investigação realizada pelo Pr. Psi. Jor Jônatas David Brandão Mota
Dia1 O Deus que manda exterminar povos (Dt 7:1-6)
Dia2 A destruição sem misericórdia das cidades (Dt 20:10-18)
3. Homens, mulheres e crianças condenados à morte (Dt 2:34; 3:6)
Enquanto Moisés relata o extermínio total dos habitantes, Jesus acolhe crianças, protege os vulneráveis e proclama que o Reino lhes pertence (Marcos 10:13-16).
4. A guerra como vontade divina (Dt 20)
Em contraste com as leis da guerra de Deuteronômio, Jesus ordena que Pedro guarde a espada e rejeita a violência como caminho do Reino (Mateus 26:52).
5. A maldição eterna sobre povos inteiros (Dt 23:3-6)
Onde Deuteronômio exclui determinados povos, Jesus rompe barreiras ao acolher samaritanos, gentios e estrangeiros com igual dignidade (João 4; Lucas 10:25-37).
6. A pena de morte para o filho rebelde (Dt 21:18-21)
Enquanto a lei determina o apedrejamento do filho rebelde, Jesus conta a parábola do pai que abraça e restaura o filho perdido (Lucas 15:11-32).
7. O apedrejamento da mulher acusada de adultério antes do casamento (Dt 22:20-21)
Onde a lei exige a morte, Jesus impede o apedrejamento e oferece perdão acompanhado de um chamado à transformação (João 8:1-11).
8. O apedrejamento por trabalhar outros deuses (Dt 17:2-7)
Em vez de ordenar a morte dos que pensam diferente, Jesus convida as pessoas à fé por meio da verdade, da misericórdia e do amor (João 18:37).
9. Matar até familiares por causa da religião (Dt 13:6-11)
Enquanto Deuteronômio ordena executar parentes idólatras, Jesus nunca autoriza matar por motivos religiosos, mas chama todos ao arrependimento (Lucas 9:54-56).
10. Exterminar uma cidade inteira por idolatria (Dt 13:12-18)
Onde a cidade deve ser destruída, Jesus prefere anunciar o Reino e oferecer oportunidade de conversão (Marcos 1:14-15).
11. A escravidão dos prisioneiros de guerra (Dt 20:10-15)
Enquanto a guerra produz servidão, Jesus ensina que a verdadeira grandeza consiste em servir livremente ao próximo (Marcos 10:42-45).
12. A mulher capturada como esposa (Dt 21:10-14)
Onde a mulher é tratada como espólio de guerra, Jesus trata as mulheres com respeito, dignidade e liberdade (Lucas 8:1-3).
13. O divórcio tratado como documento de dispensa (Dt 24:1-4)
Jesus afirma que essa legislação existiu por causa da dureza do coração humano, apontando para o ideal do amor e da fidelidade (Mateus 19:3-9).
14. A exclusão dos mutilados da assembleia (Dt 23:1)
Enquanto a lei exclui, Jesus acolhe pessoas com deficiências físicas e as coloca no centro de sua compaixão (Lucas 14:13-21).
15. A exclusão dos filhos considerados ilegítimos (Dt 23:2)
Onde há discriminação por origem familiar, Jesus acolhe todas as pessoas sem distinção de nascimento (João 1:12-13).
16. O rigor das bênçãos e maldições (Dt 28)
Enquanto Deuteronômio enfatiza bênçãos e maldições legais, Jesus proclama a graça de Deus até para ingratos e maus (Mateus 5:45).
17. Deus apresentado como autor de enfermidades (Dt 28:21-35)
Em contraste com esse retrato, Jesus dedica seu ministério a curar enfermos e aliviar o sofrimento humano (Mateus 4:23-24).
18. Deus apresentado como destruidor de seu próprio povo (Dt 28:63)
Enquanto Deuteronômio descreve Deus alegrando-se na destruição, Jesus revela o Pai que procura salvar o que se havia perdido (Lucas 19:10).
19. A fome extrema como castigo divino (Dt 28:53-57)
Em vez de usar a fome como punição, Jesus multiplica pães para alimentar multidões necessitadas (Marcos 6:30-44).
20. A vingança atribuída a Deus (Dt 32:35)
Jesus substitui a lógica da vingança pelo mandamento do perdão ilimitado e do amor aos inimigos (Mateus 18:21-22; Mateus 5:44).
