investigação realizada pelo Pr. Psi. Jor Jônatas David Brandão Mota
DIAS 1–4 — IDENTIDADE E MEMÓRIA
Quem sou, de onde vim e como fui construído.
Dia1 GOSTO DE TUDO QUE SOU
Dia2 VALEU A PENA CHEGAR ATÉ AQUI
Dia3 AGRADEÇO A DEUS PELO QUE VIVI
Dia4 O HOMEM QUE FUI CONSTRUINDO
DIAS 5–12 — AMOR, FAMÍLIA E RELAÇÕES
Pastor, igrejas, pai, esposo, filho, irmão, amigo e colega.
Dia5 GOSTO DE SER PASTOR
Dia6 AS IGREJAS QUE MORAM EM MIM
Dia7 GOSTO DE SER PAI
Dia8 GOSTO DE SER ESPOSO
Dia9 GOSTO DE SER FILHO
Dia10 GOSTO DE SER IRMÃO
Dia11 GOSTO DE SER AMIGO
Dia12 GOSTO DE SER COLEGA
DIAS 13–22 — VOCAÇÕES E SERVIÇO
Psicologia, comportamento humano, teologia, Jesus, escrita, jornalismo, direito, justiça, sociedade e participação pública.
Dia13 GOSTO DE PENSAR PSICOLOGIA
Dia14 GOSTO DE ESTUDAR A ALMA HUMANA
Dia15 GOSTO DE FAZER TEOLOGIA
Dia16 JESUS É A LUZ QUE ME ENSINA
Dia17 GOSTO DE ESCREVER O QUE PENSO
Dia18 GOSTO DE SER JORNALISTA DA VIDA
Dia19 GOSTO DE BUSCAR A JUSTIÇA
Dia20 GOSTO DE SERVIR À SOCIEDADE
xxxx
Dia21 GOSTO DE PARTICIPAR DA VIDA PÚBLICA
Dia22 GOSTO DAS MUITAS VERSÕES DE MIM
DIAS 23–25 — SONHOS E PRODUÇÃO
O que ainda sonho, o que continuo construindo e aquilo que já escrevi.
Dia23 GOSTO DOS SONHOS QUE AINDA TENHO
Dia24 GOSTO DO QUE AINDA ESTOU CONSTRUINDO
25. GOSTO DO QUE ESCREVI
Um inventário afetivo da produção intelectual e literária. Livros, poemas, estudos, projetos, pesquisas, reflexões e ideias que nasceram ao longo da caminhada e passaram a existir fora de você.
DIAS 26–28 — PROPÓSITO
As vidas alcançadas e a vocação de ser luz e sal.
26. GOSTO DAS VIDAS QUE TOQUEI
Talvez um dos poemas mais emocionais da série. Não medir a própria trajetória apenas pelo que acumulou, mas também pelas pessoas que receberam alguma palavra, orientação, ajuda, esperança ou oportunidade através de você.
27. GOSTO DE SER LUZ DO MUNDO
Retomar diretamente a imagem de Jesus. A vocação de iluminar caminhos não significa ser perfeito, mas procurar fazer com que a própria existência produza clareza, esperança, conhecimento, amor e serviço.
28. GOSTO DE SER SAL DA TERRA
Complemento do poema anterior. O sal não precisa ocupar todo o espaço para cumprir sua função. A ideia pode representar uma presença que, mesmo silenciosa ou indireta, modifica ambientes e relações.
DIAS 29–31 — GRATIDÃO, RECONCILIAÇÃO E CELEBRAÇÃO
Providência, passado, presente e a grande conclusão: valeu a pena construir em mim a pessoa que hoje posso ser.
29. TUDO QUE DEUS PROVIDENCIOU
Um grande poema de memória e gratidão. Pessoas, oportunidades, encontros, lugares, trabalhos, igrejas, projetos, conhecimentos e circunstâncias que, vistos retrospectivamente, compõem uma espécie de mosaico da providência.
30. EU FARIA TUDO DE NOVO
Não significa negar os erros ou desejar repetir sofrimentos. Significa olhar para a própria trajetória com gratidão suficiente para reconhecer que até os caminhos difíceis participaram da pessoa que você se tornou.
31. GOSTO DE TUDO QUE SOU
Encerramento da série e síntese de todo o projeto. Reunir pastor, pai, esposo, filho, irmão, amigo, colega, cidadão, pesquisador, psicólogo, teólogo, escritor, jornalista, estudioso do direito, sonhador e servidor da sociedade em uma única declaração: “sou grato pela pessoa que me tornei e ainda estou me tornando.”
Há momentos na vida em que olhar para trás deixa de ser apenas recordar e passa a ser agradecer. Esta série de poemas nasce desse olhar: não de uma pretensão de apresentar uma vida perfeita, nem de afirmar que todos os caminhos foram fáceis, mas da consciência de que cada experiência, cada encontro, cada responsabilidade, cada aprendizado, cada luta, cada sonho e até mesmo cada dificuldade ajudaram a formar a pessoa que hoje existe. “Ensina-nos a contar os nossos dias para que alcancemos corações sábios” (Sl 90:12). Contar os dias, nesse sentido, não significa simplesmente somar anos, mas reconhecer o valor do caminho percorrido. A existência humana é construída pouco a pouco, nas escolhas conscientes e inconscientes, nos vínculos que estabelecemos, nas palavras que pronunciamos, nas ideias que cultivamos e nas ações que praticamos. Viktor Frankl, ao refletir sobre a busca humana por sentido, mostrou que a vida pode conservar significado mesmo diante das circunstâncias difíceis, porque o ser humano permanece capaz de assumir uma atitude diante daquilo que vive (FRANKL, Viktor E. Em Busca de Sentido. Petrópolis: Vozes). Esta série nasce, portanto, como uma espécie de inventário afetivo e espiritual: olhar para a própria história e dizer, com serenidade, que valeu a pena chegar até aqui; que valeu a pena aprender, servir, amar, estudar, escrever, pastorear, construir relações, enfrentar desafios e continuar sonhando. Não porque tudo tenha acontecido exatamente como se desejava, mas porque, no conjunto, a caminhada produziu uma pessoa que reconhece a beleza de ser quem é.
GOSTAR DE TUDO QUE SOU também significa reconhecer que ninguém se constrói sozinho. Aquilo que somos carrega marcas de muitas pessoas, lugares, acontecimentos e oportunidades que atravessaram nossa existência. Há dentro de cada pessoa uma espécie de biblioteca viva formada por vozes, rostos, conselhos, exemplos, advertências, abraços, perdas, amizades, responsabilidades e descobertas. A Bíblia expressa essa dimensão relacional quando afirma: “Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros” (Rm 12:5). A identidade, portanto, não precisa ser compreendida como uma construção isolada; ela também nasce da convivência. Sou pai porque alguém me ensinou, direta ou indiretamente, alguma coisa sobre paternidade; sou esposo porque uma história de amor e compromisso foi construída a dois; sou filho porque recebi uma história antes mesmo de poder contá-la; sou irmão, amigo e colega porque outras pessoas participaram da minha caminhada; sou pastor porque pessoas confiaram em mim e me permitiram compartilhar partes importantes de suas vidas. Sou também resultado de comunidades, igrejas, estudos, trabalhos, experiências sociais e responsabilidades assumidas ao longo do tempo. Nesse sentido, recordar não é apenas voltar ao passado: é reconhecer os muitos fios que compuseram a trama da própria existência. Como observa Martin Buber, a pessoa se realiza profundamente na relação, no encontro entre “Eu” e “Tu” (BUBER, Martin. Eu e Tu. São Paulo: Centauro). Por isso, estes poemas não serão apenas autorretratos; serão também poemas sobre aqueles que, de alguma maneira, ajudaram a construir a pessoa que hoje olha para sua própria história com gratidão.
Esta série também nasce da convicção de que os conhecimentos e as vocações podem se encontrar dentro de uma mesma existência. Psicologia, teologia, jornalismo, direito, espiritualidade, escrita e participação social não precisam ser compartimentos completamente separados. Podem constituir diferentes instrumentos para compreender e servir o ser humano. A psicologia procura compreender pensamentos, emoções, comportamentos e relações; o direito procura organizar a convivência social e proteger direitos; o jornalismo procura observar, investigar e narrar a realidade; a teologia procura refletir sobre Deus, a fé e o sentido da existência; a escrita transforma pensamentos e experiências em palavras capazes de alcançar outras pessoas. No centro dessa convergência está uma pergunta profundamente humana: o que posso fazer com aquilo que a vida me permitiu aprender? Jesus sintetizou uma parte essencial dessa resposta ao dizer: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5:16). E, antes disso, havia declarado: “Vós sois o sal da terra” e “vós sois a luz do mundo” (Mt 5:13-14). A imagem é poderosa porque não apresenta a existência como simples acumulação de conhecimentos ou conquistas pessoais. Luz existe para iluminar; sal existe para exercer influência; conhecimento pode tornar-se serviço; experiência pode tornar-se cuidado; palavra pode tornar-se esperança. Paulo também aconselha: “Cada um exerça o dom que recebeu para servir aos outros” (1Pe 4:10). Assim, os poemas desta série procuram celebrar não apenas aquilo que foi aprendido ou realizado, mas aquilo que pôde ser compartilhado com outras pessoas. Afinal, uma vida ganha uma dimensão especial quando aquilo que recebemos de Deus, das pessoas e da própria experiência deixa de terminar em nós e passa a beneficiar alguém mais.
Há também, nesta série, uma dimensão de gratidão pela providência. Ao olhar retrospectivamente, muitas vezes percebemos que determinadas portas se abriram quando ainda não compreendíamos sua importância; certas pessoas chegaram em momentos decisivos; determinadas responsabilidades nos fizeram amadurecer; alguns projetos nasceram pequenos e posteriormente ganharam proporções que não imaginávamos. A tradição bíblica está repleta dessa percepção de que a história humana pode ser contemplada à luz da gratidão. “Até aqui nos ajudou o Senhor” (1Sm 7:12) é uma frase que traduz admiravelmente esse sentimento: reconhecer que o caminho percorrido não foi construído apenas pela própria força. A gratidão, porém, não precisa transformar o passado em uma narrativa idealizada. A maturidade também consiste em reconhecer erros, limitações, escolhas que poderiam ter sido diferentes e situações que deixaram feridas. O importante é não permitir que aquilo que doeu tenha a palavra final sobre aquilo que a vida significou. Carl Gustav Jung escreveu que “eu não sou o que aconteceu comigo, eu sou o que escolho me tornar”, ideia frequentemente associada à sua reflexão sobre individuação e amadurecimento psicológico (JUNG, C. G. O Desenvolvimento da Personalidade. Petrópolis: Vozes). A frase, tomada como síntese de sua perspectiva, ajuda a compreender o espírito desta série: a história nos influencia, mas a construção de nós mesmos continua. Por isso, agradecer pelo passado não significa permanecer preso a ele. Significa reconhecer de onde viemos, acolher aquilo que nos formou e continuar caminhando. A providência pode ser contemplada tanto nas lembranças antigas quanto nas oportunidades presentes e nos sonhos futuros. Há coisas que Deus já permitiu viver, coisas que Ele permite viver agora e outras que ainda permanecem como esperança no horizonte.
Por fim, GOSTO DE TUDO QUE SOU — VALEU A PENA TUDO QUE CONSTRUÍ EM MIM é uma declaração de reconciliação com a própria trajetória e, ao mesmo tempo, de abertura para aquilo que ainda está por vir. Não é a afirmação de que a construção terminou. Pelo contrário: talvez uma das maiores belezas da existência seja descobrir que, enquanto houver vida, ainda haverá possibilidade de aprender, mudar, criar, amar, servir e sonhar. “Aquele que começou boa obra em vós há de completá-la” (Fp 1:6) expressa, no horizonte cristão, a confiança de que a vida permanece aberta à ação de Deus. E o próprio Paulo, depois de olhar para uma longa caminhada, escreveu: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé” (2Tm 4:7). Esta série, contudo, não pretende escrever um ponto final. Ela quer abrir janelas. Cada poema será uma janela para uma parte dessa existência: o pastor, o pai, o esposo, o filho, o irmão, o amigo, o colega, o cidadão, o pesquisador, o estudante, o escritor, o jornalista, o homem interessado na psicologia, na teologia, no direito, na sociedade e, sobretudo, no ser humano. Haverá memória, família, fé, trabalho, sonhos, livros, projetos, pessoas e gratidão. Haverá também a consciência de que ser “luz do mundo” não significa ser perfeito, mas permitir que aquilo que recebemos se transforme em benefício para outros. Como escreveu Antoine de Saint-Exupéry, “foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante” (SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. O Pequeno Príncipe. Rio de Janeiro: Agir). Talvez também seja assim com a própria vida: ela se torna preciosa porque investimos nela tempo, cuidado, amor, trabalho, lágrimas, esperança e sonhos. Por isso, durante os 31 dias de outubro, estes poemas serão uma celebração daquilo que foi construído, daquilo que permanece sendo construído e daquilo que ainda poderá nascer. Uma celebração da vida recebida, da vida vivida e da vida que continua florescendo. E, acima de tudo, uma oração silenciosa de gratidão: Senhor, obrigado por tudo aquilo que me permitiste ser, por tudo aquilo que me permitiste fazer e por tudo aquilo que ainda me concedes o privilégio de construir em mim e através de mim.
(estrofe 1)
Eu gosto de ser quem a vida fez nascer,
Com marcas do caminho, com vontade de crescer,
Nas escolhas e encontros, aprendi a florescer,
E até nas minhas perdas descobri um novo ser.
(estrofe 2)
Eu gosto das perguntas que me fizeram pensar,
Das portas que se abriram, dos lugares a chegar,
Dos sonhos que insistiram quando eu quis desanimar,
E das mãos que me ajudaram novamente a caminhar.
(estrofe 3)
Eu gosto dos meus passos, mesmo os que foram lentos,
Dos dias de coragem, dos dias de tormentos,
Dos planos que mudaram conforme os movimentos,
E da força construída dentro dos acontecimentos.
(estrofe 4)
Eu gosto do que aprendi ouvindo e ensinando,
Do pouco que ofereço e do muito que vou ganhando,
Do homem que descubro enquanto sigo caminhando,
E da vida que me chama para continuar amando.
(refrão)
Eu gosto de tudo que sou, com verdade e gratidão,
Valeu cada construção guardada no coração,
Sou história, sou caminho, sou sonho em expansão,
E abraço quem me tornei com inteira convicção.
(estrofe 5)
Eu gosto dos meus livros, das palavras que escrevi,
Dos pensamentos inquietos que tantas vezes persegui,
Das ideias que nasceram e que um dia dividi,
E das vidas alcançadas por aquilo que aprendi.
(estrofe 6)
Eu gosto de ser pastor, de servir e acolher,
De caminhar com gente, de escutar e compreender,
De repartir esperança quando alguém precisa crer,
E descobrir que, servindo, também pude renascer.
(estrofe 7)
Eu gosto de ser pai, de ser esposo e irmão,
De ser filho, ser amigo, companheiro e cidadão,
Cada vínculo acrescenta uma nova dimensão,
E cada ser amado participa da minha construção.
(refrão)
Eu gosto de tudo que sou, com verdade e gratidão,
Valeu cada construção guardada no coração,
Sou história, sou caminho, sou sonho em expansão,
E abraço quem me tornei com inteira convicção.
(estrofe 8)
Eu gosto de investigar a mente e o comportamento,
De buscar na psicologia respostas e entendimento,
De estudar a teologia com respeito e questionamento,
E transformar conhecimento em serviço e acolhimento.
(estrofe 9)
Eu gosto de escrever, pesquisar e comunicar,
De olhar para a justiça e procurar participar,
De observar a sociedade, suas dores registrar,
E fazer da minha voz uma maneira de ajudar.
(estrofe 10)
Eu gosto dos meus sonhos que ainda estão por vir,
Dos projetos inacabados que ainda quero construir,
Da esperança que me chama para nunca desistir,
E da certeza de que a vida ainda pode florir.
(ponte)
Mas lamento as vezes em que deixei de me querer,
Quando escondi meus sonhos por receio de viver,
Quando fui injusto comigo e deixei de me acolher,
E esqueci que a minha história também merecia florescer.
(refrão)
Eu gosto de tudo que sou, com verdade e gratidão,
Valeu cada construção guardada no coração,
Sou história, sou caminho, sou sonho em expansão,
E abraço quem me tornei com inteira convicção.
(refrão final)
Agora eu me amo e escolho alegremente viver,
Mesmo quando a tristeza tiver razão de aparecer,
Posso acolher meus prantos sem deixar de florescer,
Pois gosto de tudo que sou e ainda quero ser.
EXPLICAÇÃO DO TEMA
A CONSTRUÇÃO DE QUEM SOMOS
Gostar de tudo que somos não significa considerar perfeitas todas as nossas escolhas, nem transformar o passado em uma narrativa sem erros, dores ou contradições. Significa olhar para a própria história com maturidade suficiente para reconhecer que somos resultado de uma construção longa e complexa. Há em nós lembranças, relações, conhecimentos, hábitos, valores, sonhos, perdas, responsabilidades e escolhas que foram se combinando ao longo dos anos. O poema parte exatamente dessa compreensão: “Nas escolhas e encontros, aprendi a florescer” e “Até nas minhas perdas descobri um novo ser”. A psicologia do desenvolvimento e as reflexões sobre identidade mostram que a pessoa não é uma realidade absolutamente pronta; ela se constitui na relação consigo mesma, com os outros e com o mundo. Erik Erikson, ao estudar o desenvolvimento psicossocial, destacou a importância da construção da identidade ao longo das diferentes etapas da vida (ERIKSON, Erik H. Identity: Youth and Crisis. New York: W. W. Norton, 1968). Carl Rogers, por sua vez, valorizou o processo pelo qual a pessoa pode aproximar-se de uma compreensão mais integrada de si mesma, desenvolvendo maior congruência entre aquilo que vive e aquilo que reconhece em si (ROGERS, Carl R. On Becoming a Person. Boston: Houghton Mifflin, 1961). Biblicamente, essa construção também pode ser contemplada sem a necessidade de imaginar uma pessoa pronta desde o início: “Somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras” (Ef 2:10). E Paulo fala de transformação contínua: “Transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Rm 12:2). Assim, gostar de tudo que sou é poder olhar para o conjunto da caminhada e dizer: houve erros, houve acertos, houve lágrimas e houve alegrias, mas tudo isso faz parte da história da pessoa que continuo construindo. É também reconhecer que os diversos papéis da vida — pai, esposo, filho, irmão, amigo, pastor, pesquisador, escritor, estudante e cidadão — não precisam competir entre si; podem compor diferentes dimensões de uma mesma identidade. O poema, portanto, não celebra apenas características pessoais, mas uma trajetória inteira de aprendizagem, relações, responsabilidades, fé, trabalho e serviço.
AMAR A PRÓPRIA VIDA SEM NEGAR A TRISTEZA
A parte final do poema acrescenta uma dimensão importante: amar a si mesmo não significa viver permanentemente alegre, negar o sofrimento ou considerar injustificável toda tristeza. A vida humana comporta emoções diferentes, e uma existência saudável não precisa transformar a alegria em obrigação permanente. A frase “mesmo quando a tristeza tiver razão de aparecer” procura justamente reconhecer essa realidade. Há momentos em que chorar é humano, lamentar é legítimo e reconhecer uma dor é mais honesto do que escondê-la atrás de uma felicidade artificial. A tradição bíblica oferece muitos exemplos disso: os Salmos registram medo, angústia, indignação, esperança e gratidão; Jesus também chorou diante da morte de Lázaro (Jo 11:35), e o Sermão do Monte reconhece os que choram ao afirmar: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados” (Mt 5:4). Ao mesmo tempo, a Bíblia convida à esperança: “Este é o dia que o Senhor fez; regozijemo-nos e alegremo-nos nele” (Sl 118:24). Há, portanto, espaço para a tristeza sem que ela precise governar toda a existência. Viktor Frankl, refletindo sobre sofrimento e sentido, argumenta que a pessoa pode encontrar significado mesmo diante de circunstâncias que não escolheu (FRANKL, Viktor E. Man’s Search for Meaning. Boston: Beacon Press, 1946). Isso ajuda a compreender o movimento do poema: primeiro reconhecer a própria história; depois lamentar as vezes em que deixou de querer ser e viver plenamente; finalmente escolher uma postura de acolhimento e alegria possível. “Agora eu me amo e escolho alegremente viver” não significa dizer que todos os dias serão felizes, mas assumir a decisão de não transformar os dias difíceis em uma rejeição de si mesmo. É uma forma de reconciliação: acolher quem fomos, valorizar quem nos tornamos e continuar abertos àquilo que ainda podemos ser. Nesse sentido, “gosto de tudo que sou” é menos uma declaração de perfeição do que uma declaração de pertencimento à própria história: esta é a minha vida, este é o caminho que percorri, estas são as marcas que carrego, estes são os sonhos que ainda cultivo — e, apesar de tudo, escolho continuar florescendo.
BIBLIOGRAFIA
ERIKSON, Erik H. Identity: Youth and Crisis. New York: W. W. Norton, 1968.
FRANKL, Viktor E. Man’s Search for Meaning. Boston: Beacon Press, 1946.
ROGERS, Carl R. On Becoming a Person. Boston: Houghton Mifflin, 1961.
BUBER, Martin. Eu e Tu. São Paulo: Centauro, 2001.
FROMM, Erich. A Arte de Amar. São Paulo: Martins Fontes, 1956.
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Pr.Psi. Jônatas David Brandão Mota... pastorado4
teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)
Um olhar retrospectivo sobre a caminhada. Não se trata de dizer que tudo foi fácil, mas de reconhecer que até as dificuldades participaram da formação de quem você é hoje.
(estrofe 1)
Valeu a pena chegar até aqui,
Mesmo quando o caminho pareceu não ter fim,
Houve noites compridas, mas eu resisti,
E a vida, apesar de tudo, ainda floresceu em mim.
(estrofe 2)
Valeu cada manhã que me ensinou recomeçar,
Cada porta fechada que me fez procurar,
Cada sonho adiado que voltou a me chamar,
E cada novo horizonte que aprendi a enxergar.
(estrofe 3)
Valeu cada batalha que precisei enfrentar,
Cada medo vencido antes de poder avançar,
Cada passo inseguro que me fez caminhar,
Pois até a minha fraqueza me ensinou a perseverar.
(estrofe 4)
Valeu cada pessoa que passou pelo meu viver,
Cada abraço recebido, cada jeito de aprender,
Cada voz que me ajudou a melhor compreender,
Que ninguém chega ao presente sem outros para o fortalecer.
(refrão)
VALEU A PENA CHEGAR ATÉ AQUI,
Valeu cada caminho que me trouxe até aqui,
Se a estrada foi difícil, eu não deixei de prosseguir,
E hoje olho para a vida e agradeço por existir.
(estrofe 5)
Valeu cada trabalho que me fez amadurecer,
Cada responsabilidade que me ensinou a responder,
Cada vez que precisei cair e depois me erguer,
Pois a experiência também nasce do aprender a viver.
(estrofe 6)
Valeu cada palavra que um dia pude escrever,
Cada livro, cada estudo, cada ideia a desenvolver,
Cada pessoa alcançada por aquilo que pude oferecer,
E cada pensamento que me fez crescer e compreender.
(estrofe 7)
Valeu ser pastor, servir, escutar e caminhar,
Estar perto de tantas vidas, aconselhar e compartilhar,
Ver comunidades crescerem, novas histórias começar,
E descobrir que servir também é uma maneira de amar.
(refrão)
VALEU A PENA CHEGAR ATÉ AQUI,
Valeu cada caminho que me trouxe até aqui,
Se a estrada foi difícil, eu não deixei de prosseguir,
E hoje olho para a vida e agradeço por existir.
(estrofe 8)
Valeu ser pai, ser esposo, ser filho e ser irmão,
Ser amigo, companheiro, colega e cidadão,
Pois cada vínculo acrescentou outra lição,
E cada amor deixou raízes dentro do coração.
(estrofe 9)
Valeu estudar a mente, a fé e a sociedade,
Buscar psicologia, teologia, justiça e verdade,
Olhar o mundo com perguntas e responsabilidade,
E transformar conhecimento em serviço à humanidade.
(estrofe 10)
Valeu chegar ao presente com sonhos por realizar,
Com projetos ainda vivos e caminhos a explorar,
Com vontade de aprender, escrever e compartilhar,
Porque chegar até aqui também é continuar.
(ponte)
Mas lamento as vezes em que pensei em desistir,
Quando deixei de acreditar que ainda podia florir,
Quando desprezei a estrada por não gostar de prosseguir,
E não percebi que até a dor me ensinava a existir.
(refrão)
VALEU A PENA CHEGAR ATÉ AQUI,
Valeu cada caminho que me trouxe até aqui,
Se a estrada foi difícil, eu não deixei de prosseguir,
E hoje olho para a vida e agradeço por existir.
(refrão final)
Agora eu me amo e escolho alegremente viver,
Mesmo quando a tristeza tiver motivos para aparecer,
Abraço o que vivi e o que ainda posso ser,
Valeu a pena chegar — e vale a pena continuar a florescer.
EXPLICAÇÃO DO TEMA
OLHAR PARA TRÁS SEM NEGAR O CAMINHO
“Valeu a pena chegar até aqui” é uma expressão de reconhecimento da própria trajetória. Ela não significa afirmar que todos os acontecimentos foram bons, nem que todas as escolhas foram corretas. Significa olhar retrospectivamente para a vida e perceber que a pessoa que existe hoje foi sendo formada também por experiências que, no momento em que aconteceram, pareciam apenas obstáculos. Uma porta fechada pode ter obrigado alguém a procurar outro caminho; uma frustração pode ter provocado uma mudança de direção; uma responsabilidade inesperada pode ter desenvolvido maturidade; uma perda pode ter ensinado a valorizar mais profundamente aqueles que permanecem. O poema procura transformar esse olhar retrospectivo em gratidão sem transformar sofrimento em algo desejável. Viktor Frankl, ao refletir sobre sua própria experiência e sobre a busca humana por sentido, destacou que mesmo diante de circunstâncias adversas o ser humano pode procurar um significado para sua existência (FRANKL, Viktor E. Man's Search for Meaning. Boston: Beacon Press, 1946). Na Bíblia, essa perspectiva aparece em diversas imagens. José, depois de atravessar rejeição, escravidão e prisão, consegue interpretar sua história a partir de uma perspectiva mais ampla: “Vós bem intentastes mal contra mim; porém Deus o tornou em bem” (Gn 50:20). O texto não chama o mal de bem; ele distingue a intenção humana da possibilidade de Deus produzir algo novo a partir daquela história. Paulo também escreve que “sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8:28), uma afirmação que não elimina o sofrimento, mas expressa confiança de que ele não precisa ter a última palavra. Assim, o poema percorre memórias de trabalho, família, pastoral, estudos, escrita, relacionamentos e serviço para afirmar que chegar ao presente é resultado de uma longa caminhada. O passado não precisa ser apagado para que o presente seja celebrado. Pelo contrário: reconhecer a estrada, com suas curvas e dificuldades, permite compreender melhor a importância de ter chegado até aqui.
A GRATIDÃO PELO PRESENTE E A ABERTURA PARA O FUTURO
O segundo movimento do tema é perceber que chegar até aqui não significa chegar ao fim. A frase pode ser lida simultaneamente como gratidão pelo passado e como disposição para continuar vivendo. Depois de olhar para trás e reconhecer aquilo que foi construído, o poema termina olhando para frente: “Valeu a pena chegar — e vale a pena continuar a florescer”. Essa imagem é importante porque impede que a retrospectiva se transforme em nostalgia. A vida continua possuindo possibilidades, projetos, responsabilidades e sonhos. Erik Erikson, em sua teoria do desenvolvimento psicossocial, descreveu a existência como um processo que atravessa diferentes etapas, nas quais novas tarefas e possibilidades de amadurecimento continuam surgindo (ERIKSON, Erik H. The Life Cycle Completed. New York: W. W. Norton, 1982). Carl Rogers também compreendeu a pessoa como alguém em processo de tornar-se, valorizando a abertura à experiência e a possibilidade de crescimento ao longo da vida (ROGERS, Carl R. On Becoming a Person. Boston: Houghton Mifflin, 1961). A tradição bíblica igualmente apresenta a existência como caminhada. O apóstolo Paulo, mesmo depois de uma longa trajetória, declara: “Uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo” (Fp 3:13-14). Há aqui uma combinação muito bonita entre memória e movimento: reconhecer o que ficou para trás sem ficar aprisionado nele. O poema também preserva espaço para a tristeza, porque alegria não precisa significar negação da dor. “Mesmo quando a tristeza tiver motivos para aparecer” significa aceitar que haverá dias difíceis, mas decidir que eles não determinarão toda a existência. O Salmo 30 expressa essa passagem com uma imagem poderosa: “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30:5). Portanto, chegar até aqui é motivo de gratidão; permanecer aberto à vida é uma escolha diária. O passado merece reconhecimento, o presente merece ser vivido e o futuro merece ser recebido com esperança.
BIBLIOGRAFIA
FRANKL, Viktor E. Man's Search for Meaning. Boston: Beacon Press, 1946.
ROGERS, Carl R. On Becoming a Person. Boston: Houghton Mifflin, 1961.
ERIKSON, Erik H. The Life Cycle Completed. New York: W. W. Norton, 1982.
JUNG, Carl Gustav. Memories, Dreams, Reflections. New York: Pantheon Books, 1963.
SÊNECA. Sobre a Brevidade da Vida. São Paulo: L&PM, 2007.
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Pr.Psi. Jônatas David Brandão Mota... pastorado4
teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)
(estrofe 1)
Quando olho para trás, reconheço a Tua mão,
Nas portas que se abriram no momento adequado,
Em cada oportunidade surgida no caminho,
Percebo que meu passo jamais andou sozinho.
