Mamíferos


Pesquisa mostra que mamíferos podem ter surgido bem antes do que se imaginava

 12 de setembro de 2014
California Turns To Birth Control To Stop Squirrel Overpopulation
Pesquisadores acreditavam (baseados em anos de pesquisa) que os mamíferos surgiram no período Jurássico Médio, entre 176 e 161 milhões de anos atrás. Mas um estudo recente feito com fósseis de três espécies parecidas com os esquilos atuais sugere que os mamíferos podem ter se originado há muito mais tempo que isso: há cerca de 208 milhões de anos, no período Triássico (período mais antigo da era mesozoica).  A conclusão é de paleontólogos do Museu Americano de História Natural e da Academia Chinesa de Ciências.
As três espécies – Shenshou lui, Xianshou linglong e Xianshou songae – foram descritas a partir de seis fósseis completos encontrados na China e foram reunidas em um novo grupo, chamado de Euharamiyida. Os pequenos “esquilos” pesavam entre cerca de 28 g e 283 g e se alimentavam de insetos, nozes e frutas.
Os cientistas encontraram uma grande diferença entre os dentes dos esquilos atuais e os dessas espécies: estes têm  dentes “esquisitos”, com relevos e partes pontiagudas, confirmando que houve uma grande evolução de lá para cá. De acordo com os pesquisadores, os animais também tinham rabos e pés que indicavam que eram moradores de árvores.
“Eles eram ótimos alpinistas e provavelmente passaram mais tempo em árvores do que os esquilos de hoje”, disse o co-autor do estudo, Jin Meng, curador da divisão de Paleontologia do Museu Americano de História Natural. “Seus pés e mãos foram adaptados para agarrar galhos, mas não eram tão bons e rápidos quanto os esquilos ao caminhar ou correr no chão”, completou.

Foto: Getty Images/ Imagem meramente ilustrativa
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http://super.abril.com.br/blogs/supernovas/2014/09/12/pesquisa-mostra-que-mamiferos-podem-ter-surgido-bem-antes-do-que-se-imaginava/

O Sistema Solar

Img - Curiosidades sobre nosso sistema solar


Curiosidades sobre nosso sistema solar

Por: wikibooks.org
* O ano bissexto ocorre a cada quatro anos e tem o mês de fevereiro um dia de acréscimo (o dia 29). Isso é bastante sabido, mas sabes o porquê disso?

Um dia não tem exatamente 24 horas, esse é um número fracionado. Um dia tem na verdade 23 horas mais uma fração de hora. Devido à este arredondamento cada ano dura 365,25 dias (365 dias mais 6 horas). Em quatro anos essas frações de dias (6 horas) tornam-se um dia inteiro, e ele é adicionado ao ano bissexto para manter a data correta.

* Os planetas levam meses e até anos para dar uma volta completa em torno do Sol (que representa um ano naquele lugar). Medindo em dias/meses/anos terrestres, essa é a duração dos anos marcianos, jupiterianos, mercurianos etc.:
o Mercúrio 88 dias
o Vênus 225 dias
o Terra 365 dias
o Marte 1 ano e 322 dias
o Júpiter 11 anos e 315 dias
o Saturno 29 anos e 167 dias
o Urano 87 anos e 7 dias
o Netuno 164 anos e 280 dias

* Por curiosidade citaremos também o ex-planeta Plutão (atualmente é um planeta anão).
o Plutão 247 anos e 249 dias

* Como pode-se perceber a duração varia muito entre os planetas. Isso ocorre devido a distância do Sol. Apesar de os anos poderem demorar bastante tempo, há planetas que o dia é rapidíssimo — e vice-versa.


O Sorriso

Deixe de lado essa cara amarrada e veja razões científicas para sorrir mais – sua vida agradece.

Você já deve ter escutado que sorrir faz bem em vários aspectos: saúde, relacionamentos pessoais e até profissionais.
Mas você sabia que existem razões científicas para sorrir mais vezes? Foi esse o tema da palestra de Ron Gutman no TED.
Ele revisou uma série de estudos sobre sorrir e descobriu resultados surpreendentes. Você sabia que o seu sorriso pode ser uma previsão do quanto sua vida vai durar?
Tem mais: um simples sorriso tem um efeito mensurável no seu bem estar. Prepare-se para flexionar seus músculos faciais com essa palestra divertida e informativa.
Clique no play abaixo para assistir.
Você também acha que sorrir faz bem para a vida? Acha que as pessoas deveriam sorrir mais vezes?


http://awebic.com/pessoas/deixe-de-lado-essa-cara-amarrada-e-veja-razoes-cientificas-para-sorrir-mais-sua-vida-agradece/

O Tempo

Mercado do tempo

Tempo não é dinheiro: bem ou mal investido, ele sempre vai acabar. Aprenda a lidar com este bem perecível, intransferível e precioso. Para controlá-lo, é preciso entendê-lo

por Emiliano Urbim
Natal já tá aí. O ano passou voando. É a vida, cada vez mais corrida. Vinte e quatro horas é pouco - precisava um dia maior para pôr tudo em dia. 

Contra esses lugares-comuns, boa parte dos manuais prescreve doses regulares de priorização, planejamento, multitasking, lembretes, listas e agendas, analógicas e digitais. Mas a ciência tem uma receita diferente: você não vai aprender a controlar seu tempo encarando um calendário. Antes, é necessário olhar para outros lugares. 

Sua compra do mercado, por exemplo: é para resolver uma refeição ou o resto da semana? Tem aqueles orgânicos que você prometeu consumir? Aliás, você trouxe uma lista? É no dia a dia que se revela nossa habilidade de cumprir planos.

Não é algo que você nasce sabendo. A forma como você gasta e às vezes ganha tempo é influenciada por fatores culturais, geográficos e econômicos. Tudo isso resulta na sua orientação temporal, uma fórmula pessoal de encarar passado, presente e futuro. Mas uma coisa vale para todos nós: o tempo passa. Melhor aprender a lidar com ele e acompanhar seu ritmo, antes que ele acabe ultrapassando você.

Natural x artificial
Um segundo não é a 60ª parte de 1 minuto. Desde 1967 ele foi redefinido pelo Sistema Internacional de Unidades como "a duração de 9 192 631 770 ciclos de radiação de uma transição eletrônica no átomo de césio-133". Em 1997, um adendo: "a -273,15 °C". Usar um átomo para medir o tempo sugere que segundos, minutos e horas estavam aí, esperando ser descobertos. Mas o tempo do relógio é tão artificial quanto recente - ainda estamos nos adaptando a ele.

