JANEIRO, POEMAS: PERDÃO, SENHOR, NÃO ÉS O JEOVÁ 3

  





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PESQUISA BIBLIOGRÁFICA CIENTÍFICA (com IAC)
investigação realizada pelo Pr. Psi. Jor Jônatas David Brandão Mota
uma das atuações do seu Pastorado4
ATENÇÃO
o conteúdo constante nesta página é resultado da busca  de respostas em investigações bibliográficas e científicas, sem nenhum interesse em ofender ou escandalizar quem quer que seja, e, também, um convite à reflexão aos nossos leitores.






PERDÃO, SENHOR, NÃO ÉS O JEOVÁ 3




composições durante o mês de janeiro de 2024
o conteúdo original que inclui este está 






Atualmente, em janeiro 2026, estamos pesquisando e escrevendo este livro


"Perdão, Senhor! Não És o Jeová"


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ÍNDICE




001   DEUS QUE ENDURECE CORAÇÕES

002   DEUS QUE ENVIA PRAGAS MORTAIS

003   DEUS QUE MATA CRIANÇAS

004   DEUS QUE USA O SOFRIMENTO COMO PEDAGOGIA

005   DEUS QUE SE ALEGRA COM O CAOS

006   DEUS QUE EXIGE SANGUE PARA AGIR

007   DEUS QUE FAZ DISTINÇÃO ÉTNICA

008   DEUS QUE LEGITIMA A VINGANÇA

009   DEUS QUE SE GLORIFICA NA MORTE

010   DEUS GUERREIRO ARMADO

011   DEUS QUE CONFUNDE PARA DOMINAR

012   DEUS QUE AGE PELO MEDO

013   DEUS QUE NÃO PODE SER QUESTIONADO

014   DEUS QUE EXIGE MEDIAÇÃO EXCLUSIVA

015   DEUS QUE AMEAÇA MATAR SEU ENVIADO

016   DEUS QUE ACEITA VIOLÊNCIA RITUAL

017   DEUS QUE SE IRRITA COM FRAQUEZAS

018   DEUS QUE TESTA COM FOME

019   DEUS QUE CASTIGA DÚVIDAS

020   DEUS QUE SE REVELA EM TERROR

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028   029   030   031   

021   DEUS QUE IMPÕE LEIS SEM CONTEXTO HUMANO

022   DEUS QUE PUNE COLETIVAMENTE

023   DEUS QUE AUTORIZA MATANÇAS RELIGIOSAS

024   DEUS QUE SE ARREPENDE

025   DEUS QUE PRECISA SER APLACADO

026   DEUS QUE HABITA EM OBJETOS

027   DEUS QUE SE ESCONDE

28. DEUS QUE EXIGE PUREZA RITUAL
Santidade é associada a regras externas. Jesus redefine pureza como amor vivido.

29. DEUS QUE CONFUNDE PODER COM SANTIDADE
Autoridade religiosa é tratada como sagrada. Jesus subverte isso lavando pés.

30. DEUS QUE FALA MAIS POR LEI QUE POR AMOR
O Êxodo privilegia mandamentos. Jesus revela que o amor cumpre toda a lei.

31. DEUS AINDA NÃO PLENAMENTE CONHECIDO
O maior limite do Êxodo não é a falsidade, mas a incompletude. Jesus é a revelação plena, perfeita e definitiva de Deus.



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PREÂMBULOS ESSENCIAIS

CONFISSÃO QUE ABRE CAMINHO
Este estudo nasce como uma oração em forma de poesia, um pedido de perdão que não acusa Deus, mas reconhece meus próprios limites de leitura e fé. Durante muito tempo, atribuí ao Deus perfeito e amoroso atitudes que jamais poderiam nascer do coração revelado em Jesus. Ao iniciar este caminho, reconheço que a Bíblia carrega a beleza da Revelação, mas também as marcas profundas da humanidade de quem a escreveu.

A REVELAÇÃO É MAIOR QUE MOISÉS
Moisés foi um gigante espiritual, mas não foi a Revelação inteira. Ele tocou o mistério eterno com mãos humanas, situadas em um tempo de violência, medo e estruturas tribais. Este estudo parte da convicção de que Deus sempre se revelou, desde Adão, mas nunca foi totalmente compreendido por ninguém — e isso não diminui a fé, pelo contrário, a amadurece.

JESUS COMO CRIVO DA FÉ
Ao olhar para o Êxodo a partir de Jesus, algo essencial se esclarece: só é plenamente de Deus aquilo que é coerente com a vida, as palavras e o espírito de Cristo. Jesus não relativiza Deus; Ele O revela. Tudo o que contradiz seu amor, sua misericórdia, sua paciência e seu cuidado com os vulneráveis precisa ser relido com honestidade e coragem.

ENTRE O TEXTO E O TESTEMUNHO
O livro de Êxodo contém relatos sublimes de libertação, mas também narrativas que atribuem a Deus mortes, violências e punições incompatíveis com o Pai anunciado por Jesus. Este estudo não rejeita o texto bíblico, mas distingue entre o testemunho humano e a essência divina. Onde há medo, vingança e crueldade, há mais do ser humano do que de Deus.

POESIA COMO CAMINHO DE CURA
Escolher a poesia para este percurso não é estética, é método espiritual. A poesia permite dizer o indizível, lamentar sem negar, amar sem simplificar. Cada poema será um espaço de escuta, onde a fé descansa, a culpa se dissolve e Deus deixa de ser um juiz temido para voltar a ser abrigo.

UM DEUS QUE NÃO PRECISA SER DEFENDIDO
Ao longo dos anos, defendi um Deus que precisava justificar massacres, castigos coletivos e sofrimentos extremos. Hoje compreendo: o Deus de Jesus não precisa dessas defesas. Ele se revela no perdão, no toque, na mesa compartilhada e na cruz que denuncia a violência humana — não a vontade divina.

JANEIRO COMO TEMPO DE ÊXODO INTERIOR
Durante janeiro de 2026, cada dia será um pequeno êxodo: sair de imagens adoecidas de Deus e caminhar em direção à fé que gera descanso. Não será um ataque à Escritura, mas um retorno ao seu centro. Não será uma negação da tradição, mas um aprofundamento nela, à luz do Cristo vivo.

DESCANSAR EM DEUS, FINALMENTE
Este estudo-poesia tem um objetivo simples e profundo: permitir que eu — e quem caminhar comigo — possa finalmente descansar em Deus. Não no Deus do medo, mas no Deus do amor. Não no Deus das ordens sangrentas, mas no Deus que chora com os oprimidos e perdoa seus algozes. Em Jesus, Deus não assusta; Ele acolhe.

BIBLIOGRAFIA

  1. MARCION DE SINOPE. Antíteses. c. 140 d.C.

  2. BORG, Marcus J. The God We Never Knew. 1997.

  3. CROSSAN, John Dominic. Jesus: Uma Biografia Revolucionária. 1994.

  4. WINK, Walter. Engaging the Powers. 1992.

  5. SPONG, John Shelby. Jesus for the Non-Religious. 1996.

  6. RIBEIRO, Claudio de Oliveira. O Deus Violento da Bíblia?. 2019.

  7. EHRMAN, Bart D. Jesus: Apocalíptico Profeta do Novo Milênio. 1999.

  8. BOFF, Leonardo. Jesus Cristo Libertador. 1972.

  9. GIRARD, René. O Bode Expiatório. 1982.

  10. DUNN, James D. G. Jesus Remembered. 2003.



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DIA 1
POEMAS: *"Perdão, Senhor! Não És o Jeová"*
poesias e músicas de janeiro de 2026
https://psicalmrevista.blogspot.com/2025/12/janeiro-poemas-perdao-senhor-nao-es-o.html
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*DEUS QUE ENDURECE CORAÇÕES*
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O texto afirma que Deus endureceu o coração do faraó (Ex 9:12). À luz de Jesus, Deus não manipula consciências nem força decisões; respeita a liberdade humana. O endurecimento é uma leitura teológica do autor, não uma ação direta do Pai revelado por Cristo.
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POESIA E MÚSICA
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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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música1
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(estrofe)
Dizem que Deus fechou o peito do rei
Como quem gira a chave de um querer
Mas amor não governa pela lei
Nem força o passo de quem não quer ver

(estrofe)
O texto grita o medo de um tempo cruel
Onde poder se chama divindade
Mas Jesus mostra o rosto fiel
De um Pai que chama, nunca invade

(estrofe)
O coração do faraó já era pedra
Antes de qualquer praga ou sinal
O autor leu Deus na própria vereda
Projetou no céu seu mundo brutal

(refrão)
Deus não endurece, Deus não violenta
Não move a alma como marionete
O Pai de Jesus ama e respeita
A escolha humana, mesmo quando fere

(estrofe)
Liberdade assusta quem quer controle
Por isso chamaram Deus de opressor
Mas Cristo revela outro polo
Um Pai paciente, educador

(estrofe)
O endurecer foi leitura tardia
De quem temia perder a razão
Jesus prefere a pedagogia
Do convite livre do coração

(estrofe)
Onde há coerção, não há Reino
Onde há medo, não há Pai
O Deus de Jesus é terreno
Que espera a semente brotar

(refrão)
Deus não endurece, Deus não violenta
Não move a alma como marionete
O Pai de Jesus ama e respeita
A escolha humana, mesmo quando fere

(estrofe)
Hoje releio o texto com calma
Sem precisar culpar o Céu
O que endurece é a própria alma
Quando o amor não floresceu

(ponte)
Lamentei quando deixei de me amar
Buscando em outros o meu valor
Troquei meu ser por aplauso e lugar
E me afastei do meu próprio amor

(refrão)
Deus não endurece, Deus não violenta
Não move a alma como marionete
O Pai de Jesus ama e respeita
A escolha humana, mesmo quando fere

(ponte)
Defendi um Deus que anulava a razão
Para sustentar textos e sistemas
Hoje confesso minha confusão
Confundi Revelação com meus esquemas

(refrão)
Deus não endurece, Deus não violenta
Não move a alma como marionete
O Pai de Jesus ama e respeita
A escolha humana, mesmo quando fere

(refrão final)
Hoje eu me amo sem condição
Na dor, no erro ou na alegria
Aprendi que amar a mim não é traição
É caminho santo de cura diária

(refrão final)
Hoje eu descanso em Jesus, enfim
Deus conosco, manso e fiel
Não o Jeová do medo em mim
Mas o Pai amor revelado em Emanuel

EXPLICAÇÃO DO TEMA

A afirmação de que Deus “endureceu o coração do faraó” (Ex 9:12) reflete uma leitura teológica típica do mundo antigo, onde toda ação histórica era atribuída diretamente à divindade. Autores bíblicos, imersos em estruturas de poder e dominação, interpretavam a resistência humana como intervenção divina. No entanto, à luz de Jesus, essa compreensão se revela limitada. Cristo jamais manipulou consciências; ao contrário, chamou pessoas livremente, aceitou recusas (Lc 18:18–23) e chorou diante de rejeições (Lc 19:41). O endurecimento do faraó pode ser melhor entendido como a consequência de suas próprias escolhas políticas e morais, posteriormente teologizadas pelo autor do Êxodo.

Jesus revela um Deus que respeita profundamente a liberdade humana, mesmo quando ela conduz ao erro. Teólogos como Walter Wink e John Dominic Crossan demonstram que a Bíblia contém tanto revelação divina quanto projeções humanas sobre Deus. Quando lemos o Antigo Testamento a partir de Cristo, percebemos que coerção, manipulação e endurecimento não pertencem ao Pai revelado por Ele. O poema expressa esse deslocamento interior: sair de um Deus controlador para um Deus que educa pelo amor, e, nesse processo, aprender também a amar a si mesmo sem culpa, descansando finalmente em um Deus que não violenta, mas acompanha.

BIBLIOGRAFIA

  1. WINK, Walter. Engaging the Powers. 1992.

  2. CROSSAN, John Dominic. The Power of Parable. 2012.

  3. BORG, Marcus J. The Heart of Christianity. 2003.

  4. SPONG, John Shelby. Biblical Literalism: A Gentile Heresy. 2016.

  5. BOFF, Leonardo. Jesus Cristo Libertador. 1972.

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teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)



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DIA 2
POEMAS: *"Perdão, Senhor! Não És o Jeová"*
poesias e músicas de janeiro de 2026
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*DEUS QUE ENVIA PRAGAS MORTAIS*
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As pragas são apresentadas como castigos deliberados de Deus (Ex 7–12). Jesus, porém, nunca matou para ensinar; Ele cura, restaura e chama à conversão pelo amor, revelando um Deus que não educa pela destruição.
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POESIA E MÚSICA
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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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música1
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(estrofe)
Chamaram praga de lição divina
Sangue e luto como pedagogia
Mas amor não fere nem elimina
Não ensina a vida pela agonia

(estrofe)
O texto narra um tempo endurecido
Onde poder vestia nome sagrado
Projetaram no Céu o som do grito
De um mundo violento e armado

(estrofe)
Moscas, trevas, dor sobre dor
Foram lidas como gesto do Senhor
Mas Jesus jamais ensinou pelo terror
Nem revelou um Pai destruidor

(refrão)
Deus não mata para convencer
Não educa pela destruição
Em Jesus aprendemos a crer
Num Pai que cura o coração

(estrofe)
Quem vê Deus punindo aprende a temer
Quem vê Jesus aprende a amar
Um governa pelo fazer sofrer
O outro chama para libertar

(estrofe)
As pragas dizem mais do autor
Que do Deus que diziam narrar
Cristo desfaz esse clamor
Mostrando o Pai a restaurar

(estrofe)
Onde a morte era voz de comando
Jesus semeia vida em abundância
Enquanto uns viam Deus castigando
Ele tocava a dor com ternura e constância

(refrão)
Deus não mata para convencer
Não educa pela destruição
Em Jesus aprendemos a crer
Num Pai que cura o coração

(estrofe)
Hoje leio Êxodo com outros olhos
Sem precisar temer o Céu
A morte não vem dos joelhos
Do Deus que em Cristo apareceu

(ponte)
Lamento as vezes que não me amei
Buscando valor fora de mim
Troquei meu ser pelo que alcancei
E me perdi antes do fim

(refrão)
Deus não mata para convencer
Não educa pela destruição
Em Jesus aprendemos a crer
Num Pai que cura o coração

(ponte)
Defendi um Deus que feria povos
Para sustentar doutrina e poder
Hoje confesso: errei de novo
Confundi violência com saber

(refrão)
Deus não mata para convencer
Não educa pela destruição
Em Jesus aprendemos a crer
Num Pai que cura o coração

(refrão final)
Hoje descanso em Jesus, enfim
Deus é amor, e não poderia ser
Jamais, por motivo algum, diferente de si
Deus conosco, vivendo para acolher

EXPLICAÇÃO DO TEMA

Os relatos das pragas no Êxodo (Ex 7–12) refletem uma mentalidade antiga que atribuía diretamente a Deus todos os acontecimentos históricos, inclusive catástrofes naturais, epidemias e mortes em massa. Em culturas marcadas por reis-sacerdotes e deuses punitivos, era comum interpretar tragédias como instrumentos pedagógicos da divindade. Contudo, quando Jesus surge na história, Ele rompe radicalmente com essa lógica: diante de doenças, não culpa; diante do pecado, não destrói; diante da morte, chora e devolve a vida (Jo 11:35–44). O poema confronta essa tensão ao afirmar que o Deus revelado por Cristo não educa pela morte, mas pela misericórdia, revelando que as pragas dizem mais sobre a leitura humana de Deus do que sobre o próprio Deus.