(estrofe 2)
Agradeço as pessoas que encontrei pela estrada,
Cada uma deixou em mim alguma marca guardada;
Houve quem trouxe conselho, quem ofereceu abrigo,
E até quem, sem perceber, fez nascer um novo sentido.
(estrofe 3)
Agradeço os lugares onde pude florescer,
As cidades, as casas, os espaços para viver;
Em cada chão pisado, em cada nova paisagem,
Encontrei alguma parte da minha própria viagem.
(estrofe 4)
Agradeço as igrejas que fizeram parte de mim,
Os altares, as pessoas, cada começo e cada fim;
Os sonhos compartilhados, o trabalho e a oração,
As vidas alcançadas no serviço e na comunhão.
(refrão)
AGRADEÇO A DEUS PELO QUE VIVI,
Pelas portas que encontrei, pelas que não destruí;
Por tudo que me trouxe até onde cheguei,
Pelas providências divinas que em minha história encontrei.
(estrofe 5)
Agradeço os projetos que puderam acontecer,
As ideias que ganharam algum modo de nascer;
Cada livro, cada estudo, cada plano realizado,
E também o que parecia perdido, mas foi transformado.
(estrofe 6)
Agradeço os livramentos que nem pude perceber,
Dos perigos silenciosos dos quais não cheguei a saber;
Quantas vezes a vida poderia tomar outra direção,
E alguma circunstância me protegeu sem explicação.
(estrofe 7)
Agradeço as oportunidades que vieram sem aviso,
Os encontros inesperados, cada gesto preciso;
A porta que parecia pequena e acabou dando passagem,
O detalhe aparentemente simples que mudou minha viagem.
(refrão)
AGRADEÇO A DEUS PELO QUE VIVI,
Pelo que chegou até mim e pelo que deixei partir;
Pelas circunstâncias que ajudaram a me formar,
E por tudo que, no tempo certo, me ensinou a caminhar.
(estrofe 8)
Agradeço também os dias que trouxeram provação,
Pois nem toda providência chega como consolação;
Algumas vieram difíceis, exigindo resistência,
Mas deixaram maturidade onde antes havia inexperiência.
(estrofe 9)
Agradeço quem me deu confiança para continuar,
Quem enxergou possibilidades quando eu não pude enxergar;
Quem me chamou para servir, estudar, escrever e construir,
E ajudou minha coragem novamente a ressurgir.
(estrofe 10)
Agradeço o presente que nasceu de tanta história,
As marcas que viraram aprendizado, e o aprendizado, memória;
Hoje compreendo melhor aquilo que atravessei:
Nem tudo saiu como quis, mas muito do que sou eu construí e amei.
(ponte)
Perdoo as vezes em que rejeitei o que a vida me ofereceu,
Em que não quis ser quem eu era, nem viver o que Deus me concedeu;
Houve dias em que esqueci a beleza de simplesmente existir,
E deixei de agradecer justamente pelo que me ajudava a seguir.
(refrão)
AGRADEÇO A DEUS PELO QUE VIVI,
Com tudo que compreendi e com tudo que não compreendi;
Pelos caminhos, pessoas, lugares e dons que recebi,
Por toda a história que, com Tua providência, construí.
(estrofe 11)
Agradeço as mãos que chegaram quando precisei de apoio,
Os afetos que trouxeram serenidade ao meu coração;
A conversa que clareou uma noite confusa,
E a presença que tornou suportável uma travessia dolorosa.
(estrofe 12)
Agradeço o trabalho que me ensinou responsabilidade,
O estudo que ampliou meus olhos para a realidade;
As perguntas que me fizeram procurar compreensão,
E a vontade de transformar conhecimento em contribuição.
(estrofe 13)
Agradeço os sonhos que ainda permanecem acesos,
Pois o futuro também pode trazer novos começos;
Se ontem recebi caminhos que não pude planejar,
Hoje recebo liberdade para escolher onde caminhar.
(estrofe 14)
Agradeço até aquilo que não chegou a acontecer,
As portas fechadas que também me fizeram compreender;
Nem toda ausência foi perda, nem todo atraso foi fracasso,
Às vezes, a vida protege enquanto eu procuro outro passo.
(estrofe 15)
Agradeço a Deus por minha história imperfeita,
Sem transformar sofrimento em coisa bonita ou perfeita;
A gratidão não apaga aquilo que me fez chorar,
Mas me permite olhar para tudo e ainda assim continuar.
(refrão)
AGRADEÇO A DEUS PELO QUE VIVI,
Pelo que fui, pelo que sou e pelo que ainda hei de construir;
Cada providência recebida tem lugar dentro de mim,
E eu agradeço pela estrada que me trouxe até aqui.
(estrofe 16)
Agradeço pelas famílias que a vida me confiou,
Pelos vínculos que o tempo fortaleceu e transformou;
Pelos amores que me ensinaram presença e cuidado,
E por cada coração que caminhou ao meu lado.
(estrofe 17)
Agradeço pelas muitas versões que precisei atravessar,
Pelo homem que fui e pelo que ainda posso me tornar;
Não preciso apagar o passado para seguir em frente,
Posso honrar quem fui e continuar sendo diferente.
(estrofe 18)
Agradeço pela possibilidade de servir e repartir,
Pelo privilégio de aprender enquanto tento contribuir;
Se alguma palavra minha ajudou alguém a prosseguir,
Já encontro nessa pequena semente uma razão para sorrir.
(estrofe 19)
Agradeço porque a vida não terminou no que passou,
Há páginas que o tempo ainda não escreveu nem começou;
Recebo o amanhã sem exigir que seja igual ao que sonhei,
Pois também há providências que ainda não conheci nem encontrei.
(estrofe 20)
E agradeço, sobretudo, pela coragem de permanecer,
Por não deixar as dores decidirem quem devo ser;
Olho para minha história sem vergonha de sentir,
E digo com gratidão: valeu a pena chegar até aqui.
(ponte)
Quantas vezes eu quis fugir de mim e do que eu podia viver,
Quantas vezes rejeitei presentes que não soube perceber;
Hoje lamento esses momentos, mas não quero mais voltar:
Quero acolher minha história e agradecer antes de caminhar.
(refrão)
AGRADEÇO A DEUS PELO QUE VIVI,
Pelo caminho percorrido e pelo que aprendi;
Pelas providências visíveis e pelas que não percebi,
E por tudo que recebi antes mesmo de saber pedir.
(refrão)
AGRADEÇO A DEUS PELO QUE VIVI,
E não quero diminuir aquilo que a vida fez nascer em mim;
Se houve lágrimas, também houve graça, encontro e provisão,
E hoje agradeço de coração por toda essa construção.
(refrão final)
AGORA EU ME AMO E ESCOLHO ALEGREMENTE VIVER,
Mesmo quando a tristeza tiver motivos justos para aparecer;
Não negarei minhas lágrimas, mas não deixarei de sorrir,
Agradeço pelo que vivi e escolho amar o que ainda hei de construir.
A PROVIDÊNCIA NA HISTÓRIA PESSOAL
Agradecer a Deus pelo que se viveu não significa afirmar que todos os acontecimentos foram bons, fáceis ou diretamente desejados por Deus. O sentido mais profundo do tema está em reconhecer, olhando retrospectivamente, que a vida foi composta também por portas abertas, encontros, oportunidades, livramentos, lugares, comunidades, trabalhos, estudos, projetos e circunstâncias que contribuíram para a formação de quem somos. Há uma diferença importante entre dizer “tudo o que aconteceu foi vontade de Deus” e dizer “Deus esteve presente e pude encontrar caminhos de vida mesmo dentro daquilo que aconteceu”. A primeira afirmação pode transformar sofrimento em fatalismo; a segunda permite uma leitura de gratidão sem negar a realidade das perdas. A própria Bíblia oferece essa tensão: José, ao olhar para uma história marcada por injustiça e sofrimento, interpreta posteriormente sua trajetória à luz daquilo que pôde nascer dela (Gn 50:20); Paulo afirma que Deus pode fazer cooperar acontecimentos em favor daqueles que o amam (Rm 8:28), sem afirmar que cada acontecimento isolado seja bom em si mesmo. Os Salmos também mostram que gratidão e sofrimento podem coexistir: “o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30:5). Na psicologia, Viktor Frankl, em Em Busca de Sentido, mostra como a pessoa pode encontrar significado mesmo diante de circunstâncias que não escolheu; Carl Rogers, em Tornar-se Pessoa, valoriza o movimento de aproximação de uma existência mais autêntica; e Erik Erikson, ao estudar o desenvolvimento humano, descreve a importância de olhar para a própria trajetória e integrar suas diferentes etapas. O poema, por isso, não transforma a biografia em uma coleção de milagres nem tenta explicar todas as dores: ele contempla retrospectivamente portas que se abriram, pessoas que chegaram, igrejas que acolheram, projetos que nasceram, oportunidades de servir e situações que produziram aprendizado, reconhecendo nelas motivos legítimos de gratidão. A imagem é semelhante à de quem olha uma paisagem depois de percorrê-la: durante a caminhada, algumas curvas pareciam não fazer sentido; somente depois de algum tempo é possível perceber que determinados desvios também fizeram parte da chegada a determinados lugares.
GRATIDÃO SEM NEGAR A TRISTEZA
O último movimento do poema acrescenta uma dimensão essencial: agradecer pelo que foi vivido não exige abandonar a tristeza. A pessoa pode reconhecer providências, conquistas, relações e oportunidades e, simultaneamente, admitir que existem acontecimentos que ainda doem. Essa integração é psicologicamente mais madura do que obrigar-se a estar feliz o tempo inteiro. A tristeza pode comunicar perda, saudade, frustração ou necessidade de cuidado; a gratidão, por sua vez, pode ampliar o campo de percepção para que a dor não seja a única narrativa sobre a própria vida. Por isso o refrão final afirma uma escolha pela alegria sem declarar guerra às lágrimas: “mesmo quando a tristeza tiver motivos justos para aparecer”. Essa ideia encontra eco nas Escrituras: Jesus chorou diante da morte de Lázaro (Jo 11:35), o que mostra que fé e lágrimas não são incompatíveis; os “que choram” são acolhidos no Sermão do Monte (Mt 5:4); e Paulo recomenda uma postura de gratidão sem transformar isso em negação da realidade (1Ts 5:18). Também há uma dimensão de memória agradecida em “até aqui nos ajudou o Senhor” (1Sm 7:12): a lembrança não serve apenas para olhar para trás, mas para sustentar a caminhada seguinte. Em termos existenciais, a gratidão transforma a memória em fonte de sentido: a pessoa passa a perceber que sua história contém dores que precisam ser respeitadas, mas também encontros que merecem ser celebrados, trabalhos que tiveram valor, conhecimentos adquiridos, vínculos construídos, serviços prestados e oportunidades que não devem ser esquecidas. É nesse sentido que o poema diz “agora eu me amo”: não como uma declaração de perfeição, mas como uma decisão de não rejeitar mais a própria história. Amar a si mesmo aqui significa acolher o homem que se foi construindo, reconhecer erros sem reduzir-se a eles, agradecer os dons sem atribuí-los exclusivamente ao próprio mérito e continuar aberto ao futuro. A ideia também dialoga com Henri Nouwen, especialmente em sua reflexão sobre identidade e acolhimento, e com a tradição filosófica da reflexão sobre a vida vivida. Assim, a gratidão do poema não é uma tentativa de romantizar o passado: é uma maneira de dizer que, apesar das lágrimas, existem razões concretas para agradecer; apesar das perdas, existem pessoas e experiências a celebrar; apesar dos caminhos interrompidos, existem outros que se abriram; e, sobretudo, apesar de tudo aquilo que não pôde ser escolhido, ainda existe a possibilidade de escolher como olhar para a própria história e como viver aquilo que ainda está por vir.
BIBLIOGRAFIA
FRANKL, Viktor E. Em Busca de Sentido: Um Psicólogo no Campo de Concentração. 1946.
ROGERS, Carl R. Tornar-se Pessoa. 1961.
ERIKSON, Erik H. O Ciclo de Vida Completo. 1982.
NOUWEN, Henri J. M. The Return of the Prodigal Son: A Story of Homecoming. 1992.
JUNG, Carl Gustav. Memórias, Sonhos, Reflexões. 1963.
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Pr.Psi. Jônatas David Brandão Mota... pastorado4
teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)
(estrofe 1)
Não nasci pronto, fui chegando devagar,
Aprendendo com o mundo novas formas de olhar;
Cada experiência deixou alguma lição,
E o tempo foi esculpindo minha própria direção.
(estrofe 2)
Fui criança, fui menino, fui tentando compreender,
Fui errando algumas vezes para aprender a viver;
O que ontem parecia apenas confusão,
Hoje encontro como parte da minha formação.
(estrofe 3)
Fui recebendo palavras, exemplos e ensinamentos,
Guardando alguns valores, revendo pensamentos;
Nem tudo que recebi precisei conservar,
Pois também amadurecer é saber selecionar.
(estrofe 4)
Cada responsabilidade me chamou para crescer,
Cada escolha me mostrou quem eu poderia ser;
O homem não aparece pronto dentro da semente,
Vai surgindo nas escolhas que realiza conscientemente.
(refrão)
O HOMEM QUE FUI CONSTRUINDO SOU EU,
Com tudo que aprendi, com tudo que aconteceu;
Não nasci acabado, fui me tornando no caminho,
E hoje reconheço em mim o homem que construí sozinho.
(estrofe 5)
Houve erros que exigiram coragem para mudar,
Convicções que a experiência me fez reconsiderar;
Descobri que ter razão nem sempre é compreender,
E que amadurecer também é saber ceder.
(estrofe 6)
Fui juntando conhecimentos, perguntas e saberes,
Transformando antigas dúvidas em novos afazeres;
O estudo abriu janelas dentro da minha visão,
E pensar profundamente ampliou minha compreensão.
(estrofe 7)
Vieram compromissos, pessoas, trabalho e missão,
E cada nova responsabilidade ampliou meu coração;
Aprendi que liberdade também sabe responder,
Porque crescer é assumir aquilo que escolhemos fazer.
(refrão)
O HOMEM QUE FUI CONSTRUINDO SOU EU,
Não sou somente o passado, nem apenas o que aconteceu;
Sou também cada mudança que aceitei realizar,
E cada nova versão que ainda estou disposto a alcançar.
(estrofe 8)
Não precisei apagar o homem que fui um dia,
Nem esconder minhas sombras para celebrar minha alegria;
Minha história tem acertos, tropeços e contradição,
E todos deixaram alguma marca na minha formação.
(estrofe 9)
Hoje sei que identidade não é pedra nem prisão,
É caminho que continua recebendo transformação;
Posso rever meus hábitos, renovar meu pensamento,
E escolher novos comandos para o próximo momento.
(estrofe 10)
Assim sigo construindo aquilo que quero ser,
Sem desprezar o passado que me ensinou a crescer;
O homem que fui ontem não precisa desaparecer,
Pode entregar ao homem de hoje razões para amadurecer.
(ponte)
Lamento as vezes em que rejeitei minha própria construção,
Quando quis ser outro homem e neguei minha evolução;
Houve dias em que não quis viver aquilo que eu era,
E esqueci que até a mudança precisa respeitar minha história inteira.
(refrão)
O HOMEM QUE FUI CONSTRUINDO SOU EU,
Com minhas cicatrizes, meus sonhos e o que aprendi com o que aconteceu;
Eu não preciso ser perfeito para reconhecer meu valor,
Pois cada etapa da minha vida também me trouxe até onde estou.
(estrofe 11)
Agora acolho os papéis que a vida me confiou,
As pessoas que amei, os lugares onde meu caminho passou;
Ser pai, esposo, filho, irmão, amigo e cidadão,
Também ajudou a ampliar quem sou por dentro e por ação.
(estrofe 12)
O trabalho me ensinou a transformar intenção em ato,
O cuidado com alguém tornou meu compromisso mais exato;
Servir e participar fizeram-me compreender
Que identidade também cresce quando aprendemos a oferecer.
(estrofe 13)
A psicologia me ensinou a investigar o ser humano,
A teologia me fez revisitar o sentido do sagrado e do humano;
A escrita organizou perguntas que eu precisava elaborar,
E cada área estudada me ensinou novas maneiras de pensar.
(estrofe 14)
Também aprendi que mudar não é trair quem eu fui,
Nem abandonar tudo aquilo que o passado construiu;
Há raízes que permanecem enquanto os galhos vão mudar,
E há princípios que amadurecem sem deixar de sustentar.
(estrofe 15)
Hoje reconheço limites que antes não queria admitir,
E capacidades que ainda preciso desenvolver para prosseguir;
Não tenho vergonha de dizer “ainda não cheguei”,
Pois também faz parte de crescer saber que ainda não terminei.
(refrão)
O HOMEM QUE FUI CONSTRUINDO SOU EU,
E cada nova aprendizagem acrescenta algo ao que sou e ao que aconteceu;
Não quero congelar minha história nem parar de evoluir,
Quero amar o homem que me tornei e continuar a construir.
(estrofe 16)
Não sou somente aquilo que os outros esperaram de mim,
Nem o resultado de uma história determinada desde o início até o fim;
Recebi influências, mas também aprendi a escolher,
E fui assumindo pouco a pouco a responsabilidade por ser.
(estrofe 17)
Algumas crenças ficaram, outras precisaram partir,
Alguns medos perderam força quando aprendi a refletir;
O que antes parecia impossível começou a ganhar clareza,
E muitas antigas fraquezas encontraram outra natureza.
(estrofe 18)
Cada conversa importante deixou alguma compreensão,
Cada livro provocou uma pergunta ou transformação;
Cada encontro revelou um ângulo que eu não conhecia,
E assim minha identidade ganhou mais profundidade a cada dia.
(estrofe 19)
Ainda existem partes de mim que preciso conhecer,
Potenciais adormecidos que talvez possam florescer;
O futuro não me exige saber tudo de antemão,
Apenas continuar caminhando com presença e atenção.
(estrofe 20)
Por isso olho para mim sem precisar me condenar,
Honro aquilo que fui e permito-me continuar;
Sou obra inacabada, mas já tenho uma história,
E amar minha construção também é reconhecer minha trajetória.
(ponte)
Lamento cada vez que quis destruir o que levei anos para formar,
Cada momento em que desprezei o que consegui conquistar;
Mas não farei da culpa outra parede diante de mim,
Vou transformar arrependimento em coragem para seguir até o fim.
(refrão)
O HOMEM QUE FUI CONSTRUINDO SOU EU,
Com o passado que me trouxe e o futuro que ainda não aconteceu;
Eu me reconheço inteiro, sem fugir do que vivi,
E abraço com coragem o homem que construí.
(refrão)
O HOMEM QUE FUI CONSTRUINDO SOU EU,
E ainda há muito de mim que o amanhã não revelou nem conheceu;
Não quero mais rejeitar minha história nem fugir de quem me tornei,
Quero viver com gratidão o homem que construí e ainda construirei.
(refrão final)
AGORA EU ME AMO E ESCOLHO ALEGREMENTE VIVER,
Mesmo quando a tristeza tiver motivos justos para aparecer;
Não preciso ser perfeito para celebrar quem me tornei,
Amo o homem que fui construindo e o homem que ainda construirei.
A IDENTIDADE COMO CONSTRUÇÃO
A ideia de “o homem que fui construindo” parte de uma compreensão dinâmica da identidade: ninguém chega à vida adulta completamente pronto, definido e imutável. A pessoa recebe uma história, uma família, uma cultura, uma linguagem, valores, experiências, oportunidades e limitações, mas participa progressivamente da maneira como esses elementos serão reorganizados dentro de si. Desde a infância, aprendemos por observação, imitação, vínculo, educação e experiência; posteriormente, passamos a questionar aquilo que recebemos, conservar algumas convicções, abandonar outras e acrescentar conhecimentos que ampliam nossa compreensão. Erik Erikson, em seus estudos sobre desenvolvimento psicossocial, mostrou que a identidade se relaciona com diferentes crises e tarefas ao longo da vida, e não apenas com uma decisão tomada em determinado momento. Carl Rogers, em Tornar-se Pessoa, descreveu o desenvolvimento como um processo no qual o indivíduo pode aproximar-se cada vez mais de uma existência congruente com aquilo que reconhece em si. Viktor Frankl acrescentou uma dimensão existencial importante: mesmo quando não escolhemos determinadas circunstâncias, ainda podemos procurar uma atitude diante delas e atribuir sentido à própria existência. A Bíblia também apresenta pessoas em processo: Moisés passa por diferentes etapas antes de assumir sua missão; Pedro atravessa impulsividade, fracasso e restauração; Paulo passa de perseguidor a anunciador do evangelho. Em Filipenses 3:12-14, Paulo afirma que ainda não considera ter alcançado tudo, mas continua avançando; isso é uma imagem poderosa de identidade em movimento. Romanos 12:2 fala de transformação pela renovação da mente, enquanto Efésios 2:10 apresenta a pessoa como alguém criado para realizar uma obra que se desenvolve na vida. O poema, portanto, não afirma que cada pessoa seja absolutamente responsável por tudo aquilo que se tornou, porque existem condições sociais, familiares, históricas e circunstanciais que influenciam profundamente a formação humana. Afirma, porém, que existe participação pessoal na construção de si: aprendemos, escolhemos, corrigimos, assumimos responsabilidades, mudamos hábitos e desenvolvemos novas maneiras de compreender a realidade. A imagem da construção é especialmente apropriada porque uma construção possui fundação, paredes antigas, reformas, ampliações, espaços que precisam ser demolidos e outros que precisam ser preservados. Assim também acontece com uma pessoa: amadurecer não é destruir tudo o que existiu antes, mas discernir o que deve permanecer, o que precisa ser transformado e o que já não serve à vida que se deseja construir.
AMAR A PRÓPRIA TRAJETÓRIA E CONTINUAR CRESCENDO
O poema também procura impedir dois extremos: a condenação permanente do passado e a idealização de tudo aquilo que já foi vivido. Amar “o homem que fui construindo” não significa declarar que todas as escolhas foram corretas ou que todas as características adquiridas devem permanecer. Significa reconhecer que existe uma trajetória real, com acertos, erros, aprendizados, responsabilidades, mudanças e possibilidades ainda abertas. Uma pessoa pode olhar para determinada fase e dizer: “naquele momento eu pensava assim porque era o conhecimento que possuía”; depois, com novas experiências, pode concluir: “hoje penso diferente”. Isso não necessariamente significa falsidade anterior; pode significar amadurecimento. O próprio conceito de metanoia no Novo Testamento envolve mudança de mente e direção, e Romanos 12:2 associa transformação à renovação do entendimento. Jesus também chama seus discípulos para um processo contínuo de aprendizagem: “aprendei de mim” (Mt 11:29). Em 2 Coríntios 3:18, Paulo utiliza a imagem de uma transformação progressiva, e em Gálatas 5:22-23 descreve frutos que se desenvolvem na vida. Psicologicamente, essa perspectiva pode ajudar a substituir a pergunta destrutiva “por que eu fui assim?” por uma pergunta mais produtiva: “o que aquela versão de mim estava tentando fazer, o que aprendi com ela e o que escolho fazer agora?”. Isso é particularmente importante quando se trabalha com hábitos, crenças e comandos psicológicos: uma reação aprendida em determinado período pode ter tido uma função de proteção ou adaptação e, posteriormente, tornar-se inadequada para uma nova realidade. A pessoa madura não precisa odiar a versão anterior de si para substituí-la; pode compreendê-la, agradecer o que ela conseguiu sustentar e construir respostas mais saudáveis. Carl Jung, ao refletir sobre individuação, enfatizou a integração progressiva de diferentes aspectos da personalidade; Abraham Maslow, em Motivation and Personality, relacionou o desenvolvimento humano à realização de potenciais; e James Marcia aprofundou a compreensão da identidade como processo de exploração e compromisso. Por isso o final do poema afirma simultaneamente amor próprio, alegria e abertura para continuar mudando. “Agora eu me amo” não significa “agora considero tudo em mim perfeito”; significa “não vou mais fazer da rejeição de mim mesmo o instrumento da minha transformação”. E “decido ser uma pessoa alegre, mesmo com momentos justificáveis de tristeza” significa reconhecer que uma identidade saudável comporta emoções diferentes. Jesus chorou (Jo 11:35), os Salmos registram lamento e esperança, e o Eclesiastes reconhece diferentes tempos da existência (Ec 3:1-4). A maturidade, portanto, não consiste em estar alegre o tempo inteiro, mas em não permitir que a tristeza, a culpa ou o passado assumam sozinhos o comando da vida. O homem que foi construído pode continuar sendo reconstruído — não porque sua história tenha sido um erro, mas porque a vida ainda oferece conhecimento, responsabilidade, amor, serviço, criatividade e novas possibilidades de crescimento.
BIBLIOGRAFIA
ERIKSON, Erik H. Identity and the Life Cycle. 1959.
ROGERS, Carl R. On Becoming a Person. 1961.
FRANKL, Viktor E. Man’s Search for Meaning. 1946.
JUNG, Carl Gustav. Memories, Dreams, Reflections. 1963.
MASLOW, Abraham H. Motivation and Personality. 1954.
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Pr.Psi. Jônatas David Brandão Mota... pastorado4
teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)
(estrofe 1)
Gosto de ser pastor, de caminhar com gente,
De ouvir uma história e acolher o que ela sente;
De repartir esperança quando alguém perdeu a direção,
E oferecer presença antes mesmo de uma solução.
(estrofe 2)
Gosto do púlpito, da Palavra anunciada,
Da mensagem preparada, refletida e compartilhada;
Mas sei que o pastor não vive somente de pregar,
Pois muitas vezes é no silêncio que precisa acompanhar.
(estrofe 3)
Gosto de conhecer famílias, seus sonhos e seus temores,
Suas lutas escondidas, suas perdas e seus amores;
Cada casa visitada revelou alguma realidade,
E cada história confiada trouxe uma nova responsabilidade.
(estrofe 4)
Gosto de aconselhar quando alguém precisa conversar,
Sem transformar sofrimento em motivo para julgar;
Aprendi que uma escuta pode abrir uma porta fechada,
E que uma palavra cuidadosa pode sustentar uma caminhada.
(refrão)
GOSTO DE SER PASTOR, E DIGO ISSO COM ALEGRIA,
Foi um privilégio servir pessoas durante tantos dias;
Cuidar, ensinar, acompanhar, acolher e repartir,
Faz parte da história que escolhi para viver e construir.
(estrofe 5)
Gosto das reuniões, dos encontros, dos desafios,
Das decisões comunitárias e dos momentos mais difíceis;
Nem sempre havia respostas prontas sobre a mesa,
Mas havia gente esperando compromisso, coragem e firmeza.
(estrofe 6)
Gosto de ver uma pessoa reencontrar sua esperança,
Uma família recuperar diálogo, afeto e confiança;
Uma vida que chegou ferida voltar a florescer,
E perceber que acompanhar também é ajudar alguém a se refazer.
(estrofe 7)
Gosto da igreja como espaço de gente reunida,
Onde a fé pode encontrar a realidade da vida;
Não somente como templo, doutrina ou tradição,
Mas como lugar de serviço, vínculo, cuidado e comunhão.
(refrão)
GOSTO DE SER PASTOR, E NÃO QUERO NEGAR,
As histórias que vivi nem o privilégio de cuidar;
Se tantas vidas passaram pelo caminho que trilhei,
Também nelas há pedaços do pastor que me tornei.
(estrofe 8)
Gosto de enfrentar problemas sem fingir que não existem,
De procurar caminhos quando as dificuldades persistem;
Há momentos em que liderar significa suportar pressão,
E continuar servindo mesmo sem aplauso ou celebração.
(estrofe 9)
Gosto de acompanhar quem atravessa uma despedida,
Quem procura sentido depois de uma perda sofrida;
Também aprendi que nem toda dor precisa de explicação,
Às vezes, o maior cuidado é simplesmente oferecer a mão.
(estrofe 10)
Gosto de lembrar os anos de serviço e dedicação,
As pregações, os projetos, as visitas e a oração;
E quando olho para trás, encontro mais que uma função:
Encontro muitas vidas entrelaçadas à minha vocação.
(ponte)
Lamento as vezes em que não quis mais ser pastor,
Quando o peso das pessoas apagou dentro de mim o amor;
Houve dias em que desejei abandonar essa identidade,
E esqueci o quanto ela também me trouxe humanidade.
(refrão)
GOSTO DE SER PASTOR, MESMO CONHECENDO A DOR,
Porque servir também me ensinou a conhecer melhor o amor;
Não quero apagar as marcas de tudo que acompanhei,
Pois nelas reconheço muito do homem que me tornei.
(estrofe 11)
Gosto das crianças que cresceram diante do meu olhar,
Dos jovens procurando caminhos para se encontrar;
Dos adultos carregando perguntas que ninguém mais via,
E dos idosos guardando histórias de uma longa travessia.
(estrofe 12)
Gosto dos que chegaram sem saber onde ficar,
Dos que encontraram na comunidade um lugar para recomeçar;
Alguns permaneceram, outros seguiram outra estrada,
Mas cada encontro deixou alguma coisa compartilhada.
(estrofe 13)
Gosto de ensinar sem imaginar que sei tudo,
Pois também aprendi com quem chegava quase mudo;
Uma pergunta inesperada podia me fazer refletir,
E uma história simples podia outra compreensão abrir.
(estrofe 14)
Gosto de perceber que pastor também precisa aprender,
Rever suas certezas, reconhecer erros e amadurecer;
A autoridade perde valor quando deixa de escutar,
E liderança verdadeira sabe também se transformar.
(estrofe 15)
Gosto do chamado que me ensinou responsabilidade,
De servir sem transformar liderança em vaidade;
Se a fé me colocou diante de tantas vidas para cuidar,
Também me ensinou que ninguém nasceu para se bastar.
(refrão)
GOSTO DE SER PASTOR, E GOSTO DE RECONHECER,
Que cuidar de outras vidas também me ensinou a viver;
O púlpito foi importante, mas não foi tudo que recebi,
Pois muitas das minhas maiores lições vieram de quem acompanhei aqui.
