POEMAS DE OUTUBRO: GOSTO DE TUDO QUE SOU

   





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PESQUISA BIBLIOGRÁFICA CIENTÍFICA (com IAC)
investigação realizada pelo Pr. Psi. Jor Jônatas David Brandão Mota
uma das atuações do seu Pastorado4
ATENÇÃO
o conteúdo constante nesta página é resultado da busca  de respostas em investigações bibliográficas e científicas, sem nenhum interesse em ofender ou escandalizar quem quer que seja, e, também, um convite à reflexão aos nossos leitores.




GOSTO DE TUDO QUE SOU
VALEU A PENA TUDO QUE CONSTRUI EM MIM




composições durante o mês de outubro de 2026
o conteúdo original que inclui este está 







Atualmente, em outubro 2026, estamos pesquisando e escrevendo este livro





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ÍNDICE




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Dia4   Dia5   Dia6   Dia7   Dia8   Dia9   Dia10   

DIAS 1–4 — IDENTIDADE E MEMÓRIA
Quem sou, de onde vim e como fui construído.

Dia1   GOSTO DE TUDO QUE SOU

Dia2   VALEU A PENA CHEGAR ATÉ AQUI

Dia3   AGRADEÇO A DEUS PELO QUE VIVI

4. O HOMEM QUE FUI CONSTRUINDO

A ideia de identidade como construção permanente. Você não nasceu pronto: foi se tornando, aprendendo, corrigindo, amadurecendo e incorporando novos conhecimentos e responsabilidades.


DIAS 5–12 — AMOR, FAMÍLIA E RELAÇÕES
Pastor, igrejas, pai, esposo, filho, irmão, amigo e colega.

5. GOSTO DE SER PASTOR

A dimensão pastoral da sua vida. Recordar o privilégio de cuidar de pessoas, pregar, aconselhar, acompanhar famílias, enfrentar dificuldades comunitárias e participar da história de muitas vidas.

6. AS IGREJAS QUE MORAM EM MIM

Mais do que os templos e instituições, este poema pode falar das pessoas e histórias que ficaram dentro de você. Cada igreja pastoreada como um capítulo de uma grande memória afetiva e espiritual.

7. GOSTO DE SER PAI

Um poema sobre a paternidade: responsabilidades, alegrias, preocupações, aprendizados e a percepção de que ser pai também transformou profundamente quem você é.

8. GOSTO DE SER ESPOSO

Celebrar a construção da vida a dois, o companheirismo, a história compartilhada, as dificuldades vencidas, o amor amadurecido pelo tempo e tudo aquilo que uma caminhada conjugal acrescentou à sua identidade.

9. GOSTO DE SER FILHO

Olhar para aqueles de quem você recebeu a vida, os primeiros ensinamentos, memórias, valores e referências. Pode também abordar aquilo que permanece dentro de nós mesmo depois que o tempo transforma as relações familiares.

10. GOSTO DE SER IRMÃO

A fraternidade como parte da identidade. Memórias, diferenças, cumplicidades, distâncias, reencontros e o sentimento de pertencer a uma história familiar maior que o próprio indivíduo.

11. GOSTO DE SER AMIGO

Um poema sobre amizade como escolha e presença. Pessoas que chegaram, permaneceram, ajudaram, ensinaram, discordaram, caminharam juntas e deixaram marcas na construção de quem você é.

12. GOSTO DE SER COLEGA

Celebrar as pessoas encontradas no trabalho, na igreja, na academia, nos projetos e na vida pública. Cada convivência como oportunidade de aprender e também de contribuir.


DIAS 13–22 — VOCAÇÕES E SERVIÇO
Psicologia, comportamento humano, teologia, Jesus, escrita, jornalismo, direito, justiça, sociedade e participação pública.

13. GOSTO DE PENSAR PSICOLOGIA

Aqui entra sua atuação e seu interesse pela psicologia e pelo comportamento humano. O poema pode celebrar a descoberta de que compreender a mente, os sentimentos e os comportamentos também é uma forma de cuidar de pessoas.

14. GOSTO DE ESTUDAR A ALMA HUMANA

Uma continuação mais profunda do anterior. A curiosidade pelo ser humano, seus conflitos, traumas, pensamentos, escolhas, emoções, crenças e possibilidades de transformação.

15. GOSTO DE FAZER TEOLOGIA

Um poema sobre pensar Deus, Jesus, a fé, a Bíblia, a espiritualidade e a própria experiência religiosa. Não apenas repetir respostas, mas buscar compreender, questionar e aprofundar.

16. JESUS É A LUZ QUE ME ENSINA

O centro espiritual da série. Jesus como referência de amor, misericórdia, acolhimento, serviço, verdade e responsabilidade diante do próximo — a inspiração para procurar ser luz do mundo e sal da terra.

17. GOSTO DE ESCREVER O QUE PENSO

Celebrar a escrita como instrumento de existência. Aquilo que poderia permanecer apenas como pensamento transforma-se em texto, poema, estudo, reflexão, livro, projeto ou mensagem.

18. GOSTO DE SER JORNALISTA DA VIDA

Um olhar jornalístico sobre o mundo: observar, perguntar, investigar, registrar, interpretar e contar histórias. Não apenas noticiar acontecimentos, mas prestar atenção à realidade das pessoas.

19. GOSTO DE BUSCAR A JUSTIÇA

Aqui entra o direito e também a dimensão social da sua trajetória. Justiça como preocupação humana, cidadã e ética, especialmente diante daqueles que precisam de defesa, oportunidade e dignidade.

20. GOSTO DE SERVIR À SOCIEDADE

O ativismo social e o compromisso comunitário entram em cena. Um poema sobre não conseguir permanecer indiferente diante das necessidades das pessoas e sobre transformar conhecimento e influência em serviço.

21. GOSTO DE PARTICIPAR DA VIDA PÚBLICA

Um poema sobre a dimensão política e cidadã da sua existência: participar dos debates da sociedade, defender ideias, dialogar, acompanhar problemas coletivos e procurar contribuir para a comunidade.