Biblicamente, Jesus corrige explicitamente a ideia de um Deus que castiga por meio de tragédias ao afirmar que vítimas de desastres não são mais culpadas que outras (Lc 13:1–5). Teólogos como Marcus Borg e Walter Wink destacam que a revelação é progressiva e culmina em Cristo, que se torna o critério de leitura de toda a Escritura. Assim, as pragas podem ser compreendidas como “acréscimos humanos”, interpretações teológicas de um povo oprimido tentando dar sentido à sua libertação. O poema assume essa releitura cristocêntrica e confessional: abandonar um Deus violento também exige aprender a amar a si mesmo e, por fim, descansar em Jesus como a expressão definitiva de um Deus que jamais seria outra coisa senão amor.

BIBLIOGRAFIA

  1. BORG, Marcus J. The God We Never Knew. 1997.

  2. WINK, Walter. The Powers That Be. 1998.

  3. CROSSAN, John Dominic. Jesus: A Revolutionary Biography. 1994.

  4. SPONG, John Shelby. Rescuing the Bible from Fundamentalism. 1991.

  5. BOFF, Leonardo. Paixão de Cristo, Paixão do Mundo. 1977.

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DIA 3
POEMAS: *"Perdão, Senhor! Não És o Jeová"*
poesias e músicas de janeiro de 2026
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*DEUS QUE MATA CRIANÇAS*
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A morte dos primogênitos egípcios (Ex 12:29) entra em choque com Jesus, que acolhe, protege e afirma que o Reino pertence às crianças (Mt 19:14). Aqui aparece um claro acréscimo humano à revelação.
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POESIA E MÚSICA
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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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música1
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(estrofe)
Na noite narrada como juízo final
Chamaram justiça o choro infantil
Mas não há justiça no trauma letal
Nem céu algum que cele o funil

(estrofe)
Primogênitos caem no texto antigo
Como preço de um poder ferido
Mas Jesus se faz abrigo
De todo pequeno corpo oprimido

(estrofe)
Quando a pena atinge o inocente
Algo no sagrado se rompe ali
Pois o Deus revelado plenamente
Jamais pisaria onde Jesus sorri

(refrão)
Não vem de Deus matar criança
Nem usar a dor como sinal
Jesus é colo, não vingança
É amor total, original

(estrofe)
O relato carrega a marca do medo
De um povo lendo Deus pela guerra
Mas Cristo desfaz esse enredo
Plantando ternura sobre a terra

(estrofe)
Criança não é argumento teológico
Nem moeda de libertação
No Reino anunciado no Evangelho
Elas são centro e revelação

(estrofe)
Quem atribui morte ao Pai da vida
Confunde história com revelação
Jesus corrige essa ferida
Com mãos abertas e compaixão

(refrão)
Não vem de Deus matar criança
Nem usar a dor como sinal
Jesus é colo, não vingança
É amor total, original

(estrofe)
Hoje leio Êxodo com reverência
E também com discernimento
Nem tudo ali é consciência
Há muito limite humano no intento

(ponte)
Lamento as vezes que me abandonei
Por tentar valer mais no olhar alheio
Troquei meu ser pelo que acumulei
E me perdi no próprio meio

(refrão)
Não vem de Deus matar criança
Nem usar a dor como sinal
Jesus é colo, não vingança
É amor total, original

(ponte)
Lamento ter defendido um Deus cruel
Por zelo cego e tradição herdada
Confundi o Pai fiel
Com a voz humana, mal interpretada

(refrão)
Não vem de Deus matar criança
Nem usar a dor como sinal
Jesus é colo, não vingança
É amor total, original

(refrão final)
Hoje descanso em Jesus, enfim
Deus é amor, e não poderia ser
Jamais, por motivo algum, diferente de si
Deus conosco, nas crianças a florescer

EXPLICAÇÃO DO TEMA

A morte dos primogênitos egípcios (Ex 12:29) representa um dos pontos mais críticos da leitura literal do Êxodo, pois entra em choque direto com o caráter de Deus revelado por Jesus. No contexto do antigo Oriente Próximo, era comum atribuir às divindades atos extremos como forma de demonstrar poder, justiça ou superioridade sobre outros deuses. O autor bíblico interpreta a libertação de Israel com as categorias teológicas disponíveis à sua época, projetando em Deus ações que hoje, à luz do Evangelho, se mostram incompatíveis com o amor divino. Jesus, ao contrário, coloca a criança no centro do Reino (Mt 19:14), protege os vulneráveis e denuncia qualquer forma de escândalo ou violência contra os pequenos (Mt 18:6).

A releitura cristocêntrica propõe que esse episódio seja entendido como um acréscimo humano à revelação: uma tentativa de explicar a vitória histórica usando imagens de juízo absoluto. Teólogos como James Alison e René Girard ajudam a compreender como a Bíblia, em seu processo, vai desmascarando a violência sagrada até culminar em Cristo, que rompe definitivamente com o mecanismo do bode expiatório. Jesus não mata crianças para salvar um povo; Ele se entrega para salvar a todos. O poema assume essa chave: rejeitar um Deus que mata inocentes não é negar a fé, mas levá-la à sua maturidade plena em Jesus, onde Deus é reconhecido como amor sem exceção.

BIBLIOGRAFIA

  1. GIRARD, René. O Bode Expiatório. 1982.

  2. ALISON, James. A Fé Além do Ressentimento. 2001.

  3. BORG, Marcus J. Reading the Bible Again for the First Time. 2001.

  4. SPONG, John Shelby. Why Christianity Must Change or Die. 1998.

  5. CROSSAN, John Dominic. How to Read the Bible and Still Be a Christian.

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POEMAS: *"Perdão, Senhor! Não És o Jeová"*
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*DEUS QUE USA O SOFRIMENTO COMO PEDAGOGIA*
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O sofrimento coletivo é interpretado como método educativo divino. Em Jesus, Deus não traumatiza para ensinar; Ele consola, acompanha e transforma a dor em caminho de vida.
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POESIA E MÚSICA
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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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música1
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(estrofe)
Chamaram dor de lição sagrada
E a perda, método do céu
Mas nenhuma alma é lapidada
Quando o ensino fere o véu

(estrofe)
O sofrimento coletivo foi lido
Como quadro-negro do Senhor
Mas Jesus nunca fez do gemido
A cartilha dura do amor

(estrofe)
Onde disseram: “Deus está ensinando”
Havia fome, exílio e chão quebrado
Cristo chega sempre acompanhando
Nunca punindo o já machucado

(refrão)
Deus não traumatiza para formar
Não educa ferindo o coração
Em Jesus, aprende-se a amar
Sem violência, sem imposição

(estrofe)
A teologia do chicote e da prova
Nasce do medo, não da cruz
Pois quem vê Deus na dor que reprova
Ainda não viu o rosto de Jesus

(estrofe)
Jesus não explica a dor com culpa
Nem chama a lágrima de dever
Ele senta ao lado, escuta
E transforma o sofrer em viver

(estrofe)
Onde havia trauma travestido de zelo
Cristo oferece cuidado e pão
O Pai não escreve em gelo
Mas em presença e compaixão

(refrão)
Deus não traumatiza para formar
Não educa ferindo o coração
Em Jesus, aprende-se a amar
Sem violência, sem imposição

(estrofe)
Hoje releio a fé com mais verdade
Separando dor de revelação
Nem toda tragédia é vontade
Há muito humano na narração

(ponte)
Lamento as vezes que deixei de me amar
Por amar demais o que me exigia
Troquei meu valor por tentar agradar
E me feri chamando isso de pedagogia

(refrão)
Deus não traumatiza para formar
Não educa ferindo o coração
Em Jesus, aprende-se a amar
Sem violência, sem imposição

(ponte)
Lamento ter defendido um Deus severo
Que ensinaria pela humilhação
Confundi o Pai verdadeiro
Com discursos moldados na opressão

(refrão)
Deus não traumatiza para formar
Não educa ferindo o coração
Em Jesus, aprende-se a amar
Sem violência, sem imposição

(refrão final)
Hoje descanso em Jesus, o Deus amor
Jamais, por motivo algum, seria dor
Deus conosco no consolar
Presente fiel em todo caminhar

EXPLICAÇÃO DO TEMA

A ideia de que Deus usa o sofrimento como método pedagógico aparece em várias leituras bíblicas tradicionais, especialmente quando tragédias coletivas — exílio, fome, derrotas militares — são interpretadas como “lições divinas”. No entanto, essa compreensão reflete mais a mentalidade punitiva e disciplinar das culturas antigas do que o caráter de Deus. Jesus rompe explicitamente com essa lógica ao rejeitar a associação direta entre dor e culpa (Jo 9:1–3; Lc 13:1–5). Em vez de explicar o sofrimento como ensino imposto por Deus, Ele se aproxima dos feridos, chora com os que choram e restaura dignidades, revelando um Pai que não educa pelo trauma.

Do ponto de vista psicológico e pastoral, a teologia do sofrimento pedagógico gera culpa, medo e adoecimento espiritual. Autores como Henri Nouwen e Viktor Frankl ajudam a distinguir entre sofrimento imposto e sofrimento acompanhado: Deus não causa a dor, mas pode transformá-la quando está presente nela. Biblicamente, Romanos 8:26–39 mostra um Deus que intercede, sofre conosco e nada usa para nos separar do amor. O poema se justifica nessa chave: rejeitar a pedagogia da dor não é negar a cruz, mas compreendê-la corretamente — não como violência de Deus contra o Filho, mas como a violência humana sendo vencida pelo amor que permanece.

BIBLIOGRAFIA

  1. NOUWEN, Henri J. M. O Curador Ferido. 1972.

  2. FRANKL, Viktor E. Em Busca de Sentido. 1946.

  3. BORG, Marcus J. The Heart of Christianity. 2003.

  4. MOLTMANN, Jürgen. O Deus Crucificado. 1972.

  5. CROSSAN, John Dominic. Jesus: A Revolutionary Biography. 1994.

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DIA 5
POEMAS: *"Perdão, Senhor! Não És o Jeová"*
poesias e músicas de janeiro de 2026
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*DEUS QUE SE ALEGRA COM O CAOS*
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O colapso social do Egito é descrito como expressão da glória divina. O Deus de Jesus é restaurador da ordem, da dignidade e da vida, nunca promotor do caos.
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POESIA E MÚSICA
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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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música1
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(estrofe)
Chamaram ruína de glória divina
E o colapso, triunfo do céu
Mas onde a vida se desatina
Não pulsa o coração fiel

(estrofe)
O Egito em pó, casas caídas
Foi lido como exaltação
Mas Deus não canta sobre vidas
Que desabam na opressão

(estrofe)
A glória foi dita no grito
No medo espalhado no chão
Jesus revela outro escrito
Deus age em restauração

(refrão)
Deus não se alegra com o caos
Não reina na desintegração
O Deus de Jesus levanta os caídos
E recompõe a criação

(estrofe)
Onde o caos vira espetáculo
Nasce um deus feito à mão
Cristo desfaz esse obstáculo
Com toque, pão e perdão

(estrofe)
Ele acalma mares e almas
Reordena o que se partiu
Sua presença não gera palmas
Mas dignidade que ressurgiu

(estrofe)
A fé que celebra a ruína
Confunde poder com terror
Jesus mostra outra doutrina
Autoridade que gera amor

(refrão)
Deus não se alegra com o caos
Não reina na desintegração
O Deus de Jesus levanta os caídos
E recompõe a criação

(estrofe)
Hoje separo a voz do medo
Da voz que chama a viver
O Pai não escreve em degredo
Mas em caminhos de renascer

(ponte)
Lamento as vezes que deixei de me amar
Por amar demais o que me exigia
Entreguei meu centro pra agradar
E chamei de fé o que me feria

(ponte)
Lamento ter defendido um Deus severo
Que brilharia na devastação
Confundi o Pai verdadeiro
Com glórias forjadas na destruição

(refrão)
Deus não se alegra com o caos
Não reina na desintegração
O Deus de Jesus levanta os caídos
E recompõe a criação

(refrão final)
Hoje descanso em Jesus, Deus amor
Jamais, por motivo algum, seria diferente
Deus conosco é restaurador
Da vida ferida, inteira e presente

EXPLICAÇÃO DO TEMA

Em algumas leituras do Êxodo, o colapso social, econômico e simbólico do Egito é interpretado como manifestação direta da glória de Deus, como se a desordem produzida fosse motivo de exaltação divina. Essa compreensão reflete uma teologia antiga, marcada por disputas entre deuses, onde a derrota do inimigo significava automaticamente a vitória gloriosa da divindade protetora. Contudo, à luz de Jesus, essa leitura se revela limitada e profundamente humana. O Cristo apresentado nos Evangelhos não glorifica o colapso social, não se alegra com cidades em ruínas nem com povos humilhados; ao contrário, Ele chora sobre Jerusalém (Lc 19:41), sinal inequívoco de que Deus não celebra o caos, mas sofre com ele.

Jesus revela um Pai comprometido com a restauração da ordem, da dignidade e da vida. Ele acalma tempestades (Mc 4:39), recompõe relações rompidas, devolve sentido aos marginalizados e cura o que foi desorganizado pela dor. Biblicamente, Paulo afirma que “Deus não é Deus de confusão, mas de paz” (1Co 14:33), e a criação, em Gênesis 1, já aponta para um Deus que organiza o caos primordial, não que o promove. Teologicamente, o poema se justifica ao afirmar que atribuir prazer divino à destruição é um acréscimo humano à revelação; em Jesus, Deus não vence destruindo, mas restaurando, não se exalta na queda, mas na vida que se levanta.

BIBLIOGRAFIA

  1. MOLTMANN, Jürgen. O Deus Crucificado. 1972.

  2. BORG, Marcus J. The Heart of Christianity. 2003.

  3. WRIGHT, N. T. Simply Jesus. 2011.

  4. NOUWEN, Henri J. M. A Voz do Amor. 1981.

  5. CROSSAN, John Dominic. Jesus: Uma Biografia Revolucionária. 1994.

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POEMAS: *"Perdão, Senhor! Não És o Jeová"*
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*DEUS QUE EXIGE SANGUE PARA AGIR*
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O sangue nos umbrais (Ex 12:7) sugere um Deus que só protege mediante sinais sangrentos. Jesus revela um Pai que salva por graça, não por rituais mágicos ou marcas externas.
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POESIA E MÚSICA
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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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música1
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(estrofe)
Marcar portas com sangue exposto
Virou senha de salvação
Mas Deus não age por um composto
De medo, rito ou condição

(estrofe)
Umbrais pintados na madrugada
Parecem compra de proteção
Como se a graça fosse selada
Por sinais feitos à mão

(estrofe)
O gesto sangra a imaginação
De um povo ferido e acuado
Mas Jesus muda a direção
Deus age antes de ser marcado

(refrão)
Deus não exige sangue pra agir
Não negocia amor com dor
O Pai de Jesus sabe salvar
Sem pacto mágico ou temor

(estrofe)
Onde o rito vira escudo
Nasce um deus condicional
Cristo rasga esse conteúdo
Com perdão universal

(estrofe)
Ele toca sem exigir sinais
Acolhe antes da lei
Não pergunta por marcas visuais
Ama primeiro, eu sei

(estrofe)
A fé que pinta portas no escuro
Revela medo ancestral
Jesus abre um caminho seguro
Graça livre, sem ritual

(refrão)
Deus não exige sangue pra agir
Não negocia amor com dor
O Pai de Jesus sabe salvar
Sem pacto mágico ou temor

(estrofe)
Hoje eu leio além do sinal
Vejo o limite do escritor
O Pai não pede gesto fatal
Para provar que é amor

(ponte)
Lamento o quanto defendi um Deus
Que só agiria se pago fosse
Confundi o Pai dos céus
Com um juiz que exige posse

(ponte)
Argumentei com zelo e temor
Que sangue movia o coração divino
Traí o rosto do verdadeiro Amor
Por um deus moldado ao destino

(refrão)
Deus não exige sangue pra agir
Não negocia amor com dor
O Pai de Jesus sabe salvar
Sem pacto mágico ou temor

(refrão final)
Hoje descanso em Jesus, Deus amor
Jamais, por motivo algum, seria diferente
Deus conosco não cobra dor
Salva por graça, livre e presente

EXPLICAÇÃO DO TEMA

O relato do sangue nos umbrais em Êxodo 12:7 reflete uma mentalidade religiosa antiga, na qual proteção e salvação estavam ligadas a sinais visíveis, rituais específicos e atos simbólicos capazes de “ativar” a ação divina. Em culturas do Antigo Oriente Próximo, o sangue era visto como elemento apotropaico, isto é, um sinal capaz de afastar o mal. O autor bíblico interpreta essa prática dentro de sua compreensão teológica, atribuindo a Deus uma exigência ritual que condicionaria sua proteção. No entanto, essa leitura revela mais sobre o imaginário religioso humano do que sobre o caráter do Pai revelado por Jesus.