(estrofe 16)
Gosto de recordar quem esteve comigo na missão,
Os companheiros de jornada, cada parceria e colaboração;
Nenhuma caminhada pastoral pertence a uma pessoa só,
Pois toda comunidade se constrói quando ninguém caminha só.
(estrofe 17)
Gosto de lembrar os momentos de grande celebração,
Quando uma conquista reunia toda a congregação;
Havia abraços, lágrimas, música, festa e gratidão,
E a alegria de muitos fazia maior meu próprio coração.
(estrofe 18)
Gosto também dos bastidores que quase ninguém viu,
Das decisões difíceis, dos momentos em que o ânimo caiu;
Porque uma história pastoral não é feita só de esplendor,
Ela também é construída com paciência, renúncia e labor.
(estrofe 19)
Gosto de pensar nas sementes que pude semear,
Mesmo sem saber em quais terrenos iriam germinar;
Talvez uma palavra tenha atravessado décadas sem eu saber,
E algum gesto aparentemente pequeno tenha ajudado alguém a viver.
(estrofe 20)
Hoje olho para o pastor que fui sem precisar idealizar,
Reconheço seus acertos e também o que precisou mudar;
Mas gosto desse caminho que me ensinou a servir,
E agradeço cada vida que me permitiu aprender e prosseguir.
(ponte)
Lamento as vezes em que quis fugir do meu próprio chamado,
Quando me senti cansado, ferido, incompreendido ou sobrecarregado;
Lamento ter esquecido, em alguns momentos de exaustão,
Que ser pastor também havia construído meu coração.
(refrão)
GOSTO DE SER PASTOR, E HOJE POSSO AFIRMAR,
Que essa história faz parte do homem que aprendi a formar;
Entre alegrias e dores, entre perdas e vitórias,
Carrego com gratidão as pessoas que escreveram comigo essas histórias.
(refrão)
GOSTO DE SER PASTOR, E NÃO TENHO POR QUE ESCONDER,
Que essa vocação me ajudou profundamente a crescer;
Eu cuidei de muitas vidas, mas também fui cuidado por elas,
E encontrei minha própria história refletida em muitas delas.
(refrão final)
AGORA EU ME AMO E ESCOLHO ALEGREMENTE VIVER,
Mesmo quando a tristeza tiver motivos justos para aparecer;
Amo o pastor que fui e o homem que ainda posso ser,
E celebro a graça de servir, aprender, amar e renascer.
O PASTOR COMO CUIDADOR DE VIDAS
A dimensão pastoral apresentada neste poema não deve ser reduzida ao ato de ocupar um púlpito, dirigir cultos ou exercer autoridade religiosa. Ser pastor, no sentido mais profundo, envolve uma relação de cuidado, responsabilidade, ensino, acompanhamento e presença junto a pessoas concretas. A imagem bíblica do pastor aparece desde as tradições do Antigo Testamento e encontra uma expressão central em Jesus, que afirma: “Eu sou o bom pastor” (Jo 10:11). No ministério de Jesus, o cuidado não acontece apenas por discursos religiosos: ele envolve ouvir pessoas, aproximar-se de quem era marginalizado, acolher crianças, conversar individualmente, visitar casas, alimentar multidões, consolar enlutados e confrontar estruturas que produziam sofrimento. Em João 10, a figura do pastor está associada ao conhecimento das ovelhas e ao compromisso com sua vida; em Marcos 6:34, Jesus vê a multidão e se compadece porque eram “como ovelhas que não têm pastor”. Pedro, por sua vez, recomenda aos líderes da comunidade que pastoreiem o rebanho “não por constrangimento, mas espontaneamente” (1Pe 5:2-3). Paulo descreve diferentes formas de serviço e cuidado dentro da comunidade (Ef 4:11-12; Rm 12:6-8). Assim, o pastor do poema é alguém que prega, mas também escuta; orienta, mas também aprende; lidera, mas também serve; organiza a comunidade, mas não deixa de enxergar as pessoas que estão por trás das estruturas. A experiência pastoral pode envolver aconselhamento, visitas, acompanhamento de famílias, celebrações, funerais, casamentos, conflitos, projetos sociais, decisões administrativas, formação de novos líderes e presença em momentos de crise. Cada uma dessas situações exige competências diferentes e pode transformar profundamente aquele que exerce a função. O pastor entra em contato com diferentes fases da existência humana: nascimento, casamento, separação, doença, luto, desemprego, conflitos familiares, descobertas, conquistas e recomeços. Por isso, a pastoral também se torna uma escola de humanidade. Henri Nouwen, em The Wounded Healer, desenvolve a ideia de que aquele que cuida não precisa apresentar-se como alguém sem feridas, mas pode exercer o cuidado justamente a partir de uma humanidade reconhecida e compassiva. Eugene Peterson, em The Pastor, insiste na dimensão paciente e relacional do ministério pastoral. O poema incorpora essas perspectivas ao lembrar que muitas vezes uma palavra é importante, mas, em outras ocasiões, o mais necessário é permanecer ao lado de alguém. O pastor não é apenas aquele que tem respostas; é também aquele que suporta perguntas, acompanha processos e ajuda pessoas a atravessarem períodos nos quais ainda não existe uma resposta pronta.
A VOCAÇÃO QUE TAMBÉM TRANSFORMA QUEM SERVE
O segundo aspecto fundamental é reconhecer que o cuidado pastoral transforma não somente aqueles que recebem o cuidado, mas também aquele que serve. Ao longo de muitos anos, um pastor pode descobrir que suas próprias convicções são confrontadas pelas histórias das pessoas, que sua compreensão da fé amadurece diante do sofrimento alheio e que sua liderança precisa ser constantemente revista. O apóstolo Paulo utiliza a imagem do corpo para mostrar que ninguém exerce sua função isoladamente: “assim nós, que somos muitos, somos um só corpo” (Rm 12:5). Essa perspectiva impede que o pastor interprete toda a história da comunidade como realização exclusivamente pessoal. Há companheiros, famílias, voluntários, líderes, crianças, jovens, idosos e pessoas anônimas que também constroem a trajetória da igreja. O pastor ministra à comunidade, mas a comunidade também ministra ao pastor. Há uma reciprocidade humana nesse processo. Uma visita pode ensinar ao pastor sobre coragem; uma família em crise pode ensinar sobre paciência; um jovem pode provocar novas perguntas; uma pessoa idosa pode transmitir memória; uma criança pode devolver simplicidade à fé. Por isso o poema não apresenta a experiência pastoral como uma sequência idealizada de vitórias. Ele inclui cansaço, pressão, incompreensão, conflitos e momentos em que surgiu o desejo de abandonar essa identidade. A ponte expressa justamente esse arrependimento: houve ocasiões em que o peso do cuidado tornou difícil querer continuar sendo aquilo que durante tantos anos havia constituído parte importante da própria identidade. Essa honestidade é importante porque a vocação não elimina a humanidade do vocacionado. Moisés se cansou (Nm 11:11-15), Elias atravessou um momento de profundo abatimento (1Rs 19:1-8), e até os discípulos precisaram aprender a descansar e reorganizar suas forças (Mc 6:31). O cuidado saudável exige reconhecer limites. Na psicologia das relações de ajuda, Carl Rogers destacou a importância da escuta, da empatia e da autenticidade; Donald Winnicott, ao estudar o cuidado e o desenvolvimento humano, mostrou a importância de ambientes suficientemente bons para o amadurecimento; e Henri Nouwen chamou atenção para a humanidade daquele que acompanha pessoas feridas. O pastor, portanto, não é um super-homem religioso: é uma pessoa que também precisa de descanso, reflexão, aprendizagem, apoio e renovação. É justamente por isso que o refrão final afirma o amor por si mesmo e a escolha pela alegria sem negar a tristeza. “Gosto de ser pastor” não significa dizer que gostei de todas as circunstâncias do pastorado. Significa reconhecer que essa vocação, com suas alegrias e dores, ajudou a formar o homem que hoje existe. As igrejas, as pessoas, os projetos, os conflitos, as celebrações, as perdas e os recomeços deixaram marcas. E, olhando para essa trajetória, é possível dizer com gratidão: eu não fui apenas pastor para outras pessoas; ao cuidar de pessoas, também fui sendo cuidado pela própria experiência de viver entre elas.
BIBLIOGRAFIA
PETERSON, Eugene H. The Pastor: A Memoir. 2011.
NOUWEN, Henri J. M. The Wounded Healer: Ministry in Contemporary Society. 1972.
ROGERS, Carl R. On Becoming a Person. 1961.
BONHOEFFER, Dietrich. Life Together. 1939.
BOSCH, David J. Transforming Mission: Paradigm Shifts in Theology of Mission. 1991.
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Pr.Psi. Jônatas David Brandão Mota... pastorado4
teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)
(estrofe 1)
Há igrejas que ficaram muito além de suas paredes,
Guardadas nas lembranças, nos abraços e nas redes;
Não são somente templos, altares, bancos ou salão,
São rostos que permanecem vivos dentro do coração.
(estrofe 2)
Há uma igreja feita de gente que eu conheci,
De crianças que cresceram e de jovens que acompanhei aqui;
De famílias que chegaram carregando algum temor,
E encontraram no caminho convivência, fé e amor.
(estrofe 3)
Há vozes que ainda escuto mesmo estando tão distantes,
Pregações, orações, músicas, conversas importantes;
Há perguntas que ficaram, há respostas que encontrei,
E há palavras que, depois de tantos anos, ainda guardei.
(estrofe 4)
Há igrejas que me ensinaram mais do que eu ensinei,
Porque em cada comunidade alguma coisa transformei;
Uma história compartilhada, uma dor, uma celebração,
Foi formando lentamente minha própria compreensão.
(refrão)
AS IGREJAS QUE MORAM EM MIM NÃO SÃO PAREDES,
São pessoas, são histórias, são memórias que não se perdem;
Cada igreja que pastoreei deixou seu traço em minha história,
E carrego dentro de mim suas vidas e suas memórias.
(estrofe 5)
Há templos que recordo pelo cheiro, pelo som, pela luz,
Pela porta que se abria, pela fé que ali conduz;
Mas quando penso neles, não vejo somente construção,
Vejo gente ocupando aquele espaço com devoção.
(estrofe 6)
Há cultos que ficaram pela força da emoção,
Casamentos, despedidas, batismos, celebração;
Momentos em que a vida parecia caber inteira
Numa oração compartilhada ao redor de uma mesa ou de uma cadeira.
(estrofe 7)
Há irmãos que me ensinaram a persistir e caminhar,
Mesmo quando os problemas pareciam não cessar;
Com eles compreendi, em momentos de pressão,
Que comunidade se sustenta muito mais por relação.
(refrão)
AS IGREJAS QUE MORAM EM MIM CONTINUAM VIVAS,
Não porque sejam instituições eternas ou definitivas;
Vivem nos vínculos, nos encontros, no que pude aprender,
Nas marcas que essas pessoas deixaram em meu modo de ser.
(estrofe 8)
Há igrejas que atravessaram fases diferentes da minha vida,
Cada uma trazendo uma experiência jamais repetida;
Algumas foram abrigo, outras foram desafio,
E todas acrescentaram algo ao caminho que percorri.
(estrofe 9)
Há quem tenha discordado e também quem me defendeu,
Quem chegou com uma dúvida e quem simplesmente me acolheu;
Nem toda convivência foi tranquila ou sem tensão,
Mas até os desacordos ampliaram minha compreensão.
(estrofe 10)
Por isso não consigo lembrar igreja somente como lugar,
Porque igreja, para mim, ganhou rosto, voz e olhar;
Quando recordo esses anos de trabalho e caminhada,
Percebo quantas vidas continuam em mim preservadas.
(ponte)
Lamento as vezes em que quis esquecer o que vivi,
Quando o peso de algumas fases fez-me afastar de mim;
Houve momentos em que não quis carregar essa memória,
Como se apagar as igrejas pudesse apagar parte da minha história.
(refrão)
AS IGREJAS QUE MORAM EM MIM EU NÃO VOU NEGAR,
Mesmo as que me fizeram sofrer também me ajudaram a formar;
Não preciso idealizar tudo para agradecer o que ficou,
Pois cada comunidade, à sua maneira, alguma coisa me ensinou.
(estrofe 11)
Há pessoas que talvez nem saibam o que deixaram,
Mas suas pequenas atitudes meu caminho modificaram;
Um conselho, um sorriso, uma palavra no momento certo,
Pode acompanhar uma vida mesmo quando o encontro fica distante e incerto.
(estrofe 12)
Há crianças que um dia chegaram pequenas à congregação,
E que depois cresceram diante da minha observação;
Algumas seguiram caminhos que eu não pude acompanhar,
Mas fazem parte da memória de um tempo que não vai voltar.
(estrofe 13)
Há jovens que chegaram cheios de perguntas e vontade,
Procurando seu lugar, sua fé e sua identidade;
Alguns precisavam apenas de alguém disposto a escutar,
Antes que qualquer conselho pudesse começar.
(estrofe 14)
Há famílias que atravessaram tempestades em minha presença,
E me ensinaram que cuidado exige paciência;
Em algumas casas encontrei lágrimas e reconciliação,
E descobri que uma igreja também pode ser uma rede de proteção.
(estrofe 15)
Há aqueles que partiram antes que eu pudesse me despedir,
E há histórias interrompidas que ainda fazem refletir;
A memória não devolve o tempo nem muda o que passou,
Mas conserva no coração aquilo que o encontro deixou.
(refrão)
AS IGREJAS QUE MORAM EM MIM SÃO PARTE DO QUE SOU,
Cada pessoa que passou por elas alguma coisa me ensinou;
Não carrego apenas lembranças de um ministério que passou,
Carrego vidas que ajudaram a formar o homem que hoje sou.
(estrofe 16)
Há igrejas que me ensinaram sobre limite e responsabilidade,
Sobre liderança, serviço, conflito e fraternidade;
Aprendi que cuidar de gente requer disposição,
Mas também humildade para reconhecer limitação.
(estrofe 17)
Há igrejas que me deram motivos para celebrar,
Quando um projeto nasceu ou alguém voltou a sonhar;
A alegria de uma comunidade também se tornou minha,
E uma conquista coletiva muitas vezes parecia minha.
(estrofe 18)
Há igrejas que me ensinaram a rever minha posição,
A ouvir quem pensava diferente e reconsiderar uma decisão;
Porque nenhuma liderança cresce somente quando fala,
Ela amadurece quando escuta aquilo que a comunidade revela.
(estrofe 19)
Há igrejas que continuam comigo quando escrevo ou penso,
Porque muitas experiências ampliaram meu universo;
Quando estudo a alma humana ou reflito sobre a fé,
Encontro perguntas que nasceram do povo que encontrei em minha caminhada.
(estrofe 20)
Hoje sei que nenhuma delas cabe inteira numa lembrança,
Porque cada uma deixou pessoas, histórias, esperança;
E quando digo que essas igrejas ainda moram em mim,
Digo que seus encontros continuam participando do homem que me tornei enfim.
(ponte)
Lamento ter desejado apagar algumas páginas da memória,
Por cansaço, feridas, conflitos ou decepções da história;
Hoje prefiro acolher o que foi, sem precisar tudo justificar,
Porque até aquilo que doeu também ajudou a me transformar.
(refrão)
AS IGREJAS QUE MORAM EM MIM EU ESCOLHO CELEBRAR,
Com suas luzes e sombras, sem precisar tudo idealizar;
Foram capítulos concretos da estrada que percorri,
E cada capítulo deixou alguma parte de si dentro de mim.
(refrão)
AS IGREJAS QUE MORAM EM MIM FAZEM PARTE DO MEU SER,
São histórias que o tempo não consegue simplesmente desfazer;
Eu fui pastor entre pessoas, mas também fui formado por elas,
E ainda carrego dentro de mim muitas das histórias vividas nelas.
(refrão final)
AGORA EU ME AMO E ESCOLHO ALEGREMENTE VIVER,
Mesmo quando a tristeza tiver motivos justos para aparecer;
Amo as igrejas que vivi e o homem que elas ajudaram a formar,
E agradeço cada pessoa que me ensinou a servir, amar e caminhar.
A IGREJA COMO MEMÓRIA VIVA
O título “As Igrejas que Moram em Mim” desloca a ideia de igreja do edifício para a experiência humana que acontece dentro dele. Uma igreja pode possuir endereço, paredes, bancos, púlpito, instrumentos, documentos e organização institucional, mas a memória afetiva de quem viveu muitos anos no ministério é formada sobretudo por pessoas: crianças que cresceram, jovens que fizeram perguntas, famílias que enfrentaram crises, idosos que compartilharam lembranças, trabalhadores que sustentaram projetos, voluntários que serviram silenciosamente e pessoas que chegaram procurando acolhimento. No Novo Testamento, essa compreensão encontra uma imagem particularmente forte na ideia de que a comunidade é um corpo: “vós sois corpo de Cristo, e individualmente membros desse corpo” (1Co 12:27). Paulo também afirma que a comunidade é edificada pela participação de diferentes pessoas e dons (Ef 4:11-16). A igreja, portanto, não se reduz à construção física. A própria palavra grega ekklesia está relacionada à assembleia ou comunidade reunida. Quando alguém passou anos pastoreando diferentes comunidades, essas comunidades deixam de ser somente endereços na memória e passam a constituir capítulos da própria biografia. É possível lembrar uma determinada igreja por uma celebração, outra por um período de dificuldade, outra por uma família, outra por um projeto social, outra por uma mudança importante na própria maneira de compreender a fé. O sociólogo Maurice Halbwachs, em A Memória Coletiva, mostrou que nossas lembranças individuais também são estruturadas pelos grupos dos quais participamos. Paul Ricoeur, em Memory, History, Forgetting, aprofundou a relação entre memória, identidade e narrativa. Assim, lembrar as igrejas que fizeram parte da própria trajetória é também reconstruir a própria identidade. Cada comunidade funciona como um capítulo, mas os personagens desses capítulos continuam vivos na memória. Por isso o poema insiste que “igreja” não significa somente templo ou instituição: significa também vínculos, vozes, rostos, histórias, conflitos, celebrações e aprendizados. As paredes podem permanecer em determinado endereço, ser reformadas ou até desaparecer, mas a experiência humana pode continuar dentro de quem a viveu. A memória pastoral, nesse sentido, é uma espécie de arquivo afetivo no qual os lugares são inseparáveis das pessoas que lhes deram significado.
MEMÓRIA, GRATIDÃO E RECONCILIAÇÃO
O poema também não transforma o passado pastoral em uma coleção idealizada de lembranças felizes. Uma trajetória longa entre comunidades inevitavelmente inclui conflitos, discordâncias, cansaço, frustrações, perdas, decisões difíceis e momentos em que a própria pessoa desejou esquecer ou abandonar aquilo que viveu. É exatamente por isso que a ponte do poema lamenta as ocasiões em que houve vontade de apagar determinadas memórias. Entretanto, amadurecer não exige transformar tudo em bonito; exige conseguir olhar para o passado sem permitir que ele continue governando o presente. A Bíblia oferece uma perspectiva interessante sobre memória e reconciliação: o povo de Israel frequentemente é chamado a lembrar — “não te esqueças” aparece repetidamente no Deuteronômio —, mas a lembrança bíblica não serve apenas para produzir nostalgia; ela serve para orientar o presente. Em 1 Samuel 7:12, Samuel ergue uma pedra e a chama de Ebenézer, dizendo: “Até aqui nos ajudou o Senhor”. A pedra transforma um acontecimento passado em marco de memória. Jesus, ao instituir a Ceia, também associa o ato de comer e beber à lembrança: “fazei isto em memória de mim” (Lc 22:19). A memória, portanto, pode ser uma ferramenta de identidade e gratidão. Ao mesmo tempo, Jesus ensina uma relação não vingativa com as pessoas, chamando seus discípulos ao perdão e ao amor (Mt 5:44; 18:21-22). Isso não significa negar conflitos ou declarar que tudo foi correto, mas impedir que as feridas determinem para sempre o significado de uma história. Henri Nouwen, ao refletir sobre comunidade, cuidado e liderança, enfatiza que aquele que serve também precisa reconhecer sua própria humanidade; Eugene Peterson, em The Pastor, apresenta o ministério pastoral como uma longa caminhada de presença, paciência e atenção às pessoas. O poema segue essa direção ao dizer que algumas igrejas foram abrigo, outras desafio, algumas trouxeram celebração e outras exigiram revisão de posições. Todas, porém, participaram da formação do pastor e do homem. Essa é a razão pela qual o refrão afirma com veemência que “as igrejas que moram em mim” fazem parte do que ele é. Não se trata de carregar institucionalmente cada comunidade para sempre, nem de afirmar que todas as experiências foram perfeitas; trata-se de reconhecer que os encontros não podem ser simplesmente apagados. Ao final, a escolha por amar a si mesmo e viver alegremente, mesmo quando a tristeza tiver motivos legítimos, representa uma reconciliação com a própria memória. A pessoa pode sentir saudade sem ficar presa ao passado, pode reconhecer uma ferida sem transformar-se apenas na ferida, pode agradecer uma experiência sem negar suas dificuldades e pode seguir adiante levando consigo aquilo que houve de verdadeiro, humano e transformador. As igrejas continuam morando em quem delas participou porque, de alguma maneira, as pessoas encontradas nesses lugares ajudaram a construir a pessoa que hoje existe.
BIBLIOGRAFIA
HALBWACHS, Maurice. On Collective Memory. 1950.
RICOEUR, Paul. Memory, History, Forgetting. 2000.
PETERSON, Eugene H. The Pastor: A Memoir. 2011.
NOUWEN, Henri J. M. The Wounded Healer: Ministry in Contemporary Society. 1972.
BONHOEFFER, Dietrich. Life Together. 1939.
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Pr.Psi. Jônatas David Brandão Mota... pastorado4
teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)
(estrofe 1)
Gosto de ser pai, de ter alguém para cuidar,
De descobrir no amor razões novas para caminhar;
A vida ganhou nomes, rostos, sonhos e preocupação,
E ser pai foi mudando para sempre meu coração.
(estrofe 2)
Gosto das pequenas coisas que aprendi a valorizar,
Uma conversa, um conselho, um abraço antes de partir ou chegar;
Pois a paternidade ensinou, no cotidiano e sem alarde,
Que há momentos importantes escondidos numa tarde.
(estrofe 3)
Gosto da responsabilidade que não posso abandonar,
Da consciência de que alguém também aprende ao me observar;
Minhas palavras e atitudes passaram a ter outro peso,
Porque ser pai me fez enxergar melhor cada exemplo.
(estrofe 4)
Gosto das preocupações que me ensinaram atenção,
Dos medos que nasceram junto com uma nova proteção;
Descobri que amar também é não controlar,
É preparar para a vida e permitir que o outro possa caminhar.
(refrão)
GOSTO DE SER PAI, E DIGO ISSO COM VERDADE,
Porque a paternidade ampliou em mim a própria humanidade;
Cuidar, ensinar, aprender, proteger e deixar crescer,
Foi uma das grandes formas que encontrei de me conhecer.
(estrofe 5)
Gosto das conquistas que me fizeram comemorar,
E das dificuldades que me fizeram aconselhar;
Cada fase trouxe perguntas que eu não podia prever,
E muitas vezes aprendi enquanto tentava ensinar a viver.
(estrofe 6)
Gosto de saber que não existe manual perfeito,
Que ser pai exige humildade para reconhecer defeito;
Já houve momentos em que precisei reconsiderar,
Pedir desculpas, ouvir melhor e tentar reparar.
(estrofe 7)
Gosto de acompanhar o tempo mudando cada idade,
A infância dando espaço à crescente autonomia e liberdade;
O filho precisa de raízes, mas também precisa partir,
E amar profundamente inclui prepará-lo para seguir.
(refrão)
GOSTO DE SER PAI, MESMO SABENDO DA RESPONSABILIDADE,
Das dúvidas, dos receios e da enorme complexidade;
Não fui um pai perfeito, nem pretendo parecer,
Mas amo a história que a paternidade me ajudou a viver.
(estrofe 8)
Gosto dos momentos em que pude simplesmente estar,
Sem discurso preparado, sem precisar explicar;
Às vezes, um silêncio compartilhado disse muito mais
Do que conselhos elaborados ou palavras formais.
(estrofe 9)
Gosto de perceber que meus filhos também me ensinaram,
Que minhas certezas muitas vezes se reorganizaram;
Aprendi que cada pessoa precisa de um jeito de atenção,
E que amor verdadeiro não é fabricar alguém à minha mão.
(estrofe 10)
Gosto de olhar para trás e reconhecer transformação,
O pai que fui ontem não é o mesmo de outra estação;
Entre acertos e falhas, fui aprendendo a amadurecer,
E cada etapa da paternidade também me fez crescer.
(ponte)
Lamento as vezes em que não quis viver plenamente esse papel,
Quando o cansaço fez parecer pesado aquilo que havia de fiel;
Houve momentos em que esqueci o presente que me foi confiado,
E deixei de perceber quanto amor havia ao meu lado.
(refrão)
GOSTO DE SER PAI, E NÃO QUERO ESCONDER,
Que essa experiência me ensinou profundamente a viver;
Se eu ajudei meus filhos a encontrar seus próprios caminhos,
Eles também deixaram dentro de mim incontáveis ensinamentos e carinhos.
(estrofe 11)
Gosto das lembranças que o tempo não consegue apagar,
Das fases que passaram depressa sem pedir para esperar;
Há fotografias que guardam muito mais que uma cena,
Guardam uma época inteira que permanece serena.
(estrofe 12)
Gosto de ensinar responsabilidade pelo próprio viver,
Mas também de lembrar que ninguém precisa tudo saber;
A vida exige escolhas, consequências e direção,
E o pai pode oferecer presença sem tomar o lugar da decisão.
(estrofe 13)
Gosto de celebrar quando vejo autonomia florescer,
Porque criar também significa preparar para não depender;
Há orgulho quando um filho encontra seu próprio lugar,
Mesmo quando isso significa aprender a não interferir nem controlar.
(estrofe 14)
Gosto de reconhecer que também precisei de perdão,
Pelas vezes em que errei tentando acertar na intenção;
Ser pai me mostrou que autoridade sem ternura pode ferir,
E que corrigir alguém também exige saber ouvir.
(estrofe 15)
Gosto do vínculo que permanece apesar da distância,
Da lembrança que atravessa o tempo com perseverança;
A paternidade não termina quando muda a idade,
Ela se transforma conforme cresce a liberdade.
(refrão)
GOSTO DE SER PAI, E ISSO FAZ PARTE DE MIM,
Não apenas pelo começo, mas por tudo que construí até aqui;
Entre responsabilidades, alegrias, medos e compreensão,
Ser pai transformou profundamente minha própria formação.
(estrofe 16)
Gosto de pensar nos valores que tentei transmitir,
Mais pelas atitudes vividas do que pelo simples repetir;
Porque uma criança observa muito mais do que se pode imaginar,
E um pai também educa pela maneira como decide caminhar.
(estrofe 17)
Gosto de saber que meus filhos possuem suas próprias histórias,
Seus desejos, escolhas, derrotas, vitórias e memórias;
Não são extensão de meus sonhos nem cópia do que eu sou,
São pessoas diante das quais meu amor também amadureceu e mudou.
(estrofe 18)
Gosto dos desafios que a paternidade me apresentou,
Das perguntas difíceis que nenhum livro respondeu;
Cada situação concreta exigiu presença e reflexão,
E muitas respostas nasceram depois de escutar o coração.
(estrofe 19)
Gosto de agradecer pelas vidas que pude acompanhar,
Pelo privilégio de ver pessoas queridas crescer e mudar;
Se o tempo levou algumas fases que eu queria conservar,
Deixou novas formas de amar para eu poder experimentar.
(estrofe 20)
Hoje gosto do pai que fui aprendendo a construir,
Sem negar minhas falhas nem aquilo que ainda posso corrigir;
A paternidade não foi somente algo que recebi para exercer,
Foi uma experiência que me ensinou quem eu poderia ser.
(ponte)
Lamento cada momento em que deixei o cansaço falar mais alto,
Cada ausência emocional, cada gesto que hoje considero inadequado;
Mas não quero viver condenado por aquilo que não posso refazer,
Quero transformar meus erros em sabedoria para continuar a aprender.
(refrão)
GOSTO DE SER PAI, E AGORA POSSO AFIRMAR,
Que meus filhos ajudaram minha própria identidade a transformar;
Eu pensei que ensinaria somente, mas descobri, com o tempo,
Que também fui educado pelo amor de cada momento.
(refrão)
GOSTO DE SER PAI, E VOU SEMPRE RECONHECER,
Que amar alguém profundamente também me fez crescer;
Agradeço as alegrias, as preocupações e cada lição,
Pois a paternidade escreveu páginas importantes no meu coração.
(refrão final)
AGORA EU ME AMO E ESCOLHO ALEGREMENTE VIVER,
Mesmo quando a tristeza tiver motivos justos para aparecer;
Amo o pai que fui, acolho o que ainda posso aperfeiçoar,
E agradeço pelos filhos que me ensinaram novas formas de amar.