22. GOSTO DAS MUITAS VERSÕES DE MIM

Psicólogo, teólogo, escritor, jornalista, estudioso do direito, pastor, pai, esposo, filho, irmão, amigo, colega, cidadão. Não são pessoas diferentes, mas diferentes dimensões de uma mesma identidade.


DIAS 23–25 — SONHOS E PRODUÇÃO
O que ainda sonho, o que continuo construindo e aquilo que já escrevi.

23. GOSTO DOS SONHOS QUE AINDA TENHO

Olhar para o futuro. A idade e tudo que já foi realizado não encerram os sonhos. Ainda existem projetos, livros, estudos, poemas, trabalhos, pessoas a ajudar e coisas a construir.

24. GOSTO DO QUE AINDA ESTOU CONSTRUINDO

Um poema contra a ideia de que a vida precisa estar pronta. A construção continua: novos conhecimentos, novas obras, novas relações, novas experiências e novas formas de servir.

25. GOSTO DO QUE ESCREVI

Um inventário afetivo da produção intelectual e literária. Livros, poemas, estudos, projetos, pesquisas, reflexões e ideias que nasceram ao longo da caminhada e passaram a existir fora de você.


DIAS 26–28 — PROPÓSITO
As vidas alcançadas e a vocação de ser luz e sal.

26. GOSTO DAS VIDAS QUE TOQUEI

Talvez um dos poemas mais emocionais da série. Não medir a própria trajetória apenas pelo que acumulou, mas também pelas pessoas que receberam alguma palavra, orientação, ajuda, esperança ou oportunidade através de você.

27. GOSTO DE SER LUZ DO MUNDO

Retomar diretamente a imagem de Jesus. A vocação de iluminar caminhos não significa ser perfeito, mas procurar fazer com que a própria existência produza clareza, esperança, conhecimento, amor e serviço.

28. GOSTO DE SER SAL DA TERRA

Complemento do poema anterior. O sal não precisa ocupar todo o espaço para cumprir sua função. A ideia pode representar uma presença que, mesmo silenciosa ou indireta, modifica ambientes e relações.


DIAS 29–31 — GRATIDÃO, RECONCILIAÇÃO E CELEBRAÇÃO
Providência, passado, presente e a grande conclusão: valeu a pena construir em mim a pessoa que hoje posso ser.

29. TUDO QUE DEUS PROVIDENCIOU

Um grande poema de memória e gratidão. Pessoas, oportunidades, encontros, lugares, trabalhos, igrejas, projetos, conhecimentos e circunstâncias que, vistos retrospectivamente, compõem uma espécie de mosaico da providência.

30. EU FARIA TUDO DE NOVO

Não significa negar os erros ou desejar repetir sofrimentos. Significa olhar para a própria trajetória com gratidão suficiente para reconhecer que até os caminhos difíceis participaram da pessoa que você se tornou.

31. GOSTO DE TUDO QUE SOU

Encerramento da série e síntese de todo o projeto. Reunir pastor, pai, esposo, filho, irmão, amigo, colega, cidadão, pesquisador, psicólogo, teólogo, escritor, jornalista, estudioso do direito, sonhador e servidor da sociedade em uma única declaração: “sou grato pela pessoa que me tornei e ainda estou me tornando.”

Dia11   Dia12   Dia13   Dia14   Dia15   Dia16   Dia17   Dia18   Dia19   Dia20   

Dia21   Dia22   Dia23   Dia24   Dia25   Dia26   Dia27   Dia28   Dia29   Dia30   

Dia31   



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PREÂMBULOS ESSENCIAIS

Há momentos na vida em que olhar para trás deixa de ser apenas recordar e passa a ser agradecer. Esta série de poemas nasce desse olhar: não de uma pretensão de apresentar uma vida perfeita, nem de afirmar que todos os caminhos foram fáceis, mas da consciência de que cada experiência, cada encontro, cada responsabilidade, cada aprendizado, cada luta, cada sonho e até mesmo cada dificuldade ajudaram a formar a pessoa que hoje existe. “Ensina-nos a contar os nossos dias para que alcancemos corações sábios” (Sl 90:12). Contar os dias, nesse sentido, não significa simplesmente somar anos, mas reconhecer o valor do caminho percorrido. A existência humana é construída pouco a pouco, nas escolhas conscientes e inconscientes, nos vínculos que estabelecemos, nas palavras que pronunciamos, nas ideias que cultivamos e nas ações que praticamos. Viktor Frankl, ao refletir sobre a busca humana por sentido, mostrou que a vida pode conservar significado mesmo diante das circunstâncias difíceis, porque o ser humano permanece capaz de assumir uma atitude diante daquilo que vive (FRANKL, Viktor E. Em Busca de Sentido. Petrópolis: Vozes). Esta série nasce, portanto, como uma espécie de inventário afetivo e espiritual: olhar para a própria história e dizer, com serenidade, que valeu a pena chegar até aqui; que valeu a pena aprender, servir, amar, estudar, escrever, pastorear, construir relações, enfrentar desafios e continuar sonhando. Não porque tudo tenha acontecido exatamente como se desejava, mas porque, no conjunto, a caminhada produziu uma pessoa que reconhece a beleza de ser quem é.

GOSTAR DE TUDO QUE SOU também significa reconhecer que ninguém se constrói sozinho. Aquilo que somos carrega marcas de muitas pessoas, lugares, acontecimentos e oportunidades que atravessaram nossa existência. Há dentro de cada pessoa uma espécie de biblioteca viva formada por vozes, rostos, conselhos, exemplos, advertências, abraços, perdas, amizades, responsabilidades e descobertas. A Bíblia expressa essa dimensão relacional quando afirma: “Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros” (Rm 12:5). A identidade, portanto, não precisa ser compreendida como uma construção isolada; ela também nasce da convivência. Sou pai porque alguém me ensinou, direta ou indiretamente, alguma coisa sobre paternidade; sou esposo porque uma história de amor e compromisso foi construída a dois; sou filho porque recebi uma história antes mesmo de poder contá-la; sou irmão, amigo e colega porque outras pessoas participaram da minha caminhada; sou pastor porque pessoas confiaram em mim e me permitiram compartilhar partes importantes de suas vidas. Sou também resultado de comunidades, igrejas, estudos, trabalhos, experiências sociais e responsabilidades assumidas ao longo do tempo. Nesse sentido, recordar não é apenas voltar ao passado: é reconhecer os muitos fios que compuseram a trama da própria existência. Como observa Martin Buber, a pessoa se realiza profundamente na relação, no encontro entre “Eu” e “Tu” (BUBER, Martin. Eu e Tu. São Paulo: Centauro). Por isso, estes poemas não serão apenas autorretratos; serão também poemas sobre aqueles que, de alguma maneira, ajudaram a construir a pessoa que hoje olha para sua própria história com gratidão.

