Multiverso

Rachaduras nas paredes do Universo

É a maior descoberta do século: astrônomos podem ter encontrado ondas gravitacionais nos limites do cosmos. Trata-se de um belo passo para a física, e de um grande salto para compreendermos a natureza do Universo - ou melhor: a do Multiverso.

por Rodrigo Rezende
Tire os olhos desta tela. Olhe para os lados, para cima, para baixo. Consegue ver o Sol, um pedaço do céu? Ou a vista trava na parede, num móvel da sua casa? Não importa. Em todas as direções para as quais olhou agora, você viu a mesma coisa: o passado. Está aí uma verdade fundamental que costumamos esquecer: a luz que sai dos objetos demora um tempo até chegar aos nossos olhos. Você acha que lê esta frase impressa aqui agora. Mas a imagem dela está no mínimo meio bilionésimo de bilionésimo de segundo no passado. E o Sol lá em cima na realidade não é o Sol. É só uma "fotografia" que viajou 150 milhões de quilômetros e demorou oito minutos para chegar na sua retina. A ideia de que o presente é invisível pode ser estranha, mas até que é simples de entender - a luz que um objeto produz ou reflete leva tempo para chegar até os seus olhos. Mas agora imagine que você é capaz de enxergar infinitamente longe. E que sua visão não é bloqueada por nenhum objeto. Nesta situação, sabe o que veria em todas as direções? Basicamente o mesmo ponto.

OK, essa última ideia não foi tão óbvia assim. Mas raciocine novamente. Se, quanto mais longe olhamos, mais avançamos no passado, ao olhar infinitamente longe só poderíamos ver uma coisa: o ponto mais antigo do cosmos. Ou seja, a "explosão" que criou nosso Universo há 13,8 bilhões de anos, mais conhecida pelo nome de Big Bang. Isso parece bem lógico, não? Só que é impossível de acontecer. Isso porque, na época do Big Bang, não havia nada que um olho pudesse enxergar - ainda que esse olho não fosse humano, e sim um telescópio. É que a luz ainda não existia. Bom, "luz" é só um nome poético que damos para certas ondas eletromagnéticas (as que os nossos olhos conseguem captar). O fato é que não existia onda eletromagnética nenhuma - nem luz visível, nem raios X, nem ultravioleta. Nada. Esse tipo de onda só surgiu 380 mil anos após o nascimento do Universo, quando a temperatura da grande explosão esfriou. Com o resfriamento, os prótons e elétrons soltos no espaço se uniram e formaram átomos. Desse encontro entre as partículas, nasceram as ondas eletromagnéticas. Elas aproveitaram a expansão cósmica e o tamanho reduzido do Universo para se espalhar por todos os pontos do cosmos. Hoje elas formam uma espécie de radiação quase uniforme, que está presente em todos os lugares do Universo, coisa que os astrônomos chamam de radiação cósmica de fundo. Olhe para o infinito e você verá esse mesmo eco do Big Bang, o ponto mais profundo da história do cosmos a que os humanos têm acesso.

Mas onde fica esse limite, essa "parede" visível do Universo? Imagine que toda a história do cosmos tenha apenas um dia, e que estamos agora exatamente 24 horas depois do Big Bang. Neste caso, a parede do Universo (ou radiação cósmica de fundo, como preferir) ficaria apenas 2,5 segundos após a grande "explosão". Mas, por mais formidável que fosse enxergar tão perto do início, os físicos ainda não estavam satisfeitos. Queriam mais. E havia um motivo importante para isso. Eles desconfiavam que, dentro naqueles 2,5 segundos entre o início de tudo e o nascimento das primeiras ondas eletromagnéticas, havia ocorrido um fenômeno sem paralelo na história do Universo: a inflação cósmica.