Basicamente, sua mente é uma máquina de 150 mil anos que se desdobrou para acompanhar os últimos 150. Ela é do tempo dos índios pirarrãs, exemplo de pré-história em pleno século 21. Os pirarrãs, que vivem no Amazonas, não têm palavras para descrever passado e futuro, só o que aconteceu hoje. A refeição, a dança e o sono começam quando a natureza pedir. É assim que viviam os primeiros grupos humanos.

Enquanto nossos antepassados só se ocupavam de sobreviver, não havia muito estímulo para planos e memórias. Mas o domínio do ambiente permitiu que se chegasse aos sofisticados conceitos de "ontem" e "amanhã". Os primeiros astrônomos aprenderam a medir as fases da Lua e a passagem dos anos. Relógios de sol mediam as divisões do dia, e relógios de água, ancestrais daqueles de shopping, a passagem da noite. Outras coisas que fluíam ou se consumiam, como areia, velas e incensos, também eram usados, mas "amanhecer", "sol a pino" e "anoitecer" ainda eram horários mais confiáveis.

Só na Idade Média surgiram os primeiros relógios mecânicos. Mas não tinham ponteiros nem números: mais do que mostrar, eles "soavam" o tempo, tocando um sino na hora de rezar. Em 1656, um matemático holandês criou o primeiro relógio de pêndulo, que na virada do século, com o avanço tecnológico, já marcava até minutos com precisão. Agora era possível provar que alguém estava atrasado 15 minutos - ao menos dentro nos limites municipais. 

Sim, cada cidade tinha seu horário, calibrado pelo meio-dia local. Foi o trem, um meio de transporte com hora para sair e chegar, que forçou a padronização. Levou um tempo, claro. Alguns relógios ingleses de meados do século 19 possuíam dois ponteiros de minutos: o do "horário local" e o "da ferrovia" - na verdade, o do meridiano de Greenwich, que se tornaria a hora oficial em 1880, abrindo caminho para a adoção dos fusos horários. 

Logo o "horário da ferrovia" era a hora certa. Para que o mundo todo se movesse como uma locomotiva, escola, trabalho, lazer e descanso ganharam hora para acontecer. Como reparou o historiador Helmut Kahlert, o relógio, antes tão útil quanto um chafariz, foi se aproximando dos seres humanos: da torre da igreja para a sala da casa, passando pelo bolso até chegar ao pulso - mesmo no celular, ele continua bem próximo. 

Em menos de um século, a Revolução Industrial transformou em planilha um mundo que ainda tinha muito de pirarrã. Não é à toa que nosso cérebro às vezes tem dificuldade de acompanhar o ritmo. Mas esse processo não chegou de maneira uniforme a todas as sociedades modernas - inclusive a uma sociedadeque você conhece bem.

Rápido x devagar
Ao chegar ao Brasil, em 1976, as primeiras palavras que o americano Robert Levine aprendeu não foram clássicos como "samba" ou "caipirinha", mas "calma" e "amanhã". Na Universidade Federal de Niterói, nenhum de seus alunos de psicologia social parecia se importar com horários e datas. Com o tempo, ele se rendeu aos atrasados, até porque o exemplo vinha de cima: entre seus colegas, não havia compromisso capaz de abreviar um bom almoço. Após um ano de "desorientação, frustração, fascínio e obsessão" com o país em que ônibus paravam para o motorista passar na padaria, Levine decidiu que ia estudar os diferentes passos do mundo. 

Em uma de suas pesquisas, o professor mediu os mesmos 3 índices em dezenas de países: velocidade de pedestres, duração de atendimento em bancos e a hora certa dos relógios. Para supresa de ninguém, o 1º lugar ficou com a Suíça, seguida de Alemanha e Japão. Já o Brasil só escapou da lanterna graças à Indonésia e ao México. "Não se trata simplesmente de povos lerdos e povos apressados", esclarece Levine. A raiz da diferença é que, enquanto algumas sociedades já estão totalmente no "tempo do relógio" trazido pela Revolução Industrial, outras ainda curtem resquícios do "tempo do evento". 

No tempo do relógio, é ele quem comanda o início e o fim das atividades. No tempo do evento, as atividades começam e terminam quando, por consenso, os envolvidos consideram que é a hora certa. Isso é muito claro em partes da África onde vale o "tempo africano" - basicamente, uma falta absoluta de senso de urgência. Não que todo mundo leve na boa: em 2007, a Costa do Marfim chegou a fazer uma campanha chamada "O Tempo Africano Está Matando a África - Vamos Lutar contra Ele". 

Comparando cidades, Levine concluiu que a rapidez parece ser fruto do capitalismo: quanto maior a economia local, sua diversificação, a densidade populacional e a cultura individualista, mais rápido é o ritmo da vida. E uma cidade acelerada atrai gente acelerada e expulsa os lerdos, criando um ciclo de aumento da velocidade nas metrópoles. No Brasil, por exemplo, já é comum que paulistanos considerem o ritmo de outras regiões (especialmente os serviços) muito lentos. 

Claro que isso traz problemas: regiões apressadas apresentam um índice maior de obesidade, estresse e doenças do coração. Por outro lado, o psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi descobriu que os mais deprimidos são justamente aqueles que não têm pressão temporal nenhuma. Pelas pesquisas do professor Levine, as pessoas que andam mais rápido se dizem mais satisfeitas com a vida de uma maneira geral e ganham mais dinheiro. 

Vale lembrar que aquele levantamento em que o Brasil ficou em antepenúltimo foi feito no início dos anos 90. "Soube que houve muito progresso econômico nos últimos 20 anos. Portanto, se minhas teorias estão certas, o ritmo de vida acelerou e vocês já devem ter subido algumas posições", afirma Levine.

Mesmo que apressemos o passo, vamos continuar sofrendo de um mal que aflige de banqueiros suíços a tribos africanas: todo mundo deixa pra depois. Quando se trata de gerenciar o próprio tempo, lerdos e apressados sofrem com a procrastinação. 

Agora x depois
Procrastinar é não fazer aquilo que você deveria estar fazendo - mas sem curtir essa folga. Procrastinar é diferente de matar aula para ir ao cinema: ainda que envolva evitar tarefas não prazerosas, não dá prazer. Ao contrário, é uma atividade angustiante. É esse contorcionismo mental que chama a atenção dos especialistas: você precisa muito fazer isto, mas alguma coisa dentro de você acaba desviando a sua atenção para qualquer outra coisa. A internet, claro, deixou tudo mais complicado. 