Esta série também nasce da convicção de que os conhecimentos e as vocações podem se encontrar dentro de uma mesma existência. Psicologia, teologia, jornalismo, direito, espiritualidade, escrita e participação social não precisam ser compartimentos completamente separados. Podem constituir diferentes instrumentos para compreender e servir o ser humano. A psicologia procura compreender pensamentos, emoções, comportamentos e relações; o direito procura organizar a convivência social e proteger direitos; o jornalismo procura observar, investigar e narrar a realidade; a teologia procura refletir sobre Deus, a fé e o sentido da existência; a escrita transforma pensamentos e experiências em palavras capazes de alcançar outras pessoas. No centro dessa convergência está uma pergunta profundamente humana: o que posso fazer com aquilo que a vida me permitiu aprender? Jesus sintetizou uma parte essencial dessa resposta ao dizer: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5:16). E, antes disso, havia declarado: “Vós sois o sal da terra” e “vós sois a luz do mundo” (Mt 5:13-14). A imagem é poderosa porque não apresenta a existência como simples acumulação de conhecimentos ou conquistas pessoais. Luz existe para iluminar; sal existe para exercer influência; conhecimento pode tornar-se serviço; experiência pode tornar-se cuidado; palavra pode tornar-se esperança. Paulo também aconselha: “Cada um exerça o dom que recebeu para servir aos outros” (1Pe 4:10). Assim, os poemas desta série procuram celebrar não apenas aquilo que foi aprendido ou realizado, mas aquilo que pôde ser compartilhado com outras pessoas. Afinal, uma vida ganha uma dimensão especial quando aquilo que recebemos de Deus, das pessoas e da própria experiência deixa de terminar em nós e passa a beneficiar alguém mais.

Há também, nesta série, uma dimensão de gratidão pela providência. Ao olhar retrospectivamente, muitas vezes percebemos que determinadas portas se abriram quando ainda não compreendíamos sua importância; certas pessoas chegaram em momentos decisivos; determinadas responsabilidades nos fizeram amadurecer; alguns projetos nasceram pequenos e posteriormente ganharam proporções que não imaginávamos. A tradição bíblica está repleta dessa percepção de que a história humana pode ser contemplada à luz da gratidão. “Até aqui nos ajudou o Senhor” (1Sm 7:12) é uma frase que traduz admiravelmente esse sentimento: reconhecer que o caminho percorrido não foi construído apenas pela própria força. A gratidão, porém, não precisa transformar o passado em uma narrativa idealizada. A maturidade também consiste em reconhecer erros, limitações, escolhas que poderiam ter sido diferentes e situações que deixaram feridas. O importante é não permitir que aquilo que doeu tenha a palavra final sobre aquilo que a vida significou. Carl Gustav Jung escreveu que “eu não sou o que aconteceu comigo, eu sou o que escolho me tornar”, ideia frequentemente associada à sua reflexão sobre individuação e amadurecimento psicológico (JUNG, C. G. O Desenvolvimento da Personalidade. Petrópolis: Vozes). A frase, tomada como síntese de sua perspectiva, ajuda a compreender o espírito desta série: a história nos influencia, mas a construção de nós mesmos continua. Por isso, agradecer pelo passado não significa permanecer preso a ele. Significa reconhecer de onde viemos, acolher aquilo que nos formou e continuar caminhando. A providência pode ser contemplada tanto nas lembranças antigas quanto nas oportunidades presentes e nos sonhos futuros. Há coisas que Deus já permitiu viver, coisas que Ele permite viver agora e outras que ainda permanecem como esperança no horizonte.

Por fim, GOSTO DE TUDO QUE SOU — VALEU A PENA TUDO QUE CONSTRUÍ EM MIM é uma declaração de reconciliação com a própria trajetória e, ao mesmo tempo, de abertura para aquilo que ainda está por vir. Não é a afirmação de que a construção terminou. Pelo contrário: talvez uma das maiores belezas da existência seja descobrir que, enquanto houver vida, ainda haverá possibilidade de aprender, mudar, criar, amar, servir e sonhar. “Aquele que começou boa obra em vós há de completá-la” (Fp 1:6) expressa, no horizonte cristão, a confiança de que a vida permanece aberta à ação de Deus. E o próprio Paulo, depois de olhar para uma longa caminhada, escreveu: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé” (2Tm 4:7). Esta série, contudo, não pretende escrever um ponto final. Ela quer abrir janelas. Cada poema será uma janela para uma parte dessa existência: o pastor, o pai, o esposo, o filho, o irmão, o amigo, o colega, o cidadão, o pesquisador, o estudante, o escritor, o jornalista, o homem interessado na psicologia, na teologia, no direito, na sociedade e, sobretudo, no ser humano. Haverá memória, família, fé, trabalho, sonhos, livros, projetos, pessoas e gratidão. Haverá também a consciência de que ser “luz do mundo” não significa ser perfeito, mas permitir que aquilo que recebemos se transforme em benefício para outros. Como escreveu Antoine de Saint-Exupéry, “foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante” (SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. O Pequeno Príncipe. Rio de Janeiro: Agir). Talvez também seja assim com a própria vida: ela se torna preciosa porque investimos nela tempo, cuidado, amor, trabalho, lágrimas, esperança e sonhos. Por isso, durante os 31 dias de outubro, estes poemas serão uma celebração daquilo que foi construído, daquilo que permanece sendo construído e daquilo que ainda poderá nascer. Uma celebração da vida recebida, da vida vivida e da vida que continua florescendo. E, acima de tudo, uma oração silenciosa de gratidão: Senhor, obrigado por tudo aquilo que me permitiste ser, por tudo aquilo que me permitiste fazer e por tudo aquilo que ainda me concedes o privilégio de construir em mim e através de mim.


