção seletiva e com os estudos da psicologia cognitiva, que demonstram como nossas crenças, expectativas e estados emocionais filtram o que percebemos. Dois indivíduos podem viver a mesma situação e sair dela com leituras completamente distintas, não porque os fatos sejam diferentes, mas porque o olhar foi calibrado por lentes internas diversas. O poema trabalha essa ideia ao afirmar que ver não é passivo: é um ato interpretativo, ativo e responsável. Ajustar os olhos é decidir não reduzir a vida à primeira impressão, nem ao impacto imediato da dor ou da frustração.
Biblicamente, Jesus toca diretamente nesse ponto quando afirma que “se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz” (Mateus 6:22), indicando que o modo de ver organiza todo o interior do ser humano. Não se trata de negar o mal, mas de não permitir que ele monopolize a visão. Paulo, em Filipenses 4:8, orienta o foco da mente para aquilo que é verdadeiro, justo e digno de louvor, demonstrando que a alegria também nasce da disciplina do olhar. Filosoficamente, Simone Weil falava da atenção como a forma mais pura de generosidade, pois aquilo a que damos atenção ganha existência ampliada dentro de nós. O poema traduz essas referências ao mostrar que ajustar os olhos é um gesto de amor próprio e coletivo: ao mudar o foco, não se altera apenas a experiência pessoal, mas também a maneira como se oferece presença e sentido ao mundo.
BIBLIOGRAFIA
FRANKL, Viktor E. Em Busca de Sentido. 1946.
WEIL, Simone. A Gravidade e a Graça. 1947.
KAHNEMAN, Daniel. Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar. 2011.
SACKS, Oliver. O Olhar da Mente. 2010.
NOUWEN, Henri J. M. A Espiritualidade do Deserto. 1986.
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(estrofe 1)
Entre o cheio e o vazio do dia,
aprendo a medir meu olhar,
cada gota é luz, mesmo na sombra fria,
cada suspiro ensina a valorizar.
(estrofe 2)
Não espero que tudo se complete,
nem que o mundo ofereça perfeição,
o que tenho já me sustente,
sustento a vida em gratidão.
(estrofe 3)
Mesmo quando a falta se anuncia,
há riqueza no que posso ver,
o coração atento reconhecia
o que existe e não apenas o perder.
(refrão)
O copo cheio me ensina a amar,
mesmo com dor ou incerteza,
vejo o bem, aprendo a cuidar,
a alegria nasce da clareza.
(estrofe 4)
Há presentes que passam despercebidos,
gestos simples de quem ama e doa,
são tesouros quase esquecidos,
mas que acendem minha própria coroa.
(estrofe 5)
Quando o medo quer roubar meu chão,
e o vento leva promessas ao nada,
a gratidão é minha direção,
me lembra que a vida não é perdida.
(estrofe 6)
Mesmo a chuva molha e assusta,
mas o solo guarda a semente,
a mente que vê e ajusta
colhe frutos, mesmo inclemente.
(refrão)
O copo cheio me ensina a amar,
mesmo com dor ou incerteza,
vejo o bem, aprendo a cuidar,
a alegria nasce da clareza.
(estrofe 7)
Não é negar o que falta ou dói,
mas reconhecer o que permanece,
cada instante pleno constrói
a força que a tristeza não desce.
(estrofe 8)
Aprendo a sorrir com o suficiente,
a vida se abre em cada detalhe,
gratidão é gesto persistente,
que transforma o mundo em palco e baile.
(ponte)
Lamento os dias que ignorei a luz,
quando deixei o vazio dominar,
quando meu olhar feriu quem me conduz,
e a alegria deixei de ofertar.
(refrão)
O copo cheio me ensina a amar,
mesmo com dor ou incerteza,
vejo o bem, aprendo a cuidar,
a alegria nasce da clareza.
(refrão final)
Hoje eu me amo e escolho viver,
mesmo com sombras ou tristeza,
o copo cheio me faz renascer,
e ser alegre é minha firmeza.
EXPLICAÇÃO DO TEMA
“O copo cheio” é uma metáfora para a prática consciente da gratidão, um recurso psicológico e espiritual que nos permite reconhecer a abundância presente mesmo em contextos ambíguos ou desafiadores. Pesquisas em psicologia positiva, como as de Martin Seligman, demonstram que exercícios diários de gratidão aumentam a resiliência, reduzem sintomas de depressão e melhoram a percepção de bem-estar. Por exemplo, ao refletir sobre pequenas conquistas diárias ou gestos de bondade que recebemos, nosso cérebro ativa circuitos associados à recompensa e à satisfação, fortalecendo uma visão mais positiva da vida. A metáfora do copo cheio também dialoga com a pedagogia da atenção: quanto mais olhamos para o que já temos, mais aprendemos a valorizar o presente em vez de nos perder em comparações ou lamentos.