Um editorial do American Journal of Psychiatry comparou: "Decepcionar-se por não conseguir realizar uma tarefa longa conectado é como fornecer doses de ópio para operários no meio do expediente e se surpreender quando isso se torna um problema". 

Para David Meyer, neurologista da Universidade de Michigan, é um problema de saúde: se os viciados em internet pudessem ver sua mente, teriam surpresas desagradáveis, como fumantes que veem seus pulmões. Para o economista Herbert Simon, trata-se de um problema de alocação de recursos. Informação consome nossa atenção. Logo uma riqueza de informação causa escassez de atenção. Cabe a nós resistir ao instinto de ficar atento à distração. 

Outro impulso a ser combatido é a gratificação imediata. Há um experimento clássico em que uma pessoa é solicitada a escolher se quer R$ 100 agora ou R$ 110 amanhã; a maioria quer R$ 100 agora. Em outro momento, a oferta é R$ 100 daqui a 30 dias ou R$ 110 daqui a 31 dias; aí, a maioria espera. Na essência, as duas ofertas são idênticas - você espera um dia a mais e ganha R$ 10 pela paciência. Na prática, fazemos escolhas melhores quando pensamos no futuro, mas não quando o dilema está na nossa cara. É por isso que a lista de filmes que você quer ver antes de morrer é repleta de clássicos, mas você sempre acaba assistindo à reprise de Se Beber, Não Case ou Mamma Mia. Da mesma forma, você planeja uma tarde de trabalho e, quando vê, a tela do computador tem trocentas abas abertas e nelas há de tudo, menos trabalho. 

Contra esse tipo de atraso, psicólogos, filósofos e até economistas paternalistas têm se rendido ao que eles chamam de "vontade estendida" - ferramentas externas que ajudam a nossa parte que quer trabalhar. Um estudo do M.I.T. mostra que esse controle não precisa vir necessariamente de cima para baixo. Confrontados com as opções de entregar todos os trabalhos no fim do semestre ou acertar datas de entrega diferentes, a maioria preferiu a segunda alternativa. Moral da história: em vez de se expor à vagabundagem involuntária, eles preferiram um controle externo para fazer o que racionalmente queriam - estudar.

Outro exemplo de vontade estendida são os programas de computador que protegem você da sua própria procrastinação. Com nomes sugestivos como Freedom ("Liberdade") e Isolator ("Isolador"), eles podem bloquear o Facebook ou mesmo cortar todo o acesso à internet por horas. Para roubar no limite autoimposto, é preciso desligar o computador - uma barreira que, dizem, garante o foco da maioria. A máquina baleada é mais útil do que 100% operacional.

Ou seja, é preciso observar seus hábitos e admitir seus desejos e falhas para conseguir fazer o que quer na hora em que quer. Sem esse exame, listas e agendas são tão úteis quanto figas e trevos-de-quatro-folhas. Mas, antes de encerrar o assunto, é bom ficar atento para o fato de que atrasar as coisas pode não ser culpa sua, mas das coisas. Vale parar pra pensar se você está procrastinando porque, lá no fundo, não vê sentido naquela tarefa. Se for o caso, é melhor deixar pra depois mesmo. Antes, você precisa conhecer um negócio que se chama "perspectiva temporal". 

Curtir x planejar
Quando você relembra o passado, é com nostalgia ou remorso? Quando encara o presente, é com prazer ou desgosto? E o futuro, traz medo ou esperança? A maneira como você responde essas perguntas se reflete nos seus pensamentos, sentimentos e comportamentos - ou seja, em tudo que você faz. 

Essa atitude que cada um tem em relação ao tempo é chamada de perspectiva temporal. Quem criou o conceito foi Philip Zimbardo, papa da ciência do comportamento desde que, em 1971, sacudiu Stanford com um experimento em que alunos comuns passaram a se comportar como guardas e prisioneiros. Para Zimbardo, apesar de geralmente inconsciente, a perspectiva temporal é de suma importância: "Por meio dela, nossas experiências são agrupadas em categorias que dão ordem, coerência e significado a nossa vida". 

Através da aplicação de um teste padronizado ao longo de 20 anos, foi possível ver que nossa perspectiva se divide em 5 orientações: passado negativo, passado positivo, presente fatalista, presente hedonista e a futurista. (Você pode descobrir a sua fazendo o teste no site da SUPER - super.abril.com.br/testes.) 

Simplificando bastante, se todos comparecessem a uma reunião de formatura, o passado positivo estaria morrendo de saudade de todos e o passado negativo só citaria memórias ruins da faculdade. O presente hedonista iria beber, comer e dançar bastante, enquanto o fatalista talvez nem viesse. Já o futurista, que se cuida, iria parecer menos velho que os outros e já começar a planejar a reunião seguinte. Claro que ninguém é unidimensional como esses personagens. A sua perspectiva é uma mistura de todas, mas sempre tem uma que predomina sobre as outras, como as características atribuídas a um signo do horóscopo.

O seu passado, por exemplo, é uma questão de atitude: valorizar memórias boas evita que você viva lamentando ou reconhecendo erros. Até porque você pode hackear suas memórias. Em um experimento, a psicóloga Elizabeth Loftus, da Universidade da Califórnia, mostrou seguidas vezes um vídeo de carros batendo para dois grupos. O primeiro, ao ser perguntando como fora a "batidinha", não viu nada de mais. O segundo, inquirido sobre o "acidente", relatou sangue, vidro quebrado, destroços - e nada disso estava no vídeo. Esse é um exemplo de como a memória muda com informações do presente. Com certeza, lembranças arquivadas como "acidentes" podem ser vistas como "batidinhas". 

As perspectivas do presente e do futuro são as mais comuns, e as que mais entram em conflito. Situações citadas ao longo do texto, como apego ao tempo natural, ritmo lento de vida e procrastinação, podem todas ser debitadas na conta do presente. No outro extremo, pontualidade, ritmo acelerado e apego ao planejamento são características da orientação para o futuro. Qual das duas você acha que todos querem ter? 

Velozes e ciosos
Não dá para negar: o mundo é de quem anda mais rápido e pensa mais longe. Estudar, poupar e planejar são todos pré-requisitos para a entrada na classe média. Com o progresso econômico pessoal e coletivo, o mundo se acelera. A não ser que você seja um pirarrã ou ligado a uma instituição parecida com a que Robert Levine encontrou em Niterói, não adianta tentar voltar o relógio. Fantasias urbanas à parte, seus estudos mostram que a vida lenta é o caminho mais curto para o tédio e a depressão. O jeito é relaxar e abraçar a velocidade. (Se quiser começar agora, o quadro à esquerda tem várias dicas.)