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POEMAS: *"Gosto de Tudo que Sou"*
DIA 1
poesias e músicas de outubro de 2026
https://psicalmrevista.blogspot.com/2026/09/poemas-de-outubro-gosto-de-tudo-que-sou.html
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*GOSTO DE TUDO QUE SOU*
Abertura da série. Um poema de afirmação da própria identidade, reconhecendo que a pessoa que você se tornou é resultado de uma longa construção, feita de escolhas, experiências, perdas, encontros, sonhos, fé e trabalho.
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POESIA E MÚSICA

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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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(estrofe 1)

Eu gosto de ser quem a vida fez nascer,
Com marcas do caminho, com vontade de crescer,
Nas escolhas e encontros, aprendi a florescer,
E até nas minhas perdas descobri um novo ser.

(estrofe 2)

Eu gosto das perguntas que me fizeram pensar,
Das portas que se abriram, dos lugares a chegar,
Dos sonhos que insistiram quando eu quis desanimar,
E das mãos que me ajudaram novamente a caminhar.

(estrofe 3)

Eu gosto dos meus passos, mesmo os que foram lentos,
Dos dias de coragem, dos dias de tormentos,
Dos planos que mudaram conforme os movimentos,
E da força construída dentro dos acontecimentos.

(estrofe 4)

Eu gosto do que aprendi ouvindo e ensinando,
Do pouco que ofereço e do muito que vou ganhando,
Do homem que descubro enquanto sigo caminhando,
E da vida que me chama para continuar amando.

(refrão)

Eu gosto de tudo que sou, com verdade e gratidão,
Valeu cada construção guardada no coração,
Sou história, sou caminho, sou sonho em expansão,
E abraço quem me tornei com inteira convicção.

(estrofe 5)

Eu gosto dos meus livros, das palavras que escrevi,
Dos pensamentos inquietos que tantas vezes persegui,
Das ideias que nasceram e que um dia dividi,
E das vidas alcançadas por aquilo que aprendi.

(estrofe 6)

Eu gosto de ser pastor, de servir e acolher,
De caminhar com gente, de escutar e compreender,
De repartir esperança quando alguém precisa crer,
E descobrir que, servindo, também pude renascer.

(estrofe 7)

Eu gosto de ser pai, de ser esposo e irmão,
De ser filho, ser amigo, companheiro e cidadão,
Cada vínculo acrescenta uma nova dimensão,
E cada ser amado participa da minha construção.

(refrão)

Eu gosto de tudo que sou, com verdade e gratidão,
Valeu cada construção guardada no coração,
Sou história, sou caminho, sou sonho em expansão,
E abraço quem me tornei com inteira convicção.

(estrofe 8)

Eu gosto de investigar a mente e o comportamento,
De buscar na psicologia respostas e entendimento,
De estudar a teologia com respeito e questionamento,
E transformar conhecimento em serviço e acolhimento.

(estrofe 9)

Eu gosto de escrever, pesquisar e comunicar,
De olhar para a justiça e procurar participar,
De observar a sociedade, suas dores registrar,
E fazer da minha voz uma maneira de ajudar.

(estrofe 10)

Eu gosto dos meus sonhos que ainda estão por vir,
Dos projetos inacabados que ainda quero construir,
Da esperança que me chama para nunca desistir,
E da certeza de que a vida ainda pode florir.

(ponte)

Mas lamento as vezes em que deixei de me querer,
Quando escondi meus sonhos por receio de viver,
Quando fui injusto comigo e deixei de me acolher,
E esqueci que a minha história também merecia florescer.

(refrão)

Eu gosto de tudo que sou, com verdade e gratidão,
Valeu cada construção guardada no coração,
Sou história, sou caminho, sou sonho em expansão,
E abraço quem me tornei com inteira convicção.

(refrão final)

Agora eu me amo e escolho alegremente viver,
Mesmo quando a tristeza tiver razão de aparecer,
Posso acolher meus prantos sem deixar de florescer,
Pois gosto de tudo que sou e ainda quero ser.

EXPLICAÇÃO DO TEMA

A CONSTRUÇÃO DE QUEM SOMOS

Gostar de tudo que somos não significa considerar perfeitas todas as nossas escolhas, nem transformar o passado em uma narrativa sem erros, dores ou contradições. Significa olhar para a própria história com maturidade suficiente para reconhecer que somos resultado de uma construção longa e complexa. Há em nós lembranças, relações, conhecimentos, hábitos, valores, sonhos, perdas, responsabilidades e escolhas que foram se combinando ao longo dos anos. O poema parte exatamente dessa compreensão: “Nas escolhas e encontros, aprendi a florescer” e “Até nas minhas perdas descobri um novo ser”. A psicologia do desenvolvimento e as reflexões sobre identidade mostram que a pessoa não é uma realidade absolutamente pronta; ela se constitui na relação consigo mesma, com os outros e com o mundo. Erik Erikson, ao estudar o desenvolvimento psicossocial, destacou a importância da construção da identidade ao longo das diferentes etapas da vida (ERIKSON, Erik H. Identity: Youth and Crisis. New York: W. W. Norton, 1968). Carl Rogers, por sua vez, valorizou o processo pelo qual a pessoa pode aproximar-se de uma compreensão mais integrada de si mesma, desenvolvendo maior congruência entre aquilo que vive e aquilo que reconhece em si (ROGERS, Carl R. On Becoming a Person. Boston: Houghton Mifflin, 1961). Biblicamente, essa construção também pode ser contemplada sem a necessidade de imaginar uma pessoa pronta desde o início: “Somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras” (Ef 2:10). E Paulo fala de transformação contínua: “Transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Rm 12:2). Assim, gostar de tudo que sou é poder olhar para o conjunto da caminhada e dizer: houve erros, houve acertos, houve lágrimas e houve alegrias, mas tudo isso faz parte da história da pessoa que continuo construindo. É também reconhecer que os diversos papéis da vida — pai, esposo, filho, irmão, amigo, pastor, pesquisador, escritor, estudante e cidadão — não precisam competir entre si; podem compor diferentes dimensões de uma mesma identidade. O poema, portanto, não celebra apenas características pessoais, mas uma trajetória inteira de aprendizagem, relações, responsabilidades, fé, trabalho e serviço.