A PATERNIDADE COMO TRANSFORMAÇÃO
Ser pai é muito mais amplo do que cumprir uma função familiar ou ocupar uma posição de autoridade dentro de casa. A paternidade modifica a percepção de responsabilidade porque introduz na vida do adulto a experiência de acompanhar outra pessoa em formação, sabendo que suas palavras, atitudes, ausências, limites e demonstrações de afeto podem deixar marcas. O pai não entrega apenas recursos materiais: oferece referências, segurança, presença, orientação e, sobretudo, um modelo humano imperfeito que também aprende. A Bíblia apresenta essa responsabilidade de diversas maneiras. Em Deuteronômio 6:6-7, os ensinamentos devem ser transmitidos no cotidiano, “assentado em tua casa”, andando pelo caminho, ao deitar e ao levantar; isso sugere que formação não acontece apenas em discursos formais, mas na convivência. Provérbios 22:6 tradicionalmente expressa a responsabilidade de orientar a criança em seu caminho, enquanto Efésios 6:4 adverte os pais a não provocarem os filhos à ira, mas a criarem-nos com cuidado e orientação. Jesus também modifica a imagem tradicional de autoridade ao colocar uma criança no centro e utilizá-la como referência para ensinar seus discípulos (Mc 9:33-37). Na psicologia do desenvolvimento, Donald Winnicott destacou a importância de um ambiente suficientemente bom para o amadurecimento; John Bowlby desenvolveu a teoria do apego, mostrando como os vínculos iniciais participam da construção da segurança emocional; e Erik Erikson relacionou a vida adulta à generatividade, isto é, à capacidade de cuidar e contribuir para a geração seguinte. Ser pai, portanto, pode ser entendido como uma experiência de generatividade: o adulto deixa de viver exclusivamente para sua própria realização e passa a participar do crescimento de outra pessoa. Isso não significa controlar a vida dos filhos. Pelo contrário, uma das grandes tarefas da paternidade é preparar para a autonomia. O pai inicialmente protege, depois orienta, posteriormente aconselha e, gradualmente, aprende a respeitar decisões que já não pode tomar pelo filho. É uma passagem delicada: amar alguém profundamente sem transformar esse amor em posse. Por isso o poema afirma que o filho precisa de raízes, mas também precisa partir. A imagem representa uma das maiores mudanças da paternidade: aquilo que começou como dependência precisa caminhar em direção à autonomia, enquanto o vínculo permanece.
O PAI QUE TAMBÉM APRENDE COM OS FILHOS
A segunda dimensão do poema é reconhecer que a paternidade não transforma apenas os filhos; ela transforma profundamente o próprio pai. Um homem pode imaginar que será aquele que ensinará, protegerá e orientará, mas descobre, com o tempo, que também será confrontado por perguntas, necessidades, diferenças de personalidade, escolhas inesperadas e situações para as quais não existe resposta pronta. Cada filho pode revelar ao pai uma dimensão diferente de si mesmo. Uma criança pode ensinar paciência; um adolescente pode exigir diálogo; um adulto pode ensinar ao pai a respeitar autonomia; uma situação de conflito pode revelar rigidez; um erro pode produzir a necessidade de pedir perdão. Essa reciprocidade não elimina a responsabilidade paterna, mas a humaniza. A literatura sobre desenvolvimento familiar mostra que relações entre pais e filhos são sistemas vivos, nos quais todos os participantes se influenciam mutuamente. Carl Rogers, ao valorizar autenticidade, escuta e aceitação, oferece elementos importantes para pensar uma paternidade que não seja baseada apenas em autoridade; Haim Ginott, em seus estudos sobre comunicação entre adultos e crianças, enfatizou a importância de uma linguagem que preserve a dignidade do filho mesmo quando limites precisam ser estabelecidos. Na tradição bíblica, a relação entre pai e filho também pode envolver compaixão, retorno e restauração, como aparece na parábola do filho pródigo (Lc 15:11-32). O pai da parábola não controla o filho para impedir sua partida; quando o filho retorna, oferece acolhimento. A narrativa não apresenta uma paternidade baseada em posse, mas uma relação na qual amor e liberdade podem coexistir. Isso ajuda a compreender o verso que afirma que amar verdadeiramente não é “fabricar alguém à minha mão”. Filhos não são projetos pessoais dos pais; são pessoas com dignidade, vocação, escolhas e trajetórias próprias. Por isso, reconhecer erros paternos também faz parte da maturidade. O pai pode olhar para trás e perceber que esteve ausente em determinados momentos, falou de maneira inadequada, foi excessivamente rígido ou deixou de escutar quando deveria. Reconhecer isso não destrói sua autoridade; pode torná-la mais humana. A ponte do poema expressa justamente esse arrependimento sem transformar a culpa em prisão. O passado não pode ser refeito, mas pode ser reinterpretado e utilizado para produzir mudanças no presente. No final, quando o poema afirma “agora eu me amo”, não está dizendo que o pai considera perfeita sua trajetória. Está afirmando que ele pode acolher o homem que foi, reconhecer o que precisa melhorar e continuar vivendo com alegria, inclusive nos dias em que a tristeza for legítima. A paternidade, assim, aparece como uma das grandes experiências de construção da identidade: ao tentar cuidar de outros, o homem descobre novas responsabilidades, enfrenta seus limites, aprende a pedir perdão, desenvolve novas formas de amar e percebe que os filhos não foram apenas pessoas que ele ajudou a formar — foram também pessoas que participaram profundamente da formação dele.
BIBLIOGRAFIA
BOWLBY, John. Attachment and Loss: Volume 1 — Attachment. 1969.
WINNICOTT, D. W. The Child, the Family, and the Outside World. 1964.
ERIKSON, Erik H. Childhood and Society. 1950.
ROGERS, Carl R. On Becoming a Person. 1961.
GINOTT, Haim G. Between Parent and Child. 1965.
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Pr.Psi. Jônatas David Brandão Mota... pastorado4
teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)
(estrofe 1)
Ser esposo foi aprender que amar é construção,
É dividir o cotidiano, o sonho e a responsabilidade,
É descobrir que o “nós” não apaga a minha identidade,
Mas amplia quem eu sou dentro de outra coração.
(estrofe 2)
Foi compartilhar silêncios, conversas e decisões,
Celebrar pequenas conquistas, enfrentar preocupações,
Reinventar os nossos planos diante das transformações,
E descobrir que o amor também amadurece nas estações.
(estrofe 3)
Houve dias luminosos, outros feitos de tensão,
Momentos em que a vida pediu coragem e paciência,
E cada dificuldade revelou uma nova competência:
Permanecer ao lado sem transformar amor em prisão.
(estrofe 4)
Ser esposo também foi aprender a escutar,
Perceber no rosto aquilo que a palavra não dizia,
Oferecer presença quando faltava alegria,
E compreender que cuidar também é saber esperar.
(refrão)
GOSTO DE SER ESPOSO, E DIGO ISSO COM VERDADE,
GOSTO DA NOSSA HISTÓRIA, DA SUA INTIMIDADE,
GOSTO DO AMOR QUE O TEMPO TRANSFORMOU EM LEALDADE,
GOSTO DA VIDA A DOIS QUE AMADURECEU MINHA IDENTIDADE.
(estrofe 5)
Aprendi que casamento não é viver sem conflito,
Nem esperar que o outro corresponda a cada desejo,
É reconhecer limites, reparar quando eu falho e vejo,
E fazer do pedido de desculpas um gesto bonito.
(estrofe 6)
Houve renúncias que ninguém chegou a registrar,
Escolhas silenciosas, cuidados sem testemunha,
Dias em que a própria força parecia pequena,
Mas o compromisso encontrou razões para continuar.
(estrofe 7)
Ser esposo foi também rever conceitos e mudar,
Abandonar certezas que já não faziam sentido,
Reconhecer no outro alguém inteiro e não possuído,
E amar sem confundir cuidado com o direito de controlar.
(refrão)
GOSTO DE SER ESPOSO, COM O QUE A VIDA NOS ENSINOU,
GOSTO DO AMOR QUE CAIU, SE LEVANTOU E SE REINVENTOU,
GOSTO DA HISTÓRIA QUE O TEMPO, COM SEUS DIAS, DESENHOU,
GOSTO DO HOMEM QUE ME TORNEI NO AMOR QUE NOS FORMOU.
(estrofe 8)
Nossa história tem lembranças que o tempo não desfez,
Há conversas, celebrações, preocupações e planos,
Há marcas de uma vida construída ao longo dos anos,
E há gratidão por tudo que conseguimos ser outra vez.
(estrofe 9)
Ser esposo acrescentou responsabilidade ao meu olhar,
Porque amar alguém também transforma o modo de existir,
Faz pensar antes de agir, aprender antes de ferir,
E perceber que companheirismo é escolher compartilhar.
(estrofe 10)
Hoje olho para nós sem exigir perfeição,
Vejo o que construímos com ternura e imperfeição,
Vejo que o amor amadurecido ganhou outra dimensão,
E agradeço pela pessoa que me tornei nessa união.
(ponte)
Mas lamento as vezes em que deixei de querer amar,
Quando o cansaço falou mais alto que a disposição,
Quando me fechei, me distanciei ou endureci o coração,
E quase esqueci que também precisava escolher cuidar.
(refrão)
GOSTO DE SER ESPOSO, E NÃO NEGO O QUE VIVI,
GOSTO DA VIDA QUE COMPARTILHEI, DO QUE APRENDI,
GOSTO DO AMOR QUE ME FEZ CRESCER E ME RECONSTRUIR,
GOSTO DE SER QUEM SOU POR TUDO QUE JUNTOS CONSTRUÍ.
(refrão final)
AGORA EU ME AMO E ESCOLHO A ALEGRIA PARA VIVER,
MESMO QUANDO A TRISTEZA TIVER RAZÕES PARA APARECER,
EU ACOLHO O QUE SINTO, MAS NÃO DEIXO A DOR ME DEFINIR,
E GOSTO DE SER ESPOSO, GOSTO DE AMAR, GOSTO DE EXISTIR.
EXPLICAÇÃO DO TEMA
O AMOR COMO CONSTRUÇÃO COMPARTILHADA
Ser esposo não significa simplesmente ocupar um papel social ou manter formalmente uma relação conjugal; significa participar de uma construção contínua na qual duas pessoas preservam sua individualidade e, ao mesmo tempo, criam uma história comum. O casamento acrescenta à identidade porque modifica responsabilidades, hábitos, prioridades, maneiras de tomar decisões e formas de compreender o próprio futuro. Na perspectiva de Carl Rogers, relações significativas podem favorecer crescimento quando existe autenticidade, aceitação e abertura para transformação; na perspectiva de Erik Erikson, a vida adulta envolve a tarefa de desenvolver intimidade, isto é, a capacidade de estabelecer vínculos profundos sem perder a própria identidade. O poema, por isso, não apresenta o casamento como uma experiência idealizada, sem conflitos ou frustrações. Ele fala de escuta, silêncio, diferenças, renúncias, pedidos de desculpas, amadurecimento e escolhas renovadas. Um casal pode, por exemplo, discordar sobre dinheiro, filhos, trabalho, família, religião ou projetos pessoais e, ainda assim, aprender a transformar o conflito em oportunidade de compreensão. A tradição bíblica também apresenta a vida conjugal como vínculo de cuidado e reciprocidade, não como domínio de uma pessoa sobre a outra. Gênesis 2:18 apresenta a necessidade de companhia; Eclesiastes 4:9-12 ressalta a força da parceria; 1 Coríntios 13:4-7 descreve um amor paciente, bondoso e não possessivo; e Efésios 5:21 começa pela ideia de submissão mútua, antes de qualquer orientação específica aos cônjuges. Assim, o poema entende “ser esposo” como aprender a dividir a vida sem transformar o outro em propriedade, controlar sem perceber ou exigir perfeição. O verdadeiro companheirismo aparece justamente nas pequenas ações: ouvir antes de responder, perguntar como o outro está, reconhecer um erro, dividir tarefas, respeitar espaços, celebrar conquistas e permanecer disponível nos períodos difíceis. O casamento, nessa leitura, não diminui o indivíduo; pode ampliar sua capacidade de responsabilidade, empatia, paciência e reciprocidade.
O AMOR QUE AMADURECE COM O TEMPO
A segunda dimensão do tema está na compreensão de que uma história conjugal longa não é formada somente pelos momentos felizes, mas também por tudo aquilo que o casal conseguiu aprender depois das dificuldades. John Bowlby mostrou a importância dos vínculos de apego e segurança para o desenvolvimento humano; Esther Perel, ao discutir relacionamentos duradouros, chama atenção para a tensão entre segurança, intimidade, autonomia e desejo; e Erich Fromm, em “A Arte de Amar”, compreende o amor maduro como uma prática que envolve cuidado, responsabilidade, respeito e conhecimento. Isso ajuda a justificar versos que reconhecem dias de tensão, mudanças, falhas e reconstruções. Uma pessoa pode olhar para décadas de casamento e perceber que não amou da mesma maneira em todas as fases: houve momentos de entusiasmo, períodos de preocupação, fases de maior proximidade e outras de distanciamento. Isso não torna necessariamente falso o amor; mostra que sentimentos e relações atravessam ciclos e precisam de atenção. O poema também inclui uma ponte de arrependimento porque amar a própria história não significa negar os momentos em que se falhou. É possível reconhecer: “houve vezes em que eu não quis mais ser aquilo que eu havia escolhido ser”. Esse reconhecimento é importante psicologicamente porque impede que a memória seja transformada em propaganda de uma vida perfeita. Biblicamente, a experiência de Pedro mostra que uma falha não precisa ser a última palavra sobre uma pessoa: depois de negar Jesus, ele reencontra sua vocação e recebe novamente uma responsabilidade de cuidado (João 21:15-17). Da mesma forma, Colossenses 3:12-14 associa a vida comunitária a compaixão, bondade, humildade, mansidão, paciência, perdão e amor. Portanto, o poema não celebra apenas “ter sido esposo”; celebra ter sido transformado pela experiência de ser esposo. A relação conjugal acrescentou camadas à identidade: ensinou a dividir, esperar, ceder, falar, silenciar, cuidar, reparar, perdoar e agradecer. E o refrão final amplia essa conclusão: amar-se agora não significa considerar todas as escolhas passadas perfeitas, mas aceitar a própria história com lucidez e escolher a alegria possível no presente. A tristeza continua tendo lugar quando possui motivos reais, mas deixa de ocupar o governo da existência. Amar a si mesmo e continuar escolhendo uma vida alegre torna-se, então, uma forma de reconhecer que a história conjugal não foi apenas algo vivido ao lado de alguém; foi também uma das experiências pelas quais o próprio homem foi sendo construído.
BIBLIOGRAFIA
FROMM, Erich. A Arte de Amar. 1956.
ROGERS, Carl R. Tornar-se Pessoa. 1961.
ERIKSON, Erik H. Infância e Sociedade. 1950.
BOWLBY, John. Apego e Perda: Volume 1 — Apego. 1969.
PEREL, Esther. Mating in Captivity: Unlocking Erotic Intelligence. 2006.
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Pr.Psi. Jônatas David Brandão Mota... pastorado4
teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)
(estrofe 1)
Gosto de ser filho, de onde a vida começou,
Das primeiras mãos que me acolheram com carinho,
Dos gestos e palavras que ensinaram meu caminho,
E de tudo que em mim o tempo transformou.
(estrofe 2)
Recebi nomes, histórias, costumes e valores,
Aprendi, entre conselhos, limites e abraços,
Que a vida se revela nos encontros e nos laços,
E que também crescemos atravessando nossas dores.
(estrofe 3)
Guardo vozes que ainda escuto dentro de mim,
Expressões familiares que o tempo não apagou,
Lições que a convivência silenciosamente deixou,
E lembranças que me acompanham até o fim.
(estrofe 4)
Ser filho é reconhecer de onde vim,
Sem precisar concordar com tudo que aprendi,
É separar o que me fez bem do que não escolhi,
E construir meu próprio jeito de existir em mim.
(refrão)
GOSTO DE SER FILHO, E ASSUMO MINHA HISTÓRIA,
GOSTO DAS MINHAS RAÍZES, DAS LIÇÕES E DA MEMÓRIA,
GOSTO DO QUE RECEBI E DO QUE MUDEI EM MIM,
GOSTO DE QUEM ME TORNEI, SEM NEGAR DE ONDE VIM.
(estrofe 5)
Nem toda lembrança foi ternura ou proteção,
Nem todo ensinamento me serviu para crescer,
Mas pude examinar o que escolhi compreender,
E dar novos significados à minha formação.
(estrofe 6)
Há pais que permanecem, outros que a vida distancia,
Há presenças que acolhem, ausências que deixam saudade,
Há reencontros, despedidas, perdão e complexidade,
E cada vínculo assume uma forma com o passar dos dias.
(estrofe 7)
Com o tempo, os meus pais também pude enxergar
Como gente com limites, sonhos e contradições,
Pessoas que carregaram suas próprias aflições,
E que nem sempre souberam como me orientar.
(refrão)
GOSTO DE SER FILHO, COM VERDADE E GRATIDÃO,
GOSTO DO QUE ME FORTALECEU NA MINHA FORMAÇÃO,
GOSTO DE APRENDER SEM ME PRENDER AO QUE PASSOU,
GOSTO DA PESSOA QUE A VIDA EM MIM CULTIVOU.
(estrofe 8)
Hoje compreendo coisas que não pude entender,
Quando era mais pequeno e dependia de cuidado,
Vejo o valor de um gesto, o peso de um silêncio guardado,
E aceito que há perguntas sem resposta a oferecer.
(estrofe 9)
Ser filho não termina quando a idade amadurece,
Nem quando cada um escolhe a própria direção,
Há um vínculo que muda, mas conserva sua expressão,
E uma parte da origem que em nossa vida permanece.
(estrofe 10)
Levo comigo o que merece continuar,
Transformo o que preciso, sem vergonha de mudar,
Honro minha história sem deixar de me escolher,
E agradeço à vida pelo que pude aprender.
(ponte)
Mas lamento as vezes em que rejeitei minhas raízes,
Quando quis apagar lembranças para não sentir dor,
Quando desprezei aprendizados por causa do dissabor,
Ou esqueci que até as falhas podem revelar matizes.
(refrão)
GOSTO DE SER FILHO, NÃO PRECISO ME ESCONDER,
GOSTO DA MINHA HISTÓRIA E DO QUE PUDE APRENDER,
GOSTO DE HONRAR MINHAS ORIGENS SEM DEIXAR DE ESCOLHER,
GOSTO DE SER QUEM SOU E DE CONTINUAR A CRESCER.
(refrão final)
AGORA EU ME AMO E ESCOLHO A ALEGRIA PARA VIVER,
MESMO QUANDO A TRISTEZA TIVER RAZÕES PARA APARECER,
ACOLHO MINHAS SAUDADES, SEM DEIXAR DE PROSSEGUIR,
GOSTO DE SER FILHO, GOSTO DE SER EU, GOSTO DE EXISTIR.
EXPLICAÇÃO DO TEMA
AS RAÍZES E A FORMAÇÃO DA IDENTIDADE
Ser filho é uma das primeiras experiências de pertencimento e de construção da identidade. Antes de compreender o mundo por conta própria, a criança recebe dos adultos que a cercam palavras, hábitos, crenças, regras, demonstrações de afeto e modos de interpretar a realidade. Aprende como as pessoas expressam carinho, como lidam com os conflitos, o que consideram certo ou errado e quais expectativas depositam sobre o futuro. Mesmo quando a família não corresponde ao modelo idealizado, ela costuma deixar marcas na maneira como a pessoa se percebe e se relaciona. O psicólogo Erik Erikson, em Infância e Sociedade (1950), estudou como as relações e as experiências de cada etapa da vida participam da formação da identidade. John Bowlby, em Apego e Perda (1969), investigou a importância dos vínculos afetivos iniciais para a segurança emocional e para a construção das relações posteriores. Isso ajuda a compreender por que uma frase de incentivo pode permanecer na memória durante décadas, enquanto uma crítica humilhante pode alimentar inseguranças por muito tempo. Por exemplo, alguém que cresceu ouvindo que era capaz pode desenvolver maior confiança para enfrentar desafios; outra pessoa, frequentemente comparada ou desvalorizada, talvez precise aprender, na vida adulta, a questionar essas mensagens e reconhecer seu próprio valor. O poema valoriza as raízes sem afirmar que tudo o que vem da família é necessariamente bom. A Bíblia apresenta o valor da memória e do ensinamento entre gerações em Deuteronômio 6:6-7, ao falar da transmissão dos ensinamentos no cotidiano, e em Provérbios 1:8-9, ao destacar a importância da orientação familiar. Entretanto, honrar pai e mãe, como recomenda Êxodo 20:12, não precisa significar concordar com todas as decisões, esconder sofrimentos ou aceitar situações abusivas. A gratidão pode coexistir com a lucidez, e o reconhecimento das origens pode caminhar junto com a liberdade de construir escolhas próprias. Assim, gostar de ser filho significa reconhecer que a própria história começou em relações que nos antecederam, sem transformar essa origem em uma sentença imutável sobre quem precisamos ser.
O VÍNCULO QUE MUDA, MAS DEIXA MARCAS
A relação entre pais e filhos transforma-se ao longo da vida. Na infância, predomina a dependência; na adolescência, cresce a necessidade de autonomia; na idade adulta, torna-se possível enxergar os pais também como pessoas que tiveram limitações, medos, sonhos, dificuldades econômicas e histórias anteriores ao nascimento dos filhos. Essa compreensão não apaga os danos que possam ter ocorrido, mas permite uma leitura mais complexa das relações. Donald Winnicott, em A Família e o Desenvolvimento Individual (1965), aborda a importância do ambiente familiar para o desenvolvimento emocional, enquanto Carl Rogers, em Tornar-se Pessoa (1961), destaca a relevância da aceitação, da autenticidade e do crescimento pessoal. Na prática, um filho adulto pode agradecer ao pai pelo exemplo de responsabilidade e, ao mesmo tempo, reconhecer que precisa abandonar a rigidez que também aprendeu com ele. Pode guardar com carinho as receitas da mãe, as histórias contadas pelos avós e as expressões típicas da família, sem precisar reproduzir preconceitos ou comportamentos que considera prejudiciais. Existem ainda histórias atravessadas por separações, distanciamento, luto, abandono ou reconciliações difíceis. Nesses casos, ser filho não exige fingir que a saudade não dói nem conceder perdão antes de estar preparado. A Bíblia reconhece a importância dos vínculos familiares, mas também apresenta pessoas que precisam rever tradições e tomar decisões próprias: em Lucas 15:11-32, a parábola do filho que parte e retorna aborda afastamento, sofrimento, acolhimento e restauração; em Marcos 3:31-35, Jesus amplia a compreensão de família ao valorizar também os vínculos constituídos pela prática da vontade de Deus. O poema, portanto, propõe uma relação madura com a própria origem: preservar o que merece continuidade, transformar o que já não serve e aceitar que algumas perguntas talvez permaneçam sem resposta. A ponte reconhece os momentos em que houve rejeição da própria história, enquanto o refrão final afirma a possibilidade de amar a si mesmo sem exigir que o passado tenha sido perfeito. Escolher a alegria não significa eliminar a tristeza, negar a saudade ou romantizar as feridas; significa acolher sentimentos legítimos sem entregar a eles toda a direção da vida. Gostar de ser filho é, em última análise, aceitar a própria origem, discernir o que fazer com a herança recebida e assumir, com responsabilidade e ternura, a construção da pessoa que se deseja continuar sendo.
BIBLIOGRAFIA
BOWLBY, John. Apego e Perda: Volume 1 — Apego. 1969.
ERIKSON, Erik H. Infância e Sociedade. 1950.
ROGERS, Carl R. Tornar-se Pessoa. 1961.
WINNICOTT, Donald W. A Família e o Desenvolvimento Individual. 1965.
FROMM, Erich. A Arte de Amar. 1956.
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Pr.Psi. Jônatas David Brandão Mota... pastorado4
teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)
(estrofe 1)
Gosto de ser irmão, de compartilhar raízes,
De recordar a infância, seus encontros e matizes,
De reconhecer em cada rosto um pedaço da história,
E guardar nossas lembranças como páginas de memória.
(estrofe 2)
Crescemos lado a lado, cada qual com seu jeito,
Com sonhos diferentes, convicções e defeitos,
Entre risos, brincadeiras, discussões e proteção,
Fomos descobrindo os laços que habitam o coração.
(estrofe 3)
Houve segredos confiados em momentos de confiança,
Conselhos improvisados, cumplicidade e esperança,
Pequenas aventuras que ninguém mais entenderia,
E histórias que, lembradas, devolvem luz àquele dia.
(estrofe 4)
Ser irmão é reconhecer que somos diferentes,
Que nem sempre concordamos, nem pensamos igualmente,
Mas podemos construir respeito sem exigir uniformidade,
E preservar o afeto mesmo diante da diversidade.
(refrão)
GOSTO DE SER IRMÃO, COM ORGULHO DA NOSSA HISTÓRIA,
GOSTO DOS LAÇOS QUE O TEMPO CONSERVOU NA MEMÓRIA,
GOSTO DE PERTENCER A ESSA FAMÍLIA E SUA TRAJETÓRIA,
GOSTO DA FRATERNIDADE QUE TAMBÉM COMPÕE MINHA IDENTIDADE.
(estrofe 5)
Nem sempre a proximidade significa compreensão,
Às vezes, uma palavra abre feridas inesperadas,
E diferenças mal cuidadas levantam duras barreiras,
Exigindo humildade para reconstruir a relação.
(estrofe 6)
A vida espalha os irmãos por cidades e destinos,
Entre trabalhos, compromissos e novos caminhos,
Mas uma lembrança antiga pode encurtar a distância,
E reacender o sentimento guardado desde a infância.
(estrofe 7)
Há irmãos que se aproximam quando a dificuldade chega,
Que oferecem seu apoio sem perguntar o que se entrega,
E há quem demonstre afeto de um modo mais reservado,
Pois cada um tem seu jeito de sentir e ser amado.
(refrão)
GOSTO DE SER IRMÃO, MESMO QUANDO HÁ DIVERGÊNCIA,
GOSTO DE CULTIVAR O RESPEITO E A CONVIVÊNCIA,
GOSTO DE RECONHECER EM CADA UM SUA ESSÊNCIA,
GOSTO DE FAZER DO AFETO UMA ESCOLHA DE CONSCIÊNCIA.
(estrofe 8)
Com o tempo, compreendemos o que antes não se via,
Que nossos pais e ancestrais também tinham sua história,
Que cada irmão carrega sua batalha e sua memória,
E que ouvir sem julgar pode mudar o fim do dia.
(estrofe 9)
Se a distância nos separa, ainda podemos procurar,
Uma mensagem, uma visita, um convite para conversar,
Sem cobrar intimidade nem forçar reconciliação,
Pois vínculo verdadeiro também respeita a decisão.
(estrofe 10)
Hoje reconheço o valor desse pertencimento,
Sem exigir que a família seja perfeita a todo momento,
Honro os laços que me formaram e o que pude aprender,
E escolho dar à fraternidade um lugar no meu viver.
(ponte)
Lamento as vezes em que preferi me afastar,
Quando o orgulho impediu que eu tentasse compreender,
Quando deixei o tempo decidir o que eu podia resolver,
E perdi boas ocasiões de escutar, cuidar e procurar.
(refrão)
GOSTO DE SER IRMÃO, E NÃO RENEGUEI MINHAS RAÍZES,
GOSTO DAS NOSSAS MEMÓRIAS, DOS AFETOS E MATIZES,
GOSTO DE HONRAR NOSSA HISTÓRIA SEM APAGAR AS DIFERENÇAS,
GOSTO DE CULTIVAR RESPEITO, REENCONTROS E PRESENÇAS.
(refrão final)
AGORA EU ME AMO E ESCOLHO A ALEGRIA PARA VIVER,
MESMO QUANDO A TRISTEZA TIVER RAZÕES PARA APARECER,
ACOLHO AS MINHAS SAUDADES, SEM DEIXAR DE PROSSEGUIR,
GOSTO DE SER IRMÃO, GOSTO DE SER EU, GOSTO DE EXISTIR.
EXPLICAÇÃO DO TEMA
A FRATERNIDADE COMO PARTE DA IDENTIDADE
Ser irmão significa participar de uma história familiar compartilhada, na qual cada pessoa recebe experiências comuns, mas constrói uma identidade própria. Irmãos podem crescer na mesma casa e guardar lembranças muito diferentes da infância, porque cada um ocupa uma posição particular na família, atravessa fases distintas e interpreta os acontecimentos conforme sua idade, temperamento e experiências. Para um, determinada reunião familiar pode representar acolhimento; para outro, pode recordar conflitos ou sentimentos de exclusão. A psicologia do desenvolvimento e os estudos sobre relações familiares mostram que a fraternidade é influenciada por fatores como convivência, diferenças de personalidade, comparação entre filhos, distribuição de responsabilidades e mudanças nas condições de vida. Alfred Adler, em A Ciência da Natureza Humana (1927), dedicou atenção à posição da criança na família e às maneiras pelas quais as relações familiares podem participar do desenvolvimento da personalidade, embora a ordem de nascimento, isoladamente, não determine quem alguém será. Salvador Minuchin, em Families and Family Therapy (1974), analisou a família como um sistema de relações, no qual mudanças em um vínculo podem repercutir nos demais. Isso ajuda a compreender por que o nascimento de um irmão, a saída de casa, a chegada de novos familiares ou a necessidade de cuidar dos pais idosos pode alterar a dinâmica entre os filhos. O poema celebra as brincadeiras, os segredos, as memórias e as cumplicidades, mas também reconhece divergências e feridas. Gostar de ser irmão não significa afirmar que todos os irmãos são próximos, amorosos ou presentes; significa reconhecer que a experiência da fraternidade, seja marcada por proximidade, distância ou ambivalência, participa da história de quem somos. A Bíblia apresenta imagens importantes dessa complexidade. Em Gênesis 4:1-16, a narrativa de Caim e Abel expõe os perigos da inveja e da violência entre irmãos; em Gênesis 33:1-11, o reencontro de Jacó e Esaú oferece uma imagem de aproximação depois de uma história de conflito. Já o Salmo 133:1 celebra a beleza da convivência fraterna. Esses textos não descrevem uma família sem problemas, mas permitem refletir sobre responsabilidade, rivalidade, reconciliação e respeito. Assim, a fraternidade pode acrescentar à identidade o sentimento de pertencimento a algo maior do que a experiência individual, sem exigir que os irmãos sejam iguais ou que compartilhem todas as mesmas lembranças.