Para começar, não é impossível se concentrar em um mundo online. Como lembra Winifred Gallagher, autora de Rapt ("Focado", sem versão em português), a tecnologia é neutra. "Se você para tudo que está fazendo cada vez que recebe uma mensagem, a culpa não é da máquina, é sua."

Ao mesmo tempo, distração não é um mal em si. Nenhuma atividade criativa vai fazer juz ao nome sem um passeio mental, que permite associações inusitadas. Foco e distração são a sístole e a diástole da mesma consciência. Para quem teme que as crianças de hoje, nativas digitais, nunca aprendam a focar em uma tarefa por tempo suficiente, neurocientistas apostam que elas vão é se concentrar em tarefas simultâneas. 

Mas, se o futuro é a orientação ideal, não deve ser a única. É preciso valorizar as tradições, que nos fizeram quem somos. Também cabe um hedonismo: ao lado do acelerador está o freio, pra que o dia tenha duas dúzias de horas e o ano não passe em branco. Falar nisso, o Natal já tá aí - como vai ser o seu?
Foco no passado 
Enxergando ontem com olhos de hoje 

Muito do que você faz tem a ver com o que já fez. Quando essa tendência é acentuada, não há margem de manobra: você acaba repetindo os mesmos acertos e erros. Quem tem foco positivo no passado reúne parentes e gosta de montar álbuns de família; na variação negativa, fica remoendo o que poderia ter sido. Para o psicólogo social Philip Zimbardo, é uma perspectiva desejável, "mas não pode ser o centro da vida de ninguém, em nenhuma idade".

TEIMOSIA
Em vez de tentar algo novo, como trocar o coador de café por uma cafeteira, preferem manter os velhos hábitos.

NOSTALGIA
Buscam se cercar de símbolos do passado. Podem ser fotos antigas ou até produtos que consumiam na infância. 

FIXAÇÃO
Evitam comidas novas, não se expõem a músicas ou filmes não familiares e têm dificuldade em cultivar novas amizades.

SEGURANÇA
Não são de correr riscos, optando pelas soluções que já conhecem. Mesmo que surjam produtos revolucionários, tendem a continuar usando os antigos.

Foco no presente 
O que importa é o momento, a vida é pra ser vivida 

O foco no presente é o mais comum - e ao qual é mais difícil resistir. Afinal, é nele que o ser humano viveu milhares de anos, quando tudo o que importava era chegar vivo ao fim do dia. O "presentista" é impulsivo e ansioso, sempre se divertindo ou buscando diversão. Na variação hedonista, é a alma da festa. Na fatalista, tende à depressão. Bem utilizada, é uma perspectiva ótima: por que deixar pra amanhã o que se pode curtir hoje?

SEDENTO
Impulsivos, têm mais possibilidade de se complicar com álcool e outras drogas. 

SEDENTÁRIO
Pouco adeptos de exercícios, comem mal, sabotam dietas e vão pouco ao médico. 

PERDULÁRIO
Gasta no que não deve e o que não tem, valorizando a satisfação do consumo imediato.

PERDIDO
Não é pontual, privilegiando a vida pessoal a compromissos.

Foco no futuro 
Planejar, poupar e se conter são as prioridades 

"Pode-se creditar o sucesso da civilização ocidental à orientação futura de muitas populações", diz Philip Zimbardo. É a perspectiva que todos querem (ou ao menos sabem que deveriam) ter. Passa a ser um problema quando o olho no amanhã impede que você aproveite o hoje. Correr é importante, mas saber desacelerar é mais importante ainda. 

LOGÍSTICA
Compram antes ou estocam aquilo que sabem que vão precisar.

PRECAUÇÃO
Não costumam ter surpresas - e não gostam delas. Fazem tudo para que a coisa siga conforme o plano. 

POUPANÇA
Bem-sucedidos profissionalmente, cuidam das finanças e costumam estar preparados para emergências. 

CONTROLE
Pesam a gratificação imediata contra os custos futuros, o que se reflete em uma alimentação mais saudável, por exemplo.

PREVENÇÃO
Pensando no futuro, tendem a ter menos vícios, dirigir mais devagar e usar camisinha. Fazem exercícios e marcam exames preventivos.

Corro. Demais! 
Dicas para acelerar sem perder o ritmo 

Observe
Procure andar mais com quem foca o futuro. Veja como é o mundo deles. É preciso ter um exemplo próximo de alguém que cumpre metas, para acreditar que é possível.

Inverta
Reordene sua caixa de entrada de e-mails para que os mais antigos fiquem no alto da lista. Resolver o passado libera o futuro. Aliás, isso vale para muito mais coisas além de e-mail.

Distraia-se
Não precisa se punir quando estiver com a cabeça em outra coisa: vagabundagem mental é essencial para o processo criativo. Um minuto de distração pode inspirar horas de foco.

Cronometre
Subestimamos o tempo das tarefas, seja por ignorar a duração delas no passado, seja por não prever imprevistos. Descubra o tempo que as coisas duram para se planejar direito.

Evite
Aprenda a dizer "não" - saber o que não fazer é tão importante quanto saber o que fazer. Tempo é precioso: dê um pouco a si mesmo.

Pare
Agende blocos de tempo apenas para pensar nos seus dilemas - um momento sem TV, computador ou telefone, só com você. Se quiser, pode chamar de meditação.

Separe
Multitasking é mito: até computador derrapa pra fazer tarefas simultâneas. Se não for algo simples, como lavar louça e ouvir música, melhor fazer uma de cada vez.

Aliste-se
O ideal é fazer listas que você possa cumprir em um dia - uma semana já é muito tempo. Nunca coloque tarefas vagas: quanto mais específico, melhor.

Cuide-se
Exercício e dieta balanceada não aceleram só o metabolismo - eles aumentam seu foco e sua concentração, permitindo que você complete seu trabalho em menos tempo.


Fontes Do it Tomorrow and Other Secrets of Time Management, Mark Forster; Shed Your Stuff, Change Your Life, Julie Morgenstern; Getting Things Done, David Allen.


Para saber mais 

The Thief of Time
Chrisoula Andreou e Mark D. White (org.), Oxford University Press, 2010.

Geography of Time
Philip Zimbardo e John Boyd, Free Press, 2009.