Há 13,8 bilhões de anos, o Universo era pequeno. Cabia com folga na ponta de um alfinete. Muita folga: tudo o que existe hoje estava concentrado num ponto do tamanho de uma partícula subatômica. O Big Bang propriamente dito é a fração de trilionésimo de segundo em que o Universo surgiu do nada até ele ficar do tamanho de uma partícula. O que aconteceu depois disso foi algo bem mais espetaculoso: a partícula começou a crescer numa velocidade inimaginável - muito, muito, muito maior que a da luz. Parece impossível, mas não é. Sim: Einstein descobriu em 1905 que nada pode se mover mais rápido que a luz através do espaço. Mas isso não impede que O PRÓPRIO ESPAÇO se mova mais rápido que a luz. Não impede que as paredes do cosmos cresçam a uma velocidade absurda, porque do lado de fora dessas paredes nem existe um lado de fora, não existe nada, nem vácuo. Em suma: o espaço não se move através do espaço, então para ele não existe limite de velocidade.

Bom, o fato é que, de uma hora para outra, o Universo cresceu tão rápido que, numa fração de batida de asa de beija-flor, ele passou do tamanho de um próton para algo bem grande - com metade do tamanho que ele tem hoje. Isso foi a inflação cósmica.

A existência desse período de crescimento vertiginoso é só uma teoria, mas tão bem aceita que muitos cientistas dedicam a vida a estudá-la, seja resolvendo equações, para estudar a matemática da expansão, seja de um modo mais direto: procurar algum sinal dessa inflação descontrolada impresso na "parede" visível do Universo.

Foi com esse objetivo em mente que o cientista John Kovac viajou 23 vezes aos confins da Terra. "O Polo Sul é o mais perto que se pode chegar do espaço com os pés no chão", disse Kovac. Armado com uma série de radiotelescópios ultrassensíveis, o cientista e sua equipe tiraram proveito da atmosfera seca e límpida do polo para fazer uma das maiores descobertas da física moderna: a fronteira visível do Universo não é completamente lisa e uniforme. Ela possui imperfeições e ondulações, como as rachaduras nas paredes da sua casa. Essas ondulações representariam uma espécie de eco da fase inflacionária do Universo. Isso soa como um resultado modesto e discreto. Mas causou furor entre os cientistas.

"Não é todo dia que você acorda e aprende algo novo sobre o primeiro trilionésimo de trilionésimo de trilionésimo de segundo após o Big Bang", diz o cientista da Universidade Johns Hopkins Marc Kamionkowski. "Não é preciso ser cosmólogo para achar isso bacana". O entusiasmo se estende à equipe de Kovac. "O mundo da física é lotado de gente que passa a vida procurando coisas que não existem", afirma o integrante do estudo Clement Pryke. "Nós procurávamos uma agulha no palheiro, e achamos um pé de cabra". Um pé de cabra serve para abrir portas trancadas. É exatamente isso o que o estudo faz com relação à história do Universo, já que ele chega um milhão de bilhão (repita "de bilhão" quatro vezes) mais próximo do começo do Big Bang que tudo o que já se publicou até hoje. E as perspectivas que o estudo abre para a física de partículas (que trata do muito pequeno) colocam o "maior experimento do mundo" no chinelo. A partir de ondulações na parede do cosmos, pode ser possível estudar o mundo subatômico. Sim, porque, se elas se formaram mesmo durante a inflação cósmica, trata-se de fósseis do tempo em que o Universo todo era do tamanho de uma partícula.

Poder estudar o infinitesimal usando telescópios capazes de enxergar os limites do cosmos já é algo poético o bastante. Mas não fica nisso: o estudo também torna cada vez mais palpáveis ideias teóricas e conceituais ainda consideradas como especulação para a maioria dos cientistas. Duas delas, em especial, ganharam fôlego com a descoberta.

A primeira ideia é o Santo Graal de dez entre dez físicos: a teoria do tudo. Ainda não existe uma física que realmente explica o mundo. O que existe de fato é uma espécie de muro de Berlim que separa a física em duas partes: o domínio das escalas astronômicas (controlado pela teoria da relatividade de Einstein, que nada mais é do que a versão mais moderna da física tradicional, cujas bases foram fincadas por Isaac Newton no século 17) e o mundo das grandezas infinitesimais (que obedece aos princípios da física quântica). As regras do mundo das coisas grandes não se aplica ao das muito pequenas - neste último, por exemplo, o mesmo objeto pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. No nosso mundo, o das coisas grandes, isso seria mágica - violaria as leis da física. No mundo infinitesimal, não: estar em vários lugares ao mesmo tempo é a lei. Eis o muro entre a física quântica e a relatividade.