Biblicamente, a gratidão é central em muitas passagens. Paulo, em 1 Tessalonicenses 5:18, instrui: “Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco”. A ideia não é ignorar dificuldades, mas reconhecer que a vida possui elementos preciosos mesmo no meio da adversidade. O Antigo Testamento também traz essa perspectiva, como em Salmos 107, que celebra a salvação e a provisão divina em meio às crises. Filosoficamente, autores como Epicteto e Michel de Montaigne destacam que a percepção do que temos é mais poderosa do que a busca constante por mais, e que a felicidade nasce do cultivo do olhar atento. O poema reflete essa prática: ao escolher ver o copo cheio, o sujeito constrói uma alegria sólida, capaz de coexistir com a imperfeição do mundo e a inevitabilidade da tristeza.
BIBLIOGRAFIA
SELIGMAN, Martin. Felicidade Autêntica. 2002.
EMMONS, Robert. Thanks! How the New Science of Gratitude Can Make You Happier. 2007.
MONTAGNE, Michel de. Ensaios Completos. 1580.
EPICETUS. Manual de Vida (Enchiridion). séc. I.
BROWN, Brené. A Coragem de Ser Imperfeito. 2012.
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teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)
(estrofe 1)
Não nasce do acaso nem da euforia,
não grita, não pede atenção,
a alegria aprende a rotina do dia
e se instala em discreta decisão.
(estrofe 2)
É passo firme que não corre atrás
do aplauso fácil ou do brilho breve,
permanece quando o mundo se desfaz
e ensina o coração a ser leve.
(estrofe 3)
Enquanto tudo exige reação,
ela escolhe constância e cuidado,
não depende do clima da estação,
mas do treino do ser acordado.
(refrão)
Alegria é prática, não emoção,
é disciplina do olhar e do chão,
permaneço leve por convicção:
não cedo meu centro à oscilação.
(estrofe 4)
Há dias em que o peso chama alto,
quer sentar-se no trono do peito,
mas a leveza responde sem sobressalto
com silêncio maduro e direito.
(estrofe 5)
Não se trata de rir sem razão,
nem vestir luz por obrigação,
é escolher, na exata tensão,
não carregar mais do que cabe na mão.
(estrofe 6)
Como músculo que aprende o limite,
a alegria cresce no repetir,
cada gesto fiel acredite
ensina a alma a persistir.
(refrão)
Alegria é prática, não emoção,
é disciplina do olhar e do chão,
permaneço leve por convicção:
não cedo meu centro à oscilação.
(estrofe 7)
A constância não chama atenção,
mas sustenta o que não cai,
é ela quem segura a canção
quando a esperança quase sai.
(estrofe 8)
Assim sigo sem espetáculo algum,
livre da pressa de parecer,
pois ser leve, mesmo incomum,
é trabalho diário do viver.
(ponte)
Lamento os dias em que abandonei
esse treino simples e essencial,
quando, cansado, também pesei
o mundo com meu desalento pessoal.
(refrão)
Alegria é prática, não emoção,
é disciplina do olhar e do chão,
permaneço leve por convicção:
não cedo meu centro à oscilação.
(refrão final)
Hoje eu me amo e escolho continuar,
leve por dentro, mesmo ao sofrer,
sei que a tristeza vai me visitar,
mas não governa meu modo de ser.
EXPLICAÇÃO DO TEMA
A alegria como disciplina desloca a ideia comum de que ser alegre é consequência automática de boas circunstâncias ou de um temperamento naturalmente otimista. Aqui, alegria é compreendida como prática cotidiana, semelhante ao cuidado com o corpo ou à formação de um hábito moral. Psicologicamente, isso dialoga com estudos sobre autorregulação emocional e hábitos mentais, que demonstram que estados internos mais estáveis são fruto de repetição consciente e não de impulsos momentâneos. Tal como alguém que aprende a tocar um instrumento não apenas nos dias inspirados, mas sobretudo nos dias comuns, a alegria disciplinada se constrói na fidelidade ao simples: dormir, acordar, trabalhar, relacionar-se e escolher, reiteradamente, não deixar que o peso do mundo se instale como centro da vida.
Biblicamente, essa noção aparece com clareza na linguagem do “permanecer”. Jesus fala em João 15 sobre permanecer no amor, não como sentimento episódico, mas como atitude contínua. Paulo, ao listar o fruto do Espírito, inclui a alegria ao lado de virtudes que exigem exercício, como domínio próprio e paciência, indicando que ela amadurece com o tempo. Na tradição filosófica, Aristóteles já compreendia a virtude como hábito, algo que se constrói pela prática reiterada e não por atos isolados. O poema reflete essa herança ao mostrar que a alegria não é espetáculo nem negação da tristeza, mas uma constância silenciosa que sustenta a leveza mesmo quando há razões legítimas para sofrer. É justamente essa disciplina que torna a alegria resistente, profunda e humana.