À luz do Evangelho, essa lógica é superada. Jesus nunca condiciona a ação de Deus a marcas externas, ritos mágicos ou gestos sangrentos. Ele cura sem exigir sacrifícios (Mc 2:5–12), perdoa antes de qualquer oferta (Lc 7:48) e revela um Pai que “faz nascer o sol sobre maus e bons” (Mt 5:45). O Novo Testamento afirma que Deus age por graça, não por mecanismos rituais (Ef 2:8–9). Teologicamente, o poema sustenta que a exigência de sangue como gatilho da ação divina é um acréscimo humano à revelação; em Jesus, Deus não responde a sinais externos, mas age por amor gratuito, preveniente e incondicional.

BIBLIOGRAFIA

  1. GIRARD, René. O Bode Expiatório. 1982.

  2. MOLTMANN, Jürgen. O Deus Crucificado. 1972.

  3. BORG, Marcus J. Meeting Jesus Again for the First Time. 1994.

  4. CROSSAN, John Dominic. The Power of Parable. 2012.

  5. WRIGHT, N. T. Paul and the Faithfulness of God. 2013.

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POEMAS: *"Perdão, Senhor! Não És o Jeová"*
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*DEUS QUE FAZ DISTINÇÃO ÉTNICA*
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Israel é poupado enquanto o Egito sofre. Jesus revela um Deus universal, que ama inimigos e faz o sol nascer sobre justos e injustos (Mt 5:45).
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POESIA E MÚSICA
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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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música1
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(estrofe)
Um povo passa ileso na noite escura
Outro geme sob o mesmo céu
A dor parece ter etnia e fronteira
Como se Deus tivesse um véu

(estrofe)
A narrativa veste Deus de bandeira
E o associa a um lado da história
Mas a dor não escolhe trincheira
Nem o amor aceita essa glória

(estrofe)
Quando a salvação tem endereço
E a morte tem nacionalidade
Algo humano escreve esse preço
E chama medo de vontade

(refrão)
Deus não separa por sangue ou nação
Não mede amor por identidade
O Pai de Jesus ama sem distinção
Sol pra todos, mesma dignidade

(estrofe)
Jesus olha além das fronteiras
Conversa com quem foi negado
Quebra muros, desfaz fileiras
E chama irmão o rejeitado

(estrofe)
O samaritano vira espelho
Do Reino que não exclui
Ali não há raça nem conselho
Que diga quem Deus possui

(estrofe)
A eleição vira vocação
Não privilégio nem escudo
Ser luz não é exclusão
É servir ao mundo todo

(refrão)
Deus não separa por sangue ou nação
Não mede amor por identidade
O Pai de Jesus ama sem distinção
Sol pra todos, mesma dignidade

(estrofe)
Hoje releio a dor do Egito
Com olhos lavados em Jesus
Não foi Deus quem fez o conflito
Foi o texto em seu limite e luz

(ponte)
Lamento o quanto sustentei
Um Deus com preferências raciais
Defendi com fé o que neguei
No amor que abraça desiguais

(refrão)
Deus não separa por sangue ou nação
Não mede amor por identidade
O Pai de Jesus ama sem distinção
Sol pra todos, mesma dignidade

(refrão final)
Hoje descanso em Jesus, Deus amor
Jamais, por motivo algum, seria diferente
Deus conosco não escolhe cor
Ama a todos, livremente

EXPLICAÇÃO DO TEMA

Nos relatos do Êxodo, a proteção concedida a Israel enquanto o Egito sofre é apresentada como ação direta de Deus, o que sugere uma distinção étnica e nacional na distribuição do cuidado divino. Essa leitura reflete um contexto histórico marcado por conflitos identitários, no qual a sobrevivência de um povo era teologicamente interpretada como eleição exclusiva. Assim, o autor bíblico atribui a Deus preferências que reforçam pertencimento, identidade e esperança coletiva, mas também projetam sobre o divino as fronteiras humanas do “nós” e “eles”.

À luz de Jesus, essa compreensão é profundamente relativizada. Cristo revela um Pai universal, que ama inimigos (Mt 5:44), faz o sol nascer sobre justos e injustos (Mt 5:45) e não faz acepção de pessoas (At 10:34). Em parábolas como a do bom samaritano (Lc 10:25–37), Jesus desmonta qualquer teologia de privilégio étnico e apresenta a eleição como responsabilidade amorosa, não como exclusividade salvadora. O poema sustenta que a distinção étnica atribuída a Deus é um acréscimo humano à revelação; no Evangelho, Deus não protege uns contra outros, mas chama todos para a mesma dignidade, cura e comunhão.

BIBLIOGRAFIA

  1. BORG, Marcus J. Meeting Jesus Again for the First Time. 1994.

  2. CROSSAN, John Dominic. Jesus: A Revolutionary Biography. 1994.

  3. GUTIÉRREZ, Gustavo. Teologia da Libertação. 1971.

  4. WRIGHT, N. T. Jesus and the Victory of God. 1996.

  5. MOLTMANN, Jürgen. A Igreja no Poder do Espírito. 1975.

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POEMAS: *"Perdão, Senhor! Não És o Jeová"*
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*DEUS QUE LEGITIMA A VINGANÇA*
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A destruição dos inimigos é celebrada como justiça divina (Ex 15). Jesus rompe essa lógica ao ensinar o perdão e a reconciliação.
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POESIA E MÚSICA
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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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música1
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(estrofe)
Cantam vitórias sobre corpos no chão,
O mar se fecha como absolvição,
Espadas viram hinos de gratidão,
E a morte é chamada de redenção.

(estrofe)
O povo dança ao ver ruir o rival,
Confunde-se justiça com o final,
Quando o inimigo cai no vendaval,
Deus parece caber no ódio tribal.

(estrofe)
A fé se veste de aço e exalta o punho,
Chama zelo o que é sede de domínio,
Celebra o fim do outro como caminho,
E chama vingança de santo desígnio.

(refrão)
Mas Jesus quebra o ciclo da punição,
Desarma a mão, refaz o coração,
Onde clamam por sangue e condenação,
Ele planta perdão e reconciliação.

(estrofe)
No cântico antigo, a dor vira troféu,
A queda do outro sobe até o céu,
Mas o choro que ecoa sob o véu
Não encontra abrigo nesse cruel papel.

(estrofe)
A justiça vira conta a ser cobrada,
Olho por olho, alma algemada,
A história sangra, sempre reiterada,
Com a vingança enfim normalizada.

(estrofe)
Então surge um Mestre sem lâmina ou rei,
Que toca feridas que ninguém tocou,
Chama inimigo de próximo também,
E no perdão extremo tudo inverteu.

(refrão)
Jesus desfaz a lógica da destruição,
Onde vence o amor, não a humilhação,
A justiça floresce na restauração,
E o perdão interrompe a repetição.

(estrofe)
Na cruz, o ódio espera retribuição,
Mas recebe silêncio e intercessão,
Ali morre a fúria como religião,
E nasce a paz como revelação.

(ponte)
Perdão, Senhor, por ter te defendido mal,
Reduzi tua luz a um código penal,
Usei textos antigos como muralha,
Para não encarar o amor que falha.

(refrão)
Não és o Deus da vingança consagrada,
Nem da violência institucionalizada,
És o Pai que interrompe a estrada armada,
E reconcilia a história estraçalhada.

(refrão final)
Hoje descanso em Jesus, Deus do amor,
Sem exceção, sem sombra de terror,
Jamais seria outro o teu esplendor,
Conosco és graça, cura e favor.

EXPLICAÇÃO DO TEMA

O tema “Deus que legitima a vingança” nasce da leitura de textos como Êxodo 15, onde a derrota dos egípcios é celebrada liturgicamente como ação direta de Deus. Historicamente, esse cântico expressa a memória de um povo oprimido que sobreviveu a um império violento; psicologicamente, revela o alívio e a catarse de quem escapou da morte; teologicamente, porém, levanta um problema sério quando essa experiência específica é absolutizada como modelo permanente do caráter divino. Quando a destruição do inimigo passa a ser celebrada como justiça em si mesma, corre-se o risco de sacralizar a violência, transformando Deus em avalista do ressentimento humano. Autores como Walter Brueggemann mostram que muitos textos do Antigo Testamento expressam a fé em processo, marcada por contextos de sobrevivência, e não uma ética final e universal. A Bíblia, assim, não fala com uma só voz estática, mas revela um caminho pedagógico, tenso e progressivo.

Jesus rompe explicitamente com essa lógica ao ensinar o perdão sem limites, o amor aos inimigos e a reconciliação como critério do Reino (Mt 5:38–48; Lc 6:27–36). Em vez de cantar a morte do outro, ele chora sobre Jerusalém; em vez de convocar legiões, entrega-se; em vez de legitimar a vingança, absorve a violência e a neutraliza pelo amor. A cruz não é a vitória da força divina sobre os inimigos, mas o colapso definitivo da ideia de que Deus se revela destruindo. Como bem argumenta René Girard, a revelação cristã desmascara o mecanismo sacrificial e interrompe o ciclo da vingança ao expor sua injustiça estrutural. Assim, o poema se justifica como um movimento de confissão e conversão teológica: abandonar a imagem de um Deus que celebra a morte e descansar no Cristo que reconcilia, cura e inaugura uma justiça restaurativa, não punitiva.

BIBLIOGRAFIA

Brueggemann, Walter. Teologia do Antigo Testamento. 1997.

Girard, René. O Bode Expiatório. 1982.

Wink, Walter. Engaging the Powers. 1992.

Borg, Marcus J. Jesus: A New Vision. 1987.

Bonhoeffer, Dietrich. Discipulado. 1937.

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*DEUS QUE SE GLORIFICA NA MORTE*
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O cântico do mar exalta a morte dos adversários (Ex 15:1–10). O Deus revelado em Jesus chora diante da morte e trabalha pela vida plena.
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POESIA E MÚSICA
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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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música1
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(estrofe)
O mar fechado vira altar triunfal,
Afogados viram prova do agir divinal,
O canto sobe forte, solene e fatal,
Como se a morte fosse um bem celestial.

(estrofe)
Tambor e dança selam a libertação,
Mas o preço afunda na mesma canção,
Vidas vencidas viram exaltação,
E o luto do outro não tem tradução.

(estrofe)
A glória é narrada em corpos no chão,
O poder se mede pela extinção,
Quando vencer significa aniquilação,
A fé se confunde com dominação.

(refrão)
Mas o Deus de Jesus não canta a morte,
Ele a enfrenta, chora e muda a sorte,
Sua glória é vida em todo suporte,
Plenitude que vence o último corte.

(estrofe)
O texto antigo carrega sobrevivência,
Memória ferida, grito de resistência,
Mas quando vira regra e permanência,
Transforma trauma em doutrina violenta.

(estrofe)
A morte exaltada parece vitória,
Mas cobra juros altos na história,
Constrói-se um Deus refém da memória,
Que confunde poder com glória.

(estrofe)
Então surge um Cristo que para o cortejo,
Toca o caixão, interrompe o despejo,
Onde esperavam silêncio e desprezo,
Ele devolve vida, gesto e desejo.

(refrão)
O Deus revelado em Jesus é compaixão,
Não se engrandece na devastação,
Sua glória pulsa na ressurreição,
E não no fim brutal de uma nação.

(estrofe)
Diante do túmulo, o Filho não celebra,
Chora com quem a morte atravessa,
Ali Deus confessa, sem nenhuma reserva,
Que perder alguém jamais o enalteça.

(ponte)
Perdão, Senhor, por ter te reduzido à força,
Por chamar de glória aquilo que destroça,
Defendi um Deus preso à lógica da morte,
Para não seguir o Cristo que escolhe outra sorte.

(refrão)
Tu não te glorificas no fim de ninguém,
Teu prazer não está no mal que convém,
Em Jesus revelas, clara e além,
Que a vida plena é teu eterno amém.

(refrão final)
Hoje descanso em Jesus, Deus-amor,
Que vence a morte sem nenhum rancor,
Jamais serias outro, nem por clamor,
Conosco és vida, graça e vigor.

EXPLICAÇÃO DO TEMA

O tema “Deus que se glorifica na morte” emerge da tensão entre textos como Êxodo 15:1–10 e a revelação plena de Deus em Jesus. O cântico do mar nasce de um contexto histórico específico: um povo recém-liberto, marcado por séculos de opressão, expressando alívio e vitória por meio de uma linguagem bélica e celebratória. Do ponto de vista antropológico e psicológico, esse canto funciona como catarse coletiva, uma tentativa de dar sentido ao trauma. Contudo, quando essa linguagem é absolutizada teologicamente, corre-se o risco de projetar em Deus aquilo que é reação humana: a necessidade de ver o opressor eliminado. Autores como Walter Brueggemann e Erich Zenger alertam que muitos textos veterotestamentários revelam mais a experiência do povo com Deus do que o caráter definitivo de Deus em si. A glória associada à morte, portanto, fala mais da ferida histórica do que da essência divina.

Em Jesus, essa imagem é frontalmente questionada. O Cristo que chora diante do túmulo de Lázaro (Jo 11:35), que se comove com a dor da viúva de Naim (Lc 7:13) e que identifica sua missão com dar vida em abundância (Jo 10:10), revela um Deus incompatível com qualquer glorificação da morte. A cruz, longe de ser a celebração da morte do inimigo, é a denúncia máxima de sua brutalidade e o início de sua derrota pela ressurreição. Como argumenta Jürgen Moltmann, Deus não reina pela morte, mas sofre com ela para superá-la desde dentro. Assim, o poema se justifica como um ato de arrependimento teológico: abandonar a imagem de um Deus que se engrandece no fim do outro e abraçar o Deus revelado em Jesus, cuja glória é sempre a vida restaurada, reconciliada e plena.

BIBLIOGRAFIA

Brueggemann, Walter. Teologia do Antigo Testamento. 1997.

Moltmann, Jürgen. O Deus Crucificado. 1972.

Zenger, Erich. Introdução ao Antigo Testamento. 1995.

Borg, Marcus J. Meeting Jesus Again for the First Time. 1994.

Wright, N. T. Surprised by Hope. 2007.

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*DEUS GUERREIRO ARMADO*
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Deus é descrito como “homem de guerra” (Ex 15:3). Jesus revela Deus como Pai amoroso, que vence o mal pelo amor e não pela violência.
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POESIA E MÚSICA
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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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música1
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(estrofe)
Chamaram-te espada no braço do vento,
General celeste em feroz movimento,
Te vestiram de ira, escudo e lamento,
Como se a guerra fosse teu sacramento.

