JOVENS LELÉS DA CUCA


 (photo: )

09.05.2018, 02:14

PROBLEMAS PSICOEMOCIONAIS ATINGEM A JUVENTUDE CADA VEZ MAIS CEDO

Ansiedade, depressão e outros distúrbios do comportamento, agora encabeçam a lista das moléstias mais frequentes entre os que têm menos de 15 anos. O fenômeno é mundial e preocupante


Por: Anne Prigent – Le Figaro Santé

Nos últimos anos, os distúrbios emocionais, psicológicos e mentais superaram todos os outros e agora estão em primeiro lugar na lista dos males que acometem os jovens no mundo moderno. Para comprovar essa conclusão, o professor Bruno Falissard, pedopsiquiatra do Centro de Pesquisa Epidemiológica e Saúde das populações, na França, fez um estudo comparativo usando dados da organização Mundial da Saúde (OMS). Esse estudo avalia o número de anos de boa saúde perdidos devido à ocorrência de uma patologia, entre 2000 e 2015.
“Globalmente, em termos de saúde física, os jovens entre 5 e 15 anos estão cada vez melhor. Mas essa melhora é bem menos evidente no que diz respeito a saúde mental. Na verdade, a parte relativa aos distúrbios mentais aumenta”, explica Falissard, “particularmente nos países ocidentais”. O estudo desse especialista acaba de publicado na revista Child and Adolescent Psychiatry and Mental Health. Ele também classifica cada distúrbio mental em função do sofrimento experimentado pela criança. Resultado: os problemas de comportamento, os distúrbios de ansiedade e de depressão maior be como a síndrome de autismo Asperger encabeçam a lista das doenças mais frequentes na atualidade entre os jovens de todo o mundo. Um dado surpreendente revelado pelo estudo: em vinte anos, as auto-mutilações praticadas pelos jovens aumentaram cerca de 300%.
“Todas essas descobertas nos mostram que os distúrbios de comportamento representam hoje uma parte muito importante das causas de sofrimento da criança. Ora, essas crianças impulsivas, que não conseguem se controlar, sofrem com frequência uma dupla penalização. Eles estão mal, mas quase sempre são vistos como crianças mal-educadas e não como crianças em estado de sofrimento”, diz Falissard.
Os pacientes são cada vez mais jovens
É preciso dizer que, de modo geral, é difícil para os adultos imaginar que uma criança possa sofrer psiquicamente. Mas a verdade é que a infância não é uma idade feliz para todas as pessoas. “Há 25 anos, a depressão dizia respeito quase exclusivamente aos adolescentes. Agora, com muito mais frequência, ela se manifesta em crianças com menos de dez anos. Há alguns anos, para que uma criança apresentasse um quadro de depressão, havia necessidade de uma série de acontecimentos desencadeadores. Este não é mais o caso nos dias que correm”, explica a professora Marie-Rose Moro, chefe operacional na instituição para adolescentes Cochin, em Paris. E as ações suicidas entre jovens com menos de 11 anos de idade são cada vez mais numerosas.
Outros distúrbios, durante muito tempo considerados aflições exclusivas de adolescentes, atingem agora populações a cada dia mais jovens. É o caso, por exemplo, da anorexia mental. Essa patologia, que antes atingia sobretudo as garotas das classes mais abastadas após a puberdade, concerne cada vez mais garotas que ainda não chegaram à puberdade, e também muitos jovens rapazes, provindos ambos de todos os meios sociais.
Um sentimento generalizado de mal-estar
Para o professor Xavier Pommereau, responsável do polo adolescente do Centro Hospitalar Universitária de Bordéus, os transtornos de comportamento alimentar tornaram-se um verdadeira tema de preocupação. “Ao lado de distúrbios clássicos como a anorexia mental e a bulimia nervosa, vemos agora surgir novas disfunções”, explica o especialista. Entre elas, as questões do excesso de peso e da obesidade mórbida, ligadas a um voltar-se para si mesmo e ao vício dos jogos eletrônicos no caso dos rapazes, e uma bulimia com vômitos que se manifesta sobretudo nas moças jovens. “Algumas chegam a se autoprovocar vômitos de 3 a 4 vezes por dia, num processo que acarreta riscos reais para a sua saúde”, adverte Xavier Pommereau.
Um outro fenômeno ainda chama a atenção e preocupa os pedopsiquiatras: a explosão do número de automutilações. Nos últimos vinte anos, essa prática aumentou mais de 300% entre os jovens. “Um estudo que conduzi junto a 2 mil adolescentes de 15 anos nas regiões da Alsace e Poitou-Charentes mostra que 33% deles se automutilaram pelo menos uma vez.”, afirma o professor Ludovic Gicquel, chefe do polo de psiquiatria da criança e do adolescente do Centro Hospitalar Universitário de Poitiers.
Embora a pedopsiquiatria, hoje, estar democratizada e estar ao alcance de todos na França, certas famílias ainda hesitam em recorrer a esses profissionais por medo do estigma que ainda recobre os distúrbios psiquiátricos em pessoas jovens.
Muitos episódios de automutilação podem ser cada vez mais observados também entre moças muito jovens. Elas raramente estão relacionadas a experiências traumáticas vividas no passado pela paciente. Bem mais que isso, “tais automutilações traduzem um sentimento de mal-estar generalizado. Elas agridem seus próprios corpos por não se sentirem suficientemente reconhecidas e levadas em consideração. Seu único objetivo na vida é ganhar muito dinheiro e se tornarem célebres. Tratam-se de jovens destituídas de um projeto de vida, desinteressadas em qualquer tipo de engajamento”, analisa o professor Xavier Pommerau.
Todos esses distúrbios, enfim, traduzem o sentimento de mal-estar que domina um grande número de pessoas jovens. Cerca de 10 a 15% deles se encaixam hoje nesse modelo de crianças e adolescentes que passam por seguidos momentos difíceis. Marie-Rose Moro conta que “Os pacientes chegam nos consultórios em média quatro anos após o aparecimento dos primeiros sintomas”. Ora, da mesma forma que para um grande número de patologias, mais tarda o diagnóstico e a tomada de medidas terapêuticas, mais a moléstia será difícil de ser tratada.