DIFERENÇAS, DISTÂNCIAS E POSSIBILIDADES DE REENCONTRO
A relação entre irmãos pode atravessar ciclos de proximidade e afastamento. Na infância, a convivência cotidiana talvez seja inevitável; na vida adulta, trabalho, casamento, mudanças de cidade, responsabilidades financeiras e diferenças de valores podem reduzir o contato. Às vezes, um desentendimento aparentemente pequeno se prolonga porque ninguém toma a iniciativa de conversar; em outras situações, existem mágoas profundas que não se resolvem com uma simples mensagem. Por isso, o poema não apresenta a reconciliação como obrigação nem sugere que todo vínculo deva ser retomado a qualquer custo. Ele propõe que o orgulho seja examinado, que as oportunidades de aproximação sejam valorizadas e que os limites pessoais sejam respeitados. A psicóloga Judith Rich Harris, em The Nurture Assumption (1998), discutiu a influência relativa da família e dos grupos sociais no desenvolvimento, contribuindo para questionar explicações excessivamente simples sobre como a personalidade se forma. Já Murray Bowen, em Family Therapy in Clinical Practice (1978), examinou os padrões emocionais que atravessam gerações e a maneira como a ansiedade pode circular nas relações familiares. Essas perspectivas ajudam a entender que os conflitos entre irmãos nem sempre começam apenas entre eles: podem envolver comparações feitas pelos pais, antigas disputas por reconhecimento, responsabilidades desiguais ou papéis familiares que persistem mesmo depois da infância. Um irmão pode continuar sendo tratado como “o irresponsável”, enquanto outro permanece no papel de “quem resolve tudo”, até que ambos aprendam a conversar como adultos. A tradição bíblica também oferece princípios para essa transformação: Efésios 4:2-3 recomenda humildade, mansidão, paciência e esforço pela unidade; Romanos 12:18 orienta cada pessoa a buscar a paz na medida do possível; e Mateus 5:23-24 destaca a importância de reconhecer conflitos e procurar a reconciliação. Essas passagens não autorizam apagar injustiças nem obrigam alguém a permanecer em relações prejudiciais. A paz pode exigir diálogo, pedido de desculpas, mudanças concretas ou, em alguns casos, uma distância protetora. O essencial é que a história familiar não determine automaticamente todas as escolhas futuras. Ser irmão pode significar reencontrar-se, preservar uma lembrança, oferecer ajuda possível, respeitar diferenças ou reconhecer com serenidade que certos vínculos permanecem limitados. Ao afirmar “gosto de ser irmão”, o poema não exige uma fraternidade ideal; afirma que o pertencimento, as memórias e os aprendizados podem ser acolhidos sem negar as dificuldades. E, ao terminar com o amor-próprio e a escolha da alegria, recorda que a pessoa pode cuidar dos vínculos familiares sem abandonar a própria dignidade, reconhecendo a tristeza quando ela chega e, ainda assim, mantendo aberta a possibilidade de viver com gratidão, esperança e afeto.
BIBLIOGRAFIA
ADLER, Alfred. The Science of Living. 1927.
MINUCHIN, Salvador. Families and Family Therapy. 1974.
BOWEN, Murray. Family Therapy in Clinical Practice. 1978.
HARRIS, Judith Rich. The Nurture Assumption. 1998.
CICIRELLI, Victor G. Sibling Relationships Across the Life Span. 1995.
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Pr.Psi. Jônatas David Brandão Mota... pastorado4
teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)
(estrofe 1)
Gosto de ser amigo, de oferecer minha presença,
De ouvir sem exigir que alguém esconda sua dor,
De repartir os dias, a esperança e o calor,
E descobrir que a amizade também nos recompensa.
(estrofe 2)
Alguns chegaram cedo, outros vieram depois,
Uns ficaram por décadas, outros seguiram seus destinos,
Mas deixaram ensinamentos, gestos simples e genuínos,
Que ainda vivem em mim e falam por nós dois.
(estrofe 3)
Tive amigos que me ouviram quando faltou clareza,
Que apontaram meus enganos sem ferir minha dignidade,
Que discordaram de mim, mas respeitaram minha verdade,
E me ajudaram a encontrar coragem na incerteza.
(estrofe 4)
Amizade não é aplauso nem concordância permanente,
É falar com franqueza, sem humilhar ou diminuir,
É saber acolher, aconselhar e também ouvir,
É cuidar do vínculo sem exigir que o outro seja igual à gente.
(refrão)
GOSTO DE SER AMIGO, DE ESCOLHER A LEALDADE,
GOSTO DE ESTAR PRESENTE COM RESPEITO E SINCERIDADE,
GOSTO DE QUEM CAMINHOU COMIGO E AMPLIOU MINHA VISÃO,
GOSTO DA AMIZADE QUE DEIXOU MARCAS NO MEU CORAÇÃO.
(estrofe 5)
Houve amigos que chegaram quando eu mais precisava,
Que dividiram preocupações sem pedir explicação,
Que ofereceram um conselho, uma visita, uma oração,
E fizeram muito mais do que talvez imaginavam.
(estrofe 6)
Também aprendi que os vínculos pedem reciprocidade,
Que não basta receber carinho e esquecer de retribuir,
É preciso ter iniciativa, demonstrar e contribuir,
Sem transformar o afeto em cobrança ou propriedade.
(estrofe 7)
Nem toda amizade resiste às mudanças da vida,
Há caminhos que se afastam, há contatos que se desfazem,
Há lembranças que permanecem, mesmo quando os encontros rareiam,
E gratidão por uma presença que tornou a alma mais fortalecida.
(refrão)
GOSTO DE SER AMIGO, MESMO QUANDO HÁ DIFERENÇA,
GOSTO DE CULTIVAR A CONFIANÇA E A RECIPROCIDADE,
GOSTO DE DAR AO OUTRO LIBERDADE E PRESENÇA,
GOSTO DOS LAÇOS QUE ENRIQUECEM MINHA HUMANIDADE.
(estrofe 8)
Alguns amigos me ensinaram a pensar de outro jeito,
A rever preconceitos, a reconhecer meus limites,
A não fazer das certezas muralhas ou convites
Para julgar quem sente e vive diferente do meu peito.
(estrofe 9)
Há amizades feitas de risos, conversas e celebração,
Outras se revelam nos períodos mais difíceis,
Quando os gestos mais discretos se tornam indispensáveis,
E a companhia vale mais que qualquer explicação.
(estrofe 10)
Hoje reconheço os amigos que ajudaram a me formar,
Os que seguem ao meu lado e os que guardo com carinho,
Cada encontro acrescentou algo ao meu próprio caminho,
E agradeço por ter aprendido também a cuidar.
(ponte)
Lamento as vezes em que me fechei por orgulho,
Quando deixei de procurar quem merecia atenção,
Quando confundi meu silêncio com proteção,
E perdi oportunidades de afeto por medo ou barulho.
(refrão)
GOSTO DE SER AMIGO, E ESCOLHO ASSIM CONTINUAR,
GOSTO DE DAR VALOR A QUEM COMIGO QUIS CAMINHAR,
GOSTO DE RECONHECER O BEM QUE RECEBI E POSSO OFERECER,
GOSTO DA AMIZADE QUE ME ENSINA A CRESCER.
(refrão final)
AGORA EU ME AMO E ESCOLHO A ALEGRIA PARA VIVER,
MESMO QUANDO A TRISTEZA TIVER RAZÕES PARA APARECER,
ACOLHO MINHAS EMOÇÕES, SEM DEIXAR DE PROSSEGUIR,
GOSTO DE SER AMIGO, GOSTO DE SER EU, GOSTO DE EXISTIR.
EXPLICAÇÃO DO TEMA
A AMIZADE COMO ESCOLHA, PRESENÇA E RECIPROCIDADE
A amizade é uma relação construída pela escolha, pela confiança e pela disposição de reconhecer no outro alguém que merece respeito, atenção e cuidado. Diferentemente dos vínculos familiares, que muitas vezes começam antes que possamos decidir sobre eles, a amizade costuma se desenvolver por afinidades, convivência, experiências compartilhadas e decisões renovadas ao longo do tempo. Isso não significa que seja um vínculo superficial: um amigo pode tornar-se uma referência afetiva importante, participar de momentos decisivos e contribuir profundamente para a maneira como compreendemos a nós mesmos. Aristóteles, nos livros VIII e IX da Ética a Nicômaco, distingue formas de amizade e atribui especial valor àquela em que as pessoas desejam genuinamente o bem uma da outra. Essa perspectiva ajuda a compreender por que a amizade verdadeira não se resume à utilidade, à conveniência ou ao prazer de estar junto. Um amigo pode celebrar uma conquista, oferecer companhia durante um luto, ouvir uma preocupação que ainda não conseguimos expressar com clareza ou alertar-nos quando estamos agindo de maneira prejudicial. O psicólogo Carl Rogers, em Tornar-se Pessoa (1961), destaca a importância da empatia, da autenticidade e da aceitação nas relações humanas; tais atitudes também favorecem amizades nas quais podemos falar sem medo constante de humilhação. Imagine alguém que perdeu o emprego e, em vez de receber apenas frases prontas, encontra um amigo que escuta, ajuda a organizar possibilidades e continua presente depois que a primeira preocupação passa. Esse exemplo mostra que a amizade não exige soluções extraordinárias: muitas vezes, ela se manifesta na constância, na lembrança, na disponibilidade e na sinceridade. A Bíblia também apresenta a amizade como vínculo de lealdade e apoio. Provérbios 17:17 afirma que o amigo ama em todos os momentos; Provérbios 27:9 valoriza o conselho sincero; e João 15:12-15 associa a amizade ao amor e à disposição de compartilhar a vida. Esses textos ajudam a justificar o poema quando ele celebra pessoas que chegaram, permaneceram, ensinaram e contribuíram para a construção da identidade. Ser amigo, portanto, não é apenas ter pessoas queridas: é desenvolver a capacidade de também ser alguém confiável, capaz de escutar, reconhecer erros, oferecer ajuda e respeitar a dignidade de quem caminha ao nosso lado.
AS AMIZADES QUE PERMANECEM, MUDAM OU TERMINAM
A amizade também ensina que os vínculos humanos atravessam mudanças. Alguns amigos permanecem próximos durante décadas; outros se afastam por mudança de cidade, trabalho, casamento, divergências de valores ou transformação das prioridades. Há relações que terminam depois de uma quebra de confiança, enquanto outras sobrevivem a períodos de silêncio e renascem com uma conversa sincera. Reconhecer essa diversidade é importante para não transformar a amizade em idealização nem interpretar todo afastamento como prova de fracasso pessoal. O sociólogo Robert D. Putnam, em Bowling Alone (2000), discute a importância das redes de participação e dos vínculos sociais para a vida coletiva; o psicólogo Robin Dunbar, em Friends: Understanding the Power of Our Most Important Relationships (2021), examina a relevância das amizades e os limites de tempo e atenção envolvidos em sua manutenção. Essas contribuições ajudam a perceber que os relacionamentos precisam de investimento, mas também convivem com limitações reais. Uma mensagem enviada espontaneamente, uma visita combinada, um pedido de desculpas ou o reconhecimento de uma ausência podem fortalecer um vínculo. Por outro lado, insistir numa relação marcada por desrespeito, manipulação ou violência não é uma obrigação moral. Romanos 12:18 recomenda buscar a paz com todos “se possível” e “quanto depender” de cada pessoa, reconhecendo implicitamente que nem toda reconciliação depende de uma única parte. Efésios 4:15 valoriza a verdade acompanhada de amor, e Provérbios 27:6 lembra que a correção sincera de um amigo pode ser mais valiosa do que demonstrações enganosas de afeto. Por isso, o poema afirma que amizade não significa concordância permanente: amigos podem discordar, apontar erros e preservar o respeito. A ponte reconhece os momentos em que o orgulho, o medo ou o silêncio impediram a aproximação, sem transformar o arrependimento em condenação de si mesmo. A pessoa madura aprende a procurar quem deseja manter por perto, a oferecer reciprocidade e a aceitar que algumas relações cumprem seu ciclo. Também aprende a agradecer pelos amigos que já não estão presentes, pois uma amizade pode deixar marcas positivas mesmo depois do fim da convivência. O refrão final amplia essa compreensão: amar a si mesmo e escolher a alegria não significa nunca sentir solidão ou tristeza, mas não permitir que essas emoções apaguem a capacidade de criar novos vínculos. Gostar de ser amigo é reconhecer o bem que recebemos, assumir a responsabilidade pelo bem que oferecemos e continuar disponível para relações construídas com liberdade, sinceridade, respeito e afeto.
BIBLIOGRAFIA
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Século IV a.C.
ROGERS, Carl R. Tornar-se Pessoa. 1961.
PUTNAM, Robert D. Bowling Alone: The Collapse and Revival of American Community. 2000.
DUNBAR, Robin. Friends: Understanding the Power of Our Most Important Relationships. 2021.
LEWIS, C. S. Os Quatro Amores. 1960.
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Pr.Psi. Jônatas David Brandão Mota... pastorado4
teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)
(estrofe 1)
Gosto de ser colega, de encontrar gente diferente,
De dividir experiências, aprender continuamente,
De oferecer o que sei, receber nova lição,
E fazer da convivência uma troca de construção.
(estrofe 2)
No trabalho, cada encontro traz um jeito de pensar,
Há talentos, experiências, outros modos de realizar,
Quando escuto sem preconceito e procuro compreender,
Descubro novas possibilidades de aprender e crescer.
(estrofe 3)
Na igreja, nos projetos, na academia e na cidade,
Encontro gente que transforma a rotina em oportunidade,
Cada pessoa traz histórias, conhecimentos e valores,
E a convivência abre espaço para novos saberes.
(estrofe 4)
Ser colega é cooperar sem querer aparecer,
É cumprir a minha parte e ajudar o outro a crescer,
É reconhecer o mérito sem diminuir ninguém,
É fazer do respeito uma prática para o bem.
(refrão)
GOSTO DE SER COLEGA, DE APRENDER E CONTRIBUIR,
GOSTO DE ESTAR ENTRE PESSOAS E COM ELAS EVOLUIR,
GOSTO DE OFERECER MEU TRABALHO COM RESPONSABILIDADE,
GOSTO DE CONSTRUIR RELAÇÕES COM RESPEITO E DIGNIDADE.
(estrofe 5)
Nem sempre as opiniões encontram concordância,
Há conflitos, cobranças, diferenças de importância,
Mas posso argumentar sem ferir a consideração,
E procurar saídas que respeitem cada posição.
(estrofe 6)
Há colegas que ensinam pelo exemplo cotidiano,
Que cumprem seus compromissos e estendem a mão,
Que admitem seus limites e corrigem um engano,
E demonstram que competência também exige coração.
(estrofe 7)
Aprendi que a experiência de ninguém é descartável,
Que uma pergunta sincera pode tornar tudo mais claro,
Que um elogio merecido tem um valor admirável,
E que o reconhecimento torna o ambiente menos árido.
(refrão)
GOSTO DE SER COLEGA, COM FRANQUEZA E HUMILDADE,
GOSTO DE RECONHECER O VALOR DA DIVERSIDADE,
GOSTO DE DISCORDAR SEM TRANSFORMAR O OUTRO EM ADVERSÁRIO,
GOSTO DE FAZER DO RESPEITO UM COMPROMISSO DIÁRIO.
(estrofe 8)
Em cada equipe, descubro que ninguém faz tudo sozinho,
Há quem organize os planos, quem execute com cuidado,
Quem perceba um risco oculto, quem encontre outro caminho,
E o resultado ganha força quando cada um é valorizado.
(estrofe 9)
Não preciso ser o centro para ter participação,
Nem competir o tempo inteiro para provar competência,
Posso dividir conquistas, oferecer colaboração,
E reconhecer que o coletivo também amplia minha experiência.
(estrofe 10)
Hoje guardo com carinho quem cruzou meu percurso,
Quem me fez rever ideias, aprimorar meu compromisso,
Cada convivência acrescentou conhecimento ao meu curso,
E eu também deixei algo de mim em cada serviço.
(ponte)
Lamento as vezes em que me fechei à diferença,
Quando deixei o orgulho impedir a cooperação,
Quando julguei depressa, sem escutar com paciência,
E perdi a oportunidade de ampliar minha compreensão.
(refrão)
GOSTO DE SER COLEGA, E ESCOLHO ASSIM CONTINUAR,
GOSTO DE APRENDER COM AS PESSOAS QUE VOU ENCONTRAR,
GOSTO DE CONTRIBUIR SEM PRECISAR ME SOBRESSAIR,
GOSTO DE FAZER DA CONVIVÊNCIA UMA FORMA DE EVOLUIR.
(refrão final)
AGORA EU ME AMO E ESCOLHO A ALEGRIA PARA VIVER,
MESMO QUANDO A TRISTEZA TIVER RAZÕES PARA APARECER,
ACOLHO O QUE SINTO, SEM DEIXAR DE PROSSEGUIR,
GOSTO DE SER COLEGA, GOSTO DE SER EU, GOSTO DE EXISTIR.
EXPLICAÇÃO DO TEMA
A CONVIVÊNCIA COMO OPORTUNIDADE DE APRENDER
Ser colega é reconhecer que a vida cotidiana nos coloca em contato com pessoas que possuem experiências, competências, valores, histórias e maneiras de pensar diferentes das nossas. Essas relações aparecem no trabalho, na igreja, na academia, nos estudos, nos projetos sociais e na participação pública. Nem sempre existe intimidade entre colegas, como pode acontecer numa amizade, mas isso não impede que a convivência seja respeitosa, produtiva e significativa. Cada encontro oferece a possibilidade de aprender alguma coisa: um profissional experiente pode ensinar uma técnica; uma pessoa mais jovem pode apresentar uma ferramenta desconhecida; alguém com uma opinião diferente pode revelar um aspecto de um problema que ainda não havíamos percebido. Na obra Tornar-se Pessoa (1961), Carl Rogers valoriza a escuta, a autenticidade e a abertura à experiência como elementos importantes das relações humanas. A contribuição de Kurt Lewin para a psicologia social também ajuda a compreender que o comportamento se desenvolve em interação com o ambiente e com os grupos dos quais participamos. No cotidiano, isso significa que um bom colega não precisa saber tudo nem concordar com todos: precisa estar disposto a colaborar, compartilhar conhecimentos, reconhecer erros e respeitar a dignidade alheia. Imagine uma equipe que enfrenta um prazo difícil. Se cada integrante esconder informações para obter reconhecimento individual, o trabalho tende a ficar mais vulnerável; se todos comunicarem dificuldades, dividirem responsabilidades e valorizarem as competências uns dos outros, aumentam as possibilidades de encontrar uma solução adequada. A Bíblia oferece princípios compatíveis com essa compreensão. Em Romanos 12:4-8, Paulo apresenta a comunidade como um corpo com diferentes funções e capacidades; em 1 Coríntios 12:14-26, ressalta que nenhuma parte deve considerar-se dispensável ou superior às demais; e em Filipenses 2:3-4 recomenda humildade e atenção aos interesses dos outros. Esses textos, aplicados à convivência profissional e comunitária, não exigem que todos desempenhem a mesma função, mas convidam ao reconhecimento da contribuição específica de cada pessoa. O poema celebra, assim, a alegria de participar de grupos sem precisar ocupar o centro das atenções. Gostar de ser colega é compreender que também crescemos quando ensinamos, que podemos aprender com quem pensa de modo diferente e que o valor de uma pessoa não depende de estar sempre em evidência.
COOPERAÇÃO, RESPEITO E RESPONSABILIDADE
A convivência entre colegas também envolve dificuldades concretas: competição, diferenças de temperamento, distribuição desigual de tarefas, falhas de comunicação, disputas por reconhecimento e conflitos de opinião. Por isso, valorizar a coleguismo não significa idealizar os ambientes de trabalho ou acreditar que a cordialidade resolverá todos os problemas. É necessário estabelecer responsabilidades claras, cumprir acordos, reconhecer contribuições e abordar divergências sem humilhação. Em The Human Side of Enterprise (1960), Douglas McGregor discute concepções de gestão e de comportamento humano que influenciam a maneira como organizações tratam seus integrantes. Amy Edmondson, em The Fearless Organization (2018), examina a segurança psicológica — a possibilidade de fazer perguntas, admitir erros e apresentar preocupações sem medo desproporcional de punição ou constrangimento — como um fator importante para a aprendizagem coletiva. Um exemplo simples é o de um colega que percebe um erro num relatório. Em vez de expor o responsável ao ridículo, pode explicar o problema, indicar seus efeitos e colaborar na correção. Isso não significa esconder falhas nem abandonar a responsabilidade; significa tratar o erro como algo a ser enfrentado com seriedade e respeito. A mesma postura vale para igrejas, associações, projetos sociais e espaços de participação pública, nos quais pessoas com objetivos comuns podem discordar sobre métodos, prioridades e decisões. A orientação de Efésios 4:25-32 destaca a verdade, a edificação das palavras, a bondade e o perdão; Romanos 12:18 recomenda buscar a paz na medida do possível; e Mateus 7:12 convida a tratar os outros como gostaríamos de ser tratados. Esses princípios não obrigam ninguém a aceitar abusos, tolerar discriminação ou encobrir injustiças: respeito também exige limites, transparência e responsabilidade. A ponte do poema reconhece que, em certas ocasiões, o orgulho e os julgamentos apressados podem impedir a cooperação, mas o arrependimento pode transformar-se em mudança prática, como ouvir antes de concluir, pedir desculpas quando necessário e dar crédito a quem contribuiu. Por fim, o refrão sobre o amor-próprio amplia o sentido do tema: uma pessoa pode buscar relações respeitosas sem depender da aprovação de todos. Escolher a alegria não é negar conflitos, injustiças ou tristezas justificáveis; é preservar a capacidade de aprender, colaborar e encontrar sentido na convivência, mesmo quando nem todas as experiências são agradáveis. Gostar de ser colega, portanto, é celebrar a própria participação no mundo compartilhado e procurar deixar nos ambientes por onde passa uma contribuição honesta, respeitosa e útil.
BIBLIOGRAFIA
ROGERS, Carl R. Tornar-se Pessoa. 1961.
LEWIN, Kurt. Resolving Social Conflicts: Selected Papers on Group Dynamics. 1948.
MCGREGOR, Douglas. The Human Side of Enterprise. 1960.
EDMONDSON, Amy C. The Fearless Organization. 2018.
SENGE, Peter M. A Quinta Disciplina: Arte e Prática da Organização que Aprende. 1990.
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Pr.Psi. Jônatas David Brandão Mota... pastorado4
teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)
(estrofe 1)
Gosto de pensar a mente e investigar o pensamento,
De compreender as emoções que orientam cada ação,
De procurar nas experiências as raízes da reação,
E descobrir como nos transformamos a cada momento.
(estrofe 2)
Por que certas palavras despertam tanta ansiedade?
Por que algumas lembranças ainda provocam sofrimento?
Como uma crença pode alterar nosso comportamento?
Pensar psicologia é buscar respostas com responsabilidade.
(estrofe 3)
Aprendo que nem todo medo anuncia um perigo,
Que a tristeza nem sempre representa enfermidade,
Que escutar sem julgar pode devolver tranquilidade,
E que compreender alguém é caminhar sem ser inimigo.
(estrofe 4)
Observo como a infância influencia o presente,
Como hábitos e pensamentos podem se modificar,
Como a pessoa aprende novas formas de interpretar,
E como o acolhimento transforma o olhar da gente.
(refrão)
GOSTO DE PENSAR PSICOLOGIA, DE ESTUDAR O SER HUMANO,
DE BUSCAR COM CIÊNCIA O QUE EXPLICA O COTIDIANO,
DE UNIR ESCUTA E CONHECIMENTO PARA MELHOR COMPREENDER,
E DE FAZER DO QUE APRENDO UMA MANEIRA DE ACOLHER.
(estrofe 5)
Não tomo uma hipótese como verdade definitiva,
Nem reduzo uma pessoa a um rótulo ou diagnóstico,
Procuro evidências, contexto e um olhar mais criterioso,
Pois a história de cada um é complexa e sempre viva.
(estrofe 6)
A psicologia me ensina a questionar minhas certezas,
A perceber meus limites e rever minha interpretação,
A distinguir o que é fato do que é suposição,
E a reconhecer a dignidade presente nas diferenças.
(estrofe 7)
Cada escuta pode revelar uma experiência singular,
Uma dor que se esconde por trás de uma aparente firmeza,
Uma coragem silenciosa, uma esperança ou incerteza,
E a importância de acolher antes de aconselhar.
(refrão)
GOSTO DE PENSAR PSICOLOGIA, COM RIGOR E HUMANIDADE,
GOSTO DE INVESTIGAR SEM PERDER A SENSIBILIDADE,
GOSTO DE RESPEITAR CADA HISTÓRIA E SUA COMPLEXIDADE,
GOSTO DE APRENDER PARA SERVIR COM RESPONSABILIDADE.
(estrofe 8)
Vejo pensamentos que alimentam a preocupação,
Há interpretações que aumentam ou aliviam o temor,
E novas perspectivas podem abrir espaço para o valor
De escolher respostas mais saudáveis diante da situação.
(estrofe 9)
Não prometo eliminar as dores que a vida traz,
Nem digo que basta querer para vencer qualquer ferida,
Mas acredito que apoio e compreensão fortalecem a vida,
E que pequenas mudanças podem construir mais paz.
(estrofe 10)
Gosto de estudar aquilo que nos faz sofrer e florescer,
De aproximar teoria e prática, pesquisa e realidade,
De aprender com humildade e reconhecer a diversidade,
E de crescer como pessoa enquanto procuro compreender.
(ponte)
Lamento as vezes em que deixei de questionar,
Quando julguei depressa sem procurar entender,
Quando me faltou coragem para escutar e aprender,
E permiti que velhas certezas me impedissem de mudar.
(refrão)
GOSTO DE PENSAR PSICOLOGIA, E QUERO APROFUNDAR,
GOSTO DE UNIR CONHECIMENTO E ESCUTA PARA CUIDAR,
GOSTO DE REVER MINHAS IDEIAS E CONTINUAR A APRENDER,
GOSTO DE COMPREENDER A VIDA E AJUDAR A FLORESCER.
(refrão final)
AGORA EU ME AMO E ESCOLHO A ALEGRIA PARA VIVER,
MESMO QUANDO A TRISTEZA TIVER RAZÕES PARA APARECER,
ACOLHO MINHAS EMOÇÕES, SEM DEIXAR DE PROSSEGUIR,
GOSTO DE PENSAR PSICOLOGIA, GOSTO DE SER EU, GOSTO DE EXISTIR.
EXPLICAÇÃO DO TEMA
COMPREENDER A MENTE É AMPLIAR A COMPREENSÃO DA VIDA
Gostar de pensar psicologia é cultivar o interesse pela maneira como as pessoas percebem o mundo, interpretam experiências, desenvolvem sentimentos, constroem vínculos e escolhem comportamentos. É procurar compreender por que uma crítica provoca vergonha em alguém e motivação em outra pessoa; por que uma lembrança desperta saudade num dia e sofrimento em outro; ou por que duas pessoas, diante da mesma dificuldade, encontram respostas tão diferentes. A psicologia científica não oferece uma explicação única para toda a complexidade humana. Ela reúne diferentes abordagens, métodos de investigação e evidências para estudar processos cognitivos, emocionais, sociais e comportamentais. Aaron Beck, em Cognitive Therapy and the Emotional Disorders (1976), demonstrou a importância de examinar a relação entre interpretações, emoções e comportamentos na terapia cognitiva. Por exemplo, diante de uma mensagem sem resposta, alguém pode pensar imediatamente: “Essa pessoa está zangada comigo”; sentir ansiedade e enviar várias mensagens; ou considerar outras possibilidades, esperar e perguntar com tranquilidade quando houver oportunidade. A situação é semelhante, mas a interpretação pode influenciar a emoção e a reação. Isso não significa que todo sofrimento seja causado pelo pensamento, nem que basta pensar positivamente para resolver problemas. Condições físicas, relações sociais, experiências traumáticas, dificuldades materiais e circunstâncias ambientais também influenciam a saúde psicológica. Carl Rogers, em Tornar-se Pessoa (1961), valorizou a escuta empática, a autenticidade e a aceitação como elementos importantes das relações de ajuda. Viktor Frankl, em Em Busca de Sentido (1946), refletiu sobre a possibilidade de encontrar significado mesmo em circunstâncias dolorosas, sem negar a gravidade do sofrimento. Na Bíblia, Provérbios 18:13 adverte contra responder antes de ouvir, enquanto Tiago 1:19 recomenda prontidão para ouvir e cautela ao falar e se irar. Esses princípios não substituem métodos científicos, mas dialogam com a importância de escutar antes de interpretar, compreender antes de julgar e reconhecer a singularidade de cada pessoa. O poema celebra, portanto, a psicologia como campo de conhecimento e como convite permanente à curiosidade, à humildade intelectual e à compreensão responsável da experiência humana.
CIÊNCIA, ESCUTA E RESPONSABILIDADE NO CUIDADO HUMANO
Pensar psicologia também exige reconhecer os limites do próprio conhecimento e a responsabilidade envolvida ao lidar com o sofrimento de outra pessoa. Uma explicação aparentemente convincente não deve ser confundida automaticamente com uma conclusão comprovada; uma reação isolada não basta para definir a personalidade; e um diagnóstico exige avaliação apropriada, não simples observação ou impressão. A psicologia contemporânea utiliza pesquisas, instrumentos de avaliação, teorias e práticas clínicas que precisam ser examinados criticamente, considerando a qualidade das evidências, o contexto e as características individuais. Em Science and Human Behavior (1953), B. F. Skinner investigou as relações entre comportamento e ambiente, contribuindo para o desenvolvimento da análise do comportamento. Em The Principles of Psychology (1890), William James abordou processos mentais e a experiência humana, influenciando a história da disciplina. Essas tradições diferem em conceitos e métodos, lembrando que a psicologia é plural e que suas abordagens não devem ser tratadas como se fossem idênticas. Na prática, compreender alguém pode significar perceber que uma pessoa irritada está sobrecarregada, que alguém muito silencioso está receoso de ser criticado ou que uma pessoa aparentemente confiante enfrenta dúvidas que não consegue compartilhar. Essas possibilidades precisam ser investigadas com cuidado, não presumidas como verdades. A escuta respeitosa não consiste em concordar com tudo, mas em oferecer condições para que a pessoa expresse sua experiência e examine alternativas sem humilhação. A Bíblia apresenta imagens que podem inspirar essa postura: em Jó 2:11-13, os amigos de Jó inicialmente permanecem com ele em silêncio diante de sua dor; em João 11:33-36, Jesus se comove e chora diante do sofrimento provocado pela morte de Lázaro; e Gálatas 6:2 recomenda levar os fardos uns dos outros. Essas passagens permitem refletir sobre a presença e a compaixão, sem transformar a fé em substituta de cuidados profissionais quando eles são necessários. O poema também recusa a promessa de que toda dor pode ser eliminada pela força de vontade. Algumas dificuldades requerem psicoterapia, acompanhamento médico, mudanças nas condições de vida, apoio comunitário ou uma combinação desses recursos. Gostar de pensar psicologia é aceitar que sempre haverá algo novo a aprender, reconhecer os próprios preconceitos e buscar formas mais cuidadosas de compreender e ajudar. A ponte representa o arrependimento por ocasiões em que o julgamento precipitado substituiu a curiosidade; o refrão final, por sua vez, recorda que quem se dedica a compreender os outros também precisa acolher as próprias emoções. A alegria não depende de negar tristezas justificáveis, mas de construir uma relação consigo mesmo na qual a dor possa ser reconhecida sem se tornar a definição inteira da existência.