The Time Paradox
Robert Levine, Basic Books, 1998.

http://super.abril.com.br/cotidiano/mercado-tempo-614293.shtml

Memorização


8 técnicas pra memorizar as coisas que você aprende
Anda esquecido? Confira essa lista05/09/2014 - 10H09/ ATUALIZADO 15H0909 / POR ANA FREITAS




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/TAMANHO DO TEXTOA+A-

(FOTO: THE LEAF PROJECT/ FLICKR/ CREATIVE COMMONS)

Como anda sua memória? De acordo com estudo científicos, sua resposta só é honesta se você disser: mal, bem mal. É que pesquisas mostram que nos lembramos apenas de 10% daquilo que aprendemos. Os outros 90% são esquecidos rapidamente, logo depois que a gente aprende.

Infelizmente, não dá pra escrever esse argumento no vestibular e passar na faculdade, ou então dizer pro professor e esperar aprovação na prova. Especialmente no ensino tradicional, que quase sempre avalia a capacidade de reproduzir conteúdo, a memória é fundamental. Por isso, se você conhecer algumas técnicas que te ajudem a memorizar as coisas que você aprende, pode sair na frente. Confira:

1. Ler e ouvir não bastam
A melhor maneira de aprender é discutindo em grupo ou ensinando o que se está tentando aprender. É que se concentrar é muito mais fácil (mandatório, até) quando você está conversando com alguém sobre um tema ou explicando aquilo. Ler ou ouvir alguém falando é muito mais suscetível a distrações e interrupções no seu processo de concentração.

2. Ache um enfoque do assunto que lhe interesse
É mais fácil lembrar de algo do seu interesse do que de algo que não lhe interessa - óbvio. É por isso que, se você gosta de uma matéria, provavelmente tem muito mais facilidade em aprendê-la. Tente achar um enfoque dentro de um assunto que não te interesse tanto, um recorte ou uma abordagem que tenha mais apelo pro seu gosto pessoal. Depois, na vida adulta, se possível, estude só o que você gosta. A vida vai ser mais fácil.

3. Concentre-se
Deixe de lado as notificações do celular e foque no que está estudando. Se você estiver cansado ou distraído, é muito mais difícil para o cérebro fixar o conteúdo com o qual você está tomando contato.

4. Lembretes na hora certa
Há horas melhores e piores para se lembrar de algo que você aprendeu (e o resgate desse conteúdo ajuda você a fixar as coisas na memória). Se você precisa fixar algum conteúdo, a dica é: estude, estude de novo dali uma hora e depois de 24 horas. Ou use o SuperMemo, um site que calcula o tempo exato em que você vai se esquecer de algo e te ajuda a lembrar imediatamente antes de esquecer.

5. Descanse
Faça pausas entre os estudos. Não dá pra saber exatamente quanto e como você deve parar porque isso varia de indivíduo para indivíduo, mas uma boa técnica é estudar por 45 minutos, que é o tempo máximo que alguém consegue se focar em uma tarefa, na média, e dar uma pausa de 15 a 20 minutos antes de recomeçar. De novo, isso pode variar, então fique atento aos sinais da sua mente.

6. Antes de dormir, logo que levantar
Estudar nessas horas é uma boa maneira de fixar conteúdo, por causa das substâncias químicas liberadas pelo cérebro nesses horários.

7. Faça conexões entre o que você aprende e o que você já sabe
Aprender é um processo conectado, e não individual. Uma maneira excelente de fixar algo novo é conectando isso com algo que você já saiba ou conheça. Por exemplo: ao aprender uma palavra nova em outra língua, você pode tentar conectá-la com um som com que ela se pareça em uma língua que você já conheça, por exemplo.

8. Reflita sobre o que você aprendeu
Reserve 15 a 20 minutos entre cada sessão de estudo pra refletir sobre o que você acaba de aprender. Essa reflexão sobre o conteúdo, que provavelmente vai fazer você questionar e correlacionar o aprendizado com coisas que já sabe, também ajuda a fixar coisas na memória.

Sorriso

Img - O ser humano é o único animal capaz de sorrir!


O ser humano é o único animal capaz de sorrir!

Por: Juliana Miranda
O ser humano é realmente o único animal capaz de sorrir e demonstrar contentamento e felicidade. A explicação para este fato é que o homem é o único ser que entende o estado de humor e tem mecanismos biológicos para conseguir sorrir.

Muitos filósofos, como Aristóteles, por exemplo, debateram essa questão. Muitos chegaram à conclusão de que o riso do homem é seu principal motivo de perdição e falta de raciocínio.

A alegria e o entusiasmo demonstrado pelo ser humano fica evidente em sua fisionomia facial. Este estado de humor é contagiante e pode definir até a saúde de uma pessoa.

Para o filósofo Aristóteles não havia dúvidas de que o homem era o único ser vivo capaz de demonstrar alegria por meio do sorriso. Já para os cientistas, o homem é o único animal que sorri por causa de suas células cerebrais, chamadas de células fusiformes. Estas células são responsáveis pelo comportamento social humano e também pela interação que existe entre pensamentos e sentimentos.

Neste contexto, o humor aparece como um estado de ânimo que desperta bem-estar psicológico e emocional. Falando nisso, a palavra humor surgiu com os antigos Gregos para representar um fluido corporal responsável pela saúde física e psicológica do homem.

Segundo Sigmund Freud, o humor seria uma forma de provocar alívio e, consequentemente, o riso, quebrando totalmente qualquer forma de tensão, censura e proibição.

+ Sobre essa Curiosidade:

Solidariedade

Os mais tocantes atos de solidariedade acontecem de forma inesperada

Em alguns países do mundo, como na Rússia, é muito comum que os carros sejam equipados com câmeras. O principal motivo para o uso de câmeras nos veículos é o grande número de imprevistos nas estradas, servindo de prova a favor do motorista no caso de um acidente.
Neste caso, as câmeras flagraram cenas totalmente diferentes de acidentes. Foram registrados os mais diversos e impressionantesatos de solidariedade e amor em pleno trânsito.
O vídeo começa de fato aos 13 segundos. É só clicar no play abaixo e conferir todos os incríveis atos de gentileza registrados.
Esse vídeo prova que nenhum ato de bondade, não importa quão pequeno, pode ser considerado como desperdiçado.
Se você gostou do que viu, compartilhe com seus amigos e familiares clicando no botão abaixo. Boas ações nunca são demais.

http://awebic.com/pessoas/os-mais-tocantes-atos-de-solidariedade-acontecem-de-forma-inesperada/

A Tentação

Tentação

Todos os dias, enfrentamos prazeres imediatos: um hambúrguer no almoço, 15 minutos a mais de sono, deixar o trabalho para amanhã. Às vezes cedemos, às vezes fugimos. Mas o autocontrole é uma das atitudes mais importantes - e difíceis - da vida. A boa-nova é que dá para aprendê-lo.