(estrofe)
Te puseram marchando à frente do clã,
Pisando inimigos na areia e no chão,
Fizeram do medo um ato divã,
E da vitória, um selo de unção.

(estrofe)
Quando a fé aprende a rimar com canhão,
O sangue parece argumento final,
Deus vira bandeira de dominação,
E a violência soa espiritual.

(refrão)
Mas o Pai de Jesus não empunha fuzil,
Vence o ódio amando até o fim,
Seu poder não mata, faz o mal ruir,
É força sem arma, amor tão sutil.

(estrofe)
O guerreiro descrito reflete a nação,
Cercada de impérios, vivendo tensão,
Projetou em Deus sua sobrevivência,
Confundiu defesa com transcendência.

(estrofe)
Mas Jesus caminha noutra direção,
Desarma a lógica da agressão,
Cura o ferido, toca o vilão,
E expõe a mentira da santa opressão.

(estrofe)
No Getsêmani, cai a lâmina ao chão,
Quem vive da espada colhe escuridão,
Ali se revela a revolução:
O mal não se vence pela destruição.

(refrão)
O Deus revelado no rosto de Jesus
Não lidera exércitos, carrega a cruz,
Sua vitória é luz que não seduz
Pela força bruta, mas pelo amor que conduz.

(estrofe)
Onde esperavam um leão devorador,
Surge um Cordeiro, manso e doador,
A guerra perde o nome de louvor,
E a paz ganha rosto, gesto e valor.

(ponte)
Perdão, Senhor, por te defender com punhos,
Por chamar de zelo meus velhos arranjos,
Troquei teu Reino por trincheiras e muros,
Com medo de amar, escolhi escudos.

(refrão)
Tu não és o Deus das batalhas fatais,
Teu combate é curar os nossos ais,
Em Jesus revelas, sem rivais,
Que o amor desarma os males reais.

(refrão final)
Hoje descanso em Jesus, Deus-amor,
Que vence o mal sem nenhum agressor,
Jamais serias outro, nem por clamor,
Conosco és Pai, paz e redentor.

EXPLICAÇÃO DO TEMA

A imagem de Deus como “homem de guerra” em Êxodo 15:3 reflete um contexto histórico de sobrevivência nacional, no qual Israel, recém-liberto, expressa sua experiência de libertação por meio das categorias políticas e militares disponíveis em sua cultura. Em um mundo antigo estruturado por impérios violentos, atribuir a Deus características guerreiras era uma forma de afirmar que a força última não estava com o faraó, mas com o Deus que acompanhava os oprimidos. No entanto, como apontam estudiosos como Walter Brueggemann e John Dominic Crossan, essa linguagem é profundamente contextual e simbólica, não descritiva da essência divina. Trata-se de uma teologia marcada pela necessidade de resistência, que projeta em Deus a lógica do conflito humano. Quando lida sem mediação crítica, essa imagem acaba legitimando guerras “santas”, violências religiosas e a ideia perigosa de que Deus vence como os impérios vencem: pela força.

Jesus rompe radicalmente com esse imaginário. Sua vida e ensino revelam um Deus que rejeita a violência como meio de vitória. Em Mateus 5:44, Ele ordena amar os inimigos; em João 18:36, afirma que seu Reino não é deste mundo — exatamente porque não se sustenta pela espada. No episódio de Pedro no Getsêmani (Mt 26:52), Jesus desautoriza explicitamente a defesa armada em nome de Deus. Teologicamente, isso significa que a revelação em Cristo funciona como critério hermenêutico para reinterpretar imagens anteriores de Deus. Como defende Jürgen Moltmann, o verdadeiro poder divino se manifesta na entrega, não na dominação. Assim, o poema nasce como confissão e correção: reconhecer que o “Deus guerreiro armado” é um acréscimo humano, enquanto o Pai revelado em Jesus vence o mal pelo amor que desarma, reconcilia e gera vida.

BIBLIOGRAFIA

Brueggemann, Walter. Teologia do Antigo Testamento. 1997.

Moltmann, Jürgen. O Deus Crucificado. 1972.

Crossan, John Dominic. God and Empire. 2007.

Wink, Walter. Engaging the Powers. 1992.

Borg, Marcus J. Jesus: Uncovering the Life, Teachings, and Relevance of a Religious Revolutionary. 2006.

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*DEUS QUE CONFUNDE PARA DOMINAR*
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A confusão dos egípcios é atribuída à ação divina (Ex 14:24). Em Jesus, Deus ilumina consciências e liberta pela verdade, não pela confusão.
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POESIA E MÚSICA
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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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música1
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(estrofe)
Disseram que turvas eram tuas decisões,
Que lançavas névoa sobre corações,
Que a mente perdida servia à tua mão,
Como estratégia santa de dominação.

(estrofe)
No caos da noite, rodas travam no chão,
A confusão vira prova de intervenção,
Mas quando o medo governa a razão,
Deus é moldado à lógica da opressão.

(estrofe)
Chamaram-te enigma que cega o pensar,
Mistério usado para melhor controlar,
Onde ninguém entende, ninguém reage,
E o poder se mantém pela sabotagem.

(refrão)
Mas o Deus de Jesus é clara verdade,
Não reina na sombra nem na ambiguidade,
Liberta mentes, cura a cegueira da idade,
Não confunde consciências para impor autoridade.

(estrofe)
Toda fé que se nutre da desorientação
Gosta de fiéis sem pergunta ou visão,
Mistura o sagrado com manipulação,
E chama silêncio forçado de devoção.

(estrofe)
Jesus caminha abrindo compreensão,
Parábolas como chaves da razão,
Quem ouve, escolhe; quem vê, decide,
A verdade liberta, jamais divide.

(estrofe)
Luz não empurra, apenas se oferece,
Não grita ordens, mas permanece,
Quem ama não teme explicação,
Pois o amor não precisa de confusão.

(refrão)
Tu não és Deus do engano sutil,
Nem senhor do labirinto hostil,
Em Jesus és caminho acessível,
Verdade que torna o humano livre.

(estrofe)
Se houve confusão no texto antigo,
Foi espelho humano, não desígnio divino,
O medo escreveu o que não vinha do alto,
E chamou de glória o próprio assalto.

(estrofe)
Hoje releio com olhos acordados,
Distingo o Eterno dos relatos armados,
E sigo o Cristo, sentido e chão,
Onde Deus não domina pela confusão.

(ponte)
Perdão, Senhor, por te defender no escuro,
Por achar virtude no discurso obscuro,
Confundi mistério com manipulação,
E chamei obediência a minha negação.

(refrão)
Não és Deus da mente embaralhada,
Nem da fé mantida desinformada,
Em Jesus revelas, sem jogada,
Que a verdade liberta a alma cansada.

(refrão final)
Hoje descanso em Jesus, Deus-luz e amor,
Que fala claro, sem medo ou terror,
Jamais serias outro, nem por clamor,
Conosco és verdade que gera vigor.

EXPLICAÇÃO DO TEMA

A narrativa de Êxodo 14:24 atribui a confusão do exército egípcio à ação direta de Deus, uma leitura comum em contextos antigos onde a vitória dependia de desestabilizar o inimigo. No entanto, essa interpretação reflete mais a mentalidade bélica e estratégica do mundo antigo do que a natureza do divino. A confusão, nesse caso, funciona como linguagem simbólica para explicar a queda de um poder opressor, mas não como revelação plena do caráter de Deus. Ao longo da história, essa ideia foi reutilizada por sistemas religiosos e políticos para justificar dominação espiritual: quando o fiel não entende, depende; quando depende, obedece. Assim, o “Deus que confunde” torna-se ferramenta de controle, e não fonte de libertação, algo amplamente discutido por autores como Paulo Freire ao tratar da consciência oprimida e da pedagogia da dominação.

Em Jesus, essa lógica é completamente revertida. Ele se apresenta como “a luz do mundo” (Jo 8:12) e afirma que “a verdade vos libertará” (Jo 8:32), estabelecendo a clareza como princípio do Reino. Suas parábolas não visam confundir, mas provocar reflexão e decisão consciente. Diferente de um Deus que governa pela desorientação, o Pai revelado por Jesus respeita a liberdade humana e ilumina a consciência para que a fé seja escolha, não submissão cega. Teologicamente, isso implica ler os textos antigos à luz da revelação cristológica, como propõem autores como Karl Rahner e Marcus Borg: Deus não domina pelo caos mental, mas transforma pela verdade que gera autonomia, dignidade e vida plena.

BIBLIOGRAFIA

Brueggemann, Walter. Teologia do Antigo Testamento. 1997.

Borg, Marcus J. The Heart of Christianity. 2003.

Freire, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 1968.

Rahner, Karl. Curso Fundamental da Fé. 1976.

Wright, N. T. Simply Christian. 2006.

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DIA 12
POEMAS: *"Perdão, Senhor! Não És o Jeová"*
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*DEUS QUE AGE PELO MEDO*
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A revelação no Sinai é marcada por terror e ameaça (Ex 19). Jesus se aproxima dizendo: “Não tenhais medo”, revelando um Deus acessível.
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POESIA E MÚSICA
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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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música1
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(estrofe)
No monte fumegante disseram: tremei,
Que o som do trovão era Deus, eu acreditei,
Fogo e ameaça vestiam o sagrado,
E o medo virou caminho autorizado.

(estrofe)
Relâmpagos faziam calar o pensar,
A distância parecia ensinar a amar,
Quanto mais pavor, mais obediência,
Chamaram terror de santa reverência.

(estrofe)
Aprendi a baixar os olhos ao rezar,
Como quem teme até respirar,
Se Deus se aproxima causando pavor,
A alma se curva, mas não cria amor.

(refrão)
Mas o Deus de Jesus diz: não temas, vem,
Não governa pelo susto ou pelo além,
Acessível, próximo, humano também,
O amor não ameaça, apenas sustém.

(estrofe)
No Sinai ergueram cercas ao redor,
Como se Deus fosse perigo maior,
Mas cercas protegem quem quer dominar,
Não quem deseja livremente amar.

(estrofe)
O medo educa pelo encolher,
Ensina a fugir, não a florescer,
Forma fiéis em constante tensão,
Que obedecem por pânico, não por convicção.

(estrofe)
Jesus caminha em outra direção,
Toca leprosos, chama pelo nome João,
Se aproxima dizendo: paz esteja aqui,
Onde há amor, o medo perde o porvir.

(refrão)
Não és Deus do grito que paralisa,
Nem da ameaça que escraviza,
Em Jesus és voz que tranquiliza,
Presença mansa que humaniza.

(estrofe)
Se o texto falou em tremor e pavor,
Foi a linguagem de um tempo em dor,
Homens projetando em ti seu temor,
Confundindo controle com santo rigor.

(ponte)
Perdão, Senhor, por te defender com medo,
Por chamar terror de zelo cedo,
Por achar que o pânico te glorificava,
Quando na verdade minha alma se anulava.

(refrão)
Tu não ages pelo medo imposto,
Nem pelo susto bem-disposto,
Em Jesus revelas teu rosto,
Amor acessível, livre, exposto.

(refrão final)
Hoje descanso em Jesus, Deus-amor,
Sem ameaça, sem pavor,
Jamais serias outro, nem maior rigor,
Conosco és abrigo, presença e calor.

EXPLICAÇÃO DO TEMA

A teofania do Sinai (Êxodo 19) é descrita com elementos de terror: fogo, trovões, fumaça, tremores e advertências severas. No contexto do Antigo Oriente Próximo, esse tipo de linguagem era comum para afirmar autoridade e produzir submissão coletiva. O medo funcionava como instrumento pedagógico e político, organizando o povo pela intimidação do sagrado. No entanto, essa forma de revelação carrega fortes marcas culturais e psicológicas de um povo recém-liberto da escravidão, ainda habituado a sistemas de poder baseados na ameaça. Atribuir esse modelo diretamente ao caráter eterno de Deus gera uma espiritualidade marcada pela ansiedade, pela culpa e pela obediência compulsória, algo que a psicologia religiosa reconhece como fonte de adoecimento da fé.

Em Jesus, a revelação assume outro eixo. A expressão “não tenhais medo” atravessa os Evangelhos (Mt 14:27; Lc 12:32; Jo 14:27), mostrando que o encontro com Deus não anula a pessoa, mas a fortalece. Jesus não convoca pelo pavor, mas pelo convite; não cerca o sagrado, mas o aproxima; não impõe silêncio pelo medo, mas desperta escuta pelo amor. Teologicamente, isso exige uma leitura cristológica do Sinai: aquilo que ali aparece como terror deve ser compreendido como estágio humano da revelação, não como definição final de Deus. O Pai revelado por Jesus é acessível, relacional e libertador; onde Ele reina, o medo perde sua função, porque “no amor não há medo” (1Jo 4:18).

BIBLIOGRAFIA

Borg, Marcus J. Meeting Jesus Again for the First Time. 1994.

Brueggemann, Walter. A Imaginação Profética. 1978.

Fromm, Erich. Psicanálise e Religião. 1950.

Rahner, Karl. Curso Fundamental da Fé. 1976.

Tillich, Paul. A Coragem de Ser. 1952.

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DIA 13
POEMAS: *"Perdão, Senhor! Não És o Jeová"*
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*DEUS QUE NÃO PODE SER QUESTIONADO*
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A narrativa desencoraja qualquer questionamento. Jesus, ao contrário, acolhe perguntas, dúvidas e diálogos sinceros.
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POESIA E MÚSICA
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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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música1
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(estrofe)
Disseram: não perguntes, apenas aceita,
Que a fé verdadeira é surda e quieta,
Pensar demais seria rebeldia,
E duvidar, sinal de heresia.

(estrofe)
O silêncio virou prova de devoção,
A pergunta, ameaça à religião,
Chamaram obediência de maturidade,
Quando era medo vestido de santidade.

(estrofe)
Aprendi a calar o que ardia em mim,
Questões profundas sem ter um fim,
Se Deus se ofende com meu pensar,
Que tipo de amor pode sustentar?

(refrão)
O Deus de Jesus não teme a questão,
Acolhe a dúvida, abre a mão,
Quem ama dialoga, não impõe prisão,
A verdade cresce na conversação.

(estrofe)
Textos ergueram muros ao redor do céu,
Como se perguntar rasgasse o véu,
Mas muros protegem o poder humano,
Não o mistério livre e soberano.

(estrofe)
Um Deus que não pode ser interrogado
Serve bem ao líder bem posicionado,
Pois quem não pergunta não discerne,
E chama de fé o controle que o governe.

(estrofe)
Jesus escuta Nicodemos à noite,
Tolera Tomé, não o açoite,
Responde perguntas, provoca pensar,
Quem ama a verdade não teme dialogar.

(refrão)
Em Cristo, Deus se deixa indagar,
Não foge da dor de perguntar,
A fé que Ele chama a habitar
É livre, viva, pronta a amadurecer.

(estrofe)
Se chamaram dogma de voz divina,
Foi zelo humano que se auto-legitima,
Confundiram Deus com autoridade,
E calaram consciências em nome da verdade.

(ponte)
Perdão, Senhor, por te defender calando,
Por chamar dúvida de pecado humano,
Por achar que te honrava sem perguntar,
Quando era o medo que queria te blindar.

(refrão)
Tu não és Deus do silêncio imposto,
Nem da fé sem rosto, sem desgosto,
Em Jesus revelas teu propósito:
Amor que dialoga, franco e disposto.