BIBLIOGRAFIA
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. c. 350 a.C.
FRANKL, Viktor E. Em Busca de Sentido. 1946.
NOUWEN, Henri J. M. A Espiritualidade da Disciplina. 1981.
PETERSON, Christopher; SELIGMAN, Martin. Character Strengths and Virtues. 2004.
WILLARD, Dallas. O Espírito das Disciplinas. 1988.
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teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)
(estrofe 1)
Não sou o erro que um dia cometi,
nem o rótulo imposto pelo medo,
há um bem silencioso em mim
que sobrevive ao peso do degredo.
(estrofe 2)
Reconhecer meu valor não me ergue
acima de ninguém que respira,
apenas impede que eu negue
a dignidade que em mim habita.
(estrofe 3)
Humildade não é me diminuir,
nem calar o que é dom recebido,
é saber quem sou ao existir
sem precisar ser mais que o outro vivido.
(refrão)
Há virtude em mim, não por vaidade,
mas por graça e formação,
reconhecer-me digno é verdade,
não soberba do coração.
(estrofe 4)
Quando me vejo só pela falha,
minha alegria aprende a murchar,
mas ao lembrar da chama que trabalha,
posso novamente me levantar.
(estrofe 5)
Não é orgulho afirmar que sou capaz,
é responsabilidade diante da vida,
quem se reconhece inteiro e em paz
não precisa ferir na subida.
(estrofe 6)
Meu valor não nasce da comparação,
nem da disputa por reconhecimento,
brota do simples fato da criação
e do bem que insiste no pensamento.
(refrão)
Há virtude em mim, não por vaidade,
mas por graça e formação,
reconhecer-me digno é verdade,
não soberba do coração.
(estrofe 7)
Quem se odeia espalha dureza,
quem se acolhe aprende a cuidar,
a alegria começa na gentileza
de comigo mesmo dialogar.
(estrofe 8)
Assim sigo inteiro, sem me inflar,
nem rastejar por falsa humildade,
pois me amar é também respeitar
a virtude que em mim habita.
(ponte)
Lamento os dias em que me neguei,
quando confundi culpa com verdade,
e, por não querer ser alegre,
também escondi minha dignidade.
(refrão)
Há virtude em mim, não por vaidade,
mas por graça e formação,
reconhecer-me digno é verdade,
não soberba do coração.
(refrão final)
Hoje eu me amo com lucidez,
escolho alegria sem ilusão,
sei que a tristeza virá outra vez,
mas não me rouba a digna canção.
EXPLICAÇÃO DO TEMA
Reconhecer-se digno sem soberba é um dos fundamentos mais delicados da alegria madura. Psicologicamente, a ausência desse reconhecimento costuma gerar dois extremos igualmente nocivos: a inflação do ego, que se defende atacando, ou a autonegação, que se pune em silêncio. Estudos sobre autoestima saudável demonstram que pessoas capazes de reconhecer suas virtudes sem necessidade de comparação tendem a apresentar maior estabilidade emocional e empatia. Carl Rogers, por exemplo, afirmava que a aceitação positiva de si mesmo é condição para o crescimento pessoal e para relações autênticas. O poema trabalha essa ideia ao mostrar que a virtude interior não é um troféu moral, mas um dado existencial que precisa ser reconhecido para que a alegria tenha chão onde pousar.
Biblicamente, essa tensão entre dignidade e humildade aparece de forma clara na noção de que o ser humano é criado “à imagem e semelhança de Deus” (Gênesis 1:27), o que confere valor intrínseco a cada pessoa. Ao mesmo tempo, Jesus critica a soberba religiosa que transforma virtude em instrumento de superioridade. Paulo sintetiza bem esse equilíbrio ao afirmar: “não pense de si mesmo além do que convém, mas pense com moderação” (Romanos 12:3). Filosoficamente, Aristóteles entendia a virtude como o justo meio entre excessos e faltas, e essa compreensão ecoa no poema: reconhecer a própria dignidade não é exaltar-se, mas posicionar-se corretamente no mundo. A alegria, nesse contexto, nasce quando o sujeito deixa de lutar contra si mesmo e passa a habitar com respeito a própria humanidade.
BIBLIOGRAFIA
ROGERS, Carl R. Tornar-se Pessoa. 1961.
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. c. 350 a.C.
NOUWEN, Henri J. M. Em Nome de Jesus. 1989.
FRANKL, Viktor E. A Presença Ignorada de Deus. 1948.
TAYLOR, Charles. As Fontes do Self. 1989.
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