21. O Deus descrito como fogo consumidor (Dt 4:24)
Enquanto predomina a imagem do fogo que consome, Jesus revela Deus como Pai misericordioso que acolhe o pecador arrependido (Lucas 15).
22. A ideia de um Deus ciumento (Dt 4:24; 6:15)
Em vez de destacar o ciúme divino, Jesus resume toda a vontade de Deus no amor a Deus e ao próximo (Mateus 22:37-40).
23. O endurecimento provocado por Deus (Dt 2:30)
Enquanto o texto atribui a Deus o endurecimento de um coração, Jesus convida livremente as pessoas à conversão e nunca elimina sua responsabilidade moral (Mateus 11:28-30).
24. O Deus que envia terror aos povos (Dt 2:25)
Em contraste com essa imagem, Jesus envia seus discípulos como mensageiros de paz e reconciliação (Lucas 10:5-9).
25. A promessa de prosperidade condicionada à obediência (Dt 28:1-14)
Jesus ensina que Deus ama também os pobres, os sofredores e os perseguidos, sem reduzir sua bênção ao sucesso material (Lucas 6:20-23).
26. O Deus que amaldiçoa gerações pela desobediência (tema das maldições de Dt 28)
Jesus rompe com a ideia de culpa hereditária ao afirmar que o sofrimento não decorre necessariamente do pecado pessoal ou familiar (João 9:1-3).
27. O exclusivismo nacional de Israel (Dt 7:6-8)
Enquanto Deuteronômio privilegia uma única nação, Jesus envia seus discípulos para fazer discípulos de todas as nações (Mateus 28:19).
28. A religião baseada no medo da punição (Dt 28)
Jesus convida seus seguidores a permanecerem no amor do Pai, não movidos pelo terror, mas pela confiança (João 15:9-15).
29. O Deus guerreiro de Moisés e o Pai revelado por Jesus (síntese)
Enquanto Deuteronômio frequentemente retrata Deus como guerreiro nacional, Jesus revela um Pai universal que ama justos e injustos (Mateus 5:45).
30. Perdoa-me, Senhor, por confundir tua voz com a de minha tradição (síntese)
O eu lírico reconhece que passou a distinguir entre tradições religiosas antigas e a revelação plena do caráter de Deus manifestada em Jesus (João 14:9).
31. Não és o Jeová que imaginei: és o Pai revelado por Jesus (conclusão)
A coleção termina confessando que, para o eu lírico, Jesus se tornou a medida definitiva para compreender quem Deus realmente é: um Pai cuja essência é amor, misericórdia e reconciliação (João 14:6-9; 1 João 4:8).
UM PEDIDO DE PERDÃO
Esta coleção de poemas nasce de uma oração. Não de uma oração de quem pretende corrigir Deus, mas de quem deseja ser corrigido por Ele. Durante muitos anos, li o livro de Deuteronômio acreditando que cada palavra ali registrada expressava, sem distinção, o caráter perfeito do Deus revelado em Jesus Cristo. Entretanto, ao contemplar novamente os Evangelhos, fui profundamente inquietado pela figura daquele que é chamado Emanuel — Deus conosco (Mateus 1:23), que ordena amar os inimigos (Mateus 5:44), perdoar sem limites (Mateus 18:21-22), rejeitar a violência (Mateus 26:52) e revelar um Pai cuja essência é amor (João 14:9). Assim, estes poemas são escritos como uma confissão: "Perdão, Senhor, por tantas vezes imaginar que tua voz era idêntica à voz de homens profundamente marcados por sua história, sua cultura e seu tempo." Essa leitura dialoga com reflexões presentes na crítica histórica do Pentateuco e em autores que destacam a progressividade da revelação bíblica, sem ignorar que outras tradições cristãs compreendem essas passagens de maneira diferente (BRUEGGEMANN, 2001; WRIGHT, 2005).