(refrão final)
Hoje descanso em Jesus, Deus-amor,
Que jamais teme quem busca com ardor,
Nunca serias outro, nem controlador,
Conosco és verdade que acolhe o clamor.

EXPLICAÇÃO DO TEMA

Em diversas tradições religiosas, especialmente em leituras rígidas do Antigo Testamento, formou-se a imagem de um Deus que não pode ser questionado, sob pena de castigo ou rejeição. Essa concepção cria uma espiritualidade de submissão intelectual, onde pensar, duvidar ou dialogar são vistos como ameaças à fé. No entanto, essa lógica revela mais sobre estruturas humanas de poder do que sobre Deus em si. Psicologicamente, ambientes que proíbem perguntas produzem culpa, medo e imaturidade espiritual. Biblicamente, mesmo no Antigo Testamento, personagens como Abraão (Gn 18), Jó e os salmistas questionam Deus abertamente, revelando que o diálogo sempre fez parte da experiência de fé, ainda que depois tenha sido silenciado por leituras autoritárias.

Jesus rompe definitivamente com a ideia de um Deus inalcançável e irritável diante das perguntas. Ele dialoga com fariseus, conversa longamente com Nicodemos (Jo 3), acolhe a dúvida explícita de Tomé (Jo 20:27) e responde questões sinceras com parábolas que convidam à reflexão, não à submissão cega. Teologicamente, isso revela que a fé cristã não é negação da razão, mas sua integração. Questionar não destrói a fé; ao contrário, aprofunda-a. O Deus revelado por Jesus não exige silêncio, mas verdade; não impõe respostas prontas, mas caminha com quem busca. Onde há amor, há espaço para perguntas — e Deus não se sente ameaçado por elas.

BIBLIOGRAFIA

Boff, Leonardo. A Fé na Periferia do Mundo. 1981.

Borg, Marcus J. The God We Never Knew. 1997.

Freire, Paulo. Pedagogia da Autonomia. 1996.

Rahner, Karl. Ouvinte da Palavra. 1969.

Tillich, Paul. Dinâmica da Fé. 1957.

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DIA 14
POEMAS: *"Perdão, Senhor! Não És o Jeová"*
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*DEUS QUE EXIGE MEDIAÇÃO EXCLUSIVA*
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Somente Moisés pode subir ao monte. Em Jesus, todos têm acesso direto ao Pai, sem intermediários hierárquicos.
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POESIA E MÚSICA
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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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música1
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(estrofe)
Disseram: só um sobe, o povo espera,
O monte é vedado, a voz é severa,
Entre o céu e a terra ergueu-se um degrau,
Chamaram de santo o distanciamento ritual.

(estrofe)
A fé virou fila, controle e senha,
Quem fala por Deus também o detém na algema,
O acesso fechado sustenta o poder,
Pois quem monopoliza, decide quem pode crer.

(estrofe)
Aprendi a temer minha própria oração,
A achar perigosa a minha comunhão,
Se não fosse autorizado, ungido, eleito,
Meu clamor parecia suspeito.

(refrão)
Mas em Jesus o véu se rasgou,
Todo muro caiu, o Pai se aproximou,
Não há degraus no amor revelado,
Todo filho é livre, todo filho é chamado.

(estrofe)
Um Deus distante favorece a hierarquia,
Pois governa melhor quem media a alegria,
Quando poucos sobem e muitos só ouvem,
A fé se encolhe, as consciências se movem.

(estrofe)
Chamaram obediência de reverência,
E dependência de santa prudência,
Mas Deus não se esconde em castas espirituais,
Quem ama não cria pedágios celestiais.

(estrofe)
Jesus senta à mesa com quem nunca subiu,
Fala com mulheres, pobres, gentios,
Não pede credencial, nem cargo sagrado,
Revela um Pai acessível, nunca privatizado.

(refrão)
Em Cristo não há acesso exclusivo,
O amor é direto, pleno e vivo,
Não preciso de dono da revelação,
O Espírito fala ao coração.

(estrofe)
Se disseram que Deus só fala por poucos,
Foi zelo humano moldando seus focos,
Confundiram liderança com mediação,
E chamaram de ordem o que era dominação.

(ponte)
Perdão, Senhor, por sustentar a ideia
De que Tu precisavas de muralha e plateia,
Defendi intermediários como se fossem luz,
Quando o acesso sempre foi aberto em Jesus.

(refrão)
Não és Deus de castas nem de exclusão,
Não delegas o amor à instituição,
Em Cristo chamaste todos à relação,
Face a face, sem permissão.

(refrão final)
Hoje descanso em Jesus, Deus-amor,
Acesso livre, sem medo ou favor,
Jamais serias outro, nem mediador distante,
Conosco estás, próximo, terno e constante.

EXPLICAÇÃO DO TEMA

No Êxodo, a exclusividade de Moisés como mediador entre Deus e o povo reflete uma etapa histórica da experiência religiosa, marcada por estruturas hierárquicas e pela necessidade de organização social. Contudo, quando essa mediação é absolutizada, ela gera uma teologia do distanciamento: Deus fala a poucos, e os muitos apenas obedecem. Psicologicamente e sociologicamente, isso produz dependência espiritual, infantilização da fé e concentração de poder simbólico. Ao longo da história religiosa, essa lógica sustentou castas sacerdotais e líderes que passaram a confundir serviço com controle, transformando a mediação em monopólio do sagrado, algo que o próprio texto bíblico, lido criticamente, permite questionar.

Jesus rompe radicalmente com esse modelo ao revelar um Deus que se oferece diretamente a todos. O rasgar do véu do templo (Mt 27:51) simboliza o fim da separação entre o humano e o divino, e textos como João 4, Hebreus 4:16 e Mateus 11:28 mostram que o acesso ao Pai não depende de hierarquias religiosas, mas da graça. Teologicamente, Cristo não cria uma nova elite espiritual; Ele dissolve a lógica da exclusão. A mediação de Jesus não bloqueia, mas abre caminhos: Ele não substitui o encontro, Ele o possibilita. Assim, o poema afirma que qualquer sistema que exige intermediários exclusivos para acessar Deus contradiz o coração do Evangelho, que é relação direta, amorosa e livre.

BIBLIOGRAFIA

Boff, Leonardo. Igreja: Carisma e Poder. 1981.

Dunn, James D. G. The Theology of Paul the Apostle. 1998.

Gutiérrez, Gustavo. Teologia da Libertação. 1971.

Pagola, José Antonio. Jesus: Aproximação Histórica. 2007.

Tillich, Paul. A Coragem de Ser. 1952.

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POEMAS: *"Perdão, Senhor! Não És o Jeová"*
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*DEUS QUE AMEAÇA MATAR SEU ENVIADO*
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Ex 4:24 sugere que Deus quase mata Moisés. Tal imagem é incompatível com o Deus de Jesus, que sustenta e cuida de quem chama.
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POESIA E MÚSICA
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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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música1
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(estrofe)
No caminho da missão, surgiu a ameaça,
Um Deus que chama e depois embaraça,
O enviado quase cai pela própria voz,
Como se o chamado fosse um risco atroz.

(estrofe)
A narrativa treme num gesto confuso,
Quem envia parece tornar-se acusador difuso,
O mesmo que chama agora cobra a vida,
Uma lógica dura, tensa, dividida.

(estrofe)
Se o mensageiro anda sob constante perigo,
O amor se dissolve em medo antigo,
E a vocação vira campo minado,
Onde servir a Deus é viver ameaçado.

(refrão)
Não é este o Deus que Jesus revelou,
Quem chama sustenta, jamais atacou,
O Pai não persegue quem Ele envia,
O amor não ameaça, protege e guia.

(estrofe)
Um Deus assim reflete a angústia humana,
Projetada no céu de forma soberana,
Medos antigos vestidos de revelação,
Confundiram cultura com intenção.

(estrofe)
Quem escreve carrega seus próprios temores,
E os pinta em Deus como traços autores,
Mas o texto guarda mais do que afirma,
Mostra o humano tentando explicar a rima.

(estrofe)
Jesus não coloca armadilhas no caminho,
Ele anda junto, reparte o vinho,
Se alguém cai, Ele levanta a mão,
Não transforma vocação em punição.

(refrão)
O Deus de Jesus não age por emboscada,
Não testa o amor com lâmina armada,
Quem é chamado é também guardado,
Nunca ferido, nem ameaçado.

(estrofe)
Se Moisés quase morreu no relato antigo,
Foi o autor lutando consigo,
Tentando conciliar dever, lei e temor,
E chamando isso, apressado, de Senhor.

(ponte)
Perdão, Senhor, por defender essa imagem,
De um Deus instável, duro na viagem,
Justifiquei o medo como correção,
Quando Tu sempre foste cuidado e compaixão.

(refrão)
Não és Deus que ameaça seu mensageiro,
Não jogas o chamado contra o obreiro,
Em Cristo aprendemos sem hesitar:
Quem envia por amor, sabe sustentar.

(refrão final)
Hoje descanso em Jesus, Deus-amor,
Nenhuma ameaça vem do Teu favor,
Jamais serias outro, nem contraditório,
Conosco estás, fiel, cuidador e provisório não, mas eterno.

EXPLICAÇÃO DO TEMA

O episódio de Êxodo 4:24 sempre causou perplexidade: um Deus que chama Moisés para libertar um povo e, no caminho, “procura matá-lo”. À luz de uma leitura histórico-crítica, esse texto revela mais sobre o imaginário religioso do autor do que sobre a natureza divina. Em culturas antigas, era comum atribuir a Deus acontecimentos súbitos, doenças ou crises pessoais, especialmente quando ligados a ritos não cumpridos, como a circuncisão. Assim, a ameaça não nasce de um Deus assassino, mas da tentativa humana de explicar tensões entre vocação, tradição religiosa e culpa cultural. O texto expressa conflito, não caráter divino.

Jesus oferece o critério definitivo para discernir essas imagens. Nos Evangelhos, Deus jamais ameaça quem envia; ao contrário, sustenta, fortalece e consola. “Não vos deixarei órfãos” (Jo 14:18) e “Eis que estou convosco todos os dias” (Mt 28:20) desmontam qualquer teologia da emboscada divina. Pastoralmente e psicologicamente, a imagem de um Deus que ameaça seus enviados gera líderes adoecidos, fé baseada no medo e espiritualidade defensiva. O poema afirma que essa figura pertence ao acréscimo humano da revelação: Jesus revela um Pai coerente, cuidador e fiel, para quem o chamado nunca é uma armadilha, mas um vínculo de amor.

BIBLIOGRAFIA

Boff, Leonardo. Jesus Cristo Libertador. 1972.

Brueggemann, Walter. Theology of the Old Testament. 1997.

Pagola, José Antonio. Jesus: Aproximação Histórica. 2007.

Tillich, Paul. Dinâmica da Fé. 1957.

Wright, N. T. Simply Jesus. 2011.

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POEMAS: *"Perdão, Senhor! Não És o Jeová"*
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*DEUS QUE ACEITA VIOLÊNCIA RITUAL*
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A circuncisão aparece como exigência vital. Jesus substitui ritos de corte pela transformação interior do coração.
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POESIA E MÚSICA
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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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música1
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(ESTROFE 1)
Um pacto escrito na carne ferida,
sinal gravado à lâmina e dor,
como se o céu pedisse sangue e corte
para provar obediência e temor.

(ESTROFE 2)
O corpo vira altar de sacrifício,
a infância aprende cedo a sangrar,
a fé se confunde com submissão física,
e o rito passa a mandar amar.

(ESTROFE 3)
Mas o Cristo toca sem ferir,
não marca a pele, chama a viver,
rompe alianças feitas à força
e ensina o coração a renascer.

(REFRÃO)
Perdão, Senhor, não és o Jeová,
que exige dor para reconhecer,
teu Reino não se escreve em cortes,
mas no amor que insiste em crescer.

(ESTROFE 4)
Onde a faca manda, o medo governa,
o corpo é moeda diante do céu,
mas Jesus devolve dignidade
ao corpo cansado, frágil, fiel.

(ESTROFE 5)
Ele prefere mãos abertas,
não sangue derramado em nome da fé,
troca o ferro frio da tradição
pelo sopro vivo do que é.

(ESTROFE 6)
A lei que fere tenta domar Deus,
como se Ele exigisse pagamento,
mas o Filho revela um Pai
que liberta sem mutilamento.

(REFRÃO)
Perdão, Senhor, não és o Jeová,
do rito imposto e da dor normal,
teu chamado atravessa a alma,
não violenta o corpo mortal.

(ESTROFE 7)
O sinal agora é invisível,
feito em escolhas, não em cicatriz,
é no perdão vivido em segredo
que teu Reino se diz.

(ESTROFE 8)
Onde antes havia corte e prova,
surge a graça sem condição,
Jesus desfaz o culto da dor
e planta vida no coração.

(PONTE)
Quanto lutei para unir teus rostos,
justificando lâmina e altar,
chamei de mistério o que era medo,
e de obediência o que fazia sangrar.

(REFRÃO)
Perdão, Senhor, não és o Jeová,
da violência ritual sagrada,
em ti não há pacto de dor,
há vida livre, restaurada.

(REFRÃO FINAL)
Hoje descanso em Jesus, Deus-amor,
inteiro, sem cortes, sem temor,
pois nunca, jamais, por razão alguma,
serias diferente conosco, Senhor.

EXPLICAÇÃO DO TEMA

A circuncisão, no contexto bíblico antigo, funcionou como marcador identitário e religioso, típico de sociedades tribais que utilizavam sinais corporais para definir pertencimento e aliança. Em Gênesis 17, o rito é apresentado como exigência absoluta, vinculando fidelidade a Deus a uma intervenção física irreversível no corpo masculino. Esse modelo reflete uma compreensão de divindade associada ao controle, à prova material de submissão e à sacralização da dor como linguagem legítima da fé. Ao longo da história, estruturas religiosas frequentemente transformaram símbolos culturais em mandamentos absolutos, confundindo tradição com vontade divina. O problema teológico surge quando tais práticas passam a ser vistas como necessárias para a salvação, legitimando violência ritual e anulando a dignidade do corpo humano criado para a vida, não para o ferimento.

Jesus rompe radicalmente com essa lógica ao deslocar o eixo da fé do corpo marcado para o coração transformado. Nos evangelhos e nas cartas apostólicas, especialmente em Romanos 2:28–29 e Gálatas 5:6, a circuncisão perde seu valor religioso diante da fé que atua pelo amor. Cristo não substitui um rito por outro, mas desmonta a necessidade de qualquer violência simbólica ou física como meio de acesso a Deus. A metáfora do “coração de carne” (Ezequiel 36:26, relida cristologicamente) aponta para uma espiritualidade ética, relacional e interior, onde a mudança se dá pela consciência, pela prática do amor e pela liberdade. Assim, o poema se justifica ao afirmar que o Deus revelado em Jesus não aceita violência ritual, pois sua pedagogia é a restauração do humano por dentro, e não a consagração da dor como linguagem sagrada.

BIBLIOGRAFIA

Walter Brueggemann, Teologia do Antigo Testamento, 1997
James D. G. Dunn, A Teologia do Apóstolo Paulo, 1998
René Girard, O Bode Expiatório, 1982
John Dominic Crossan, O Jesus Histórico, 1991
Leonardo Boff, Jesus Cristo Libertador, 1972

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POEMAS: *"Perdão, Senhor! Não És o Jeová"*
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*DEUS QUE SE IRRITA COM FRAQUEZAS*
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A fome e o cansaço do povo geram ira divina (Ex 16–17). Jesus acolhe os cansados e oferece descanso.
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POESIA E MÚSICA
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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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música1
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(ESTROFE 1)
No deserto, a fome vira clamor,
o corpo exausto aprende a gritar,
a poeira entra na prece do povo
que só queria sobreviver e andar.