AMAR A PRÓPRIA VIDA SEM NEGAR A TRISTEZA

A parte final do poema acrescenta uma dimensão importante: amar a si mesmo não significa viver permanentemente alegre, negar o sofrimento ou considerar injustificável toda tristeza. A vida humana comporta emoções diferentes, e uma existência saudável não precisa transformar a alegria em obrigação permanente. A frase “mesmo quando a tristeza tiver razão de aparecer” procura justamente reconhecer essa realidade. Há momentos em que chorar é humano, lamentar é legítimo e reconhecer uma dor é mais honesto do que escondê-la atrás de uma felicidade artificial. A tradição bíblica oferece muitos exemplos disso: os Salmos registram medo, angústia, indignação, esperança e gratidão; Jesus também chorou diante da morte de Lázaro (Jo 11:35), e o Sermão do Monte reconhece os que choram ao afirmar: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados” (Mt 5:4). Ao mesmo tempo, a Bíblia convida à esperança: “Este é o dia que o Senhor fez; regozijemo-nos e alegremo-nos nele” (Sl 118:24). Há, portanto, espaço para a tristeza sem que ela precise governar toda a existência. Viktor Frankl, refletindo sobre sofrimento e sentido, argumenta que a pessoa pode encontrar significado mesmo diante de circunstâncias que não escolheu (FRANKL, Viktor E. Man’s Search for Meaning. Boston: Beacon Press, 1946). Isso ajuda a compreender o movimento do poema: primeiro reconhecer a própria história; depois lamentar as vezes em que deixou de querer ser e viver plenamente; finalmente escolher uma postura de acolhimento e alegria possível. “Agora eu me amo e escolho alegremente viver” não significa dizer que todos os dias serão felizes, mas assumir a decisão de não transformar os dias difíceis em uma rejeição de si mesmo. É uma forma de reconciliação: acolher quem fomos, valorizar quem nos tornamos e continuar abertos àquilo que ainda podemos ser. Nesse sentido, “gosto de tudo que sou” é menos uma declaração de perfeição do que uma declaração de pertencimento à própria história: esta é a minha vida, este é o caminho que percorri, estas são as marcas que carrego, estes são os sonhos que ainda cultivo — e, apesar de tudo, escolho continuar florescendo.

BIBLIOGRAFIA

ERIKSON, Erik H. Identity: Youth and Crisis. New York: W. W. Norton, 1968.

FRANKL, Viktor E. Man’s Search for Meaning. Boston: Beacon Press, 1946.

ROGERS, Carl R. On Becoming a Person. Boston: Houghton Mifflin, 1961.

BUBER, Martin. Eu e Tu. São Paulo: Centauro, 2001.

FROMM, Erich. A Arte de Amar. São Paulo: Martins Fontes, 1956.

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Pr.Psi. Jônatas David Brandão Mota... pastorado4
teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)




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POEMAS: *"Gosto de Tudo que Sou"*
DIA 2
poesias e músicas de outubro de 2026
https://psicalmrevista.blogspot.com/2026/09/poemas-de-outubro-gosto-de-tudo-que-sou.html
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*VALEU A PENA CHEGAR ATÉ AQUI*
Um olhar retrospectivo sobre a caminhada. Não se trata de dizer que tudo foi fácil, mas de reconhecer que até as dificuldades participaram da formação de quem você é hoje.
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POESIA E MÚSICA

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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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(estrofe 1)

Valeu a pena chegar até aqui,
Mesmo quando o caminho pareceu não ter fim,
Houve noites compridas, mas eu resisti,
E a vida, apesar de tudo, ainda floresceu em mim.

(estrofe 2)

Valeu cada manhã que me ensinou recomeçar,
Cada porta fechada que me fez procurar,
Cada sonho adiado que voltou a me chamar,
E cada novo horizonte que aprendi a enxergar.

(estrofe 3)

Valeu cada batalha que precisei enfrentar,
Cada medo vencido antes de poder avançar,
Cada passo inseguro que me fez caminhar,
Pois até a minha fraqueza me ensinou a perseverar.

(estrofe 4)

Valeu cada pessoa que passou pelo meu viver,
Cada abraço recebido, cada jeito de aprender,
Cada voz que me ajudou a melhor compreender,
Que ninguém chega ao presente sem outros para o fortalecer.

(refrão)

VALEU A PENA CHEGAR ATÉ AQUI,
Valeu cada caminho que me trouxe até aqui,
Se a estrada foi difícil, eu não deixei de prosseguir,
E hoje olho para a vida e agradeço por existir.

(estrofe 5)

Valeu cada trabalho que me fez amadurecer,
Cada responsabilidade que me ensinou a responder,
Cada vez que precisei cair e depois me erguer,
Pois a experiência também nasce do aprender a viver.

(estrofe 6)

Valeu cada palavra que um dia pude escrever,
Cada livro, cada estudo, cada ideia a desenvolver,
Cada pessoa alcançada por aquilo que pude oferecer,
E cada pensamento que me fez crescer e compreender.

(estrofe 7)

Valeu ser pastor, servir, escutar e caminhar,
Estar perto de tantas vidas, aconselhar e compartilhar,
Ver comunidades crescerem, novas histórias começar,
E descobrir que servir também é uma maneira de amar.

(refrão)

VALEU A PENA CHEGAR ATÉ AQUI,
Valeu cada caminho que me trouxe até aqui,
Se a estrada foi difícil, eu não deixei de prosseguir,
E hoje olho para a vida e agradeço por existir.

(estrofe 8)

Valeu ser pai, ser esposo, ser filho e ser irmão,
Ser amigo, companheiro, colega e cidadão,
Pois cada vínculo acrescentou outra lição,
E cada amor deixou raízes dentro do coração.

(estrofe 9)

Valeu estudar a mente, a fé e a sociedade,
Buscar psicologia, teologia, justiça e verdade,
Olhar o mundo com perguntas e responsabilidade,
E transformar conhecimento em serviço à humanidade.