Leia mais em
https://www.brasil247.com/pt/saude247/saude247/354154/Jovens-lel%C3%A9s-da-cuca-Problemas-psicoemocionais-atingem-a-juventude-cada-vez-mais-cedo.htm

FUTURO PRÓXIMO


Leia mais em
https://www.brasil247.com/pt/247/revista_oasis/353575/Futuro-pr

EXAME DE SANGUE


 (photo: )

02.05.2018, 00:54

O QUE SIGNIFICAM OS RESULTADOS

Glicemia, taxa de proteína C-reativa, glóbulos vermelhos, etc. Para que você possa entender melhor os itens que constam do seu exame de sangue, aqui vai uma descrição dos principais elementos que fazem parte dos resultados que interessam aos médicos clínicos.



Por: Anne Prigent – Le Figaro Santé 

Antes de tudo, uma questão importante: O que significa a normalidade em matéria de exame de sangue? Se você já leu a lista de itens que fazem parte de uma amostra de sangue analisado, deve ter percebido que ao lado do resultado existem “valores de referência”, com um limite inferior e um limite superior. Para definir esses valores de referência, os biólogos trabalham sobre os dados de populações que gozam de boa saúde. Ora, como em toda análise estatística, 5% da amostragem se encontra fora da norma. Eis porque estar ligeiramente fora dos “valores de referência” nem sempre significa que existe uma doença. Assim sendo, em face de uma análise que parece “anormal”, é inútil se preocupar sem antes discutir o assunto com o médico que prescreveu os exames sanguíneos.l
Glicemia de jejum
Este é, por exemplo, o exame de referência para diagnosticar diabete. Ele avalia a taxa de açúcar no sangue. Em face de uma glicemia que se situa entre 1,10 e 1,25 g/l (gramas por litro), falamos de uma situação de pré-diabete, e de diabete quando o índice supera 1,26 g/l.  No caso dos diabéticos, medimos também a taxa de hemoglobina glicosada (ou HbA1c). Ela permite estimar de modo retrospectivo o equilíbrio glicêmico para uma duração de cerca três meses. Sua taxa em um adulto não-diabético se situa entre 4% e 6%.
Balanço lipídico ou exploração de uma anomalia lipídica
Um dos objetivos do exame de sangue é descobrir o excesso de lipídios (gorduras) no organismo, pois ele aumenta o risco de desenvolver uma doença cardiovascular. Essa análise compreende duas medidas: para os triglicérides e o colesterol.
Os triglicérides, fornecidos pela alimentação, são estocados nas células chamadas “adiposas” para servir re reserva de energia ao organismo. Habitualmente, a taxa de triglicérides é inferior a 2 g/l. Uma alimentação rica em açúcares ou emálcool, e também uma diabetes mal administrada, a obesidade, o hipotireoidismo são frequentemente acompanhados por uma híper-trigliceridemia.
O colesterol, principalmente fabricado pelo fígado, também é fornecido pela alimentação. O exame de sangue considera três elementos: a taxa de colesterol total, o colesterol LDL (ou colesteril bomterol de colsterol icado pelo figliceridemia. mo, a taxa de triglicil.ivo o equile ao lado do resultado existem  “colesterol ruim”) e o colesterol HDL (ou “colesterol bom”). Uma taxa elevada de LDL representa um fator de risco cardiovascular. E mais o número de fatores de risco é elevado (idade, hipertensão, diabete, tabagismo), mais a taxa de LDL deve ser baixa. Em um indivíduo com menos de 50 anos sem fatores de risco, seu valor se situa habitualmente abaixo de 1,6 g/l.