(ESTROFE 2)
Cansaço não é rebeldia,
mas limite humano a sangrar,
a garganta seca pede água,
e o estômago vazio sabe orar.

(ESTROFE 3)
Ainda assim, surge a ira do alto,
como se fraqueza fosse traição,
o gemido vira ofensa,
a dor, suspeita de ingratidão.

(REFRÃO)
Perdão, Senhor, não és o Jeová,
que se irrita com fome e fadiga,
teu amor não acusa o fraco,
nem pune quem já se fatiga.

(ESTROFE 4)
Moisés carrega o peso do povo,
e o peso molda sua visão,
confunde a tensão da liderança
com a voz do céu em reprovação.

(ESTROFE 5)
A narrativa veste Deus de impaciência,
espelhando o nervo de quem conduz,
mas o limite humano projetado
não revela o coração de Jesus.

(ESTROFE 6)
Cristo vê multidões cansadas,
não as acusa de murmurar,
manda sentar, reparte o pão,
e ensina a descansar.

(REFRÃO)
Perdão, Senhor, não és o Jeová,
do deserto e da severidade,
em ti a fraqueza encontra abrigo,
não ameaça, mas hospitalidade.

(ESTROFE 7)
Ele chama os sobrecarregados,
não exige força para amar,
faz do colo um mandamento
e do alívio um lugar.

(ESTROFE 8)
Onde a antiga fé via prova,
Jesus enxerga condição,
não testa resistência humana,
oferece compaixão.

(PONTE)
Quanto defendi a dureza santa,
chamando ira de educação,
atribui a Deus meu cansaço,
minha pressa, minha frustração.

(REFRÃO)
Perdão, Senhor, não és o Jeová,
que se fere com a limitação,
teu rosto não se fecha ao fraco,
teu amor não cobra perfeição.

(REFRÃO FINAL)
Hoje descanso em Jesus, Deus-amor,
sem medo do meu próprio limite,
pois nunca, jamais, por motivo algum,
serias diferente conosco, bendito.

EXPLICAÇÃO DO TEMA

Os relatos de Êxodo 16–17 mostram um povo recém-liberto, fisicamente frágil, emocionalmente inseguro e socialmente desorganizado. A fome, a sede e o cansaço são respostas previsíveis a uma travessia extrema, mas o texto bíblico frequentemente interpreta essas reações como “murmuração” ofensiva a Deus. Tal leitura reflete uma teologia antiga que associa fidelidade à resistência e espiritualiza a negação das necessidades básicas. Em contextos de liderança sob pressão, como o de Moisés, a impaciência humana pode ser projetada na imagem divina, criando um Deus que se irrita com a vulnerabilidade. Essa construção teológica serviu historicamente para disciplinar corpos e silenciar dores, legitimando discursos religiosos que culpam o fraco por sua própria exaustão.

Jesus subverte completamente essa lógica ao revelar um Deus que se inclina diante do cansaço humano. Em Mateus 11:28, Ele não repreende os sobrecarregados, mas os convida ao descanso. Nos evangelhos, a fome gera multiplicação, não censura; o sono dos discípulos gera cuidado, não ira (Mc 6:31). Essa diferença não é apenas pastoral, mas cristológica: Deus, em Jesus, assume a fadiga, sente sede, dorme no barco e chora diante da morte. A fraqueza deixa de ser falha moral e passa a ser espaço de encontro com a graça. O poema se justifica ao afirmar que o Deus que se irrita com limites humanos não pode ser confundido com o Pai revelado por Cristo, cuja resposta à exaustão é sempre acolhimento e restauração.

BIBLIOGRAFIA

Walter Brueggemann, A Imaginação Profética, 1978
James Alison, O Pecado Original à Luz da Ressurreição, 1998
Henri J. M. Nouwen, O Curador Ferido, 1972
John Dominic Crossan, Jesus: Uma Biografia Revolucionária, 1994
Leonardo Boff, O Rosto Materno de Deus, 1979

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POEMAS: *"Perdão, Senhor! Não És o Jeová"*
poesias e músicas de janeiro de 2026
https://psicalmrevista.blogspot.com/2025/12/janeiro-poemas-perdao-senhor-nao-es-o.html
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*DEUS QUE TESTA COM FOME*
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A privação é vista como prova espiritual. Jesus multiplica o pão e revela que Deus não testa pela fome.
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POESIA E MÚSICA
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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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música1
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(ESTROFE 1)
No caminho árido da promessa,
a falta vira lição severa,
como se o estômago vazio
fosse a sala onde a fé se espera.

(ESTROFE 2)
A privação ganha nome santo,
é chamada prova espiritual,
o pão ausente vira método,
o sofrimento, didática moral.

(ESTROFE 3)
Ensina-se que Deus observa
quem suporta sem questionar,
como se a fome purificasse
quem aprende a se calar.

(REFRÃO)
Perdão, Senhor, não és o Jeová,
que mede a fé pela escassez,
teu amor não educa ferindo,
nem chama a fome de altivez.

(ESTROFE 4)
Jesus encontra multidões vazias,
não lhes propõe jejum forçado,
vê crianças, corpos cansados,
e não chama isso de pecado.

(ESTROFE 5)
Antes da palavra vem o pão,
antes do ensino, a refeição,
porque barriga vazia não escuta
teologia nem exortação.

(ESTROFE 6)
Ele não diz: “suportem mais um pouco”,
nem sacraliza a privação,
manda organizar o povo,
e faz do cuidado uma revelação.

(REFRÃO)
Perdão, Senhor, não és o Jeová,
que testa a fé pela dor,
em Jesus, o sinal do Reino
é mesa farta e amor.

(ESTROFE 7)
Nem no deserto Ele aceita
provar filiação pela fome,
recusa transformar pedras em pão
para provar poder ou nome.

(ESTROFE 8)
Mas quando o outro tem necessidade,
o milagre nasce da compaixão,
pois Deus não se afirma na carência,
revela-se na provisão.

(PONTE)
Quanto errei chamando abandono
de pedagogia celestial,
defendi a fome como método
e a dor como bem espiritual.

(REFRÃO)
Perdão, Senhor, não és o Jeová,
que ensina negando o pão,
teu teste não é a escassez,
teu sinal é a partilha em comunhão.

(REFRÃO FINAL)
Hoje descanso em Jesus, Deus-amor,
que jamais negocia cuidado,
pois nunca, por motivo algum,
serias diferente conosco, amado.

EXPLICAÇÃO DO TEMA

A ideia de que Deus “testa com fome” nasce de leituras antigas que interpretam a privação como ferramenta pedagógica divina, especialmente em narrativas do Êxodo e do deserto. A escassez de alimento é apresentada como prova de fidelidade, na qual o sofrimento revela quem é digno de seguir adiante. Essa lógica espiritualiza a carência e transforma necessidades básicas em instrumentos morais, criando uma teologia que normaliza a dor e sacraliza a ausência. Historicamente, esse pensamento foi amplamente utilizado para justificar desigualdades, disciplinar corpos e silenciar questionamentos sociais, como se suportar fome fosse virtude e buscar pão fosse sinal de fraqueza espiritual (Dt 8:2–3).

Jesus rompe com essa estrutura ao revelar um Deus que não educa pela negação da vida. Nos evangelhos, a fome nunca é chamada de prova enviada por Deus, mas de urgência humana a ser atendida. A multiplicação dos pães (Mc 6:30–44; Jo 6) não é apenas milagre, mas correção teológica: Deus se manifesta onde o pão circula. Mesmo no relato da tentação (Mt 4), Jesus rejeita provar sua identidade pela própria fome, mas jamais impõe essa lógica aos outros. Pelo contrário, Ele ensina que o Reino começa quando ninguém passa necessidade. O poema se sustenta nessa chave cristológica: o Deus revelado em Jesus não testa pela fome, porque a fome não revela fé, revela ausência de cuidado.

BIBLIOGRAFIA

Walter Brueggemann, A Teologia do Antigo Testamento, 1997
John Dominic Crossan, O Nascimento do Cristianismo, 1998
Dorothee Sölle, Sofrimento, 1975
Leonardo Boff, Jesus Cristo Libertador, 1972
James D. G. Dunn, Jesus Remembered, 2003

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POEMAS: *"Perdão, Senhor! Não És o Jeová"*
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*DEUS QUE CASTIGA DÚVIDAS*
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Questionar é tratado como rebeldia. Jesus acolhe até a dúvida de Tomé, sem punição.
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POESIA E MÚSICA
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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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música1
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(ESTROFE 1)
Perguntar virou suspeita,
pensar foi chamado traição,
a dúvida, erro da mente,
a fé, prisão sem interrogação.

(ESTROFE 2)
A voz que hesita é silenciada,
o medo veste-se de zelo,
quem busca entender o caminho
é acusado de romper o selo.

(ESTROFE 3)
Crê-se num Deus irritável,
que pune quem ousa pensar,
como se a pergunta sincera
fosse pecado a condenar.

(REFRÃO)
Perdão, Senhor, não és o Jeová,
que castiga quem quer compreender,
em Jesus, a pergunta é encontro,
não motivo para temer.

(ESTROFE 4)
Tomé não foi expulso da mesa,
nem ferido por duvidar,
foi chamado a tocar feridas,
não a aprender a calar.

(ESTROFE 5)
A dúvida ali não é ruptura,
é caminho de relação,
pois fé que nasce do medo
não é fé, é submissão.

(ESTROFE 6)
Jesus não exige respostas prontas,
nem censura o coração,
acolhe o passo inseguro
e caminha junto na interrogação.

(REFRÃO)
Perdão, Senhor, não és o Jeová,
que confunde fé com obediência cega,
tua verdade não teme perguntas,
ela se entrega.

(ESTROFE 7)
Quem ama não controla crenças,
quem ama sabe escutar,
não ameaça quem hesita,
prefere junto caminhar.

(ESTROFE 8)
O Cristo não fecha o diálogo,
não governa pela pressão,
Ele vence a incredulidade
com presença e compaixão.

(PONTE)
Quanto errei defendendo o medo
como se fosse devoção,
chamei silêncio de reverência
e a dúvida de rebelião.

(REFRÃO)
Perdão, Senhor, não és o Jeová,
que pune a busca sincera,
em Jesus, até a dúvida
é espaço onde o amor espera.

(REFRÃO FINAL)
Hoje descanso em Jesus, Deus-amor,
que jamais fere quem quer crer,
pois nunca, por motivo algum,
serias diferente conosco ao acolher.

EXPLICAÇÃO DO TEMA

A noção de um Deus que castiga dúvidas nasce de estruturas religiosas que confundem fé com controle e segurança institucional. Em muitos contextos bíblicos antigos, questionar a autoridade era visto como ameaça à ordem do grupo, e essa lógica foi projetada sobre Deus. Assim, perguntar passou a ser interpretado como rebeldia, e a dúvida, como falha moral. Esse modelo produz uma espiritualidade frágil, baseada no medo da punição, na repetição acrítica de fórmulas e na exclusão de quem pensa diferente. Textos como Nm 14 ou Dt 9 foram historicamente usados para reforçar essa ideia, criando um ambiente onde a consciência é subjugada em nome da obediência.

Jesus desmonta essa lógica ao revelar um Deus que não se sente ameaçado pela dúvida humana. O episódio de Tomé (Jo 20:24–29) é emblemático: longe de repreendê-lo, Jesus se oferece como resposta viva à sua inquietação. A fé cristã, nesse sentido, não nasce da ausência de perguntas, mas do encontro honesto com a verdade encarnada. Teologicamente, isso aproxima Jesus da tradição sapiencial e do diálogo presente nos Salmos, em Jó e nos profetas, onde questionar Deus é parte da relação com Ele. O poema assume essa chave: Deus não pune a dúvida, porque a dúvida não é inimiga da fé; é, muitas vezes, seu início mais sincero.

BIBLIOGRAFIA

Paul Tillich, A Dinâmica da Fé, 1957
James W. Fowler, Stages of Faith, 1981
Peter Rollins, How (Not) to Speak of God, 2006
Walter Brueggemann, The Psalms and the Life of Faith, 1995
John Dominic Crossan, Jesus: A Revolutionary Biography, 1994

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*DEUS QUE SE REVELA EM TERROR*
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Trovões, fogo e tremores marcam a presença divina (Ex 19). Jesus revela Deus na mansidão e na proximidade humana.
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POESIA E MÚSICA
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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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música1
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(ESTROFE 1)
O monte treme sob o fogo,
o céu ruge em convulsão,
Deus chega em som de ameaça,
envolto em medo e tensão.

(ESTROFE 2)
Relâmpagos rasgam o silêncio,
a terra aprende a temer,
aproximar-se é perigo,
viver torna-se estremecer.

(ESTROFE 3)
A presença veste pavor,
o sagrado inspira fuga,
quem ama mantém distância,
quem obedece, se anula.

(REFRÃO)
Perdão, Senhor, não és o Jeová,
do terror que paralisa a vida,
em Jesus, Deus se aproxima
com mansidão encarnada e sentida.

(ESTROFE 4)
O medo vira método de fé,
a distância vira virtude,
Deus reina pelo abalo,
não pela graça que ilude.

(ESTROFE 5)
Mas surge um Deus que caminha,
sem trovão, sem explosão,
fala baixo aos cansados
e toca a mão do chão.

(ESTROFE 6)
Jesus não chega em tremores,
mas em pão repartido,
Deus não grita do alto,
Deus senta-se com o ferido.

(REFRÃO)
Perdão, Senhor, não és o Jeová,
que se impõe pelo pavor,
tua glória é proximidade,
teu poder se chama amor.

(ESTROFE 7)
O Pai revelado no Filho
não precisa assustar,
quem ama não aterroriza,
prefere se deixar tocar.

(ESTROFE 8)
A santidade não queima,
não afasta, não exclui,
em Jesus, Deus se revela
no rosto humano que flui.

(PONTE)
Quanto defendi o medo
como sinal de revelação,
confundi tremor com fé
e silêncio com submissão.

(REFRÃO)
Perdão, Senhor, não és o Jeová,
do fogo que afasta e oprime,
em Jesus, tua presença
é abraço que redime.

(REFRÃO FINAL)
Hoje descanso em Jesus, Deus-amor,
sem medo, sem condição,
pois jamais, por motivo algum,
serias terror para o coração.

EXPLICAÇÃO DO TEMA

A revelação divina associada ao terror, descrita em textos como Êxodo 19, reflete um contexto histórico em que o sagrado era compreendido a partir do poder, da força e da separação. Trovões, fogo e tremores eram linguagens simbólicas usadas para comunicar autoridade absoluta e controle, comuns também às teofanias de culturas vizinhas do Antigo Oriente. Nesse modelo, o medo torna-se o meio pedagógico da fé: Deus é respeitado porque assusta, e a obediência nasce da ameaça. Tal concepção moldou séculos de espiritualidade marcada pela distância, pela culpa e pela submissão, em que aproximar-se de Deus significava risco, não acolhimento.

Jesus, porém, subverte radicalmente essa imagem ao revelar Deus na mansidão e na proximidade humana. O Verbo não desce em chamas, mas nasce num corpo frágil; não fala em trovões, mas em parábolas; não provoca pavor, mas convida: “Vinde a mim” (Mt 11:28). A revelação plena de Deus acontece na encarnação, onde a glória divina se manifesta no amor que se deixa ver, tocar e ferir. Como afirma o prólogo de João (Jo 1:18), Deus se torna conhecido no Filho, e esse conhecimento não gera terror, mas comunhão. O poema sustenta essa ruptura: o Deus de Jesus não governa pelo medo, mas transforma pela presença amorosa.