por Paula Scarpin
Mariana Almeida é apenas 1 ano mais nova que o irmão, Pedro. Na escola, ela não era brilhante, mas estudava um pouquinho todos os dias e conseguia manter as notas altas, enquanto ele raramente era aprovado em alguma matéria sem fazer recuperação. Na família de gordinhos, Mariana lutava contra a balança, enquanto Pedro gastava a mesada em biscoitos recheados. Quando ela arrumou o primeiro emprego, como secretária numa multinacional, indicou Pedro para um cargo de office-boy. Mas o trabalho era puxado, o chefe era nervoso, e ele não demorou a pedir demissão. Nos últimos 10 anos, Pedro trabalhou numa padaria, foi garçom de um bar, alugou um carrinho de cachorro-quente, e agora está desempregado, mas pensando em comprar um táxi. Mariana continua na mesma empresa, onde foi promovida a secretária executiva, e vive emprestando dinheiro para o irmão. Quando se encontram na casa da mãe aos domingos, ela fica na saladinha, enquanto ele se farta na macarronada, mas garante que naquela semana mesmo vai começar a jogar futebol com os amigos.

Esta história talvez soe familiar para você: dois irmãos ou amigos que tiveram oportunidades muito parecidas na vida, mas seguiram caminhos completamente diferentes. O manual de uma vida bem-sucedida não é segredo para ninguém - devemos comer verduras, praticar esportes, manter a calma no trabalho, economizar dinheiro. Se algum dia você já fez uma lista de resoluções de ano novo, é possível que alguns desses itens estivessem presentes nela. Mas é provável que muitos deles nunca tenham virado parte da sua rotina. Andar na linha não é tão simples quanto pode parecer à primeira vista: por trás das tentações há um intricado sistema cerebral que tenta o tempo inteiro nos levar para o mau caminho. Se vamos ceder às vontades ou não, depende do nosso autocontrole, um dos fatores mais decisivos para o desempenho da nossa vida.

Por que falar "não"?

A clássica imagem dos desenhos animados em que o personagem tem um anjo num ombro e um diabo no outro não é exagero. De acordo com as últimas pesquisas, é assim mesmo que nos comportamos diante das tentações. É realmente uma batalha o que acontece entre a vontade de sentir prazer imediato contra o esforço de adiá-lo. Algumas pessoas são naturalmente mais descontroladas do que outras, mas, de maneira geral, todos temos coisas que conseguimos manter nos trilhos e outras que descarrilham de vez em quando. Tem quem seja impecável no trabalho, por exemplo, mas não consiga levar uma dieta a sério. Ou quem pratique esportes regularmente, mas não aguente ser contrariado sem partir para a briga.

Mas qual é o problema de ceder às tentações? Bem, a existência do futuro. Se você soubesse que vai morrer amanhã, não teria por que guardar dinheiro ou passar o sábado à noite estudando. Nem ficar comendo salada para não entupir as veias de colesterol aos 50 anos. Essas preocupações só fazem sentido porque imaginamos que vamos viver muitos anos ainda. "Seguir nossos impulsos seria adaptável biologicamente se nós fôssemos projetados para viver apenas por hoje. E sem preocupação com o bem-estar dos outros", definem os psicólogos alemães Wilhelm Hofmann, Malte Friese e Fritz Strack no artigo "Impulso e Autocontrole a Partir de uma Perspectiva Dual de Sistemas", de 2009. O homem não é o único animal que precisa lidar com a tentação do prazer imediato contra os planos de futuro. (O joão-de-barro passa dias montando uma casinha no capricho, por exemplo, e as abelhas constroem colmeias complicadíssimas para armazenar alimento.) Mas nós somos os únicos com interesses e necessidades muito mais complexos do que simplesmente comer e procriar. Queremos, por exemplo, ter uma vida em sociedade. Manter relações amigáveis seria praticamente impossível se todo mundo resolvesse levar o hedonismo às últimas consequências.

Fazer tudo o que dá na telha afasta as pessoas próximas. Por isso cada grupo na história da humanidade criou suas próprias leis e códigos morais para regular sexo, drogas, comida e jogos. Na Grécia antiga, alguns prazeres eram socialmente aceitos e cultuados na figura do deus Dionísio, aquele das orgias e bebedeiras. Na Idade Média, por outro lado, quase todas as formas de prazer eram proibidas: as tentações deveriam ser punidas com penitências, e todos viviam sob a ameaça da Inquisição (Está lá no fim do pai-nosso: "Não nos deixei cair em tentação, amém"). Mas o cerceamento do prazer está presente em todas as sociedades humanas, de maneira mais ou menos radical. (No nosso mundo, essas regras se aplicam na hora de pegar a última empadinha do prato, por exemplo - todo mundo se controla para não fazer a desfeita com os outros.) Esse cuidado para regular as tentações faz sentido: poucas coisas são biologicamente tão poderosas quanto a sensação de prazer.

Já é tentação

Nos anos 50, os psicólogos Peter Milner e James Olds, da Universidade McGill, no Canadá, estavam testando o cérebro de ratos. A ideia era implantar eletrodos em uma área chamada sistema reticular do mesencéfalo para examinar o controle do sono. O teste consistia em deixar os roedores explorarem livremente uma caixa retangular com os cantos etiquetados como A, B, C e D. Cada vez que os ratos chegavam ao canto A, recebiam um pequeno choque do eletrodo. Durante um experimento com um rato em especial, entretanto, o eletrodo acabou escorregando e se acomodando em outra área cerebral, uma região chamada septo. Milner e Olds perceberam que esse ratinho adquiriu o hábito de voltar frequentemente ao canto A, passando por lá até 7 mil vezes por hora. Ele abandonou a comida, a água, os filhotes, e teve de ser retirado do aparato para não morrer de fome. Sem querer, os cientistas fizeram um dos mais radicais experimentos da neurociência: encontraram o centro de prazer no cérebro.

No livro The Compass of Pleasure: How Our Brains Make Fatty Food, Orgasm, Exercise, Marijuana, Generosity, Vodka, Learning and Gambling Feel So Good (inédito no Brasil), o neurologista americano David Linden conta que mais tarde descobriu-se que não havia somente um pequeno ponto capaz de produzir prazer: havia um grupo de estruturas conectadas, todas na base do cérebro e distribuídas ao longo da linha média. Quando os neurônios dessas regiões estão ativos, incentivam a liberação de um neurotransmissor chamado dopamina, responsável pela sensação de prazer. Diversas áreas do cérebro são então inundadas pela dopamina, incluindo as que controlam as emoções, o aprendizado e, claro, o julgamento e o planejamento - ou seja, o autocontrole. A dopamina causa uma sensação de prazer tão poderosa, que você terá vontade de senti-la de novo e de novo. Por isso qualquer coisa que estimule essas estruturas cerebrais - comida, sexo, preguiça - é tão tentadora.