Destruir esse muro e fazer da física algo integrado e completo, em que um único "código de leis" baste para explicar o domínio das escalas astronômicas e o dos átomos, era o sonho de Albert Einstein. Mas, para que isso seja possível, é preciso entender como a matéria se comporta quando grandezas astronômicas são comprimidas em espaços subatômicos. E isso acontece exatamente em situações como as que o estudo de Kovac ilumina. Num ponto bem próximo do Big Bang, é possível observar como as quatro forças fundamentais do Universo surgem e se comportam. Três dessas forças fundamentais já são explicadas pela física: o eletromagnetismo (que mantém os ímãs presos na geladeira e que faz sua mão doer se você dá um soco na mesa, graças à repulsão eletromagnética entre os átomos da sua mão e os da madeira), a força nuclear forte (que organiza o núcleo atômico) e a força nuclear fraca (que age na periferia do átomo). "Explicadas", nesse caso, significa dizer que sabemos que todas elas são formadas por ondas. A própria luz é uma manifestação em forma de onda de uma dessas forças, o eletromagnetismo. Só que uma delas ficou de fora da festa: a gravidade. Ninguém nunca tinha detectado as ondas que deveriam formá-la. No caso, as ondas gravitacionais - algo que foi proposto por Einstein, mas jamais observado na realidade.

Mas isso só até agora, pois as ondas gravitacionais finalmente entraram em cena. Segundo o time de Kovac, as cicatrizes na parede visível do cosmos provavelmente são ondas gravitacionais. O novo estudo é a primeira evidência de que essas entidades também existem fora da cabeça do gênio alemão. E de que a queda do Muro de Berlim da física ficou mais próxima - saber que a gravidade também é formada por ondas é um grande passo nessa direção.

Já a outra teoria extrapola os limites deste Universo. Imagine que nosso cosmos não está sozinho. Ele é apenas mais um em meio a infinitos Universos. É o que diz a teoria do Multiverso, talvez a mais ousada hipótese científica já concebida. Ousada, porém coerente. Pois não há nada na física que contradiga a existência do Multiverso. Ele está de acordo com os princípios einsteinianos de que vivemos num mundo composto de um tecido único, que engloba o tempo e o espaço juntos. É nesse tecido de espaço-tempo que viajam as ondas gravitacionais. E o espaço-tempo não é uma entidade estática, imutável. Ele cresceu junto com o Big Bang. E foi vítima de oscilações bruscas causadas por ondas gravitacionais que surgiram na época em que o Universo era muito instável. É exatamente a imagem de instabilidade que o cientista da Universidade de Stanford Andrei Linde evoca para dar ideia de como era viver no Universo inflacionário: "Se alguém anda se equilibrando numa ladeira, talvez caia para um lado ou para o outro. Agora, se o sujeito anda bêbado, irá cair de um jeito ou de outro. A inflação causa mais ou menos isso: a instabilidade com relação à expansão do espaço". Ou seja: no Universo inflacionário, vários "pedaços" do Universo andavam meio trôpegos pelo tecido do espaço-tempo em expansão. E as violentas ondas gravitacionais que eram criadas a todo instante funcionavam como bebida destilada. Alguns pedaços do cosmos tomavam muito dessas ondas. E o porre de gravidade às vezes causava tombos tão fortes que rasgavam a própria "pele" do Universo - o tecido espaço-tempo, em termos técnicos. Esses "pedaços bêbados" se deslocavam e viravam bolhas em expansão: Universos-filhotes que continuavam a se expandir. Aquilo que você vê pela janela à noite é um desses Universos-filhotes. Nosso Universo, se a teoria estiver certa, é só um entre os zilhões de filhos do Big Bang. E inflação cósmica teria funcionado como uma espécie de cegonha cosmológica, entregando cada vez mais Universos ao Multiverso. "Se a inflação cósmica existe, o Multiverso também existe", afirma Linde, que também é um dos criadores da teoria da inflação.
O achado dos pesquisadores do Polo Sul indica que, sim, a inflação cósmica provavelmente está lá. Logo, talvez tenhamos uma infinitude de Universos irmãos flutuando pelo Multiverso. E não é demais imaginar que, em alguns deles, deve haver seres exatamente no mesmo ponto de evolução científica que nós. E é provável que, assim como nós, eles estejam observando agora mesmo marcas nas paredes do Universo deles. E passando também por um momento singular em sua jornada pela existência: o momento em que conseguem contemplar as estrias deixadas por um parto cósmico.