BIBLIOGRAFIA

Rudolf Otto, O Sagrado, 1917
Karl Rahner, Curso Fundamental da Fé, 1976
Leonardo Boff, Jesus Cristo Libertador, 1972
James Alison, The Joy of Being Wrong, 1998
Jürgen Moltmann, O Deus Crucificado, 1972

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POEMAS: *"Perdão, Senhor! Não És o Jeová"*
poesias e músicas de janeiro de 2026
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*DEUS QUE IMPÕE LEIS SEM CONTEXTO HUMANO*
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A lei surge como absoluta. Jesus ensina que a lei existe para servir à vida, não para esmagá-la.
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POESIA E MÚSICA
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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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música1
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(ESTROFE 1)
A lei desce dura da pedra,
fria, sem rosto ou chão,
não pergunta pela dor
nem escuta a condição.

(ESTROFE 2)
Mandamento vira peso,
norma ignora o viver,
quem tropeça é condenado
antes mesmo de se erguer.

(ESTROFE 3)
A regra não vê feridas,
não conhece o cansaço,
mede a vida por tábuas
e chama rigor de traço.

(REFRÃO)
Perdão, Senhor, não és o Jeová
da lei que oprime e exclui,
em Jesus, a norma serve
à vida que flui.

(ESTROFE 4)
O sábado vira sentença,
o certo vence o bem,
cumpre-se o texto exato
mesmo que alguém sangrem.

(ESTROFE 5)
A justiça perde o rosto,
a letra cala o coração,
obedece-se por medo,
não por compaixão.

(ESTROFE 6)
Mas Jesus toca a lei
com mãos cheias de chão,
cura em dia proibido
e chama isso de salvação.

(REFRÃO)
Perdão, Senhor, não és o Jeová
do código sem calor,
em Jesus, toda lei
se curva ao amor.

(ESTROFE 7)
A lei agora escuta a fome,
aprende com a dor,
não pergunta “é permitido?”,
pergunta “onde há clamor?”.

(ESTROFE 8)
O mandamento ganha carne,
o dever vira cuidado,
obedecer é amar
no concreto do lado.

(PONTE)
Quanto insisti na norma
como fim e não como meio,
defendi regras perfeitas
ignorando o rosto alheio.

(REFRÃO)
Perdão, Senhor, não és o Jeová
da lei acima da vida,
em Jesus, mandamento
é graça encarnada e vivida.

(REFRÃO FINAL)
Hoje descanso em Jesus, Deus-amor,
lei viva em relação,
pois jamais, por motivo algum,
serias opressão para o coração.

EXPLICAÇÃO DO TEMA

A apresentação da lei como absoluta, desvinculada do contexto humano, é um traço marcante de muitas leituras do Êxodo e da tradição legalista posterior. Nesse modelo, a lei é entendida como expressão direta e imutável da vontade divina, válida independentemente das circunstâncias históricas, sociais ou existenciais das pessoas. O resultado é uma espiritualidade em que cumprir normas torna-se mais importante do que preservar vidas, e onde o erro é tratado como falha moral antes de ser compreendido como limite humano. Jesus confronta diretamente essa lógica ao afirmar que “o sábado foi feito por causa do ser humano, e não o ser humano por causa do sábado” (Mc 2:27), recolocando a lei em seu lugar original: instrumento a serviço da vida.

No ministério de Jesus, a lei não é abolida, mas reinterpretada a partir da misericórdia, da justiça restaurativa e da dignidade humana. Ao curar no sábado (Lc 13:10–17), ao impedir o apedrejamento da mulher (Jo 8:1–11) e ao resumir toda a Torá no amor a Deus e ao próximo (Mt 22:37–40), Jesus revela que qualquer norma que esmague a vida contradiz o próprio Deus. Como observa Paul Ricoeur, a ética bíblica madura não se sustenta na obediência cega, mas na responsabilidade diante do outro. O poema nasce dessa chave cristológica: o Deus revelado em Jesus não impõe leis abstratas, mas caminha com pessoas reais, transformando a norma em cuidado e a obediência em amor concreto.

BIBLIOGRAFIA

Paul Ricoeur, O Justo, 1995
José Comblin, O Poder da Palavra, 1986
E. P. Sanders, Jesus and Judaism, 1985
Leonardo Boff, Ética da Vida, 1999
N. T. Wright, Jesus and the Victory of God, 1996

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POEMAS: *"Perdão, Senhor! Não És o Jeová"*
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*DEUS QUE PUNE COLETIVAMENTE*
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Erros individuais recaem sobre todos. Jesus trata cada pessoa com dignidade e responsabilidade pessoal.
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POESIA E MÚSICA
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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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música1
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(ESTROFE 1)
Um tropeço vira sentença,
o erro de um vira trovão,
todos pagam a mesma conta
sem voz, sem distinção.

(ESTROFE 2)
A culpa corre em corrente,
atravessa pai e irmão,
quem não fez carrega o peso
da alheia transgressão.

(ESTROFE 3)
A multidão vira alvo,
ninguém tem nome ou rosto,
a dor se torna estatística
no juízo imposto.

(REFRÃO)
Perdão, Senhor, não és o Jeová
da culpa que se espalha assim,
em Jesus, cada pessoa
importa em si.

(ESTROFE 4)
Pragas não perguntam nomes,
nem medem intenção,
caem sobre justos e frágeis
como igual punição.

(ESTROFE 5)
A criança sofre calada,
o inocente não tem vez,
a justiça vira massa
sem olhar quem é quem fez.

(ESTROFE 6)
Mas Jesus para a multidão
e chama um por um à luz,
olha olhos, toca histórias,
responsabiliza e conduz.

(REFRÃO)
Perdão, Senhor, não és o Jeová
da pena sem distinção,
em Jesus, a verdade
tem rosto e coração.

(ESTROFE 7)
Ao cego, não culpa os pais,
nem pecados herdados no chão,
cura, dignifica, liberta
da falsa condenação.

(ESTROFE 8)
Cada vida é um encontro,
cada escolha, um chamado,
ninguém responde pelo outro,
todos são amados.

(PONTE)
Quanto errei defendendo a ideia
de um Deus que pune em bloco,
confundi temor com justiça
e chamei silêncio de zelo ortodoxo.

(REFRÃO)
Perdão, Senhor, não és o Jeová
do castigo sem ouvir,
em Jesus, responsabilidade
é caminho de existir.

(REFRÃO FINAL)
Hoje descanso em Jesus, Deus-amor,
justo sem desumanizar,
pois jamais, por motivo algum,
serias coletivo ao punir, mas pessoal ao amar.

EXPLICAÇÃO DO TEMA

A punição coletiva aparece com frequência nas narrativas antigas como forma de preservar a ordem social e reforçar a ideia de pertencimento grupal. No Êxodo, em Números e em Josué, atos individuais resultam em consequências para todo o povo, revelando uma teologia marcada pela lógica tribal, onde o indivíduo quase não existe fora do coletivo. Essa visão, embora compreensível em seu contexto histórico, produz uma imagem de Deus que dilui a responsabilidade pessoal e banaliza o sofrimento dos inocentes. Textos como Êxodo 32, Números 16 e Josué 7 ilustram bem essa mentalidade, em que a punição se espalha como resposta divina homogênea.

Jesus rompe radicalmente com esse paradigma. Em João 9, ao curar o cego de nascença, Ele rejeita explicitamente a ideia de culpa herdada ou coletiva: “nem ele pecou, nem seus pais”. Em Lucas 13, ao comentar tragédias públicas, Jesus nega que as vítimas fossem mais culpadas do que outras. O Deus revelado em Cristo trata cada pessoa como sujeito moral, digno e responsável, nunca como dano colateral. Como observa Walter Brueggemann, a revelação bíblica amadurece quando a justiça deixa de ser punitiva e passa a ser restaurativa. O poema nasce dessa transição teológica: do Deus da massa indistinta para o Deus que chama cada um pelo nome e responde à vida com amor pessoal e irrepetível.

BIBLIOGRAFIA

Walter Brueggemann, Theology of the Old Testament, 1997
John Dominic Crossan, Jesus: A Revolutionary Biography, 1994
Ezequiel 18 – Bíblia Hebraica / Antigo Testamento, séc. VI a.C.
N. T. Wright, Simply Jesus, 2011
Leonardo Boff, Jesus Cristo Libertador, 1972

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POEMAS: *"Perdão, Senhor! Não És o Jeová"*
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*DEUS QUE AUTORIZA MATANÇAS RELIGIOSAS*
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Levitas matam em nome de Deus (Ex 32:27). Jesus proíbe toda violência feita em nome de Deus.
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POESIA E MÚSICA
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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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música1
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(Estrofe)
No Sinai o grito virou mandamento
Espadas ungidas feriram irmãos
O ouro fundido gerou juramento
E a fé vestiu sangue nas próprias mãos

(Estrofe)
Homens disseram ouvir Tua voz
Mas foi o medo quem falou primeiro
Chamaram de santo o gesto atroz
E fizeram do zelo um cárcere inteiro

(Estrofe)
A Lei nasceu dura, talhada no chão
Gravada em pedras, sem pulsar calor
Confundiram justiça com punição
E chamaram de Deus o terror

(Refrão)
Jesus interrompe a mão levantada
Cala o argumento da morte fiel
Nenhuma violência é autorizada
Quando o nome usado não é Emanuel

(Estrofe)
Levitas marcharam como soldados
Crendo servir ao Trono eterno
Mas Deus não habita braços armados
Nem faz do massacre um governo

(Estrofe)
O erro não foi só interpretação
Foi projetar no céu o chão violento
Criaram um Deus à própria paixão
E chamaram vingança de fundamento

(Estrofe)
Jesus surge pobre, sem tribunal
Recusa o poder que mata em Seu nome
Desmonta o mito do Deus brutal
E chama de Pai quem perdoa e acolhe

(Refrão)
Jesus interrompe a mão levantada
Cala o argumento da morte fiel
Nenhuma violência é autorizada
Quando o nome usado não é Emanuel

(Estrofe)
Na cruz Ele expõe toda a mentira
Do Deus que exige sangue e temor
Ali morre a lógica que conspira
Contra o Amor feito carne e dor

(Estrofe)
Não foi Deus quem pediu sacrifício
Foi o sistema que não soube amar
O Filho revela outro ofício
Ensinar o mundo a perdoar

(Ponte)
Falhei, Senhor, por zelo equivocado
Defendi um Deus forte demais
Confundi autoridade com sagrado
E ordem divina com sinais fatais
Achei coerência onde havia medo
Achei tradição onde havia opressão
Hoje confesso, sem mais segredo
Errei por fidelidade à instituição

(Refrão)
Jesus interrompe a mão levantada
Cala o argumento da morte fiel
Nenhuma violência é autorizada
Quando o nome usado não é Emanuel

(Refrão Final)
Agora descanso no Deus revelado
No Cristo manso, pleno de amor
Jamais um Pai seria associado
À morte erguida como louvor
Em Jesus encontro a face verdadeira
Do Deus que salva sem ferir
Amor eterno, única bandeira
Nunca foi, nem será, diferente de Ti

EXPLICAÇÃO DO TEMA

O tema “Perdão, Senhor, não és o Jeová” não propõe uma negação simplista das Escrituras hebraicas, mas uma leitura cristológica crítica da revelação. O episódio de Êxodo 32:27, no qual os levitas matam em nome de Deus, reflete um estágio histórico-teológico em que a violência era compreendida como instrumento legítimo de manutenção da ordem religiosa. Essa lógica é comum em sociedades tribais e imperiais, onde o divino é projetado à imagem do poder humano. Jesus, porém, rompe esse paradigma ao revelar um Deus que não se defende pela espada (Mt 26:52), que prefere morrer a matar, e que redefine a autoridade como serviço. A parábola do bom samaritano, o ensino sobre amar os inimigos (Mt 5:44) e Sua reação diante da mulher adúltera (Jo 8:1–11) demonstram que qualquer fé que precise eliminar o outro para se sustentar não procede do Pai que Ele anuncia.

Teologicamente, esse contraste é abordado por autores como René Girard, ao mostrar que a violência religiosa nasce do mecanismo do bode expiatório, e por John Dominic Crossan, ao afirmar que a cruz revela não um Deus violento, mas a violência humana desmascarada. A carta aos Hebreus reforça essa ruptura ao afirmar que Deus “falou de muitas maneiras” no passado, mas agora se revelou plenamente no Filho (Hb 1:1–3). O poema, portanto, justifica-se como uma confissão de fé madura: reconhecer que nem toda imagem de Deus na Bíblia corresponde ao caráter revelado em Jesus. Cristo torna-se o critério hermenêutico final, libertando a fé de legitimar massacres, punições sagradas e exclusões em nome de Deus.

BIBLIOGRAFIA

Girard, René. A Violência e o Sagrado. 1972.

Crossan, John Dominic. O Jesus Histórico. 1991.

Sölle, Dorothee. Cristologia: Jesus Cristo Hoje. 1972.

Boyd, Gregory A. The Crucifixion of the Warrior God. 2017.

Boff, Leonardo. Jesus Cristo Libertador. 1972.

Se quiser, posso adaptar esse conteúdo para formato de capítulo de livro, artigo acadêmico, liturgia poética ou performance pública.

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teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)



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*DEUS QUE SE ARREPENDE*
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O texto afirma que Deus muda de ideia (Ex 32:14). Em Jesus, Deus é constante no amor e fiel em sua misericórdia.
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POESIA E MÚSICA
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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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música1
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(Estrofe)
Dizem que mudaste ao ouvir oração
Que recuaste diante do clamor
Um Deus que negocia a própria intenção
Como quem aprende no meio da dor

(Estrofe)
No texto antigo, o verbo vacila
“Arrependeu-se” soa humano demais
A eternidade ali se assimila
À lógica instável dos mortais

(Estrofe)
Projetamos no céu nossa hesitação
Chamamos de Deus a oscilação
Confundimos paciência com indecisão
E misericórdia com correção

(Refrão)
Em Jesus não há mudança ou retorno
O Amor não vacila, não perde razão
Deus não se arrepende, Ele é contorno
Fiel para sempre em compaixão

(Estrofe)
Moisés argumenta, Deus reconsidera
O texto descreve um diálogo tenso
Mas quem muda ali não é quem espera
É o olhar humano em progresso imenso

(Estrofe)
A linguagem tenta alcançar o mistério
Com verbos do tempo e da emoção
Mas Deus não se curva ao nosso critério
Nem aprende depois da criação

(Estrofe)
Jesus não recalcula Sua graça
Não volta atrás no gesto de amar
Sua palavra não sofre ameaça
É firme promessa a se entregar

(Refrão)
Em Jesus não há mudança ou retorno
O Amor não vacila, não perde razão
Deus não se arrepende, Ele é contorno
Fiel para sempre em compaixão

(Estrofe)
Na cruz não houve revisão de plano
Nem ajuste tardio do querer
Ali se revela o eterno humano
De um Deus que sempre soube sofrer

(Estrofe)
Quem lê o passado sem o Filho
Vê sombras onde há pedagogia
Mas Cristo acende outro trilho
E a constância vira harmonia

(Ponte)
Falhei ao defender um Deus instável
Que reage como eu reagiria
Achei mais crível o imprevisível
Do que um Amor que não oscila um dia
Confundi narrativa com essência
E antropologia com revelação
Hoje confesso minha incoerência
Por não confiar na Tua constância em ação

(Refrão)
Em Jesus não há mudança ou retorno
O Amor não vacila, não perde razão
Deus não se arrepende, Ele é contorno
Fiel para sempre em compaixão

(Refrão Final)
Agora descanso no Cristo imutável
Deus-Amor sem sombra de variação
Jamais, por motivo algum, seria aceitável
Que o Pai negasse Sua própria afeição
Em Jesus repouso, certo e seguro
O Amor é eterno, não condicional
Conosco Ele é firme, presente e puro
Ontem, hoje e sempre: igual

EXPLICAÇÃO DO TEMA

O texto de Êxodo 32:14 afirma que “o Senhor arrependeu-se do mal que dissera que havia de fazer ao povo”, utilizando uma linguagem profundamente antropomórfica para descrever a relação entre Deus e Israel. Esse tipo de linguagem é comum na literatura bíblica antiga, que traduz o mistério divino em categorias compreensíveis à experiência humana. Assim como se diz que Deus “desce”, “ouve” ou “se ira”, o arrependimento não descreve uma mudança ontológica em Deus, mas uma mudança na relação percebida a partir da resposta humana. Autores como Abraham Joshua Heschel explicam que a Bíblia hebraica enfatiza a proximidade relacional de Deus, mesmo que isso implique o uso de imagens emocionais. No entanto, quando essas imagens são absolutizadas, corre-se o risco de conceber um Deus instável, reativo e dependente do comportamento humano para definir Sua vontade.