BIBLIOGRAFIA
JAMES, William. The Principles of Psychology. 1890.
SKINNER, B. F. Science and Human Behavior. 1953.
ROGERS, Carl R. Tornar-se Pessoa. 1961.
BECK, Aaron T. Cognitive Therapy and the Emotional Disorders. 1976.
FRANKL, Viktor E. Em Busca de Sentido. 1946.
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Pr.Psi. Jônatas David Brandão Mota... pastorado4
teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)
(estrofe 1)
Gosto de estudar a alma humana e seus caminhos,
Os sonhos que florescem, os medos escondidos,
As dores que se calam nos corações sozinhos,
E os gritos que se abrigam nos gestos contidos.
(estrofe 2)
Quero entender por que alguém teme a mudança,
Por que uma antiga queda ainda causa aflição,
Como a infância pode alimentar desconfiança,
E como um novo encontro transforma a percepção.
(estrofe 3)
Investigo os pensamentos, as crenças e os desejos,
As escolhas que nos elevam ou nos fazem recuar,
Os ressentimentos antigos, os silenciosos receios,
E as forças que despertam quando alguém decide mudar.
(estrofe 4)
Observo que uma lágrima nem sempre é só tristeza,
Que a raiva pode esconder uma ferida a latejar,
Que o medo, às vezes, veste a roupa da certeza,
E que escutar sem julgar também ensina a cuidar.
(refrão)
GOSTO DE ESTUDAR A ALMA HUMANA, SUA HISTÓRIA E SEU VALOR,
QUERO DESVENDAR SEUS CONFLITOS COM RESPEITO E COM AMOR,
CADA VIDA TEM CAMINHOS QUE MERECEM COMPREENSÃO,
E NINGUÉM SE RESUME À DOR QUE CARREGA NO CORAÇÃO.
(estrofe 5)
Há quem construa muralhas para evitar nova ferida,
Há quem sorria por fora e chore sem testemunha,
Há quem procure no trabalho uma razão para a vida,
E quem, por medo de perder, se feche e se enclausure.
(estrofe 6)
As crenças são lentes pelas quais vemos o mundo,
Podem abrir horizontes ou estreitar nossa visão,
Um pensamento repetido pode parecer tão profundo,
Mesmo quando alimenta a culpa, a vergonha e a limitação.
(estrofe 7)
Estudar a mente exige humildade e paciência,
Pois cada pessoa é mais que um rótulo ou diagnóstico,
É preciso unir escuta, conhecimento e consciência,
Sem fazer de uma hipótese um veredito definitivo.
(refrão)
GOSTO DE ESTUDAR A ALMA HUMANA, SUA HISTÓRIA E SEU VALOR,
QUERO DESVENDAR SEUS CONFLITOS COM RESPEITO E COM AMOR,
CADA VIDA TEM CAMINHOS QUE MERECEM COMPREENSÃO,
E NINGUÉM SE RESUME À DOR QUE CARREGA NO CORAÇÃO.
(estrofe 8)
A transformação começa quando alguém se reconhece,
Percebe os próprios padrões e aprende a questionar,
Descobre que uma ideia não é verdade que não perece,
E ensaia novas respostas para melhor se relacionar.
(estrofe 9)
Não posso apagar o ontem nem prometer dias perfeitos,
Mas posso abrir espaço para escolhas mais conscientes,
Rever antigas certezas, corrigir rumos e conceitos,
E construir outros hábitos, mais saudáveis e coerentes.
(estrofe 10)
Estudo a alma humana sem pretender dominá-la,
Cada história é um universo que merece dignidade,
A ciência oferece mapas, mas ninguém pode aprisioná-la
Num esquema que desconsidere sua inteira humanidade.
(ponte)
Lamento as tantas vezes em que deixei de perguntar,
Em que temi os sentimentos que eu precisava acolher,
Em que fechei os olhos quando podia escutar,
E adiei o aprendizado que me ajudaria a crescer.
(refrão)
GOSTO DE ESTUDAR A ALMA HUMANA, SUA HISTÓRIA E SEU VALOR,
QUERO DESVENDAR SEUS CONFLITOS COM RESPEITO E COM AMOR,
CADA VIDA TEM CAMINHOS QUE MERECEM COMPREENSÃO,
E NINGUÉM SE RESUME À DOR QUE CARREGA NO CORAÇÃO.
(refrão final)
AGORA EU ME AMO E ESCOLHO A ALEGRIA PARA VIVER,
MESMO QUANDO A TRISTEZA TEM RAZÕES PARA APARECER,
ACOLHO O QUE SINTO E SIGO, SEM DEIXAR DE FLORESCER,
GOSTO DE APRENDER COM A VIDA, GOSTO DE SER E CRESCER.
COMPREENDER É ENXERGAR ALÉM DAS APARÊNCIAS
Estudar a alma humana é cultivar uma curiosidade respeitosa sobre aquilo que move as pessoas: pensamentos, emoções, lembranças, crenças, necessidades, escolhas e relações. Não significa imaginar que podemos conhecer inteiramente alguém, explicar toda a sua história ou descobrir uma causa única para cada comportamento. Significa reconhecer que aquilo que vemos por fora nem sempre revela o que acontece por dentro. Uma pessoa que reage com irritação pode estar com medo de ser humilhada; alguém que evita relacionamentos pode ter aprendido, em experiências anteriores, a associar proximidade com sofrimento; outra pessoa pode trabalhar excessivamente porque acredita que só merece amor quando demonstra utilidade. Essas possibilidades não são conclusões automáticas: precisam ser investigadas com escuta, contexto e cuidado. Carl Rogers, em Tornar-se Pessoa, destaca a importância de uma relação de compreensão e aceitação para o desenvolvimento pessoal; Viktor Frankl, em Em Busca de Sentido, reflete sobre a busca de significado mesmo diante do sofrimento; e Aaron Beck demonstra como pensamentos e interpretações influenciam emoções e comportamentos. A Bíblia também oferece imagens relevantes para essa investigação. Em Provérbios 20:5, os propósitos do coração são comparados a águas profundas que alguém sábio procura trazer à superfície. Em Tiago 1:19, encontramos o conselho de estar pronto para ouvir e ser lento para falar e se irar. E, nos encontros de Jesus com pessoas feridas, como a mulher samaritana em João 4 e o homem cego em João 9, vemos histórias que não podem ser compreendidas adequadamente apenas pelas aparências ou pelos julgamentos da comunidade. O estudo da alma humana começa, portanto, quando substituímos a pressa de condenar pela disposição de compreender, sem abandonar o discernimento nem a responsabilidade.
CONHECIMENTO, TRANSFORMAÇÃO E ESPERANÇA
A curiosidade sobre o ser humano também pode tornar-se um caminho de transformação pessoal. Quando alguém percebe que costuma interpretar uma discordância como rejeição, por exemplo, pode aprender a verificar os fatos antes de concluir que não é amado. Quem se culpa por qualquer problema familiar pode examinar quais responsabilidades realmente lhe pertencem, em vez de assumir sozinho o peso de todos. Quem evita tentar algo novo por medo do fracasso pode começar com pequenos passos, desenvolvendo habilidades e revendo suas expectativas. Na perspectiva da Psicologia de Comandos, que você vem desenvolvendo, esses processos podem ser descritos metaforicamente como a identificação e a revisão de comandos aprendidos: frases interiores, crenças, hábitos e reações que, repetidos ao longo do tempo, passam a orientar a vida. Essa linguagem pode ser útil como modelo de reflexão, desde que não seja confundida com uma descrição literal e definitivamente comprovada de todo o funcionamento cerebral. A psicologia científica oferece diferentes instrumentos para compreender e modificar padrões, enquanto a história de cada pessoa, suas relações, sua cultura e suas condições de vida precisam ser consideradas. Também é importante reconhecer que nem todo sofrimento desaparece apenas pela mudança de pensamento; às vezes, é necessário buscar psicoterapia, avaliação médica, proteção diante de situações abusivas ou apoio social. A esperança cristã pode contribuir para esse percurso quando inspira misericórdia, responsabilidade e renovação, sem transformar a dor em culpa espiritual. Romanos 12:2 convida à transformação pela renovação da mente; Gálatas 6:2 recomenda que se levem os fardos uns dos outros; e João 11:33-36 apresenta Jesus profundamente comovido diante do luto de pessoas queridas. Assim, estudar a alma humana é também aprender a respeitar limites, acolher lágrimas, reconhecer possibilidades e celebrar mudanças reais. Não precisamos conhecer todos os mistérios da existência para ajudar alguém a viver melhor: precisamos continuar aprendendo, escutando com honestidade e tratando cada vida como digna de cuidado.
BIBLIOGRAFIA
JAMES, William. The Principles of Psychology. 1890.
ROGERS, Carl R. Tornar-se Pessoa (On Becoming a Person). 1961.
BECK, Aaron T. Cognitive Therapy and the Emotional Disorders. 1976.
FRANKL, Viktor E. Em Busca de Sentido (Man’s Search for Meaning). 1946.
GOLEMAN, Daniel. Inteligência Emocional (Emotional Intelligence). 1995.
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Pr.Psi. Jônatas David Brandão Mota... pastorado4
teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)
(estrofe 1)
Gosto de pensar em Deus, sem medo de perguntar,
De buscar no mistério razões para acreditar,
De examinar a fé que aprendi desde menino,
E encontrar novas perguntas no percurso do destino.
(estrofe 2)
Não quero apenas ecos repetindo o que escutei,
Quero compreender as crenças e o caminho que trilhei,
Separar o medo imposto da esperança que liberta,
E manter minha consciência para a verdade sempre aberta.
(estrofe 3)
Em Jesus encontro o rosto que me ensina a compaixão,
A acolher quem foi ferido, sem desprezo ou exclusão,
Vejo amor que serve ao próximo, sem buscar superioridade,
E uma fé que ganha sentido quando pratica a bondade.
(estrofe 4)
Leio a Bíblia com respeito, sem deixar de refletir,
Pois um texto pede contexto para melhor se compreender,
E a palavra que interpreta também pode confundir,
Se eu abandonar a consciência e o amor para obedecer.
(refrão)
GOSTO DE FAZER TEOLOGIA, PERGUNTAR E REFLETIR,
BUSCAR DEUS COM A MENTE ABERTA, SEM DEIXAR DE OUVIR,
TER EM JESUS MEU CRITÉRIO DE BONDADE E DE VERDADE,
E FAZER DA FÉ UM CAMINHO DE AMOR E LIBERDADE.
(estrofe 5)
Há quem encontre na oração coragem para atravessar,
Uma perda, uma doença, uma noite sem luar,
Há quem ache na comunidade um ombro e um abrigo,
E quem volte a ter esperança ao descobrir que não está sozinho.
(estrofe 6)
Mas a fé também exige que eu examine a tradição,
Pois nem tudo o que é antigo traz justiça ou compaixão,
Uma doutrina pode erguer-se com aparência de santidade,
E esconder, por trás do púlpito, o desprezo à humanidade.
(estrofe 7)
Fazer teologia é ouvir a pergunta e a experiência,
É unir estudo, humildade, responsabilidade e consciência,
É reconhecer que eu posso interpretar e me enganar,
E deixar que o amor me ajude a rever e caminhar.
(refrão)
GOSTO DE FAZER TEOLOGIA, PERGUNTAR E REFLETIR,
BUSCAR DEUS COM A MENTE ABERTA, SEM DEIXAR DE OUVIR,
TER EM JESUS MEU CRITÉRIO DE BONDADE E DE VERDADE,
E FAZER DA FÉ UM CAMINHO DE AMOR E LIBERDADE.
(estrofe 8)
Não confundo a voz de Deus com todo discurso religioso,
Nem considero santo o gesto autoritário e orgulhoso,
A mensagem ganha força quando ampara quem caiu,
Quando cura a indiferença e devolve a quem sofreu o que perdeu.
(estrofe 9)
A filosofia me ajuda a examinar cada argumento,
A história mostra mudanças no correr do tempo,
A ciência faz perguntas sobre o mundo e o viver,
E a espiritualidade me convida a cuidar do meu ser.
(estrofe 10)
Quero uma fé que enfrente as dúvidas com serenidade,
Que não tema a pergunta nem negocie a dignidade,
Que transforme o conhecimento em serviço e acolhimento,
E faça do amor vivido seu mais convincente argumento.
(ponte)
Lamento as vezes em que temi pensar e perguntar,
Em que aceitei respostas sem coragem de examinar,
Em que confundi silêncio com virtude e submissão,
E deixei de buscar sentido com a mente e o coração.
(refrão)
GOSTO DE FAZER TEOLOGIA, PERGUNTAR E REFLETIR,
BUSCAR DEUS COM A MENTE ABERTA, SEM DEIXAR DE OUVIR,
TER EM JESUS MEU CRITÉRIO DE BONDADE E DE VERDADE,
E FAZER DA FÉ UM CAMINHO DE AMOR E LIBERDADE.
(refrão final)
AGORA EU ME AMO E ESCOLHO A ALEGRIA PARA VIVER,
MESMO QUANDO A TRISTEZA TEM RAZÕES PARA APARECER,
ACOLHO MINHAS PERGUNTAS, SEM DEIXAR DE FLORESCER,
GOSTO DE FAZER TEOLOGIA E DE APRENDER A SER.
PENSAR A FÉ SEM ABANDONAR A HUMILDADE
Fazer teologia é refletir de maneira cuidadosa sobre Deus, Jesus, a Bíblia, a fé, a espiritualidade e as experiências religiosas, examinando como as pessoas interpretam o sagrado e como essas interpretações influenciam suas escolhas. Não se trata apenas de repetir doutrinas recebidas, mas de investigar suas origens, seus sentidos, suas consequências e sua coerência com os valores que professam. Por exemplo, diante de uma afirmação religiosa que apresenta o sofrimento como castigo divino, o pensamento teológico pode perguntar: que fundamento sustenta essa interpretação? Ela considera a complexidade da vida? Produz compaixão ou aumenta a culpa de quem já está sofrendo? A história da teologia mostra que as comunidades cristãs interpretaram as Escrituras em diferentes contextos históricos, filosóficos e culturais. Em A Teologia Cristã, Alister E. McGrath apresenta caminhos importantes para compreender o desenvolvimento das ideias cristãs; em A Interpretação das Culturas, Clifford Geertz ajuda a perceber como os sistemas simbólicos participam da construção do significado humano. A reflexão teológica também pode dialogar com a filosofia, a história, as ciências e a experiência pessoal, sem confundir seus métodos ou tratar todas as perguntas como se tivessem respostas simples. Na perspectiva que inspira este poema, Jesus ocupa o centro do discernimento: seus gestos de acolhimento, sua atenção aos marginalizados, sua crítica à hipocrisia e seu mandamento do amor tornam-se critérios para avaliar interpretações religiosas. Em Mateus 7:16, Jesus ensina que as pessoas são reconhecidas pelos frutos; em Mateus 22:37-40, relaciona o amor a Deus ao amor ao próximo; e, em João 13:34-35, apresenta o amor mútuo como sinal distintivo de seus discípulos. Fazer teologia, assim, é buscar compreensão sem transformar a própria interpretação em verdade incontestável, mantendo a disposição de aprender, corrigir-se e reconhecer a dignidade de quem pensa de maneira diferente.
JESUS, ESCRITURAS E RESPONSABILIDADE HUMANA
A reflexão teológica torna-se especialmente importante quando precisamos discernir entre uma tradição que promove a vida e uma interpretação que pode justificar medo, exclusão ou abuso de autoridade. Uma pessoa pode ouvir que precisa suportar qualquer violência para provar sua fé; outra pode ser levada a acreditar que uma doença revela falta de espiritualidade; alguém pode sentir que fazer perguntas é sinal de rebeldia contra Deus. Fazer teologia com responsabilidade exige examinar essas conclusões, considerar seu contexto e avaliar seus efeitos sobre pessoas concretas. A Bíblia contém diferentes gêneros literários, vozes, contextos e formas de expressar a experiência religiosa; por isso, interpretá-la exige mais do que retirar frases isoladas e transformá-las em regras universais. Em A Leitura Infinita, José Tolentino Mendonça reflete sobre a leitura bíblica como experiência aberta de interpretação, enquanto Paul Tillich, em Teologia Sistemática, examina as relações entre fé, cultura e pensamento. A reflexão não elimina a fé: pode aprofundá-la, tornando-a mais consciente e responsável. Romanos 12:2 convida à renovação da mente; Atos 17:11 elogia a disposição de examinar cuidadosamente o que era anunciado; e Marcos 2:27 apresenta Jesus afirmando que o sábado foi feito para o ser humano, e não o ser humano para o sábado. Essas passagens oferecem pontos de partida para pensar uma espiritualidade que não sacrifica a pessoa em nome de sistemas religiosos. Isso não significa que qualquer interpretação individual seja automaticamente correta, nem que toda tradição deva ser rejeitada. Significa que convicções precisam ser examinadas com honestidade, atenção ao contexto, diálogo e responsabilidade ética. Na visão teológica aqui expressa, Jesus é o critério central para discernir a coerência cristã de uma interpretação: quanto mais uma leitura se afasta da compaixão, da justiça, da misericórdia e do cuidado com os vulneráveis, mais necessário se torna reexaminá-la. Fazer teologia é, portanto, pensar com profundidade, crer sem arrogância, perguntar sem hostilidade e permitir que a busca espiritual se converta em serviço, liberdade responsável e amor vivido.
BIBLIOGRAFIA
MCGRATH, Alister E. Christian Theology: An Introduction. 1994.
TILLICH, Paul. Systematic Theology. 1951.
GEERTZ, Clifford. The Interpretation of Cultures. 1973.
MENDONÇA, José Tolentino. A Leitura Infinita: Bíblia e Interpretação. 2008.
BÍBLIA. Novo Testamento, especialmente Mateus 7:16; Mateus 22:37-40; Marcos 2:27; João 13:34-35; Romanos 12:2; Atos 17:11.
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Pr.Psi. Jônatas David Brandão Mota... pastorado4
teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)
(estrofe 1)
Foi em Jesus que encontrei um caminho de amor,
Uma luz que me orienta quando escurece o dia,
Um exemplo de acolhimento, coragem e valor,
Uma presença que transforma a dor em esperança e alegria.
(estrofe 2)
Ele olhava os esquecidos sem desprezo ou distinção,
Aproximava-se dos feridos, dos excluídos e dos cansados,
Não media a dignidade pela origem ou posição,
E oferecia novos rumos aos que se julgavam condenados.
(estrofe 3)
Ensinou que amar o próximo é mais que uma intenção,
É repartir o pão, consolar e estender a mão,
É enfrentar a injustiça sem perder a compaixão,
É fazer da própria vida um serviço ao coração.
(estrofe 4)
Sua verdade não precisa de violência para vencer,
Nem de ameaças que aprisionem a consciência,
Ela chama cada pessoa a pensar e a escolher,
E a viver com responsabilidade, justiça e coerência.
(refrão)
JESUS É A LUZ QUE ME ENSINA A CAMINHAR,
A AMAR SEM EXCLUIR, A ACOLHER E A PERDOAR,
QUERO SER LUZ DO MUNDO, SAL DA TERRA EM MINHA AÇÃO,
E FAZER DO AMOR VIVIDO A MINHA MAIOR CONFISSÃO.
(estrofe 5)
Quando vejo alguém caído, quero aprender a me aproximar,
Sem perguntar primeiro se merece o meu cuidado,
Pois a dor não pede títulos para alguém a escutar,
E o respeito vale mais que um julgamento apressado.
(estrofe 6)
Quero a misericórdia que não humilha quem errou,
A justiça que protege quem não tem voz para falar,
A coragem que denuncia o mal que alguém praticou,
E a humildade que reconhece quando precisa reparar.
(estrofe 7)
Ser discípulo é escolher o bem na vida cotidiana,
Na palavra que consola, na promessa que se cumpre,
Na defesa de quem sofre, na atitude mais humana,
Na bondade que permanece quando a aprovação não surge.
(refrão)
JESUS É A LUZ QUE ME ENSINA A CAMINHAR,
A AMAR SEM EXCLUIR, A ACOLHER E A PERDOAR,
QUERO SER LUZ DO MUNDO, SAL DA TERRA EM MINHA AÇÃO,
E FAZER DO AMOR VIVIDO A MINHA MAIOR CONFISSÃO.
(estrofe 8)
Não basta repetir seu nome ou conhecer sua mensagem,
Se meus atos contradizem aquilo que digo crer,
A fé precisa aparecer na escolha e na coragem,
Pois o amor se torna visível na maneira de viver.
(estrofe 9)
Quero iluminar caminhos sem me julgar superior,
Ser sal que dá sentido, sem querer aparecer,
Levar paz onde houver ódio, oferecer gesto acolhedor,
E ajudar quem perdeu forças a encontrar razões para viver.
(estrofe 10)
Se eu não puder resolver as dores de toda gente,
Posso ao menos não aumentar o peso de quem sofre,
Ser presença respeitosa, repartir o que tenho à frente,
E fazer do bem possível a riqueza que me move.
(ponte)
Lamento as tantas vezes em que escolhi não enxergar,
Quando o orgulho falou mais alto que a compaixão,
Quando pude ser abrigo e preferi me afastar,
E deixei de transformar em gesto a minha convicção.
(refrão)
JESUS É A LUZ QUE ME ENSINA A CAMINHAR,
A AMAR SEM EXCLUIR, A ACOLHER E A PERDOAR,
QUERO SER LUZ DO MUNDO, SAL DA TERRA EM MINHA AÇÃO,
E FAZER DO AMOR VIVIDO A MINHA MAIOR CONFISSÃO.
(refrão final)
AGORA EU ME AMO E ESCOLHO A ALEGRIA PARA VIVER,
MESMO QUANDO A TRISTEZA TEM RAZÕES PARA APARECER,
COM JESUS COMO INSPIRAÇÃO, QUERO AMAR E FLORESCER,
GOSTO DE SER QUEM EU SOU E DO BEM QUE POSSO FAZER.
JESUS COMO REFERÊNCIA DE AMOR E HUMANIDADE
Reconhecer Jesus como luz que ensina é fazer de sua vida e de seus ensinamentos uma referência para examinar nossas atitudes, nossas crenças e a maneira como tratamos as pessoas. Nos Evangelhos, Jesus não se limita a apresentar ideias sobre o bem: aproxima-se de quem sofre, acolhe pessoas desprezadas, confronta a hipocrisia e chama seus seguidores a praticar a misericórdia. Em Lucas 10:25-37, a parábola do bom samaritano desloca a pergunta sobre quem merece ser considerado próximo e destaca aquele que efetivamente se aproxima para cuidar. Em João 13:1-17, Jesus lava os pés dos discípulos, apresentando o serviço humilde como expressão concreta de liderança. Em Mateus 25:35-40, relaciona o cuidado com pessoas famintas, estrangeiras, enfermas e encarceradas ao cuidado dirigido a ele próprio. Essas passagens ajudam a compreender por que a luz de Jesus, neste poema, não é apenas uma experiência íntima ou uma declaração religiosa: ela precisa tornar-se comportamento. Se encontro alguém em sofrimento, posso escutar antes de aconselhar; se presencio uma injustiça, posso procurar uma maneira responsável de intervir; se erro, posso reconhecer minha participação e reparar o que for possível. O teólogo Dietrich Bonhoeffer, em Discipulado, examina as consequências práticas de seguir Jesus, enquanto Henri Nouwen, em O Curador Ferido, reflete sobre a vulnerabilidade e o cuidado. A psicologia humanista de Carl Rogers também contribui para pensar a escuta respeitosa e a aceitação da pessoa sem reduzir sua identidade a um erro ou problema. Essas aproximações não tornam teologia e psicologia a mesma coisa, mas permitem diálogos úteis sobre empatia, responsabilidade e transformação. Assim, Jesus é luz quando seus ensinamentos ajudam a revelar atitudes que ferem e a construir caminhos de acolhimento, verdade e dignidade.
SER LUZ DO MUNDO E SAL DA TERRA NO COTIDIANO
Em Mateus 5:13-16, Jesus utiliza as imagens do sal da terra e da luz do mundo para falar de uma vida que produz efeitos para além de si mesma. A luz permite enxergar; o sal, usado na medida adequada, contribui para dar sabor e conservar alimentos. Aplicadas à vida humana, essas imagens convidam a uma presença que esclarece sem humilhar, contribui sem dominar e serve sem exigir aplausos. Ser luz pode significar ajudar alguém a perceber alternativas quando está convencido de que não existe saída; ser sal pode significar melhorar um ambiente por meio da honestidade, da gentileza e da coragem de defender quem está vulnerável. Isso não exige perfeição nem significa assumir a responsabilidade de resolver todos os problemas alheios. Há momentos em que o cuidado consiste em ouvir, outros em estabelecer limites, encaminhar alguém para ajuda especializada ou denunciar uma situação de violência. O amor cristão não precisa ser confundido com tolerância ao abuso, silêncio diante da injustiça ou renúncia à própria dignidade. Em Mateus 22:37-40, Jesus reúne o amor a Deus e o amor ao próximo; em João 13:34-35, apresenta o amor mútuo como sinal de seus discípulos. O filósofo e teólogo Søren Kierkegaard, em As Obras do Amor, investiga o amor como compromisso que ultrapassa a preferência pessoal, enquanto Martin Luther King Jr., em Strength to Love, relaciona a fé cristã à resistência não violenta e à luta pela justiça. A mensagem deste poema é também um convite à autocompaixão: quem deseja cuidar dos outros precisa reconhecer seus próprios limites, aceitar momentos legítimos de tristeza e buscar apoio quando necessário. A alegria escolhida não é a obrigação de estar feliz o tempo inteiro, mas a decisão de não entregar toda a vida ao sofrimento. Amar a si mesmo e procurar fazer o bem podem caminhar juntos: a pessoa reconhece suas imperfeições, recomeça quando falha e transforma a inspiração recebida de Jesus em gestos possíveis de justiça, misericórdia e serviço.
BIBLIOGRAFIA
BÍBLIA. Novo Testamento, especialmente Mateus 5:13-16; Mateus 22:37-40; Mateus 25:35-40; Lucas 10:25-37; João 13:1-17.
BONHOEFFER, Dietrich. Discipulado (Nachfolge). 1937.
NOUWEN, Henri J. M. O Curador Ferido (The Wounded Healer). 1972.
KIERKEGAARD, Søren. As Obras do Amor (Works of Love). 1847.
KING JR., Martin Luther. Strength to Love. 1963.
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Pr.Psi. Jônatas David Brandão Mota... pastorado4
teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)
(estrofe 1)
Gosto de escrever aquilo que começa em meu pensar,
Dar palavras aos meus sonhos, minhas dúvidas, meu sentir,
Transformar o que me inquieta em razões para explorar,
E deixar no papel caminhos que eu possa descobrir.
(estrofe 2)
Uma ideia ganha corpo quando encontra a escrita,
Uma pergunta abre portas que eu nem pude imaginar,
Uma lembrança ganha forma, uma esperança ressuscita,
E aquilo que era silêncio já consegue dialogar.
(estrofe 3)
Escrevo poemas, projetos, reflexões e argumentos,
Dou aos livros minhas buscas, minhas causas, minha visão,
Faço estudos que organizam pensamentos e momentos,
E mensagens que aproximam corações pela expressão.
(estrofe 4)
Não escrevo para esconder minhas falhas ou vaidades,
Nem suponho que meus versos sejam donos da razão,
Quero expor minhas ideias com sinceridade,
E aceitar que outros pensem com distinta interpretação.
(refrão)
GOSTO DE ESCREVER O QUE PENSO, DE EXPRESSAR QUEM SOU,
DAR PALAVRAS ÀS IDEIAS, AO QUE A VIDA ME ENSINOU,
FAZER DO TEXTO UM CAMINHO PARA O MUNDO CONHECER,
E REGISTRAR MINHA EXISTÊNCIA NO QUE ESCOLHO ESCREVER.
(estrofe 5)
Quando escrevo sobre a vida, dou contorno à experiência,
Revejo antigos caminhos, compreendo melhor meu chão,
Posso descobrir nos erros uma nova consciência,
E transformar em aprendizado aquilo que foi contradição.
(estrofe 6)
Se uma causa me comove, procuro dar-lhe argumento,
Se uma injustiça me indigna, busco formas de intervir,
Se uma dúvida me acompanha, dou-lhe espaço no pensamento,
Pois escrever também me ensina a escutar e refletir.
(estrofe 7)
Há palavras que consolam, outras fazem questionar,
Há textos que preservam aquilo que o tempo desfaz,
Há mensagens que aproximam quem precisa conversar,
E há livros que acompanham quem procura um pouco de paz.