(estrofe 10)

Valeu chegar ao presente com sonhos por realizar,
Com projetos ainda vivos e caminhos a explorar,
Com vontade de aprender, escrever e compartilhar,
Porque chegar até aqui também é continuar.

(ponte)

Mas lamento as vezes em que pensei em desistir,
Quando deixei de acreditar que ainda podia florir,
Quando desprezei a estrada por não gostar de prosseguir,
E não percebi que até a dor me ensinava a existir.

(refrão)

VALEU A PENA CHEGAR ATÉ AQUI,
Valeu cada caminho que me trouxe até aqui,
Se a estrada foi difícil, eu não deixei de prosseguir,
E hoje olho para a vida e agradeço por existir.

(refrão final)

Agora eu me amo e escolho alegremente viver,
Mesmo quando a tristeza tiver motivos para aparecer,
Abraço o que vivi e o que ainda posso ser,
Valeu a pena chegar — e vale a pena continuar a florescer.

EXPLICAÇÃO DO TEMA

OLHAR PARA TRÁS SEM NEGAR O CAMINHO

“Valeu a pena chegar até aqui” é uma expressão de reconhecimento da própria trajetória. Ela não significa afirmar que todos os acontecimentos foram bons, nem que todas as escolhas foram corretas. Significa olhar retrospectivamente para a vida e perceber que a pessoa que existe hoje foi sendo formada também por experiências que, no momento em que aconteceram, pareciam apenas obstáculos. Uma porta fechada pode ter obrigado alguém a procurar outro caminho; uma frustração pode ter provocado uma mudança de direção; uma responsabilidade inesperada pode ter desenvolvido maturidade; uma perda pode ter ensinado a valorizar mais profundamente aqueles que permanecem. O poema procura transformar esse olhar retrospectivo em gratidão sem transformar sofrimento em algo desejável. Viktor Frankl, ao refletir sobre sua própria experiência e sobre a busca humana por sentido, destacou que mesmo diante de circunstâncias adversas o ser humano pode procurar um significado para sua existência (FRANKL, Viktor E. Man's Search for Meaning. Boston: Beacon Press, 1946). Na Bíblia, essa perspectiva aparece em diversas imagens. José, depois de atravessar rejeição, escravidão e prisão, consegue interpretar sua história a partir de uma perspectiva mais ampla: “Vós bem intentastes mal contra mim; porém Deus o tornou em bem” (Gn 50:20). O texto não chama o mal de bem; ele distingue a intenção humana da possibilidade de Deus produzir algo novo a partir daquela história. Paulo também escreve que “sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8:28), uma afirmação que não elimina o sofrimento, mas expressa confiança de que ele não precisa ter a última palavra. Assim, o poema percorre memórias de trabalho, família, pastoral, estudos, escrita, relacionamentos e serviço para afirmar que chegar ao presente é resultado de uma longa caminhada. O passado não precisa ser apagado para que o presente seja celebrado. Pelo contrário: reconhecer a estrada, com suas curvas e dificuldades, permite compreender melhor a importância de ter chegado até aqui.

A GRATIDÃO PELO PRESENTE E A ABERTURA PARA O FUTURO

O segundo movimento do tema é perceber que chegar até aqui não significa chegar ao fim. A frase pode ser lida simultaneamente como gratidão pelo passado e como disposição para continuar vivendo. Depois de olhar para trás e reconhecer aquilo que foi construído, o poema termina olhando para frente: “Valeu a pena chegar — e vale a pena continuar a florescer”. Essa imagem é importante porque impede que a retrospectiva se transforme em nostalgia. A vida continua possuindo possibilidades, projetos, responsabilidades e sonhos. Erik Erikson, em sua teoria do desenvolvimento psicossocial, descreveu a existência como um processo que atravessa diferentes etapas, nas quais novas tarefas e possibilidades de amadurecimento continuam surgindo (ERIKSON, Erik H. The Life Cycle Completed. New York: W. W. Norton, 1982). Carl Rogers também compreendeu a pessoa como alguém em processo de tornar-se, valorizando a abertura à experiência e a possibilidade de crescimento ao longo da vida (ROGERS, Carl R. On Becoming a Person. Boston: Houghton Mifflin, 1961). A tradição bíblica igualmente apresenta a existência como caminhada. O apóstolo Paulo, mesmo depois de uma longa trajetória, declara: “Uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo” (Fp 3:13-14). Há aqui uma combinação muito bonita entre memória e movimento: reconhecer o que ficou para trás sem ficar aprisionado nele. O poema também preserva espaço para a tristeza, porque alegria não precisa significar negação da dor. “Mesmo quando a tristeza tiver motivos para aparecer” significa aceitar que haverá dias difíceis, mas decidir que eles não determinarão toda a existência. O Salmo 30 expressa essa passagem com uma imagem poderosa: “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30:5). Portanto, chegar até aqui é motivo de gratidão; permanecer aberto à vida é uma escolha diária. O passado merece reconhecimento, o presente merece ser vivido e o futuro merece ser recebido com esperança.

BIBLIOGRAFIA

FRANKL, Viktor E. Man's Search for Meaning. Boston: Beacon Press, 1946.

ROGERS, Carl R. On Becoming a Person. Boston: Houghton Mifflin, 1961.

ERIKSON, Erik H. The Life Cycle Completed. New York: W. W. Norton, 1982.

JUNG, Carl Gustav. Memories, Dreams, Reflections. New York: Pantheon Books, 1963.

SÊNECA. Sobre a Brevidade da Vida. São Paulo: L&PM, 2007.

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*AGRADEÇO A DEUS PELO QUE VIVI*
Um poema de gratidão pelas providências de Deus ao longo da vida: portas abertas, pessoas encontradas, oportunidades, livramentos, lugares, igrejas, projetos e circunstâncias que contribuíram para sua trajetória.
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POESIA E MÚSICA

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(estrofe 1)

Quando olho para trás, reconheço a Tua mão,
Nas portas que se abriram no momento adequado,
Em cada oportunidade surgida no caminho,
Percebo que meu passo jamais andou sozinho.