Parece cocaína, mas é só comida


Para piorar, a vontade de chutar o balde foi moldada em nós ao longo de milênios e milênios de evolução. Na pré-história, os homens nem sempre eram bem-sucedidos na hora de caçar o jantar. Então comidas calóricas, que proporcionassem um estoque de energia por mais tempo, eram ideais para a sobrevivência. Hoje em dia, qualquer pessoa acima da linha de miséria tem uma alimentação regular a seu alcance, mas o nosso cérebro ainda está condicionado a preferir as comidas mais gordurosas ou açucaradas. E pior: uma pesquisa publicada na revista Nature no ano passado indicou que quanto mais gordura você come, mais você quer comer. Segundo Adriano Segal, psiquiatra brasileiro especializado em transtornos alimentares, você pode notar esse comportamento ao longo de uma mesma refeição. "A gordura estimula a sua própria ingestão. Se você come um pastelzinho de entrada num restaurante, vai provavelmente sentir a necessidade de comer mais comidas gordurosas no prato principal do que se a entrada fosse, por exemplo, cenoura crua", diz.

De fato, o processo é parecido com um vício. Em cérebro tanto de viciados em drogas quanto de obesos, é comum haver um número reduzido de receptores de dopamina, o que faz com que circule mais dessa substância no corpo. A lógica é a de uma rua sem bueiros que alaga durante uma tempestade. Sem receptores para absorver a dopamina, ela sobra no cérebro. É possível que esses indivíduos tenham nascido com menos receptores - o que os tornaria mais vulneráveis ao vício, ou seja, ao descontrole. Quase todas as tentações podem potencialmente ser viciantes: a preguiça, a procrastinação, a vontade de fazer compras - e o sexo. Entre nossos antepassados, qualquer possibilidade de procriação da espécie deveria ser agarrada com unhas e dentes (literalmente) - afinal, morria-se cedo, a concorrência era braba e as ameaças eram muitas. Hoje em dia, quando a maior parte do sexo não tem função reprodutiva, muitos já aprenderam que não é qualquer noite de amor que vale a pena (recaídas com ex-namorados? Bebedeiras?). A tentação está lá, afinal o prazer sexual também libera dopamina. Mas o homem moderno já aprendeu que às vezes vale a pena evitá-la.

A modernidade, aliás, é péssima para quem quer se controlar. São tantas as possibilidades que fica difícil optar por algo sem pensar em todas as opções incríveis deixadas de lado. Por que preparar uma salada, se posso pedir hambúrguer no meio da noite? Por que economizar dinheiro, se dá para pagar em 10 vezes? Com a internet, o excesso de informações disponível manda para o espaço qualquer tentativa de controle. A manutenção da sua fazendinha, a 12ª música no YouTube e aquele Tumblr engraçadíssimo fazem as vezes de diabinho na hora em que você precisa trabalhar. O mundo moderno foi feito para os descontrolados.

Geneticistas comportamentais já demonstraram que o controle é resultado tanto da genética quanto das influências do meio externo, mas ainda não conseguiram mapear os genes associados a ele. Um grupo de pesquisadores da Universidade de Ancona, na Itália, está atrás da pista de que algumas variações genéticas da enzima monoamina oxidase-A podem influenciar no controle de inibição, ligado à impulsividade. Mas a boa-nova é que não há nada absoluto. "As nossas capacidades de autocontrole têm uma variável genética, mas que não é determinante. Há bastante espaço para melhorá-lo por meio de técnicas", diz Daniel Akst, autor do livro We Have Met the Enemy: Self-Control in an Age of Excess (sem versão em português). E esse é o grande trunfo do autocontrole.

Eles estão controlados

Nos anos 90, o cientista Roy Baumeister, da Florida State University, resolveu testar se o autocontrole era um recurso ilimitado. A lógica é a seguinte: por que, depois de se forçar a ir à academia, muitas pessoas não conseguem resistir a um brigadeiro de sobremesa? Será que elas gastaram todo o autocontrole que tinham? Para isso, Baumeister desenvolveu um experimento cruel: preparou uma fornada de cookies com gotas de chocolate, e deixou que somente alguns dos participantes os saboreassem. Aos outros, foram servidos insossos rabanetes. Mais tarde, ele pediu ao grupo todo que tentasse responder a alguns exercícios - que, na verdade, eram insolúveis. Ele observou que aqueles que foram forçados a resistir à tentação dos cookies desistiram mais rapidamente dos problemas, ficaram apenas 8 minutos tentando resolvê-los. Por outro lado, aqueles que puderam se empanturrar de biscoitos insistiram nos problemas durante uma média de 19 minutos. A conclusão é a de que nossa habilidade de nos comprometermos com objetivos a longo prazo depende da nossa reserva de disciplina. Se o professor Baumeister estiver certo, e o nosso autocontrole for limitado, eis aí a primeira técnica para melhorar seu desempenho. Bastaria aprender a gastá-lo o mínimo possível no dia a dia para poder lançar mão dele no que realmente importa. Por isso, use-o com parcimônia. Por exemplo, se no trabalho você gasta o seu autocontrole tentando evitar brigas com aquele seu colega folgado, é possível que de noite você não consiga resistir à porção de torresmo no bar. Você simplesmente gastou toda a disciplina que tinha disponível.

Aos poucos, foi ficando claro que o autocontrole não é uma característica constante e bem definida, que alguns têm a sorte de ter e outros não. O sucesso do autocontrole depende de muitas variáveis. Uma delas é a dificuldade que a pessoa sente em se privar de uma coisa específica. Um chocólatra vai sofrer mais para fazer dieta do que alguém que não liga para chocolate; ou alguém que não gosta de ler dificilmente vai tirar notas altas nas aulas de história. Se precisamos do autocontrole apenas porque temos planos para o futuro, é de se esperar também que a capacidade de manter o foco em um objetivo seja importante. Se você cair na primeira possibilidade de prazer imediato, não vai chegar a lugar nenhum. Pense no exemplo: você está meio insatisfeito com a barriga e decide começar a dieta na segunda-feira. Na terça é aniversário de um amigo, e ele marca num bar. Além da tentação do chope, vem tudo o que o acompanha: salaminho, amendoim, provolone à milanesa, frituras em geral. Você segura a vontade e pede uma salada e um suco? E como lidar com a pressão dos amigos? "Mesmo a pessoa que quer economizar, se olhar para uma vitrine em promoção, ficará tentada a gastar. Se você quer poupar, não é uma boa ideia passear no shopping", diz Patrícia Fonseca, pesquisadora de economia psicológica.