(refrão)
GOSTO DE ESCREVER O QUE PENSO, DE EXPRESSAR QUEM SOU,
DAR PALAVRAS ÀS IDEIAS, AO QUE A VIDA ME ENSINOU,
FAZER DO TEXTO UM CAMINHO PARA O MUNDO CONHECER,
E REGISTRAR MINHA EXISTÊNCIA NO QUE ESCOLHO ESCREVER.
(estrofe 8)
Não preciso ter certeza de cada coisa que escrevo,
Posso corrigir um rumo, reconsiderar uma opinião,
Uma frase pode amadurecer enquanto eu me renovo,
E uma página reescrita revelar outra compreensão.
(estrofe 9)
Se meus textos alcançarem alguém que esteja distante,
Que ofereçam companhia, uma pergunta, uma direção,
Não exijo que concordem nem que sigam adiante,
Basta abrir um diálogo com respeito e atenção.
(estrofe 10)
Escrever é testemunhar que estive aqui pensando,
Com meus erros e acertos, meus projetos, meu labor,
É deixar sementes vivas que alguém siga cultivando,
E fazer da minha voz uma expressão do meu valor.
(ponte)
Lamento as tantas vezes em que calei o que pensava,
Por receio de críticas ou de não me expressar bem,
Quando uma ideia importante dentro de mim se apagava,
E deixei sem voz palavras que podiam fazer bem.
(refrão)
GOSTO DE ESCREVER O QUE PENSO, DE EXPRESSAR QUEM SOU,
DAR PALAVRAS ÀS IDEIAS, AO QUE A VIDA ME ENSINOU,
FAZER DO TEXTO UM CAMINHO PARA O MUNDO CONHECER,
E REGISTRAR MINHA EXISTÊNCIA NO QUE ESCOLHO ESCREVER.
(refrão final)
AGORA EU ME AMO E ESCOLHO A ALEGRIA PARA VIVER,
MESMO QUANDO A TRISTEZA TEM RAZÕES PARA APARECER,
ESCREVO O QUE SINTO E PENSO, SEM MEDO DE FLORESCER,
GOSTO DA VOZ QUE CONSTRUO E DO QUE POSSO OFERECER.
A ESCRITA COMO EXPRESSÃO DA EXISTÊNCIA
Escrever o que pensamos é transformar uma experiência interior em algo que pode ser observado, revisto, compartilhado e desenvolvido. Uma ideia que permanece apenas na mente pode surgir de maneira confusa, misturada a emoções, lembranças e impressões; quando passa para o papel, ganha forma e permite que examinemos suas partes. Por exemplo, alguém que escreve sobre uma discussão familiar pode perceber que, além da raiva, havia medo de não ser respeitado; uma pessoa que registra seus objetivos pode descobrir quais passos dependem dela e quais exigem ajuda de outras pessoas. A escrita também permite preservar histórias, construir argumentos, elaborar projetos, compor poemas e comunicar descobertas que talvez fossem esquecidas. Em O Diário de Anne Frank, a escrita pessoal torna-se testemunho histórico e expressão de uma vida submetida a circunstâncias extremas; em A Câmara Clara, Roland Barthes investiga a experiência da memória e da representação, oferecendo reflexões que podem dialogar com o modo como registramos o que nos toca. Na educação, Paulo Freire, em A Importância do Ato de Ler, relaciona a leitura da palavra à leitura do mundo, lembrando que compreender a linguagem também envolve compreender a realidade em que vivemos. A Bíblia reconhece a importância de registrar e transmitir experiências: em Habacuque 2:2, o profeta recebe a orientação de escrever a visão; em Lucas 1:1-4, o evangelista explica que organizou seu relato para oferecer ao leitor uma exposição cuidadosa; e, no Salmo 45:1, a língua é comparada à pena de um habilidoso escritor. Essas referências não significam que toda escrita seja necessariamente verdadeira ou benéfica, mas mostram como registrar pensamentos pode contribuir para comunicar, recordar, organizar e refletir. Escrever é, assim, uma maneira de dar existência pública ao pensamento, sem esquecer que nossas palavras podem ser aprimoradas e que aquilo que escrevemos também merece ser examinado.
A PALAVRA, A RESPONSABILIDADE E A LIBERDADE DE REVISAR
A escrita ganha profundidade quando não serve apenas para expressar o que pensamos, mas também para nos ajudar a pensar melhor. Escrever não exige transformar cada opinião em certeza definitiva: um texto pode registrar uma dúvida, apresentar uma hipótese, reconhecer uma contradição ou revelar que mudamos de entendimento. Um pesquisador, por exemplo, precisa distinguir evidências de suposições; quem escreve sobre uma experiência pessoal pode separar aquilo de que se lembra daquilo que interpreta; quem denuncia uma injustiça deve buscar precisão para não prejudicar inocentes. Essa responsabilidade torna a escrita uma prática de liberdade e de cuidado. Em A Escrita Criativa, estudos e práticas de composição literária ressaltam o trabalho de observar, experimentar e revisar; em Writing to Learn, William Zinsser discute a escrita como ferramenta para organizar e aprofundar o conhecimento. A escrita reflexiva também pode ajudar a pessoa a identificar emoções e padrões de pensamento, embora não substitua a psicoterapia ou outros cuidados profissionais quando necessários. A tradição bíblica oferece conselhos relevantes sobre o uso das palavras: Tiago 1:19 recomenda prontidão para ouvir e cautela ao falar; Efésios 4:29 incentiva palavras que contribuam para edificar; e Provérbios 18:13 alerta para o perigo de responder antes de ouvir. Aplicados à escrita, esses princípios convidam a verificar informações, considerar consequências e procurar uma linguagem que seja honesta sem se tornar desnecessariamente cruel. Isso não significa evitar críticas ou esconder conflitos: significa distinguir firmeza de agressão e liberdade de expressão de irresponsabilidade. A ponte do poema recorda as ocasiões em que o medo impediu a expressão; o refrão final, por sua vez, afirma que a escrita pode continuar sendo espaço de crescimento mesmo quando há tristeza. Não é necessário estar sempre alegre para escrever algo valioso. Podemos acolher sentimentos difíceis, revisar nossas ideias, corrigir nossos erros e continuar criando. Escrever o que pensamos é celebrar a própria voz, não porque ela seja infalível, mas porque merece ser desenvolvida com coragem, humildade, imaginação e responsabilidade.
BIBLIOGRAFIA
FRANK, Anne. O Diário de Anne Frank. 1947.
FREIRE, Paulo. A Importância do Ato de Ler. 1982.
BARTHES, Roland. A Câmara Clara. 1980.
ZINSSER, William. Writing to Learn. 1988.
BÍBLIA. Antigo e Novo Testamentos, especialmente Salmo 45:1; Habacuque 2:2; Lucas 1:1-4; Provérbios 18:13; Tiago 1:19.
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Pr.Psi. Jônatas David Brandão Mota... pastorado4
teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)
(estrofe 1)
Gosto de olhar a vida com atenção e curiosidade,
Perguntar o que acontece, quem se cala, quem tem voz,
Descobrir por trás dos fatos a humana realidade,
E entender que cada história diz respeito a todos nós.
(estrofe 2)
Observo as ruas, os rostos, os encontros e os sinais,
O trabalhador que madruga, a criança a florescer,
As promessas dos governos, os problemas sociais,
E as pequenas esperanças que insistem em renascer.
(estrofe 3)
Não me basta ouvir rumores ou aceitar uma versão,
Vou atrás de outras fontes, comparo cada informação,
Pergunto quem ganha ou perde com determinada narrativa,
E procuro distinguir a evidência da palavra persuasiva.
(estrofe 4)
Investigar exige tempo, honestidade e rigor,
Reconhecer o que não sei, corrigir o que escrevi,
Não trocar fatos por aplausos, nem a verdade por favor,
Nem condenar sem provas quem ainda não ouvi.
(refrão)
GOSTO DE SER JORNALISTA DA VIDA, OBSERVAR E PERGUNTAR,
INVESTIGAR OS FATOS, OUVIR, REGISTRAR, INTERPRETAR,
CONTAR HISTÓRIAS COM RESPEITO, DAR À REALIDADE ATENÇÃO,
E FAZER DA INFORMAÇÃO UM SERVIÇO À POPULAÇÃO.
(estrofe 5)
Há notícia nos grandes feitos, nos conflitos e decisões,
Mas também na mãe que luta para o filho estudar,
No vizinho que se organiza para melhorar as condições,
E em quem, sem reconhecimento, faz a comunidade avançar.
(estrofe 6)
Quero ouvir quem vive à margem, sem falar em seu lugar,
Dar espaço a experiências que raramente ganham luz,
Sem transformar a dor alheia em espetáculo para impressionar,
Nem reduzir uma pessoa ao sofrimento que a conduz.
(estrofe 7)
A palavra pode esclarecer, mas também pode ferir,
Uma manchete sem contexto pode a verdade deformar,
Por isso, antes de publicar, devo ler e conferir,
Pois quem informa tem dever de não enganar.
(refrão)
GOSTO DE SER JORNALISTA DA VIDA, OBSERVAR E PERGUNTAR,
INVESTIGAR OS FATOS, OUVIR, REGISTRAR, INTERPRETAR,
CONTAR HISTÓRIAS COM RESPEITO, DAR À REALIDADE ATENÇÃO,
E FAZER DA INFORMAÇÃO UM SERVIÇO À POPULAÇÃO.
(estrofe 8)
A realidade não cabe numa única explicação,
Cada fonte traz um ângulo, cada história, uma nuance,
É preciso cruzar relatos, considerar a situação,
E deixar que a evidência determine o próximo lance.
(estrofe 9)
Registro o tempo presente para a memória do futuro,
As conquistas e injustiças, as mudanças de lugar,
Pois um povo sem memória pode caminhar no escuro,
Sem saber de onde veio nem o que precisa transformar.
(estrofe 10)
Mesmo sem microfone, posso exercer esse olhar,
Nas conversas, nos projetos, no cuidado ao escutar,
Ser jornalista da vida é não deixar de perguntar,
E contar com humanidade o que merece se revelar.
(ponte)
Lamento as vezes em que preferi não investigar,
Quando aceitei a primeira versão sem conferir,
Quando vi alguém sem voz e não procurei escutar,
Ou deixei que a indiferença me impedisse de agir.
(refrão)
GOSTO DE SER JORNALISTA DA VIDA, OBSERVAR E PERGUNTAR,
INVESTIGAR OS FATOS, OUVIR, REGISTRAR, INTERPRETAR,
CONTAR HISTÓRIAS COM RESPEITO, DAR À REALIDADE ATENÇÃO,
E FAZER DA INFORMAÇÃO UM SERVIÇO À POPULAÇÃO.
(refrão final)
AGORA EU ME AMO E ESCOLHO A ALEGRIA PARA VIVER,
MESMO QUANDO A TRISTEZA TEM RAZÕES PARA APARECER,
SIG0 CURIOSO, ATENTO, COM VONTADE DE APRENDER,
GOSTO DE CONTAR A VIDA E DO QUE POSSO ESCREVER.
O OLHAR JORNALÍSTICO SOBRE A REALIDADE
Ser jornalista da vida, no sentido simbólico deste poema, é desenvolver a disposição de observar o mundo, formular perguntas, procurar evidências, ouvir diferentes pessoas e compreender os acontecimentos para além das aparências. Não significa que toda observação cotidiana seja jornalismo profissional, mas que podemos cultivar algumas de suas virtudes: curiosidade, verificação, clareza, responsabilidade e respeito pelas pessoas envolvidas. Diante de uma notícia sobre um problema na comunidade, por exemplo, não basta repetir a primeira explicação recebida; é importante perguntar o que aconteceu, quando, com quem, quais fontes podem confirmar os fatos e quais informações ainda faltam. Se uma pessoa é acusada de alguma irregularidade, é necessário distinguir acusação de comprovação e evitar julgamentos precipitados. Se uma política pública é anunciada como solução, vale investigar seus objetivos, recursos, resultados e efeitos sobre a população. Em Os Elementos do Jornalismo, Bill Kovach e Tom Rosenstiel destacam a importância da verificação e do compromisso com os fatos; em A Ética Jornalística e o Interesse Público, debates sobre responsabilidade profissional ajudam a compreender que informar não é apenas transmitir dados, mas considerar as consequências de sua divulgação. O olhar jornalístico também precisa alcançar histórias comuns: a trabalhadora que sustenta a família, o estudante que supera dificuldades, a comunidade que se mobiliza para enfrentar um problema. Essas experiências revelam dimensões da realidade que os grandes acontecimentos nem sempre mostram. A Bíblia apresenta advertências que dialogam com esse compromisso: Provérbios 18:13 alerta para o erro de responder antes de ouvir; Provérbios 18:17 lembra que a primeira versão de um caso pode parecer convincente até ser examinada; e João 8:32 associa a verdade à liberdade. Embora esses textos pertençam a um contexto religioso e não sejam manuais de jornalismo, oferecem imagens úteis para pensar a importância de escutar, investigar e não confundir a primeira impressão com uma conclusão definitiva.
INFORMAÇÃO, ÉTICA E RESPONSABILIDADE HUMANA
A informação influencia a maneira como as pessoas compreendem a sociedade, tomam decisões e tratam umas às outras. Uma reportagem bem apurada pode revelar uma injustiça, dar visibilidade a uma comunidade esquecida e contribuir para que autoridades prestem contas; uma publicação irresponsável pode espalhar boatos, destruir reputações ou transformar o sofrimento de alguém em entretenimento. Por isso, o olhar jornalístico exige não apenas coragem para perguntar, mas disciplina para verificar, humildade para reconhecer limites e disposição para corrigir erros. A diversidade de fontes é importante, embora não signifique atribuir o mesmo peso a informações igualmente frágeis: as evidências, a confiabilidade das fontes e o contexto devem orientar a avaliação. Também é essencial proteger a dignidade das pessoas, sobretudo quando estão em situação de vulnerabilidade. O jornalista não deve explorar uma tragédia para obter atenção nem expor detalhes íntimos sem uma justificativa legítima de interesse público. Hannah Arendt, em Verdade e Política, examina a fragilidade dos fatos diante das disputas de poder; Paulo Freire, em Extensão ou Comunicação?, contribui para pensar a comunicação como relação que envolve diálogo, compreensão e respeito; e Kovach e Rosenstiel oferecem princípios para uma prática informativa responsável. A reflexão bíblica também pode inspirar esse cuidado: Efésios 4:25 recomenda abandonar a falsidade e falar a verdade; Tiago 1:19 aconselha prontidão para ouvir e lentidão para falar; e Miqueias 6:8 reúne justiça, misericórdia e humildade como orientações para a vida. Aplicadas com discernimento, essas referências convidam a uma comunicação que não se contente com o impacto de uma frase, mas considere sua veracidade e suas consequências. Ser jornalista da vida é, portanto, manter os olhos abertos sem perder a sensibilidade, questionar sem perseguir, denunciar sem inventar e contar histórias sem esquecer que, por trás de cada fato, existem pessoas reais. É transformar curiosidade em conhecimento e conhecimento em responsabilidade, sem acreditar que uma única voz possa explicar o mundo inteiro.
BIBLIOGRAFIA
KOVACH, Bill; ROSENSTIEL, Tom. Os Elementos do Jornalismo. 2001.
ARENDT, Hannah. Entre o Passado e o Futuro — ensaio “Verdade e Política”. 1967.
FREIRE, Paulo. Extensão ou Comunicação? 1969.
KOVACH, Bill; ROSENSTIEL, Tom. Blur: How to Know What's True in the Age of Information Overload. 2010.
BÍBLIA. Antigo e Novo Testamentos, especialmente Provérbios 18:13, 18:17; João 8:32; Efésios 4:25; Tiago 1:19; Miqueias 6:8.
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Pr.Psi. Jônatas David Brandão Mota... pastorado4
teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)
(estrofe 1)
Gosto de buscar justiça onde alguém perdeu a voz,
De enfrentar a indiferença que se instala entre nós,
De defender a dignidade sem medir posição,
E de ver em cada pessoa direitos, sonhos e razão.
(estrofe 2)
Não aceito que a pobreza determine o valor humano,
Nem que a origem de alguém lhe imponha humilhação,
Quero oportunidades que rompam o desengano,
E caminhos mais justos para toda a população.
(estrofe 3)
O direito me convida a estudar cada questão,
A conhecer as leis, seus limites e deveres,
A distinguir o fato, a prova e a interpretação,
E a buscar soluções que respeitem diferentes seres.
(estrofe 4)
A justiça não se resume ao castigo ou à sentença,
Precisa ouvir os envolvidos e examinar cada versão,
Proteger quem está vulnerável, exigir responsabilidade,
E tratar com equilíbrio cada caso e situação.
(refrão)
GOSTO DE BUSCAR A JUSTIÇA, A DIGNIDADE E O DIREITO,
DE LUTAR POR QUEM PRECISA SER OUVIDO E RESPEITADO,
QUERO UM MUNDO MAIS HUMANO, MAIS IGUAL E MAIS JUSTO,
COM A LEI A SERVIÇO DA VIDA, SEM NINGUÉM ABANDONADO.
(estrofe 5)
Há quem enfrente a pobreza sem ter chance de escolher,
Há quem sofra preconceitos antes mesmo de falar,
Há quem procure atendimento e não consiga receber,
E quem tenha seus direitos sem recursos para reclamar.
(estrofe 6)
Por isso, busco justiça também na vida cotidiana,
No respeito ao trabalhador, na escola e no hospital,
Na escuta de quem discorda, na convivência mais humana,
E na cobrança transparente de quem exerce o poder público.
(estrofe 7)
Não quero uma justiça movida pela vingança,
Nem condenações guiadas por preconceito ou rancor,
Quero apuração honesta, responsabilidade e confiança,
E que a firmeza das decisões não dispense o valor humano.
(refrão)
GOSTO DE BUSCAR A JUSTIÇA, A DIGNIDADE E O DIREITO,
DE LUTAR POR QUEM PRECISA SER OUVIDO E RESPEITADO,
QUERO UM MUNDO MAIS HUMANO, MAIS IGUAL E MAIS JUSTO,
COM A LEI A SERVIÇO DA VIDA, SEM NINGUÉM ABANDONADO.
(estrofe 8)
A cidadania floresce quando alguém pode participar,
Quando a comunidade debate e acompanha as decisões,
Quando todos têm espaço para falar e questionar,
E o poder responde ao povo com fatos e explicações.
(estrofe 9)
Se não posso resolver toda injustiça que conheço,
Posso apoiar uma causa, orientar ou colaborar,
Posso repartir meu tempo, reconhecer o que mereço,
E fortalecer quem luta para a vida melhorar.
(estrofe 10)
Quero a justiça que protege sem escolher quem vale mais,
Que reconhece os próprios erros e procura reparação,
Que une liberdade, igualdade e convivência em paz,
E faz da dignidade humana sua maior obrigação.
(ponte)
Lamento as vezes em que vi alguém ser diminuído,
E deixei que o comodismo decidisse em meu lugar,
Quando um direito foi negado e eu permaneci calado,
Ou não fiz a pergunta certa que podia ajudar.
(refrão)
GOSTO DE BUSCAR A JUSTIÇA, A DIGNIDADE E O DIREITO,
DE LUTAR POR QUEM PRECISA SER OUVIDO E RESPEITADO,
QUERO UM MUNDO MAIS HUMANO, MAIS IGUAL E MAIS JUSTO,
COM A LEI A SERVIÇO DA VIDA, SEM NINGUÉM ABANDONADO.
(refrão final)
AGORA EU ME AMO E ESCOLHO A ALEGRIA PARA VIVER,
MESMO QUANDO A TRISTEZA TEM RAZÕES PARA APARECER,
SIG0 FIRME NA JUSTIÇA, COM CORAGEM PARA APRENDER,
GOSTO DE QUEM SOU E DO BEM QUE POSSO FAZER.
JUSTIÇA COMO DIGNIDADE E PROTEÇÃO HUMANA
Buscar a justiça é reconhecer que todas as pessoas possuem dignidade e que seus direitos não deveriam depender da riqueza, da origem familiar, da posição social, da religião ou da capacidade de influenciar quem decide. O direito oferece normas, instituições e procedimentos para organizar a convivência, resolver conflitos e proteger liberdades; entretanto, a existência de leis, por si só, não garante que todas as pessoas consigam usufruir dos direitos que possuem. Uma trabalhadora pode ter direito a receber seus salários e não saber como reclamar; uma família pode necessitar de atendimento público e encontrar obstáculos para consegui-lo; alguém pode sofrer discriminação e ter dificuldade para provar o que aconteceu. Buscar justiça envolve compreender essas barreiras e procurar soluções legítimas, tanto individuais quanto coletivas. Em Uma Teoria da Justiça, John Rawls examina princípios de justiça relacionados às liberdades e às desigualdades sociais; em Justiça: O que é fazer a coisa certa, Michael Sandel apresenta dilemas éticos que mostram como decisões aparentemente simples podem envolver valores conflitantes. Essas reflexões ajudam a perceber que justiça não significa apenas aplicar uma regra mecanicamente: exige considerar direitos, responsabilidades, consequências e a igualdade de tratamento. A Bíblia também apresenta referências importantes para esse compromisso. Miqueias 6:8 reúne a prática da justiça, o amor à misericórdia e a humildade como orientações para a vida; Isaías 1:17 convoca seus ouvintes a defenderem o oprimido; e Provérbios 31:8-9 recomenda falar em favor daqueles que não conseguem defender seus próprios direitos. No ministério de Jesus, o encontro com pessoas marginalizadas e sua crítica à hipocrisia religiosa também desafiam sistemas que preservam aparências enquanto negligenciam o sofrimento. A justiça, portanto, não é somente uma ideia abstrata ou uma disputa de argumentos: é uma responsabilidade humana que se manifesta na proteção dos vulneráveis, na escuta cuidadosa, no acesso aos direitos e na recusa de transformar diferenças sociais em motivos de humilhação.
CIDADANIA, ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL
A busca da justiça precisa combinar firmeza na defesa dos direitos com respeito aos procedimentos, às provas e à dignidade de todas as pessoas envolvidas. Isso significa que não basta defender uma causa considerada correta: é preciso investigar os fatos, ouvir as partes, distinguir suspeitas de conclusões comprovadas e aceitar a possibilidade de rever a própria interpretação. Uma acusação sem provas pode destruir uma reputação; uma decisão tomada com preconceito pode agravar a desigualdade; e a ausência de mecanismos de defesa pode deixar uma pessoa vulnerável diante de um poder muito maior que o seu. Por isso, o compromisso com a justiça envolve instituições responsáveis, transparência, participação cidadã, acesso à informação e oportunidades reais de defesa. Amartya Sen, em A Ideia de Justiça, enfatiza a importância de examinar injustiças concretas e as possibilidades de reduzi-las, enquanto Bryan Stevenson, em Just Mercy, relata os desafios de defender pessoas atingidas por desigualdades no sistema penal norte-americano. Essas obras, em contextos diferentes, mostram por que a justiça exige atenção às consequências humanas das decisões. No Brasil, a Constituição Federal de 1988 estabelece, entre seus fundamentos e objetivos, a dignidade da pessoa humana, a redução das desigualdades e a promoção do bem de todos. A prática cidadã pode incluir acompanhar políticas públicas, cobrar explicações de autoridades, participar de associações, denunciar violações pelos canais adequados e colaborar com iniciativas comunitárias. Gálatas 6:2 recomenda levar os fardos uns dos outros; Mateus 7:12 apresenta a regra de tratar os outros como gostaríamos de ser tratados; e Lucas 4:18-19 descreve uma missão associada à boa notícia aos pobres e à libertação dos oprimidos. Essas passagens podem inspirar uma ética de solidariedade, sem substituir o conhecimento jurídico nem os procedimentos legais. Buscar justiça também não significa assumir sozinho a responsabilidade de corrigir todas as desigualdades. Significa reconhecer os limites pessoais, agir onde é possível, procurar apoio quando necessário e não permitir que o cansaço transforme a indiferença em hábito. A justiça ganha força quando o ideal se torna prática: defender direitos sem desumanizar adversários, corrigir injustiças sem recorrer à vingança e trabalhar por uma sociedade em que a dignidade de cada pessoa seja respeitada.
BIBLIOGRAFIA
RAWLS, John. Uma Teoria da Justiça (A Theory of Justice). 1971.
SANDEL, Michael J. Justiça: O que é fazer a coisa certa (Justice: What's the Right Thing to Do?). 2009.
SEN, Amartya. A Ideia de Justiça (The Idea of Justice). 2009.
STEVENSON, Bryan. Just Mercy: A Story of Justice and Redemption. 2014.
BÍBLIA. Antigo e Novo Testamentos, especialmente Isaías 1:17; Miqueias 6:8; Provérbios 31:8-9; Mateus 7:12; Lucas 4:18-19; Gálatas 6:2.
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Pr.Psi. Jônatas David Brandão Mota... pastorado4
teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)
(estrofe 1)
Não consigo ver a dor sem me importar,
Nem cruzar braços diante da aflição;
Se tenho algum saber para compartilhar,
Que ele se transforme em gesto e ação.
(estrofe 2)
A fome não se vence apenas com discurso,
Nem a solidão se cura com opinião;
É preciso caminhar, oferecer recurso,
E fazer da empatia uma contribuição.
(estrofe 3)
Se alguém perdeu a força para prosseguir,
Posso escutar sem pressa de aconselhar;
Às vezes, dar espaço para alguém existir
É o primeiro passo para recomeçar.
(estrofe 4)
Meu conhecimento não será vaidade,
Nem minha voz servirá para aparecer;
Quero empregá-los com responsabilidade,
Abrindo caminhos para outros crescerem.
(refrão)
GOSTO DE SERVIR À SOCIEDADE,
DE FAZER DO MEU SABER SOLIDARIEDADE;
NÃO QUERO SER INDIFERENTE À DOR,
QUERO TRANSFORMAR COMPETÊNCIA EM AMOR.
(estrofe 5)
Na comunidade, há muito por construir:
Uma porta aberta, um curso, uma refeição;
Há quem precise de oportunidade para agir,
E quem só necessite de acolhida e atenção.
(estrofe 6)
Não basta lamentar a desigualdade,
Nem culpar o destino por cada privação;
É preciso unir forças com seriedade,
Cobrar direitos e ampliar a participação.
(estrofe 7)
Sirvo sem exigir aplauso ou recompensa,
Mas sem confundir bondade com submissão;
Também se serve quando a palavra é defesa,
Quando se denuncia a injustiça e a exclusão.
(refrão)
GOSTO DE SERVIR À SOCIEDADE,
DE FAZER DO MEU SABER SOLIDARIEDADE;
NÃO QUERO SER INDIFERENTE À DOR,
QUERO TRANSFORMAR COMPETÊNCIA EM AMOR.
(estrofe 8)
Se ocupo um espaço de influência,
Que ele não se feche em benefício pessoal;
Quero emprestar-lhe escuta e consciência,
Para que a dignidade alcance o coletivo e o social.
(estrofe 9)
Servir também é aprender com quem recebe,
Pois ninguém conhece sozinho toda a verdade;
A ajuda mais humana é aquela que percebe
A voz, a escolha e a autonomia de cada comunidade.
(estrofe 10)
Não posso resolver sozinho o mundo inteiro,
Nem carregar toda a dor como obrigação;
Mas posso fazer bem o que cabe ao meu roteiro,
E somar meu trabalho à força da união.
(ponte)
Lamento as vezes em que me recolhi,
Quando o medo ou o cansaço me fizeram recuar;
As ocasiões em que vi e não agi,
E deixei para depois o que podia começar.
(refrão)
GOSTO DE SERVIR À SOCIEDADE,
DE FAZER DO MEU SABER SOLIDARIEDADE;
NÃO QUERO SER INDIFERENTE À DOR,
QUERO TRANSFORMAR COMPETÊNCIA EM AMOR.
(refrão final)
AGORA EU ME AMO E ESCOLHO A ALEGRIA PARA VIVER,
MESMO QUANDO A TRISTEZA TEM RAZÕES PARA APARECER;
SIRVO COM ESPERANÇA, SEM ME ABANDONAR,
GOSTO DE SERVIR À SOCIEDADE E DE ME ALEGRAR.
O SERVIÇO COMO COMPROMISSO HUMANO
Servir à sociedade é reconhecer que a vida de cada pessoa se desenvolve em relação com outras vidas. O ativismo social começa quando a percepção das necessidades alheias deixa de ser mera observação e se transforma em responsabilidade compartilhada. Pode aparecer em ações simples, como acompanhar alguém a um serviço público, ajudar uma pessoa a aprender uma habilidade, colaborar com uma iniciativa comunitária ou escutar com respeito quem costuma não ser ouvido. Também pode assumir formas coletivas, como organizar redes de solidariedade, defender direitos, cobrar políticas públicas e ampliar o acesso à educação, à saúde e à cultura. O poema destaca que conhecimento e influência não precisam ser instrumentos de prestígio individual: podem se tornar recursos colocados a serviço do bem comum. Essa compreensão dialoga com Paulo Freire, para quem a educação se relaciona com a consciência crítica e a transformação da realidade; com Amartya Sen, que analisa o desenvolvimento a partir das liberdades e oportunidades reais das pessoas; e com a tradição bíblica que associa fé e cuidado concreto. Em Mateus 25:35-40, a atenção aos famintos, aos estrangeiros, aos enfermos e aos encarcerados é apresentada como expressão de cuidado com o próprio Cristo. Em Marcos 10:43-45, a grandeza é relacionada ao serviço, e não ao domínio. Essas passagens inspiram uma ética na qual a dignidade humana vale mais do que a busca por reconhecimento. Assim, servir não significa tratar as pessoas como objetos de caridade, mas colaborar para que tenham condições, voz e oportunidades para conduzir a própria vida.