ENTRE MOISÉS E JESUS
Os poemas não pretendem diminuir a grandeza de Moisés, cuja importância para a história de Israel e para a tradição bíblica é inegável. Antes, procuram reconhecer que ele viveu em um contexto marcado por guerras, impérios, disputas territoriais e concepções religiosas comuns ao antigo Oriente Próximo. Como todo ser humano, interpretou sua experiência com Deus a partir das categorias disponíveis em sua época. Os próprios Evangelhos registram que Jesus relativizou algumas disposições mosaicas ao afirmar: "Por causa da dureza do vosso coração Moisés vos permitiu..." (Mateus 19:8), apontando para um ideal superior. Do mesmo modo, a Carta aos Hebreus apresenta Cristo como a plenitude da revelação (Hebreus 1:1-3), enquanto o Evangelho de João declara que "a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo" (João 1:17). Assim, esta obra assume uma leitura cristocêntrica, na qual toda compreensão sobre Deus é examinada à luz daquele que declarou: "Quem me vê a mim vê o Pai" (João 14:9).
A REVELAÇÃO DO AMOR
Se existe um eixo que une todos estes poemas, esse eixo é a convicção de que o amor revelado por Jesus constitui a expressão mais elevada do caráter divino. Quando Cristo acolhe crianças (Marcos 10:13-16), impede o apedrejamento de uma mulher (João 8:1-11), conversa com samaritanos (João 4), cura estrangeiros (Lucas 17:11-19) e morre perdoando seus algozes (Lucas 23:34), oferece uma hermenêutica pela qual o leitor passa a revisitar toda a Escritura. Não se trata de rejeitar o Antigo Testamento, mas de relê-lo sob a luz daquele que afirmou não ter vindo destruir, mas cumprir (Mateus 5:17). Nesta perspectiva, cada poema representa uma oração de arrependimento pela facilidade com que atribuí ao Deus de Jesus imagens de violência, exclusão ou vingança que, diante dos Evangelhos, já não consigo harmonizar com o amor perfeito anunciado pelo Filho (MOLTMANN, 1974; BORG, 2006).
POESIA COMO CONFISSÃO
Esta obra não deseja oferecer uma sistematização dogmática, mas um testemunho poético. A poesia permite que perguntas permaneçam abertas, que lágrimas convivam com esperança e que o silêncio fale onde conceitos se mostram insuficientes. O eu lírico não escreve como juiz das Escrituras, mas como discípulo que reconhece suas próprias limitações. Cada poema constitui uma pequena oração de arrependimento, semelhante à dos discípulos de Emaús, que precisaram reaprender a ler as Escrituras depois do encontro com o Cristo ressuscitado (Lucas 24:25-27). Assim, o leitor encontrará menos afirmações triunfalistas e mais perguntas dirigidas ao próprio Deus, na esperança de que a verdade seja sempre maior que nossas tradições e que toda teologia permaneça humilde diante daquele que é "o caminho, a verdade e a vida" (João 14:6).
UM CONVITE AO DIÁLOGO
As páginas que seguem não pretendem encerrar o debate, mas ampliá-lo. Ao longo da história da Igreja, diferentes correntes interpretaram de maneiras diversas as narrativas de guerra, juízo e violência presentes no Pentateuco. Alguns as compreenderam literalmente; outros as leram simbolicamente; outros ainda recorreram ao desenvolvimento progressivo da revelação para explicar as diferenças entre os diversos testemunhos bíblicos. Esta coleção situa-se nesse último horizonte interpretativo, reconhecendo que Deus continua convidando seu povo ao discernimento espiritual. Como ensina o apóstolo Paulo, "examinai tudo; retende o bem" (1 Tessalonicenses 5:21). Por isso, estes poemas não exigem concordância absoluta, mas convidam o leitor a caminhar com honestidade intelectual, reverência espiritual e profundo amor por Jesus, deixando que sua vida ilumine novamente todas as páginas da Escritura.
A ORAÇÃO QUE ABRE ESTA COLEÇÃO
Se estas páginas possuem uma única intenção, ela pode ser resumida em uma oração simples: "Perdão, Senhor." Perdão por cada ocasião em que confundi tua voz com a voz de meus medos; por cada vez que atribuí ao teu coração sentimentos incompatíveis com aquele que morreu dizendo: "Pai, perdoa-lhes" (Lucas 23:34); por cada leitura em que enxerguei mais o guerreiro do que o Pai, mais a espada do que a cruz, mais o castigo do que a misericórdia. Que este livro não seja uma celebração da dúvida, mas da busca sincera pela verdade; não um julgamento de Moisés, mas um reconhecimento de que toda compreensão humana é limitada diante da plenitude revelada em Cristo. Se ao final destes poemas eu amar mais profundamente o Deus que Jesus revelou, então esta obra terá alcançado sua finalidade maior.