Os benefícios de se segurar de vez em quando são claros. E também já foram testados, no mais famoso estudo sobre autocontrole, conduzido pelo psicólogo austríaco radicado nos EUA, Walter Mischel. Mischel elaborou um experimento bastante simples. Convidou um grupo de crianças para uma brincadeira. Elas se sentariam de frente para uma mesa, onde jazia um marshmallow, e tinham duas opções: ou esperar pacientemente durante um tempo e ganhar um segundo marshmallow, ou comer imediatamente o doce e ficar sem o segundo. Apenas um terço das crianças conseguiu esperar. Inspirados pelos testes de Mischel, pesquisadores da Universidade Duke acompanharam mil pessoas durante 30 anos, avaliando os efeitos da disciplina em sua saúde, finanças e segurança. O estudo concluiu que quem tinha problemas de autocontrole na infância (que comeria imediatamente o primeiro marshmallow, por exemplo) acabava tendo maior incidência de DSTs, dependência de drogas, problemas financeiros, filhos sem planejamento e até envolvimento em crimes.

Isso acendeu uma luz na comunidade científica. Sempre se falou muito sobre como o status e o QI influenciam no sucesso de alguém, mas tudo indica que o autocontrole é um pedaço importante da questão. Não faltam histórias de pessoas brilhantes que, por falta de disciplina, não conseguiram passar em um teste importante. Mas a boa notícia é que, ao contrário do status e do QI, que são dois fatores altamente resistentes a mudanças, o autocontrole pode ser melhorado com alguns treinamentos simples.

Em seu experimento com o marshmallow, Walter Mischel fez uma observação: as crianças que conseguiam esperar pelo segundo doce utilizavam alguma estratégia de autoproibição: fosse física (sentando sobre as mãos ou escondendo o doce, por exemplo), fosse de distração (como olhando para outro lado ou cantando uma canção). Assim, ele percebeu que o autocontrole tinha menos a ver com um comportamento naturalmente "zen" das crianças, e mais a ver com uma estratégia ou esforço consciente. (Lembra-se do que o herói grego Ulisses fez para se defender das sereias? Como ele sabia que o canto das sereias poderia seduzi-lo a ponto de fazê-lo jogar-se ao mar e morrer afogado, ele pediu que os marinheiros entupissem seus ouvidos de cera e o amarrassem ao mastro do navio para que ele não pudesse ouvir o canto delas.) Foi isso que fez Mischel: ele sugeriu essas técnicas às outras crianças que tinham mais dificuldade em esperar pelo segundo marshmallow, e muitas conseguiram se segurar depois de instruídas.

Controle traz felicidade?

Isso não quer dizer, no entanto, que o segredo para uma vida bem-sucedida esteja em sempre abrir mão de suas vontades. O excesso de controle pode ser tão prejudicial quanto a falta dele. Dois pesquisadores da Tufts University resolveram testar as desvantagens do exagero do autocontrole. A experiência era no complicado assunto das relações inter-raciais, e mostrou que pessoas bem intencionadas podem ser tão cuidadosas para não dizer bobagens que podem parecer artificiais - a ponto de parecerem racistas. Na experiência, alguns voluntários eram submetidos a exercícios mentais tão desafiadores que gastavam seu estoque limitado de autocontrole. Em seguida, exaustos de tanto se segurar, eram convidados por um entrevistador negro para responderem sobre a diversidade racial nas universidades. Os resultados foram curiosos: os que estavam mentalmente esgotados ficaram muito mais relaxados durante a entrevista e conseguiram falar naturalmente sobre o assunto. Já aqueles que não foram submetidos aos exercícios, e cujo autocontrole estava intacto, foram considerados artificiais.
Mas nem é preciso ir tão longe. Às vezes o prazer que uma hora a mais de sono proporciona não vale o sacrifício necessário para acordar mais cedo. Em outras palavras, de vez em quando é bom ceder às tentações e simplesmente desfrutar o momento. "O autocontrole não é meramente o ato de ser uma boa pessoa ou ser alguém responsável. É escolher a quais das tentações você vai ceder - e depois viver de acordo com essa escolha", diz Daniel Akst. De fato, vocês se lembram do Pedro, irmão da Mariana, no começo desta reportagem? Ele não se arrepende das tardes em que jogava pique-esconde na rua com os amigos, enquanto a irmã não saía de cima dos cadernos. E ela, que não se diz exatamente realizada no cargo de secretária de multinacional, às vezes pensa como teria sido se tivesse arriscado abrir uma escola de inglês em sociedade com uma amiga, 5 anos atrás, em vez de perseverar na mesma rotina de sempre. Ela não poderia ser mais feliz?


As dicas de ouro


Vá com calma

O autocontrole não é infinito. Por isso não o desperdice se expondo a tentações, como ir ao bar se você quer emagrecer.

Estude o inimigo

Entenda as consequências negativas de um comportamento. Bote na cabeça que, sim, cigarro mata.

Espalhe ao vento

Assuma o compromisso em público. Se você contar a todos que está prestando concurso, eles vão perguntar como vão os estudos, a data das provas...

Seja preciso

Transforme objetivos abstratos em metas. "Perder 2 kg este mês" é mais concreto do que manter o objetivo de emagrecer indefinidamente.

Caia na gandaia

Comemore cada meta cumprida. Vale comer um quadradinho de chocolate depois de uma semana de dieta ou cair na balada depois de meses estudando pro vestibular.

Encare o perigo

Ensaie para não ser pego desprevenido. Assim: "Se meu parceiro me chamar para uma rodada de pôquer, eu vou falar que não posso ir".

Permita-se
Às vezes você merece uma trégua. Se você seguir as metas com uma rigidez nazista, a chance de desistir é enorme.


Para saber mais

The Compass of Pleasure

David J. Linden, Viking, 2011

We Have Met the Enemy: Self-Control in an Age of Excess

Daniel Akst, Penguin, 2011

To Do or Not to Do: the Neural Signature of Self-Control
Marcel Brass and Patrick Haggard

http://super.abril.com.br/cotidiano/tentacao-647360.shtml