O Big Bang continua big-bangando
Por Alexandre Versignassi

A radiação cósmica de fundo, estrela desta reportagem, é a maior evidência do Big Bang, como você pode ler aí ao lado, mas não fica nisso: ela também indica que o senso comum não entende o que realmente foi o Big Bang. Pois é. Para começar, a explosão que deu origem ao Universo não foi uma explosão. Ela AINDA É uma explosão. O Big Bang continua big-bangando, porque o cosmos continua expandindo. E cada vez mais rápido. Vivemos dentro de uma "explosão controlada". Mais importante: o Big Bang não aconteceu em algum lugar distante nas profundezas do cosmos. Ele aconteceu exatamente aí, onde você está agora. Ele aconteceu em Guarulhos, em Júpiter e na sua testa. Ao mesmo tempo. É que, há 13,8 bilhões de anos, tudo o que existe hoje, aqui, no céu, na Crimeia ou na sua cabeça, estava espremido no mesmo ponto. E do lado de fora desse ponto não existia um "lado de fora". Não existia nada. Todo o espaço e tudo o que preenche o espaço estava contido lá. Tudo mesmo: da energia que forma os átomos do seus cílios ao espaço físico que separa São Paulo do Rio - ou a Via Láctea da Galáxia de Andrômeda. Tudo bem apertado, numa quantidade de espaço que caberia na ponta de um alfinete. O Big Bang foi a expansão dessa quantidade de espaço. E ainda é.
http://super.abril.com.br/ciencia/rachaduras-paredes-universo-800214.shtml

Existência



Ciência

Conheça cinco animais transgênicos e entenda argumentos contra e a favor de seu uso

Atualizado em  31 de agosto, 2014 - 15:41 (Brasília) 18:41 GMT
Camundongo transgênico (SPL)
Camundongos são um dos animais mais usados como cobaias em experiências genéticas
Um tipo de mosca transgênica programada para se autoextinguir pode ser a solução para pestes que afetam lavouras de alimentos em países europeus, segundo cientistas de uma empresa britânica de biotecnologia.
Um estudo detalhando a nova tecnologia foi publicado neste mês na revista científica Proceedings of the Royal Society B.
Recentemente, a mesma companhia, a Oxitec, de Abingdon, na Inglaterra, foi manchete no Brasil e no mundo. Ela recebeu aprovação das autoridades brasileiras para comercializar no país uma mosca transgênica que, segundo a empresa, é capaz de combater o mosquito transmissor da dengue.
O Brasil é o primeiro país do mundo a autorizar a liberação, na natureza, de um animal transgênico para fins como este e a decisão brasileira foi recebida com preocupação por especialistas dentro e fora do país.
Um animal transgênico, ou geneticamente modificado, é aquele que contém material genético adicional ou alterado. O objetivo das alterações - que são feitas com recursos da biotecnologia ou biologia molecular - é dar ao animal uma nova característica.
Os defensores da engenharia genética tendem a promovê-la como a solução para problemas tão diversos como fome, crime, mudança climática e doenças como o câncer.
Outros, no entanto, se preocupam com o impacto que animais transgênicos possam ter sobre alimentos, saúde, agricultura,meio-ambiente e sociedade.
Polêmicas à parte, há mais e mais animais transgênicos sendo desenvolvidos no mundo.
Conheça cinco deles e entenda os argumentos contra e a favor de seu uso.