(estrofe 2)

Agradeço as pessoas que encontrei pela estrada,
Cada uma deixou em mim alguma marca guardada;
Houve quem trouxe conselho, quem ofereceu abrigo,
E até quem, sem perceber, fez nascer um novo sentido.

(estrofe 3)

Agradeço os lugares onde pude florescer,
As cidades, as casas, os espaços para viver;
Em cada chão pisado, em cada nova paisagem,
Encontrei alguma parte da minha própria viagem.

(estrofe 4)

Agradeço as igrejas que fizeram parte de mim,
Os altares, as pessoas, cada começo e cada fim;
Os sonhos compartilhados, o trabalho e a oração,
As vidas alcançadas no serviço e na comunhão.

(refrão)

AGRADEÇO A DEUS PELO QUE VIVI,
Pelas portas que encontrei, pelas que não destruí;
Por tudo que me trouxe até onde cheguei,
Pelas providências divinas que em minha história encontrei.

(estrofe 5)

Agradeço os projetos que puderam acontecer,
As ideias que ganharam algum modo de nascer;
Cada livro, cada estudo, cada plano realizado,
E também o que parecia perdido, mas foi transformado.

(estrofe 6)

Agradeço os livramentos que nem pude perceber,
Dos perigos silenciosos dos quais não cheguei a saber;
Quantas vezes a vida poderia tomar outra direção,
E alguma circunstância me protegeu sem explicação.

(estrofe 7)

Agradeço as oportunidades que vieram sem aviso,
Os encontros inesperados, cada gesto preciso;
A porta que parecia pequena e acabou dando passagem,
O detalhe aparentemente simples que mudou minha viagem.

(refrão)

AGRADEÇO A DEUS PELO QUE VIVI,
Pelo que chegou até mim e pelo que deixei partir;
Pelas circunstâncias que ajudaram a me formar,
E por tudo que, no tempo certo, me ensinou a caminhar.

(estrofe 8)

Agradeço também os dias que trouxeram provação,
Pois nem toda providência chega como consolação;
Algumas vieram difíceis, exigindo resistência,
Mas deixaram maturidade onde antes havia inexperiência.

(estrofe 9)

Agradeço quem me deu confiança para continuar,
Quem enxergou possibilidades quando eu não pude enxergar;
Quem me chamou para servir, estudar, escrever e construir,
E ajudou minha coragem novamente a ressurgir.

(estrofe 10)

Agradeço o presente que nasceu de tanta história,
As marcas que viraram aprendizado, e o aprendizado, memória;
Hoje compreendo melhor aquilo que atravessei:
Nem tudo saiu como quis, mas muito do que sou eu construí e amei.

(ponte)

Perdoo as vezes em que rejeitei o que a vida me ofereceu,
Em que não quis ser quem eu era, nem viver o que Deus me concedeu;
Houve dias em que esqueci a beleza de simplesmente existir,
E deixei de agradecer justamente pelo que me ajudava a seguir.

(refrão)

AGRADEÇO A DEUS PELO QUE VIVI,
Com tudo que compreendi e com tudo que não compreendi;
Pelos caminhos, pessoas, lugares e dons que recebi,
Por toda a história que, com Tua providência, construí.

(estrofe 11)

Agradeço as mãos que chegaram quando precisei de apoio,
Os afetos que trouxeram serenidade ao meu coração;
A conversa que clareou uma noite confusa,
E a presença que tornou suportável uma travessia dolorosa.

(estrofe 12)

Agradeço o trabalho que me ensinou responsabilidade,
O estudo que ampliou meus olhos para a realidade;
As perguntas que me fizeram procurar compreensão,
E a vontade de transformar conhecimento em contribuição.

(estrofe 13)

Agradeço os sonhos que ainda permanecem acesos,
Pois o futuro também pode trazer novos começos;
Se ontem recebi caminhos que não pude planejar,
Hoje recebo liberdade para escolher onde caminhar.

(estrofe 14)

Agradeço até aquilo que não chegou a acontecer,
As portas fechadas que também me fizeram compreender;
Nem toda ausência foi perda, nem todo atraso foi fracasso,
Às vezes, a vida protege enquanto eu procuro outro passo.

(estrofe 15)

Agradeço a Deus por minha história imperfeita,
Sem transformar sofrimento em coisa bonita ou perfeita;
A gratidão não apaga aquilo que me fez chorar,
Mas me permite olhar para tudo e ainda assim continuar.

(refrão)

AGRADEÇO A DEUS PELO QUE VIVI,
Pelo que fui, pelo que sou e pelo que ainda hei de construir;
Cada providência recebida tem lugar dentro de mim,
E eu agradeço pela estrada que me trouxe até aqui.

(estrofe 16)

Agradeço pelas famílias que a vida me confiou,
Pelos vínculos que o tempo fortaleceu e transformou;
Pelos amores que me ensinaram presença e cuidado,
E por cada coração que caminhou ao meu lado.

(estrofe 17)

Agradeço pelas muitas versões que precisei atravessar,
Pelo homem que fui e pelo que ainda posso me tornar;
Não preciso apagar o passado para seguir em frente,
Posso honrar quem fui e continuar sendo diferente.

(estrofe 18)

Agradeço pela possibilidade de servir e repartir,
Pelo privilégio de aprender enquanto tento contribuir;
Se alguma palavra minha ajudou alguém a prosseguir,
Já encontro nessa pequena semente uma razão para sorrir.

(estrofe 19)

Agradeço porque a vida não terminou no que passou,
Há páginas que o tempo ainda não escreveu nem começou;
Recebo o amanhã sem exigir que seja igual ao que sonhei,
Pois também há providências que ainda não conheci nem encontrei.

(estrofe 20)

E agradeço, sobretudo, pela coragem de permanecer,
Por não deixar as dores decidirem quem devo ser;
Olho para minha história sem vergonha de sentir,
E digo com gratidão: valeu a pena chegar até aqui.

(ponte)

Quantas vezes eu quis fugir de mim e do que eu podia viver,
Quantas vezes rejeitei presentes que não soube perceber;
Hoje lamento esses momentos, mas não quero mais voltar:
Quero acolher minha história e agradecer antes de caminhar.