BIBLIOGRAFIA
- BRUEGGEMANN, Walter. Teologia do Antigo Testamento. 2001.
- BORG, Marcus J. Jesus: Redescobrindo a Vida, os Ensinamentos e a Relevância de um Visionário Religioso. 2006.
- BROWN, Raymond E. Introdução ao Novo Testamento. 1997.
- DUNN, James D. G. Jesus Recordado (Jesus Remembered). 2003.
- FRETHEIM, Terence E. Deuteronomy (Interpretation Commentary). 1991.
- MOLTMANN, Jürgen. O Deus Crucificado. 1974.
- WRIGHT, N. T. Jesus e a Vitória de Deus. 1996.
- WRIGHT, Christopher J. H. Deuteronomy (New International Biblical Commentary). 2005.
- VERMES, Geza. Jesus, o Judeu. 1973.
- VON RAD, Gerhard. Deuteronômio: Comentário ao Antigo Testamento. 1966.
(estrofe 1)
No monte ouvi a antiga narrativa,
Falando em conquista, espada e poder;
Mas tua voz, em graça sempre viva,
Chamava o inimigo para renascer.
(estrofe 2)
Aprendi que cidades pereciam,
Como se o céu pedisse tal rigor;
Mas teus caminhos sempre floresciam,
Regando a terra com perfeito amor.
(estrofe 3)
Vi bandeiras erguidas pela guerra,
Jurando possuir toda a nação;
Mas teu Reino não mede força ou terra,
Só conquista os corações pelo perdão.
(estrofe 4)
Chamaram santa a fúria das batalhas,
Vestindo Deus com trajes de temor;
Mas tua cruz desfez antigas muralhas,
Vestindo o mundo inteiro com amor.
(refrão)
Perdão, Senhor, não és o Jeová que imaginei;
Pois onde havia espada, tua mão semeia o bem.
Se Moisés viu guerras, em Jesus o Pai encontrei;
Amar os inimigos revela quem Tu és. Amém.
(estrofe 5)
Achei que a vitória nascia do combate,
E que vencer era fazer sofrer;
Mas vi teu Filho recusando o embate,
Preferindo sempre restaurar o viver.
(estrofe 6)
Pensei que tua glória fosse o medo,
Que reis se curvassem por terror;
Mas teu trono revelou outro segredo:
Humildade sustentada pelo amor.
(estrofe 7)
As fronteiras pareciam teu desejo,
Separando povos pela condição;
Mas vi Jesus romper qualquer ensejo
De excluir alguém da redenção.
(refrão)
Perdão, Senhor, não és o Jeová que imaginei;
Pois onde havia espada, tua mão semeia o bem.
Se Moisés viu guerras, em Jesus o Pai encontrei;
Amar os inimigos revela quem Tu és. Amém.
(estrofe 8)
Não vi teu rosto no clamor das lanças,
Nem teu olhar na sede de vencer;
Te encontrei sustentando as esperanças
Dos que escolheram sempre proteger.
(estrofe 9)
O vento leva impérios e troféus,
Toda conquista humana chega ao fim;
Mas permanece eterno o Deus dos céus,
Que planta eternidade dentro de mim.
(estrofe 10)
Agora leio a antiga caminhada
Sob a luz daquele que venceu na cruz;
Vejo que toda história iluminada
Só encontra sentido em tua luz.
(ponte)
Lamento quantas vezes transformei tradição em revelação,
Confundindo o eco dos séculos com tua eterna voz.
Defendi uma imagem moldada pelas guerras da civilização,
Sem perceber que teu coração já brilhava em Cristo entre nós.
(refrão)
Perdão, Senhor, não és o Jeová que imaginei;
Pois onde havia espada, tua mão semeia o bem.
Se Moisés viu guerras, em Jesus o Pai encontrei;
Amar os inimigos revela quem Tu és. Amém.
(refrão final)
Agora descanso em Jesus, perfeito Amor sem fim;
Contigo jamais haverá sombra de violência ou rancor.
Deus conosco, ontem, hoje e para sempre junto de mim,
Eternamente reconheço: tua essência é somente amor.