CONHECIMENTO, JUSTIÇA E CUIDADO DE SI
O compromisso comunitário exige mais do que boa intenção: pede escuta, organização, continuidade e avaliação dos efeitos das ações. Uma iniciativa pode nascer do desejo de ajudar e, ainda assim, falhar se ignorar aquilo de que as pessoas realmente precisam. Por exemplo, oferecer um curso sem ouvir os moradores pode resultar em poucas inscrições; construir a proposta junto com a comunidade permite identificar horários viáveis, necessidades concretas e conhecimentos já existentes. Da mesma forma, defender alguém não significa falar permanentemente em seu lugar, mas criar condições para que essa pessoa seja ouvida. Por isso, o poema afirma que servir também é aprender com quem recebe e que não cabe a um indivíduo resolver sozinho todos os problemas sociais. A responsabilidade pessoal é importante, mas precisa caminhar junto com a ação coletiva, a garantia de direitos e a atuação das instituições. A obra Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire, contribui para pensar a participação e a construção compartilhada do conhecimento; A Ideia de Justiça, de Amartya Sen, ajuda a refletir sobre a redução de injustiças concretas; e Justiça: O que é fazer a coisa certa, de Michael Sandel, apresenta dilemas sobre responsabilidade e vida coletiva. Na tradição cristã, Gálatas 6:2 incentiva o cuidado mútuo, enquanto Marcos 12:31 relaciona o amor ao próximo ao amor por si mesmo. Essa relação também ajuda a compreender o refrão final: amar a si mesmo e escolher a alegria não exige negar a tristeza, o cansaço ou os limites. Quem serve precisa reconhecer que não é invulnerável, estabelecer limites e dividir responsabilidades. O descanso não é necessariamente abandono da causa; pode ser parte da continuidade do compromisso. A alegria, nesse sentido, não é uma obrigação de estar feliz o tempo todo, mas uma escolha de preservar a própria vida interior enquanto se trabalha, com outras pessoas, por uma sociedade mais justa e acolhedora.
BIBLIOGRAFIA
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 1968.
SEN, Amartya. Desenvolvimento como Liberdade. 1999.
SANDEL, Michael J. Justiça: O que é fazer a coisa certa. 2009.
STEVENSON, Bryan. Just Mercy: A Story of Justice and Redemption. 2014.
BOFF, Leonardo. Saber Cuidar: Ética do Humano — Compaixão pela Terra. 1999.
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Pr.Psi. Jônatas David Brandão Mota... pastorado4
teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)
(estrofe 1)
Não vivo à margem do que acontece,
Nem deixo o mundo seguir sem atenção;
A vida pública me chama e me oferece
Um lugar de fala, escolha e participação.
(estrofe 2)
Quero entender as decisões que nos governam,
Saber quem ganha e quem fica para trás;
Ouvir as vozes que os discursos não nomeiam,
E perguntar se o bem comum se faz.
(estrofe 3)
Tenho ideias, convicções e argumentos,
Mas não pretendo ser dono da razão;
Posso rever certezas com o passar do tempo,
Sem transformar divergência em agressão.
(estrofe 4)
Debato o que nos toca como povo,
Procuro fatos antes de acreditar;
Pois uma sociedade se renova
Quando aprende a pensar e a dialogar.
(refrão)
GOSTO DE PARTICIPAR DA VIDA PÚBLICA,
DE DEFENDER IDEIAS COM RESPONSABILIDADE;
QUERO UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA E DEMOCRÁTICA,
COM DIÁLOGO, RESPEITO E SOLIDARIEDADE.
(estrofe 5)
Acompanho as leis, as contas e as promessas,
Pergunto pelos frutos de cada decisão;
Não basta celebrar palavras bem impressas,
É preciso avaliar sua aplicação.
(estrofe 6)
A cidadania também se aprende perto:
Na escola, no bairro, na associação;
Um problema ouvido, um caminho aberto,
Uma iniciativa feita em cooperação.
(estrofe 7)
Não dou meu voto por medo ou recompensa,
Nem vendo a consciência por conveniência;
Escolho com pesquisa, memória e coerência,
E cobro dos eleitos compromisso e transparência.
(refrão)
GOSTO DE PARTICIPAR DA VIDA PÚBLICA,
DE DEFENDER IDEIAS COM RESPONSABILIDADE;
QUERO UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA E DEMOCRÁTICA,
COM DIÁLOGO, RESPEITO E SOLIDARIEDADE.
(estrofe 8)
Se alguém discorda, não precisa ser inimigo,
Nem toda diferença termina em separação;
Posso escutar, discordar e seguir contigo,
Sem entregar o respeito à polarização.
(estrofe 9)
Denuncio abusos, preconceitos e injustiças,
Defendo direitos sem escolher quem merece;
Uma democracia se fortalece nas conquistas
De quem inclui também quem ninguém reconhece.
(estrofe 10)
Não sou espectador da história que vivemos,
Nem posso decidir por toda a multidão;
Mas cada espaço em que juntos debatemos
Pode aproximar justiça e transformação.
(ponte)
Lamento as vezes em que me calei por receio,
Ou deixei que o desencanto abafasse a voz;
Quando me afastei, julgando inútil o anseio,
Esqueci que a vida pública também depende de nós.
(refrão)
GOSTO DE PARTICIPAR DA VIDA PÚBLICA,
DE DEFENDER IDEIAS COM RESPONSABILIDADE;
QUERO UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA E DEMOCRÁTICA,
COM DIÁLOGO, RESPEITO E SOLIDARIEDADE.
(refrão final)
AGORA EU ME AMO E ESCOLHO A ALEGRIA PARA VIVER,
MESMO QUANDO A TRISTEZA TEM RAZÕES PARA APARECER;
PARTICIPO, DIALOGO, SEM DEIXAR DE ME CUIDAR,
GOSTO DA VIDA PÚBLICA E DE AJUDAR O MUNDO A MELHORAR.
A CIDADANIA COMO PARTICIPAÇÃO
Participar da vida pública é compreender que a sociedade não se constrói apenas pelas decisões de governantes, parlamentares ou autoridades, mas também pela participação cotidiana dos cidadãos. Essa participação inclui acompanhar políticas públicas, conhecer direitos, fiscalizar recursos, votar conscientemente, frequentar reuniões comunitárias, apresentar propostas, dialogar com pessoas de diferentes posições e cobrar resultados de quem exerce o poder. Por exemplo, quando moradores se organizam para solicitar melhorias no transporte, acompanhar a aplicação de verbas na escola ou reivindicar atendimento digno em uma unidade de saúde, estão exercendo cidadania de forma concreta. A participação também exige discernimento: compartilhar uma notícia sem verificar sua origem pode espalhar desinformação, enquanto consultar fontes distintas e examinar evidências contribui para um debate mais responsável. Em A Condição Humana, Hannah Arendt examina a importância da ação e da palavra no espaço público; em Democracia e Educação, John Dewey relaciona a experiência democrática à aprendizagem e à vida comunitária; e, em Desenvolvimento como Liberdade, Amartya Sen destaca a importância das liberdades e das oportunidades para que as pessoas participem das decisões que afetam suas vidas. A perspectiva bíblica também oferece elementos para essa reflexão, sem substituir a análise crítica das instituições: Miqueias 6:8 associa a vida justa à prática do direito, ao amor pela misericórdia e à humildade; Provérbios 31:8-9 convoca a defender quem não consegue fazer sua voz ser ouvida. À luz do exemplo de Jesus, a participação política pode ser avaliada pela maneira como trata os vulneráveis, respeita a dignidade humana e promove o bem comum. O poema, portanto, celebra uma cidadania ativa, informada e comprometida, que não confunde fidelidade a princípios com obediência cega a partidos, líderes ou grupos.
DIÁLOGO, RESPONSABILIDADE E ESPERANÇA DEMOCRÁTICA
A participação pública não significa que todos devam pensar da mesma maneira, nem que cada divergência precise terminar em consenso. Uma democracia saudável depende da possibilidade de discordar sem desumanizar o adversário, rever opiniões diante de evidências e reconhecer limites no próprio conhecimento. Imagine uma reunião em que moradores discutem a prioridade entre reformar uma praça e melhorar a iluminação das ruas: cada pessoa pode apresentar suas necessidades, examinar custos e buscar uma solução transparente, sem tratar quem pensa diferente como inimigo. Essa disposição dialoga com A Democracia na América, de Alexis de Tocqueville, que analisa a importância das associações e da participação cívica, e com Sobre a Liberdade, de John Stuart Mill, que defende a liberdade de expressão e o confronto de ideias. A vida pública, porém, também envolve conflitos reais de interesses e desigualdades de poder; por isso, dialogar não significa aceitar abusos ou abandonar a defesa dos direitos. É possível manter o respeito pelas pessoas e, ao mesmo tempo, denunciar corrupção, discriminação, violência ou políticas injustas. A passagem de Romanos 12:21 — sobre vencer o mal com o bem — pode inspirar uma postura que resista à crueldade sem reproduzi-la; já Mateus 5:9 valoriza os que promovem a paz, entendida não como silêncio diante da injustiça, mas como construção ativa de relações mais justas. A ponte do poema reconhece que o medo, o desencanto e a sensação de impotência podem levar alguém a se afastar dos debates. Esse afastamento pode ser compreensível em determinados momentos, sobretudo diante de conflitos exaustivos, mas não precisa definir toda a trajetória. Participar também requer limites, descanso e cuidado consigo mesmo: ninguém precisa acompanhar todas as crises nem assumir sozinho a responsabilidade pelo país. O refrão final une amor-próprio e alegria a um compromisso público sustentável. Mesmo quando a tristeza tem razões legítimas, é possível preservar vínculos, cultivar esperança realista e continuar contribuindo, em escala humana, para uma sociedade mais democrática.
BIBLIOGRAFIA
ARENDT, Hannah. A Condição Humana. 1958.
DEWEY, John. Democracia e Educação. 1916.
SEN, Amartya. Desenvolvimento como Liberdade. 1999.
TOCQUEVILLE, Alexis de. A Democracia na América. 1835–1840.
MILL, John Stuart. Sobre a Liberdade. 1859.
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Pr.Psi. Jônatas David Brandão Mota... pastorado4
teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)
(estrofe 1)
Sou muitas dimensões de uma só existência,
Vários caminhos que aprendi a percorrer;
Cada papel acrescentou experiência,
Sem me dividir, ajudou-me a crescer.
(estrofe 2)
Psicólogo, atento ao humano e à emoção,
Busco compreender o que faz alguém sofrer;
Teólogo, interrogo a fé e a revelação,
Procurando em Jesus razões para viver.
(estrofe 3)
Como escritor, dou às ideias moradia,
E ao pensamento, liberdade para voar;
Jornalista, persigo os fatos do dia,
Pois perguntar também é uma forma de cuidar.
(estrofe 4)
Estudioso do direito, busco a justiça,
Pastor, acolho esperanças e aflição;
Em cada ofício, aprendo que a vida precisa
De competência, consciência e compaixão.
(refrão)
GOSTO DAS MUITAS VERSÕES DE MIM,
DE CADA CAMINHO QUE ME TROUXE ATÉ AQUI;
SOU UM SÓ, COM MUITAS FORMAS DE EXISTIR,
E EM TODAS ELAS ENCONTRO RAZÕES PARA SEGUIR.
(estrofe 5)
Como pai, quero ensinar sem sufocar,
E aprender com quem me ensina a cada dia;
Como esposo, escolho amar, ouvir e cuidar,
Cultivando o respeito, a ternura e a parceria.
(estrofe 6)
Como filho, carrego histórias e raízes,
Como irmão, compartilho afeto e lembrança;
Nas alegrias, nas perdas, nas cicatrizes,
Aprendo que o amor também se faz esperança.
(estrofe 7)
Como amigo, ofereço presença verdadeira,
Como colega, coopero com lealdade;
Não preciso ser o melhor a vida inteira,
Basta agir com respeito e honestidade.
(refrão)
GOSTO DAS MUITAS VERSÕES DE MIM,
DE CADA CAMINHO QUE ME TROUXE ATÉ AQUI;
SOU UM SÓ, COM MUITAS FORMAS DE EXISTIR,
E EM TODAS ELAS ENCONTRO RAZÕES PARA SEGUIR.
(estrofe 8)
Como cidadão, participo do que é coletivo,
Defendo direitos, procuro compreender;
Não quero apenas assistir ao que está vivo,
Quero ajudar minha comunidade a florescer.
(estrofe 9)
Há dias em que um papel pede firmeza,
Enquanto outro reclama compreensão;
Não sou incoerente por sentir incerteza,
Nem perco minha essência ao mudar de posição.
(estrofe 10)
Não sou somente os títulos que conquistei,
Nem os aplausos que algum dia recebi;
Sou também as escolhas que refiz,
E o ser humano que ainda construo em mim.
(ponte)
Lamento as vezes em que tentei me reduzir,
Como se uma só versão pudesse me explicar;
Quando escondi partes de mim por medo de existir,
E deixei sonhos inteiros esperando para despertar.
(refrão)
GOSTO DAS MUITAS VERSÕES DE MIM,
DE CADA CAMINHO QUE ME TROUXE ATÉ AQUI;
SOU UM SÓ, COM MUITAS FORMAS DE EXISTIR,
E EM TODAS ELAS ENCONTRO RAZÕES PARA SEGUIR.
(refrão final)
AGORA EU ME AMO E ESCOLHO A ALEGRIA PARA VIVER,
MESMO QUANDO A TRISTEZA TEM RAZÕES PARA APARECER;
ACOLHO CADA PARTE DE MIM, SEM ME CONDENAR,
GOSTO DAS MUITAS VERSÕES DE MIM E ESCOLHO ME ALEGRAR.
IDENTIDADE E MULTIPLICIDADE DE PAPÉIS
As muitas versões de uma pessoa não precisam representar identidades incompatíveis. Elas podem ser compreendidas como dimensões de uma mesma trajetória, mobilizadas conforme as relações, as responsabilidades e as circunstâncias. Ser psicólogo, teólogo, escritor, jornalista, estudioso do direito e pastor envolve conhecimentos e compromissos diferentes; ser pai, esposo, filho, irmão, amigo, colega e cidadão envolve vínculos afetivos e sociais que também exigem atitudes distintas. A pessoa que escuta um paciente precisa de atenção e prudência; a que escreve pode precisar de imaginação e rigor; a que participa de um debate público deve combinar convicção com capacidade de ouvir. Essas diferenças não significam necessariamente falsidade ou fragmentação: podem expressar a complexidade de uma identidade que aprende e se adapta sem abandonar seus valores fundamentais. Em A Identidade, Erik Erikson examina a construção da identidade ao longo da vida, enquanto William James, em The Principles of Psychology, discute diferentes dimensões do eu e da experiência pessoal. Também é possível relacionar o tema à reflexão de Carl Rogers, em Tornar-se Pessoa, sobre a importância de reconhecer a experiência própria e desenvolver maior congruência entre aquilo que se sente, se reconhece e se vive. Na tradição bíblica, 1 Coríntios 12:12-27 apresenta a imagem de um corpo com muitos membros, diferentes em suas funções, mas ligados uns aos outros. Embora o texto trate diretamente da comunidade cristã, a imagem pode inspirar uma reflexão sobre a integração das diferenças: cada dimensão contribui de modo particular, sem precisar ocupar todas as funções ao mesmo tempo. Assim, o poema afirma que a diversidade de papéis pode ampliar a experiência e enriquecer a vida, desde que não seja confundida com a obrigação de desempenhar todos eles perfeitamente.
INTEGRAÇÃO, AUTENTICIDADE E AMOR-PRÓPRIO
Reconhecer as muitas dimensões de si também significa aceitar que elas podem entrar em tensão. As exigências profissionais podem disputar tempo com a família; a necessidade de cuidar dos outros pode entrar em conflito com a necessidade de descansar; uma convicção antiga pode precisar ser revista diante de novas evidências. Por exemplo, alguém pode exercer uma função de liderança e, em casa, precisar aprender a ouvir sem comandar; pode defender publicamente a justiça e, nas relações pessoais, descobrir que também precisa reconhecer os próprios erros. A coerência não exige agir de maneira idêntica em todas as situações, mas procurar princípios que orientem escolhas diferentes: honestidade, respeito, responsabilidade, compaixão e disposição para aprender. Na obra O Eu e os Mecanismos de Defesa, Anna Freud analisa processos psicológicos envolvidos na maneira como as pessoas lidam com conflitos internos; já a reflexão de Rogers sobre autenticidade ajuda a pensar uma relação menos defensiva com a própria experiência. A Bíblia também oferece uma referência para essa integração: em Marcos 12:30-31, o amor a Deus e ao próximo aparece associado ao amor a si mesmo, sugerindo que o cuidado com os outros não precisa depender da anulação pessoal. Em Romanos 12:4-6, a diversidade de funções é apresentada como parte de uma realidade compartilhada, sem exigir que todos façam a mesma coisa. O poema, portanto, não propõe que a pessoa se acomode em qualquer comportamento sob o argumento de que possui muitas versões; propõe que reconheça suas capacidades, limites, contradições e possibilidades de mudança. Lamentar os momentos em que se tentou reduzir a própria identidade pode ser um convite à reconciliação consigo mesmo, e não à culpa permanente. O refrão final acrescenta uma escolha consciente pela alegria, sem negar tristezas legítimas. Amar a si mesmo é permitir-se ser complexo, aprender com os próprios equívocos e continuar crescendo sem transformar cada falha numa condenação da própria existência.
BIBLIOGRAFIA
ERIKSON, Erik H. Identity: Youth and Crisis. 1968.
JAMES, William. The Principles of Psychology. 1890.
ROGERS, Carl R. Tornar-se Pessoa. 1961.
FREUD, Anna. O Eu e os Mecanismos de Defesa. 1936.
RICOEUR, Paul. O Si-Mesmo como Outro. 1990.
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teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)
(estrofe 1)
Ainda há caminhos que desejo percorrer,
Há livros esperando a hora de nascer;
Há perguntas que me chamam ao estudo,
E muito que aprender sobre a vida e sobre tudo.
(estrofe 2)
Não faço da idade uma porta encerrada,
Nem vejo a experiência como missão terminada;
O que vivi me oferece compreensão,
E o que virá ainda desperta imaginação.
(estrofe 3)
Há poemas que me pedem novas rimas,
Há ideias procurando outras esquinas;
Há páginas em branco, projetos por traçar,
E histórias que ainda quero compartilhar.
(estrofe 4)
Quero estudar, pesquisar, compreender,
Rever certezas, descobrir e aprender;
Não me envergonho de ainda perguntar,
Pois quem conserva a curiosidade continua a caminhar.
(refrão)
GOSTO DOS SONHOS QUE AINDA TENHO,
DAS NOVAS CONSTRUÇÕES QUE AINDA VENHO A FAZER;
NÃO DOU MEU FUTURO POR ENCERRADO,
AINDA HÁ MUITA VIDA QUE QUERO VIVER!
(estrofe 5)
Há gente que ainda posso acompanhar,
Experiências que merecem atenção;
Novos encontros que podem me ensinar,
E gestos que podem florescer em colaboração.
(estrofe 6)
Quero escrever livros que provoquem pensamento,
Criar poemas que acolham quem os ler;
Transformar em palavras o que trago por dentro,
E abrir novas janelas para alguém compreender.
(estrofe 7)
Se alguns projetos exigirem mais demora,
Não significa que eu deva desistir;
Há sementes que só brotam na sua hora,
E há conquistas que começam por persistir.
(refrão)
GOSTO DOS SONHOS QUE AINDA TENHO,
DAS NOVAS CONSTRUÇÕES QUE AINDA VENHO A FAZER;
NÃO DOU MEU FUTURO POR ENCERRADO,
AINDA HÁ MUITA VIDA QUE QUERO VIVER!
(estrofe 8)
Não preciso realizar tudo de uma vez,
Nem transformar cada desejo em obrigação;
Posso escolher o que faz sentido desta vez,
E dar aos meus projetos tempo e direção.
(estrofe 9)
Quero construir sem perder o presente,
Cuidar de quem amo e também de mim;
Que a esperança me mantenha consciente
De que cada etapa pode ter seu jardim.
(estrofe 10)
Ainda há ideias que merecem nascer,
Há horizontes que não pude explorar;
Enquanto houver vontade de aprender e fazer,
Terei motivos novos para sonhar.
(ponte)
Lamento os dias em que deixei de acreditar,
Quando o cansaço me convenceu a parar;
As vezes em que escondi meus sonhos no silêncio,
Como se o tempo tivesse encerrado meu começo.
(refrão)
GOSTO DOS SONHOS QUE AINDA TENHO,
DAS NOVAS CONSTRUÇÕES QUE AINDA VENHO A FAZER;
NÃO DOU MEU FUTURO POR ENCERRADO,
AINDA HÁ MUITA VIDA QUE QUERO VIVER!
(refrão final)
AGORA EU ME AMO E ESCOLHO A ALEGRIA PARA VIVER,
MESMO QUANDO A TRISTEZA TEM RAZÕES PARA APARECER;
ACOLHO MEU PASSADO, SEM DEIXAR DE AVANÇAR,
GOSTO DOS SONHOS QUE AINDA TENHO E DOS QUE VOU SONHAR.
SONHAR COMO EXPRESSÃO DE CONTINUIDADE
Ter sonhos na maturidade significa reconhecer que a história pessoal não termina quando algumas metas são alcançadas, quando a idade avança ou quando determinadas etapas se encerram. A experiência acumulada pode oferecer recursos para novos projetos: quem já estudou diferentes áreas pode aproximar conhecimentos; quem escreveu durante anos pode organizar livros, poemas e reflexões; quem trabalhou com pessoas pode transformar aprendizados em iniciativas educativas, comunitárias ou culturais. O sonho, nesse sentido, não é apenas imaginar um futuro ideal, mas identificar possibilidades e convertê-las, quando viável, em ações concretas. Em A Vida Adulta, Carl Gustav Jung reflete sobre os desafios e as transformações das diferentes fases da vida; em Desenvolvimento Humano, Paul B. Baltes e outros pesquisadores contribuíram para compreender o desenvolvimento como um processo que continua na idade adulta e na velhice, com ganhos, perdas e possibilidades de adaptação. A teoria da seletividade socioemocional, desenvolvida por Laura Carstensen, também ajuda a pensar como a percepção do tempo disponível pode influenciar prioridades, levando muitas pessoas a valorizar mais profundamente relações significativas e objetivos emocionalmente importantes. A Bíblia oferece imagens que dialogam com essa continuidade: em Joel 2:28, a visão de sonhos e visões atravessa gerações; em Filipenses 3:13-14, Paulo utiliza a imagem de prosseguir em direção ao que está adiante. Essas referências não prometem que todo projeto será realizado, mas permitem interpretar a esperança como disposição para continuar buscando sentido. Assim, os versos sobre livros, estudos, poemas, pesquisas e pessoas a ajudar expressam a ideia de que o futuro permanece aberto a iniciativas possíveis. A experiência não precisa ser tratada como um ponto final: pode tornar-se fundamento para escolhas mais conscientes, criativas e coerentes com aquilo que ainda importa.
ESPERANÇA REALISTA, PROPÓSITO E CUIDADO PESSOAL
Manter sonhos não significa viver insatisfeito com o presente, acumular obrigações ou medir o próprio valor pelo número de conquistas. A esperança mais sustentável combina desejo e discernimento: permite estabelecer prioridades, reconhecer limites, adaptar planos e aceitar que alguns projetos talvez precisem mudar de forma. Por exemplo, alguém que deseja escrever vários livros pode começar por um capítulo semanal; quem pretende continuar estudando pode selecionar um curso compatível com seu tempo; quem deseja ajudar mais pessoas pode desenvolver uma iniciativa pequena, mas constante, em vez de assumir compromissos impossíveis de sustentar. Essa postura se aproxima da psicologia do desenvolvimento, que reconhece a importância de ajustar objetivos aos recursos e às circunstâncias, e da reflexão de Viktor Frankl em Em Busca de Sentido, segundo a qual encontrar significado pode ajudar a pessoa a enfrentar dificuldades e reorganizar suas escolhas. Em Flow: A Psicologia do Alto Desempenho e da Felicidade, Mihaly Csikszentmihalyi examina como o envolvimento significativo em atividades pode contribuir para a experiência de realização. A perspectiva bíblica também oferece equilíbrio entre planejamento e humildade: Provérbios 16:3 convida a confiar a Deus as obras e os projetos, enquanto Eclesiastes 3:1 reconhece que há tempos diferentes para as diversas experiências humanas. Essas passagens podem inspirar uma esperança que não confunde fé com garantia de sucesso nem transforma imprevistos em fracasso pessoal. A ponte do poema lamenta os períodos em que o desânimo levou a abandonar possibilidades, mas não exige culpa por todo sonho interrompido: às vezes, parar foi necessário, e outras vezes será preciso recomeçar de maneira diferente. O refrão final acrescenta o amor-próprio e a escolha da alegria, sem negar tristezas justificáveis. É possível lamentar perdas, enfrentar limitações e sentir cansaço enquanto se preserva o direito de imaginar novos caminhos. O importante não é realizar tudo, mas continuar escolhendo, com liberdade e cuidado, aquilo que ainda pode dar sentido aos dias.
BIBLIOGRAFIA
FRANKL, Viktor E. Em Busca de Sentido. 1946.
CSIKSZENTMIHALYI, Mihaly. Flow: The Psychology of Optimal Experience. 1990.
JUNG, Carl Gustav. A Vida Simbólica. 1939–1958.
BALTES, Paul B.; BALTES, Margret M. (orgs.). Successful Aging: Perspectives from the Behavioral Sciences. 1990.
CARSTENSEN, Laura L. A Long Bright Future: An Action Plan for a Lifetime of Happiness, Health, and Financial Security. 2009.
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Pr.Psi. Jônatas David Brandão Mota... pastorado4
teologia, direito, psicologia, jornalismo (serviço social)
(estrofe 1)
Não sou obra pronta, concluída e acabada,
Sou escolha que amadurece a cada estação;
Há sempre uma ideia esperando ser trabalhada,
E um novo aprendizado ampliando a visão.
(estrofe 2)
O que ontem eu pensava hoje posso rever,
Sem apagar o caminho que me trouxe até aqui;
Mudar de entendimento também é crescer,
E descobrir novas respostas dentro de mim.
(estrofe 3)
Ainda há livros que desejo escrever,
Há pesquisas que merecem investigação;
Há versos que esperam o tempo de nascer,
E projetos pedindo coragem e dedicação.
(estrofe 4)
Quero renovar minhas formas de ensinar,
Encontrar outras maneiras de compreender;
Há muito conhecimento para compartilhar,
E tantas perspectivas que posso conhecer.
(refrão)
GOSTO DO QUE AINDA ESTOU CONSTRUINDO,
DAS NOVAS POSSIBILIDADES QUE VOU DESCOBRINDO;
NÃO PRECISO ESTAR PRONTO PARA ME VALORIZAR,
SOU VIDA EM MOVIMENTO, COM ESPAÇO PARA MUDAR!
(estrofe 5)
Também construo relações com mais cuidado,
Aprendo a ouvir antes de responder;
Posso reconhecer quando estou equivocado,
E reparar meus erros sem deixar de me querer.
(estrofe 6)
Há experiências que ainda não vivi,
Lugares, encontros, perguntas por explorar;
Não preciso conhecer tudo o que há por aí,
Para conservar a vontade de experimentar.
(estrofe 7)
Quero servir melhor com aquilo que aprendi,
Fazer do meu trabalho uma contribuição;
Se posso abrir caminhos, não ficarei só aqui,
Quero somar esforços na mesma direção.
(refrão)
GOSTO DO QUE AINDA ESTOU CONSTRUINDO,
DAS NOVAS POSSIBILIDADES QUE VOU DESCOBRINDO;
NÃO PRECISO ESTAR PRONTO PARA ME VALORIZAR,
SOU VIDA EM MOVIMENTO, COM ESPAÇO PARA MUDAR!
(estrofe 8)
Não exijo perfeição de cada tentativa,
Nem faço de um tropeço uma definição;
Recomeçar também é uma escolha positiva,
Quando aprendo com os erros e ajusto a direção.
(estrofe 9)
Quero cuidar do corpo, da mente e dos afetos,
Respeitar meus limites, meu ritmo e meu querer;
Há sonhos que pedem passos mais discretos,
E metas que precisam de tempo para florescer.
(estrofe 10)
O que construí merece reconhecimento,
O que ainda virá merece consideração;
Entre a memória, a esperança e o movimento,
Escolho seguir com propósito e gratidão.
(ponte)
Lamento os dias em que parei de tentar,
Quando exigi de mim respostas definitivas;
As vezes em que tive medo de recomeçar,
E tratei como fracasso as mudanças da vida.
(refrão)
GOSTO DO QUE AINDA ESTOU CONSTRUINDO,
DAS NOVAS POSSIBILIDADES QUE VOU DESCOBRINDO;
NÃO PRECISO ESTAR PRONTO PARA ME VALORIZAR,
SOU VIDA EM MOVIMENTO, COM ESPAÇO PARA MUDAR!
(refrão final)
AGORA EU ME AMO E ESCOLHO A ALEGRIA PARA VIVER,
MESMO QUANDO A TRISTEZA TEM RAZÕES PARA APARECER;
HONRO O QUE JÁ FIZ E O QUE AINDA VOU CRIAR,
GOSTO DO QUE AINDA ESTOU CONSTRUINDO E DE ME AMAR.
A VIDA COMO PROCESSO CONTÍNUO
A ideia de que a vida precisa estar pronta pode transformar a existência numa cobrança interminável: a pessoa acredita que só poderá se valorizar quando concluir todos os projetos, alcançar determinado reconhecimento ou eliminar suas fragilidades. O poema contesta essa exigência ao apresentar a identidade como uma construção contínua, que reúne experiências passadas, decisões presentes e possibilidades futuras. Isso não significa desprezar o que já foi conquistado, mas reconhecer que a realização não depende de chegar a um estado definitivo de perfeição. Um profissional experiente pode voltar a estudar; um escritor pode descobrir novas formas de expressão; alguém que já ajudou muitas pessoas pode aprender a escutar melhor; e uma pessoa que cometeu erros pode assumir responsabilidades e desenvolver atitudes diferentes. Em Tornar-se Pessoa, Carl Rogers valoriza o processo de desenvolvimento e a possibilidade de uma relação mais autêntica consigo me
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