(refrão)

AGRADEÇO A DEUS PELO QUE VIVI,
Pelo caminho percorrido e pelo que aprendi;
Pelas providências visíveis e pelas que não percebi,
E por tudo que recebi antes mesmo de saber pedir.

(refrão)

AGRADEÇO A DEUS PELO QUE VIVI,
E não quero diminuir aquilo que a vida fez nascer em mim;
Se houve lágrimas, também houve graça, encontro e provisão,
E hoje agradeço de coração por toda essa construção.

(refrão final)

AGORA EU ME AMO E ESCOLHO ALEGREMENTE VIVER,
Mesmo quando a tristeza tiver motivos justos para aparecer;
Não negarei minhas lágrimas, mas não deixarei de sorrir,
Agradeço pelo que vivi e escolho amar o que ainda hei de construir.

A PROVIDÊNCIA NA HISTÓRIA PESSOAL

Agradecer a Deus pelo que se viveu não significa afirmar que todos os acontecimentos foram bons, fáceis ou diretamente desejados por Deus. O sentido mais profundo do tema está em reconhecer, olhando retrospectivamente, que a vida foi composta também por portas abertas, encontros, oportunidades, livramentos, lugares, comunidades, trabalhos, estudos, projetos e circunstâncias que contribuíram para a formação de quem somos. Há uma diferença importante entre dizer “tudo o que aconteceu foi vontade de Deus” e dizer “Deus esteve presente e pude encontrar caminhos de vida mesmo dentro daquilo que aconteceu”. A primeira afirmação pode transformar sofrimento em fatalismo; a segunda permite uma leitura de gratidão sem negar a realidade das perdas. A própria Bíblia oferece essa tensão: José, ao olhar para uma história marcada por injustiça e sofrimento, interpreta posteriormente sua trajetória à luz daquilo que pôde nascer dela (Gn 50:20); Paulo afirma que Deus pode fazer cooperar acontecimentos em favor daqueles que o amam (Rm 8:28), sem afirmar que cada acontecimento isolado seja bom em si mesmo. Os Salmos também mostram que gratidão e sofrimento podem coexistir: “o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30:5). Na psicologia, Viktor Frankl, em Em Busca de Sentido, mostra como a pessoa pode encontrar significado mesmo diante de circunstâncias que não escolheu; Carl Rogers, em Tornar-se Pessoa, valoriza o movimento de aproximação de uma existência mais autêntica; e Erik Erikson, ao estudar o desenvolvimento humano, descreve a importância de olhar para a própria trajetória e integrar suas diferentes etapas. O poema, por isso, não transforma a biografia em uma coleção de milagres nem tenta explicar todas as dores: ele contempla retrospectivamente portas que se abriram, pessoas que chegaram, igrejas que acolheram, projetos que nasceram, oportunidades de servir e situações que produziram aprendizado, reconhecendo nelas motivos legítimos de gratidão. A imagem é semelhante à de quem olha uma paisagem depois de percorrê-la: durante a caminhada, algumas curvas pareciam não fazer sentido; somente depois de algum tempo é possível perceber que determinados desvios também fizeram parte da chegada a determinados lugares.

GRATIDÃO SEM NEGAR A TRISTEZA

O último movimento do poema acrescenta uma dimensão essencial: agradecer pelo que foi vivido não exige abandonar a tristeza. A pessoa pode reconhecer providências, conquistas, relações e oportunidades e, simultaneamente, admitir que existem acontecimentos que ainda doem. Essa integração é psicologicamente mais madura do que obrigar-se a estar feliz o tempo inteiro. A tristeza pode comunicar perda, saudade, frustração ou necessidade de cuidado; a gratidão, por sua vez, pode ampliar o campo de percepção para que a dor não seja a única narrativa sobre a própria vida. Por isso o refrão final afirma uma escolha pela alegria sem declarar guerra às lágrimas: “mesmo quando a tristeza tiver motivos justos para aparecer”. Essa ideia encontra eco nas Escrituras: Jesus chorou diante da morte de Lázaro (Jo 11:35), o que mostra que fé e lágrimas não são incompatíveis; os “que choram” são acolhidos no Sermão do Monte (Mt 5:4); e Paulo recomenda uma postura de gratidão sem transformar isso em negação da realidade (1Ts 5:18). Também há uma dimensão de memória agradecida em “até aqui nos ajudou o Senhor” (1Sm 7:12): a lembrança não serve apenas para olhar para trás, mas para sustentar a caminhada seguinte. Em termos existenciais, a gratidão transforma a memória em fonte de sentido: a pessoa passa a perceber que sua história contém dores que precisam ser respeitadas, mas também encontros que merecem ser celebrados, trabalhos que tiveram valor, conhecimentos adquiridos, vínculos construídos, serviços prestados e oportunidades que não devem ser esquecidas. É nesse sentido que o poema diz “agora eu me amo”: não como uma declaração de perfeição, mas como uma decisão de não rejeitar mais a própria história. Amar a si mesmo aqui significa acolher o homem que se foi construindo, reconhecer erros sem reduzir-se a eles, agradecer os dons sem atribuí-los exclusivamente ao próprio mérito e continuar aberto ao futuro. A ideia também dialoga com Henri Nouwen, especialmente em sua reflexão sobre identidade e acolhimento, e com a tradição filosófica da reflexão sobre a vida vivida. Assim, a gratidão do poema não é uma tentativa de romantizar o passado: é uma maneira de dizer que, apesar das lágrimas, existem razões concretas para agradecer; apesar das perdas, existem pessoas e experiências a celebrar; apesar dos caminhos interrompidos, existem outros que se abriram; e, sobretudo, apesar de tudo aquilo que não pôde ser escolhido, ainda existe a possibilidade de escolher como olhar para a própria história e como viver aquilo que ainda está por vir.

BIBLIOGRAFIA

FRANKL, Viktor E. Em Busca de Sentido: Um Psicólogo no Campo de Concentração. 1946.

ROGERS, Carl R. Tornar-se Pessoa. 1961.

ERIKSON, Erik H. O Ciclo de Vida Completo. 1982.

NOUWEN, Henri J. M. The Return of the Prodigal Son: A Story of Homecoming. 1992.

JUNG, Carl Gustav. Memórias, Sonhos, Reflexões. 1963.

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