EXPLICAÇÃO DO TEMA
O DEUS REVELADO EM JESUS
O poema parte de uma leitura cristocêntrica das Escrituras, segundo a qual a vida e os ensinamentos de Jesus constituem o principal referencial para compreender o caráter de Deus. Em Deuteronômio 7:1-6, Israel recebe a ordem de destruir determinados povos da terra prometida, texto que historicamente foi compreendido de diferentes maneiras por judeus e cristãos. Já nos Evangelhos, Jesus ensina explicitamente: "Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem" (Mateus 5:43-48), além de repreender os discípulos quando desejam destruir uma aldeia samaritana (Lucas 9:54-56) e ordenar que Pedro guarde sua espada (Mateus 26:52). Nessa perspectiva teológica, o poema expressa a experiência do eu lírico que passa a interpretar as narrativas de guerra do Antigo Testamento à luz da revelação do Pai em Cristo (João 14:9). Essa forma de leitura encontra diálogo em autores como Walter Brueggemann, Christopher J. H. Wright e Jürgen Moltmann, que destacam a necessidade de considerar o desenvolvimento da revelação bíblica e os diferentes contextos históricos em que os textos foram produzidos.
A CONFISSÃO POÉTICA
Mais do que discutir criticamente Deuteronômio, o poema assume o formato de uma oração penitencial. O pedido de perdão não é dirigido a Moisés nem às Escrituras, mas ao próprio Deus, porque o eu lírico reconhece ter identificado, durante muito tempo, toda representação divina presente na Bíblia como expressão direta e definitiva do caráter revelado em Jesus. A obra utiliza imagens como espada, fronteiras, conquistas e muralhas para contrastá-las com a cruz, o perdão, a reconciliação e o amor universal anunciados por Cristo. Assim, o poema procura ilustrar a convicção expressa em textos como João 1:18, Hebreus 1:1-3 e Colossenses 1:15, segundo os quais Jesus manifesta plenamente quem Deus é. Embora essa interpretação seja objeto de debate entre diferentes tradições cristãs, ela constitui o fundamento teológico desta coleção poética, cuja proposta é revisitar Deuteronômio a partir da centralidade da pessoa e da mensagem de Jesus.
BIBLIOGRAFIA
- BRUEGGEMANN, Walter. Teologia do Antigo Testamento. 2001.
- MOLTMANN, Jürgen. O Deus Crucificado. 1974.
- WRIGHT, Christopher J. H. Deuteronomy (New International Biblical Commentary). 2005.
- WRIGHT, N. T. Jesus e a Vitória de Deus. 1996.
- VON RAD, Gerhard. Deuteronômio: Comentário ao Antigo Testamento. 1966.
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Pr.Psi. Jônatas David Brandão Mota... pastorado4
teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)
(estrofe 1)
Leram-me outrora cidades tombando,
Como se o céu sorrisse ao seu fim;
Mas vi teu Filho em lágrimas chorando,
Pois teu amor jamais termina assim.
(estrofe 2)
Muros erguidos, fumaça no horizonte,
Espadas cantando terrível canção;
Mas tua graça tornou-se uma fonte,
Brotando esperança em cada coração.
(estrofe 3)
Chamaram justiça o fogo das ruínas,
Disseram ser santa tamanha aflição;
Mas tua luz floresce entre as colinas,
Semeando paz em vez de punição.
(estrofe 4)
Enquanto reis celebravam vitórias,
Contando cadáveres pelo caminho,
Tu escrevias diferentes histórias,
Acolhendo o fraco com eterno carinho.
(refrão)
Perdão, Senhor, não és o Jeová que imaginei;
Não destróis cidades para provar teu poder.
Jesus chorou por Jerusalém, e nele encontrei
O Deus que deseja salvar, restaurar e viver.
(estrofe 5)
Nenhuma muralha ocultou teu olhar,
Nem torre alguma venceu tua bondade;
Preferiste sempre reconciliar,
Transformando medo em liberdade.
(estrofe 6)
Os ventos espalham cinzas ao chão,
E o tempo consome qualquer fortaleza;
Mas tua palavra ergue a criação,
Vestindo de vida toda tristeza.
(estrofe 7)
Onde esperavam trombetas de guerra,
Ouvi teu convite para recomeçar;
Teu Reino não cresce ferindo a terra,
Mas ensinando o próximo a amar.
(refrão)
Perdão, Senhor, não és o Jeová que imaginei;
Não destróis cidades para provar teu poder.