Frango

Um tipo de frango transgênico que não transmite o vírus da gripe aviária foi desenvolvido por pesquisadores das universidades de Cambridge e Edimburgo, na Grã-Bretanha.
Mesmo que esteja em contato com outros frangos, o animal infectado não transmite o vírus para outros. Segundo os cientistas envolvidos, essa alteração genética tem o potencial de impedir que a doença se alastre.
Isso protegeria a saúde não apenas de aves, mas poderia também evitar que um novo vírus da gripe provocasse epidemias na população humana.
A alteração genética - uma pequena molécula desenhada especificamente para impedir que o vírus se reproduza após infectar um animal - não protege o frango contra o vírus, apenas impede que ele o transmita.
Os cientistas ressaltam que esse frango foi desenvolvido para fins de pesquisa apenas e não para o consumo humano.
O projeto permitiu que a equipe tivesse confirmação de que a alteração genética funciona. Portanto, há probabilidade de que ela seja útil no desenvolvimento, no futuro, de frangos imunes à gripe.
A equipe do Roslyn Institute da University of Edinburgh explica, no entanto, que não observou diferenças no desenvolvimento ou na saúde dos frangos transgênicos em relação aos frangos comuns. E acrescenta não ter encontrado qualquer indício de que esse frango não seja adequado para o consumo humano.
Alguns, no entanto, questionam a eficiência do frango transgênico em interromper a transmissão da gripe.
A cientista Helen Wallace, da ONG Genewatch - que monitora o uso de tecnologias de engenharia genética - disse à BBC Brasil que há a preocupação de que a transmissão do vírus continue a ocorrer sem ser detectada.
Além disso, "o vírus quer se reproduzir e evoluir. Então, uma única mutação em qualquer vírus pode alterar suas propriedades, permitindo que se transmita mais facilmente, ou tornando-o ainda mais agressivo".

Mosquito da Dengue

Mosquito transgênico (AFP)
Mosquito transgêncio auxilia no combate à dengue no Brasil
A Oxitec realizou vários testes de campo em Juazeiro, na Bahia, com um tipo de mosquito transgênico que contém genes do Aedes Aegypti - transmissor da dengue.
Segundo a companhia, a liberação do mosquito transgênico em dois bairros da cidade resultou na morte de 90% da população de Aedes Aegypti na área.
O princípio de funcionamento é semelhante ao da mosca de fruta transgênica: quando o mosquito macho transgênico criado em laboratório cruza com fêmeas do Aedes Aegypti na natureza, os filhotes resultantes não sobrevivem até a vida adulta, bloqueando a reprodução da espécie naquela área.
Em abril desse ano, a Oxitec obteve aprovação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para comercializar o mosquito transgênico no Brasil.
Agora, a empresa precisa obter um registro comercial para que possa começar a disponibilizar o mosquito no mercado.
Esta é a primeira vez que um produto desse tipo recebe aprovação no Brasil - e no mundo.
Indagados sobre possíveis riscos de que o mosquito transgênico transmita doenças ao homem, pesquisadores que desenvolvem mosquitos geneticamente modificados no Brasil disseram não haver riscos de que o mosquito pique humanos. Eles explicaram que apenas machos transgênicos serão liberados na natureza, e estes se alimentam exclusivamente de néctar de flores.
A transmissão do vírus da dengue é feita pela fêmea do Aedes Aegypti.
Grupos de cientistas, agricultores e técnicos que se opõem ao uso de transgênicos no Brasil apontam vários riscos associados ao uso do mosquito trangênico.
Eles dizem, por exemplo, que a tecnologia foi testada em outros países mas só obteve aprovação no Brasil. Questionam o princípio de que eliminar o mosquito transmissor leve à eliminação da doença.
E explicam também que quando uma espécie de mosquito desaparece, outras tendem a se proliferar em seu lugar, levando a um possível aumento na transmissão de outras doenças, como malária e febre amarela.
Além disso, alguns argumentam que quando as empresas "fabricantes de mosquitos" liberam os insetos na natureza, muitas fêmeas transgênicas são liberadas também, acidentalmente. Isso cria o risco de que as fêmeas se reproduzam, o que pode ter consequências imprevisíveis.
Helen Wallace, da Genewatch, disse estar surpresa com a decisão da comissão brasileira de aprovar a tecnologia.
"A companhia diz que houve uma redução no número de casos de dengue mas não publicou os resultados do estudo", disse a cientista.
"A Universidade de São Paulo disse que não há evidência de diminuição nos casos", diz Wallace. "Pelo contrário, em uma das áreas (onde os testes de campo foram feitos) foi declarada uma emergência por causa de um aumento nos casos".
"A preocupação é de que a tecnologia possa agravar o problema da dengue", concluiu Wallace.