Em Jesus, essa tensão é resolvida. O Novo Testamento afirma que “em Deus não há mudança nem sombra de variação” (Tg 1:17) e que Cristo é “o mesmo ontem, hoje e para sempre” (Hb 13:8). A misericórdia revelada em Jesus não surge como correção de rota, mas como expressão plena do que Deus sempre foi. Teólogos como Karl Barth e Jürgen Moltmann destacam que a encarnação não representa um arrependimento divino, mas a revelação definitiva do caráter eterno de Deus: amor fiel que explica, sem negar, os textos anteriores. O poema se justifica, portanto, como um exercício de releitura cristológica, reconhecendo que muitos textos dizem mais sobre o caminho humano de compreensão de Deus do que sobre Deus em Si. Em Jesus, o crente encontra descanso, pois já não adora um Deus que muda de ideia, mas um Amor que permanece.

BIBLIOGRAFIA

Heschel, Abraham Joshua. Os Profetas. 1962.

Barth, Karl. Dogmática Eclesiástica II/1. 1940.

Moltmann, Jürgen. O Deus Crucificado. 1972.

Sanders, John. The God Who Risks. 1998.

Wright, N. T. Simply Jesus. 2011.

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POEMAS: *"Perdão, Senhor! Não És o Jeová"*
poesias e músicas de janeiro de 2026
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*DEUS QUE PRECISA SER APLACADO*
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Deus parece precisar ser convencido a perdoar. Jesus revela um Pai que sempre toma a iniciativa do perdão.
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POESIA E MÚSICA
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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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música1
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(Estrofe)
Um Deus que espera oferta no altar
Como se o amor fosse reação
Um céu fechado a precisar negociar
Para liberar a absolvição

(Estrofe)
Incenso sobe como argumento
Sangue fala antes do perdão
Como se o erro tivesse mais peso e assento
Que a Tua própria compaixão

(Estrofe)
Ensinaram-me a Te convencer
Com ritos, promessas e temor
Como se fosse preciso Te mover
Para que fluísse o amor

(Refrão)
Mas Jesus revela o Pai que se adianta
Que perdoa antes de pedir
O perdão nasce em Deus, não se implanta
Não espera oferta para existir

(Estrofe)
No deserto, o medo constrói mediações
Um Deus distante, sempre aplacável
Criamos pontes, leis e condições
Para tornar o divino controlável

(Estrofe)
A culpa vira moeda sagrada
O sacrifício, linguagem central
Mas o coração já nasce em morada
Onde o perdão é original

(Estrofe)
Cristo não pede calma ao Pai
Nem altera um humor divino
Ele mostra que o amor já sai
Antes do arrependimento humano

(Refrão)
Mas Jesus revela o Pai que se adianta
Que perdoa antes de pedir
O perdão nasce em Deus, não se implanta
Não espera oferta para existir

(Estrofe)
Na mesa aberta aos imperfeitos
Sem prévia purificação
O Filho desfaz antigos conceitos
E chama graça de relação

(Estrofe)
Se Deus precisasse ser convencido
O filho pródigo não voltaria
Mas o Pai já estava decidido
Antes mesmo da rebeldia

(Ponte)
Falhei ao defender um Deus sensível à barganha
Que reage conforme o ritual
Acreditei que o céu se ganha
Com dor, medo e cálculo moral
Troquei a iniciativa do Amor primeiro
Por um perdão condicionado e tardio
Hoje lamento ter sido herdeiro
De um Deus menor que o Deus revelado no Filho

(Refrão)
Mas Jesus revela o Pai que se adianta
Que perdoa antes de pedir
O perdão nasce em Deus, não se implanta
Não espera oferta para existir

(Refrão Final)
Agora descanso no Deus que perdoa
Antes do erro ser confessado
Em Jesus, o Amor não perdoa à toa
Ele perdoa porque sempre tem amado
Jamais, por motivo algum, seria diferente
O Pai é graça em plena ação
Conosco Ele é sempre presente
Amor que precede toda redenção

EXPLICAÇÃO DO TEMA

Em diversas tradições religiosas antigas, inclusive no contexto do Antigo Oriente Próximo, o perdão divino aparece condicionado à oferta, ao sacrifício ou à intercessão que “aplaca” a ira de Deus. Muitos textos bíblicos refletem esse horizonte cultural, descrevendo um Deus que precisa ser convencido a perdoar, seja por meio de rituais (Lv 16), sacrifícios expiatórios ou pela mediação de líderes como Moisés. Essa linguagem não nasce da essência de Deus, mas da tentativa humana de lidar com culpa, medo e desordem social. René Girard demonstra como o sacrifício surge historicamente como mecanismo de contenção da violência, projetando nos deuses a necessidade de apaziguamento. Assim, a teologia do Deus aplacável revela mais sobre a psicologia religiosa humana do que sobre o caráter divino.

Em Jesus, essa lógica é radicalmente invertida. As parábolas do perdão — como o pai do filho pródigo (Lc 15) ou o credor misericordioso (Mt 18) — mostram um Deus que não espera reparação prévia para amar. Paulo afirma que “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (2Co 5:19), não exigindo reconciliação para então amar, mas amando para reconciliar. Teólogos como James Alison e Karl Rahner ressaltam que a cruz não muda Deus, mas revela quem Deus sempre foi: amor que toma a iniciativa. O poema se justifica, portanto, como confissão e ruptura com uma imagem sacrificialista de Deus, descansando na revelação definitiva de um Pai que perdoa porque Sua essência é misericórdia, não reação.

BIBLIOGRAFIA

Girard, René. A Violência e o Sagrado. 1972.

Alison, James. The Joy of Being Wrong. 1998.

Rahner, Karl. Fundamentos da Fé Cristã. 1976.

Heschel, Abraham Joshua. Deus em Busca do Homem. 1955.

Wright, N. T. The Day the Revolution Began. 2016.

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*DEUS QUE HABITA EM OBJETOS*
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A presença divina é ligada à arca e ao tabernáculo. Jesus revela Deus habitando nas pessoas.
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POESIA E MÚSICA
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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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música1
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(Estrofe)
Cercaram-Te em ouro e madeira
Como se o infinito coubesse ali
Fixaram Teu passo na esteira
De um Deus que só vinha se o rito seguir

(Estrofe)
A arca virou endereço exclusivo
O sagrado, um ponto no chão
Como se o Amor, tão expansivo,
Precisasse de localização

(Estrofe)
Ergueram tendas para Te guardar
Com véus, medidas e temor
Como se fosse possível trancar
A fonte viva do Amor

(Refrão)
Mas Jesus revela o Deus presente
Que não mora em caixa ou altar
Ele habita o corpo da gente
E faz do humano o Seu lugar

(Estrofe)
O objeto virou garantia
De que Deus não fugiria de nós
Mas o medo da ausência criava a mania
De prender o céu em nós

(Estrofe)
Entre varas, querubins e tampas
Confundimos sinal com essência
O símbolo ganhou mais rampas
Que a própria consciência

(Estrofe)
Veio o Filho sem templo portátil
Sem arca, sem culto central
Fez do abraço Seu santo e vital
E do pobre, Seu altar real

(Refrão)
Mas Jesus revela o Deus presente
Que não mora em caixa ou altar
Ele habita o corpo da gente
E faz do humano o Seu lugar

(Estrofe)
Quando tocou leprosos e feridos
O sagrado mudou de endereço
Deu morada aos esquecidos
E chamou carne de começo

(Estrofe)
Se Deus habita em gente viva
Não há fronteira ou exclusão
A presença já não é cativa
De objeto, rito ou nação

(Ponte)
Falhei ao defender um Deus imóvel
Preso em madeira e metal
Acreditei num sagrado controlável
Num céu pequeno e local
Troquei a vida pulsante do Espírito
Por segurança simbólica e fria
Hoje confesso: fui eu quem limitei o Infinito
Ao reduzir Deus àquilo que se via

(Refrão)
Mas Jesus revela o Deus presente
Que não mora em caixa ou altar
Ele habita o corpo da gente
E faz do humano o Seu lugar

(Refrão Final)
Agora descanso no Deus encarnado
Que fez da vida Sua habitação
Em Jesus, o Amor foi derramado
Sem paredes, sem separação
Jamais, por motivo algum, seria diferente
Deus escolheu conosco morar
Não em objetos, mas em gente
Amor vivo a nos habitar

EXPLICAÇÃO DO TEMA

No Êxodo e na tradição sacerdotal de Israel, a presença de Deus é frequentemente associada a lugares e objetos específicos: a arca da aliança, o tabernáculo, o Santo dos Santos. Esses elementos tinham função pedagógica e simbólica, organizando a vida religiosa de um povo recém-liberto e ainda marcado por cosmovisões tribais. Contudo, com o tempo, o símbolo passou a ser confundido com a própria realidade divina. Deus foi “fixado” em objetos sagrados, como se Sua presença dependesse de mediações materiais específicas. O profeta Jeremias já critica essa lógica ao denunciar a confiança mágica no templo (Jr 7), mostrando que o Deus vivo não se deixa aprisionar por estruturas religiosas.

Em Jesus, ocorre uma ruptura decisiva: “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1:14). A presença divina deixa de estar ligada a um objeto sagrado e passa a habitar pessoas. Paulo aprofunda essa compreensão ao afirmar que somos “templo do Espírito” (1Co 3:16). Teólogos como N. T. Wright e Leonardo Boff destacam que a encarnação redefine completamente o conceito de sagrado: Deus não está contido no mundo, mas o mundo é abraçado por Deus. O poema expressa esse deslocamento radical, confessando o erro de reduzir Deus a símbolos estáticos e celebrando a revelação cristã de um Deus que escolhe morar na vida concreta, especialmente nos corpos frágeis e nas relações humanas.

BIBLIOGRAFIA

Wright, N. T. Jesus and the Victory of God. 1996.
Boff, Leonardo. Jesus Cristo Libertador. 1972.
Heschel, Abraham Joshua. Deus em Busca do Homem. 1955.
Dunn, James D. G. The Theology of Paul the Apostle. 1998.
Pagola, José Antonio. Jesus: Aproximação Histórica. 2007.

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POEMAS: *"Perdão, Senhor! Não És o Jeová"*
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*DEUS QUE SE ESCONDE*
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Deus fala por enigmas e sombras. Jesus é a revelação clara, visível e humana de Deus.
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POESIA E MÚSICA
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*POESIA & ARGUMENTOS* .
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música1
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(Estrofe)
Aprendi Te buscar nas entrelinhas
No sussurro turvo da escuridão
Como quem decifra antigas trilhas
Sem jamais tocar Tua mão

(Estrofe)
Fiz do mistério um esconderijo
E da fé, um jogo de sinais
Achei que amar era um enigma fixo
Guardado em véus rituais

(Estrofe)
Te associei ao Deus das sombras
Que fala pouco e sempre em tensão
Um Deus de pistas que não se mostram
E exigem decifração

(Refrão)
Mas Jesus é Deus revelado
Rosto humano, palavra em ação
Nada oculto, nada velado
Deus visível em encarnação

(Estrofe)
Enquanto isso, o povo sofria
Sem saber se era visto ou não
Pois um Deus que sempre se escondia
Nunca traz consolação

(Estrofe)
Atribuí silêncio à grandeza
E distância à santidade
Confundi ausência com pureza
E temor com profundidade

(Estrofe)
Veio Cristo rompendo o nevoeiro
Falando claro, com pão e chão
Mostrou Deus no gesto verdadeiro
De quem toca a contradição

(Refrão)
Mas Jesus é Deus revelado
Rosto humano, palavra em ação
Nada oculto, nada velado
Deus visível em encarnação

(Estrofe)
Ele não falou por charadas
Quando viu a dor se impor
Fez da vida explicação dada
E do amor, tradutor

(Estrofe)
Se Deus se mostra em carne aberta
Não há código a decifrar
A verdade não é secreta
É alguém que vem caminhar

(Ponte)
Lamento ter defendido o Deus cifrado
Que se protege atrás do mistério
Achei o invisível mais elevado
Que o amor simples e sério
Usei o argumento da transcendência
Para justificar minha cegueira
E chamei de reverência
O medo de vê-Lo de maneira inteira

(Refrão)
Mas Jesus é Deus revelado
Rosto humano, palavra em ação
Nada oculto, nada velado
Deus visível em encarnação

(Refrão Final)
Hoje descanso no Deus que se mostra
Sem enigmas, sem condição
Em Jesus, Deus se demonstra
Clareza, ternura e perdão
Jamais, por motivo algum, seria diferente
Deus não se escondeu de nós
Fez-Se próximo, plenamente
Amor com rosto, nome e voz

EXPLICAÇÃO DO TEMA

Ao longo das tradições antigas, Deus frequentemente aparece envolto em mistério, silêncio e ocultamento. Textos bíblicos falam de nuvens espessas, trevas, enigmas proféticos e revelações parciais (Ex 20:21; Is 45:15). Essa linguagem refletia tanto a limitação humana quanto estruturas religiosas que associavam o sagrado ao inacessível. No entanto, essa teologia do “Deus escondido” muitas vezes produziu medo, dependência de intermediários e uma espiritualidade baseada na decifração, não no encontro. O risco foi transformar o mistério em distanciamento e o silêncio em ausência pastoral.

Em Jesus, essa lógica é profundamente transformada. O Novo Testamento afirma que “quem me vê, vê o Pai” (Jo 14:9) e que Deus falou “claramente” por meio do Filho (Hb 1:1–3). A revelação deixa de ser enigmática e passa a ser relacional. Karl Rahner e Hans Urs von Balthasar ressaltam que, na encarnação, Deus não apenas comunica algo sobre Si, mas Se comunica a Si mesmo. O poema assume essa virada cristológica: Deus não é mais um quebra-cabeça espiritual, mas uma vida partilhada. Jesus não elimina o mistério, mas o torna habitável, humano e amoroso.

BIBLIOGRAFIA

Rahner, Karl. Curso Fundamental da Fé. 1976.
Balthasar, Hans Urs von. Glória: Uma Estética Teológica. 1961.
Moltmann, Jürgen. O Deus Crucificado. 1972.
Wright, N. T. The Challenge of Jesus. 1999.
Pagola, José Antonio. Jesus: Aproximação Histórica. 2007.

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