Jesus chorou por Jerusalém, e nele encontrei
O Deus que deseja salvar, restaurar e viver.
(estrofe 8)
Vi multidões seguindo o desespero,
Pensando vencer pela destruição;
Mas Cristo mostrou outro roteiro:
Salvar primeiro cada coração.
(estrofe 9)
Os séculos passam levando impérios,
Palácios, exércitos e glória vã;
Mas permanece acima dos mistérios
O Deus que oferece nova manhã.
(estrofe 10)
Agora contemplo a santa colina,
Molhada pelas lágrimas de Jesus;
Não vejo vingança que domine ou ensina,
Mas o eterno esplendor da tua luz.
(ponte)
Quanto tempo defendi que tua majestade precisava da devastação,
Como se o amor dependesse do silêncio das cidades vencidas.
Hoje reconheço que confundi antigos relatos de uma nação
Com a voz do Cristo, que veio devolver esperança às vidas.
(refrão)
Perdão, Senhor, não és o Jeová que imaginei;
Não destróis cidades para provar teu poder.
Jesus chorou por Jerusalém, e nele encontrei
O Deus que deseja salvar, restaurar e viver.
(refrão final)
Agora descanso em Jesus, Deus de infinita compaixão;
Teu amor jamais conhece mudança, violência ou rigor.
Para sempre estás conosco, sustentando a criação,
Pois tua eterna identidade será somente Amor.
EXPLICAÇÃO DO TEMA
O CHORO DE JESUS SOBRE JERUSALÉM
O poema estabelece um contraste entre Deuteronômio 20:10-18 e Lucas 19:41-44, a partir de uma leitura cristocêntrica das Escrituras. Em Deuteronômio, Israel recebe instruções relacionadas às guerras de conquista, incluindo, em determinadas circunstâncias, a destruição completa de cidades pertencentes aos povos da terra prometida. Já no Evangelho de Lucas, ao aproximar-se de Jerusalém, Jesus contempla a cidade e chora por ela, lamentando que seus habitantes não tenham reconhecido "o caminho da paz". Em vez de desejar sua destruição, manifesta profundo sofrimento diante das consequências de sua rejeição. O poema utiliza essa diferença como fundamento para uma reflexão poética segundo a qual a revelação do caráter divino encontra sua expressão máxima em Cristo, aquele que afirma revelar plenamente o Pai (João 14:9). Essa perspectiva é desenvolvida por estudiosos como Gerhard von Rad, Christopher J. H. Wright e Walter Brueggemann, que ressaltam a importância de compreender o contexto histórico de Deuteronômio e o desenvolvimento da revelação bíblica ao longo da história de Israel.
A LEITURA CRISTOCÊNTRICA DA ESCRITURA
A proposta do poema não consiste em negar a existência dos relatos de guerra em Deuteronômio, mas em relê-los à luz da pessoa e da missão de Jesus. Nos Evangelhos, Cristo recusa o uso da violência para estabelecer o Reino de Deus, repreende os discípulos quando desejam invocar fogo sobre uma aldeia samaritana (Lucas 9:54-56), ordena que Pedro guarde sua espada (Mateus 26:52) e declara que veio "buscar e salvar o que se havia perdido" (Lucas 19:10). Essas atitudes tornam-se, para o eu lírico, o critério pelo qual toda imagem de Deus é novamente examinada. Assim, o pedido de perdão expresso no poema representa uma confissão espiritual de quem reconhece ter identificado, durante muitos anos, o caráter definitivo de Deus com determinadas representações presentes em antigos contextos de guerra. A coleção assume, portanto, uma perspectiva teológica em que Jesus é entendido como a revelação plena do amor divino (Hebreus 1:1-3; Colossenses 1:15), reconhecendo que essa interpretação convive com outras leituras existentes na tradição cristã.
BIBLIOGRAFIA
- BRUEGGEMANN, Walter. Teologia do Antigo Testamento. 2001.
- WRIGHT, Christopher J. H. Deuteronomy (New International Biblical Commentary). 2005.
- VON RAD, Gerhard. Deuteronômio: Comentário ao Antigo Testamento. 1966.
- MOLTMANN, Jürgen. O Deus Crucificado. 1974.
- WRIGHT, N. T. Jesus e a Vitória de Deus. 1996.
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