Camundongo

Cada vez mais, animais transgênicos são usados por cientistas em experimentos de laboratório.
De um total de 4,11 milhões de experimentos em animais realizados na Grã-Bretanha em 2012, 1,91 milhão envolveram animais transgênicos. Isso representou um aumento de 22% no uso de cobaias transgênicos em relação ao ano anterior.
Camundongos mutantes foram os mais usados, seguidos por ratos e peixes. Também houve um aumento de 22% no uso de primatas não-humanos, entre eles, babuínos.
Também houve um aumento de 13% no número de procedimentos envolvendo animais submetidos a mutações genéticas prejudiciais.
Quaisquer que sejam os benefícios trazidos pelos experimentos, a ideia de que milhões de animais - transgênicos ou não - estejam, nesse momento, sofrendo e morrendo em laboratórios no mundo provoca o repúdio de ativistas que combatem a crueldade contra animais.

Mosca da Fruta

Um tipo de mosca da fruta transgênica, programada para a "autoextinção" poderia, de acordo com cientistas britânicos, ser um método eficiente de controle de pestes em lavouras.
A mosca, desenvolvida pela companhia Oxitec, com sede no condado de Oxfordshire, na Inglaterra, é um inseto macho que, quando se reproduz, gera apenas filhotes machos.
Isso porque as larvas fêmeas possuem um gene que as leva a morrer antes de se tornarem adultas, ou seja, são programadas para morrer.
Como resultado, após várias gerações, a população se extingue - já que os machos não conseguem encontrar fêmeas para o acasalamento.
Segundo os pesquisadores, testes com a mosca transgênica em uma estufa resultaram no "colapso da população" de moscas.
A equipe defende o uso dessa mosca transgênica como uma forma eficiente e ecológica de evitar danos às lavouras provocados pela mosca da fruta, que afeta mais de 300 tipos de plantações.
Para fazer com que a mosca transgênica se reproduza, a companhia "silencia" o gene da auto-extinção em laboratório, usando um antibiótico chamado tetraciclina. A droga funciona como um botão que desliga o transgene, permitindo que moscas fêmeas se desenvolvam. Uma vez que o antibiótico é retirado, as fêmeas deixam de sobreviver.
A ideia é que milhares de machos transgênicos sejam soltos no ambiente. Segundo os pesquisadores, rapidamente, começa a haver um desequilíbrio na proporção entre moscas machos e fêmeas, o que torna aquela população insustentável.
"Na área onde se faz essa operação, os índices de população (da mosca de fruta) diminuem rapidamente, reduzindo massivamente os danos às plantações", disse um dos autores do estudo, Philip Leftwich, da University of East Anglia e da Oxitec, à BBC.
O especialista diz que o próximo passo são testes de campo, fora do laboratório. Para isso, no entanto, a empresa precisa da aprovação do governo.
A cientista Helen Wallace, da ONG Genewatch - que monitora o uso de tecnologias de engenharia genética - faz sérias críticas ao projeto.
Segundo ela, os efeitos, a longo prazo, da liberação de milhões de moscas transgênicas no ambiente seriam impossíveis de prever.
Ela alerta também para possíveis riscos à saúde caso larvas das fêmeas mortas sejam deixadas dentro dos alimentos.
E acrescenta que, a longo prazo, o mecanismo de "auto-extinção" pode falhar, à medida que moscas desenvolvam resistência ou se reproduzam em locais contaminados pelo antibiótico tetraciclina, bastante usado na agricultura.

Salmão

Salmão transgênico (AP)
Genes fazem com que salmão cresça mais rápido, ao longo de todo o ano
A empresa americana de biotecnologia AquaBounty desenvolveu o primeiro peixe geneticamente modificado para consumo humano do mundo.
O salmão, de uma espécie selvagem encontrada no Atlântico, contém genes extras da espécie Chinook, do Pacífico, e de enguia. Esses genes fazem com que o peixe cresça mais rápido, ao longo de todo o ano. Como resultado, chegam ao tamanho máximo duas vezes mais rápido.
Mas, como em qualquer experimento transgênico, há preocupações. A Federação Atlântica de Salmão, por exemplo, teme que o peixe modificado escape dos tanques de cultivo e laboratórios e vá parar na natureza, e que destrua as espécies selvagens de salmão.
O especialista Francisco Aragão, pesquisador responsável pelo laboratório de engenharia genética da Embrapa, disse que esse risco existe.
Falando à BBC Brasil no ano passado, Aragão disse que estava acompanhado o caso do salmão "com interesse", e que não tinha dúvidas sobre sua segurança para consumo humano.
"A dúvida é em relação ao impacto no meio ambiente". Embora seja criado em cativeiro, o salmão poderia escapar, ele explicou.
Uma vez livre na natureza, "o salmão poderia aumentar sua população muito rapidamente e eventualmente eliminar populações de peixes nativos. As probabilidades de risco para o meio ambiente são baixas, mas não são zero...na natureza não existe o zero".
Segundo a AquaBounty, todos os salmões modificados serão fêmeas estéreis criadas em ambientes fechados.
A empresa tenta há 21 anos obter aprovação oficial para que seu peixe chegue às mesas de jantar.
No entanto, a Food and Drug Administration (FDA), agência que regula alimentos e medicamentos nos EUA, reluta em autorizar a comercialização do produto.
Em 2012, no entanto, a agência declarou que o salmão transgênico era seguro para ser consumido pelo homem e que não tinha "impacto significativo" sobre o ambiente.
Há cerca de oito anos, a agência reguladora americana aprovou a primeira droga de consumo humano produzida a partir de um animal transgênico - uma cabra.
Há também vacas transgênicas com genes humanos que produzem leite semelhante ao materno.
Mas grupos de defesa dos animais afirmam que "a modificação genética apenas contribui para a crueldade já infringida em animais criados para virar comida e usados em experimentos".

Leia mais sobre esse assunto

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/08/140819_cinco_animais_transgenicos_mv.shtml

Holanda

Construção de barreira para conter Mar do Norte transformou a Holanda

Há 80 anos, holandeses construíram barreira de 32 quilômetros contra enchentes e inundações. A obra deu origem à rodovia e novas regiões.

Há séculos, eles enfrentam um duelo. De um lado, um país abaixo do nível do mar. Do outro, a força das águas que invadem a Holanda. E essa batalha começou com a construção dos diques, uma questão de sobrevivência.

Os holandeses aprenderam a erguer o solo. Para aumentar a quantidade de terra firme. De onde vem tanta força?
O Globo Repórter atravessou pelo grande divisor de águas. Em holandês: Afsluitdijk.

Antes da construção dele, o litoral dessa região muitas vezes foi devastado pelas enchentes e inundações. Para conter a fúria do Mar do Norte, os holandeses construíram uma barreira. São 32 quilômetros que cortam as águas. Uma obra arriscada e grandiosa que mostra a força e a coragem de um povo que avança sobre o mar.

Pedra sobre pedra. A barreira vai até o fundo do mar. Em 1932, o último trecho do dique foi fechado. E até hoje, os trabalhadores são lembrados como heróis.

Muralha erguida no mar virou rodovia e formou lago
“A obra durou cinco anos”, diz Joost Van Der Beek, gerente de projetos de Afsluitdijk.
A barreira foi construída durante o inverno há mais de 80 anos. O Afsluitdijk é mais que uma proteção contra enchentes. É também uma rodovia. A muralha erguida no meio do mar, formou o lago "Ijsselmeer".

Do lado de fora, água salgada. Do lado de dentro, água doce. As famílias que viviam da pesca no mar ficaram preocupadas. A paisagem mudou.

Urk costumava ser uma ilha, no período antes da construção do dique. E hoje ela é continente. Ela faz parte da terra. Depois que o Afsluitdijk conteve as águas, a barreira transformou o país. Além da região de Urk, em seguida, Flevoland veio à tona. A nova província foi consolidada em 1986. E o solo holandês ficou maior. Há mais espaço para fontes de energia eólica. E um sopro de grandes oportunidades varreu o pequeno país.

http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2014/07/construcao-de-barreira-para-conter-mar-do-norte-transformou-holanda.html

Postura

Img - Dicas de Marketing Pessoal


Dicas de Marketing Pessoal

Por: Juliana Miranda
O marketing pessoal é uma estratégia de desenvolvimento que deve ser usada por todas as pessoas que desejam evoluir profissionalmente. Para colocar em prática o marketing pessoal, as pessoas precisam trabalhar a desinibição, a desenvoltura, as relações de trabalho e, claro, o aprimoramento profissional.

O marketing pessoal conta com maneiras de promover a imagem de uma pessoa e valorizar seu conteúdo e seu potencial de trabalho. De uma forma informal, o marketing pessoal é uma maneira de vender sua própria imagem. Confira algumas dicas para trabalhar melhor o marketing pessoal e alcançar sucesso:

1 – Construa sua personalidade e aprenda a lidar com as pessoas. É preciso saber tolerar as diferenças e trabalhar em equipe. Investir no próprio visual também é importante. Vista-se bem e de forma apropriada para o ambiente corporativo.

2 – Controle seu vocabulário ao encontrar pessoas importantes. Não use gírias e fale o português formal. Sempre demonstre credibilidade em sua imagem pessoal.

3 – Seja natural e espontâneo. Não desconte seus problemas nas outras pessoas.

4 – Busque sempre o desenvolvimento e o crescimento profissional.Nunca pare de estudar e invista em especializações, cursos de idiomas, intercâmbios internacionais, entre outras atividades.

5 – Seja criativo. Aumente seu repertório cultural e seu vocabulário por meio de livros, filmes, cursos e viagens. Mantenha-se sempre motivado.

6 - Conheça suas limitações e pontos fortes.

Mulher

O vídeo que está deixando mulheres do mundo inteiro orgulhosas por correr ‘como uma menina’

Alguns falam por maldade, outros dizem sem saber.
O fato é que a expressão como uma menina é utilizada de maneira pejorativa. Não acha?
Eu arrisco dizer que você já viu valentões de recreio de escola pressionando outros garotos dizendo que eles fazem as coisas como uma menina.
A campanha da Always faz uma crítica direta a essa expressão. O que na cabeça de alguns é só uma “brincadeira”, esse vídeo deixa claro que o buraco é mais embaixo.
Clique no play abaixo para assistir.
Eu sei que é uma campanha publicitária e tem muito mais coisas por trás desse vídeo. Mas a mensagem é interessante e pertinente, tanto é que o vídeo original já foi visto por mais de 17 milhões de pessoas em todo o mundo.
Será que pessoas que usam a expressão não estão mexendo com a autoconfiança dos outros? É para refletir.
Se você gostou do vídeo e quer compartilha-lo com seus amigos e familiares, é só clicar no botão abaixo.

http://awebic.com/pessoas/o-video-que-esta-deixando-mulheres-mundo-inteiro-orgulhosas-por-correr-como-uma-menina/