O colesterol HDL coleta o LDL para favorecer a sua eliminação. Ele se situa habitualmente entre 0,4 a 0,5 g/l para o homem e entre 0,5 e 0,6 para a mulher. Mais a taxa de HDL é elevada, tanto melhor. Uma taxa inferior a 0,4 g/l é considerada como um fator de risco cardiovascular, enquanto uma taxa superior a 0,6 é considerada como um fator de proteção. O colesterol total é normalmente inferior a 2 g/l.
Balanço da situação hepática
O exame de sangue contribui sobretudo para a identificação de eventuais patologias do fígado. Considera-se quase sempre vários elementos.
Antes de tudo, as gama GT. Tratam-se de enzimas provenientes de diversos órgãos (fígado, pâncreas, rins). A taxa de gama GT no sangue aumenta quando existe alguma dentre numerosas afecções do fígado, como as hepatites virais, a obstrução das vias biliares ou o alcoolismo. Pode também estar elevada por causa do uso de certos medicamentos, da obesidade ou de uma pancreatite aguda. O valor de referência da gama GT é, para o homem, inferior a 45 UI/l (unidades internacionais por litro) e, para a mulher, inferior a 35 UI/l. Mas para cerca de 10% das pessoas, ela é duas ou três vezes mais elevada, sem que conheçamos a razão disso.
A seguir, o exame de sangue considera as transaminases. São enzimas que desempenham uma atividade metabólica no interior das células. As ;principais causas da elevação das taxas de transaminases no sangue são as anomalias hepáticas: hepatites virais, infecciosas ou tóxicas, cirrose, consequências do alcoolismo. Outras patologias, no entanto, acarretam taxas elevadas de transaminases: a obesidade, as miopatias, o infarto do miocárdio, e o uso de certos medicamentos. Distinguimos dois tipos de transaminases: a Alat, presente sobretudo no fígado, e a Asat, presente sobretudo no coração. Suas taxas se situam entre 5 e 50 UI/l. O aumento com frequência é mencionado em múltiplos do valor usual: 5N, 10N, etc. (N significa norma: por exemplo, 5N corresponde a 5 vezes a norma).
Balanço da situação renal
Ele serve para a avaliação do funcionamento dos rins. O balanço renal é feito com regularidade para os diabéticos, os hipertensos e as pessoas idosas, para os quais o risco de surgimento de uma insuficiência renal é muito importante. E também no caso de a pessoa ter tomado certos medicamentos. Esse balanço leva em conta diversos elementos.
Em primeiro lugar, a creatinina sanguínea que provem da degradação da creatina e é eliminada pelos rins. Uma taxa elevada de creatinina assinala portanto uma disfunção renal. Como a quantidade de creatinina produzida depende da massa muscular, as concentrações são mais elevadas nos homens -entre 80 e 110 μmol/l (micromole por litro) - que nas mulheres - entre 60 e 95 μmol/l. As causas do seu aumento são muito variadas: infecção bacteriana, cálculos renais, insuficiência cardíaca, etc.
A seguir, o débito de filtragem glomerular (DFG). Ele acompanha a dosagem da creatinemia. É o meio para se detectar alterações renais muito precocemente. É calculado a partir de uma fórmula que leva em consideração a creatinemia, a idade e o sexo do paciente. A filtragem glomerular é habitualmente superior a 90 ml/mn (mililitro por minuto).
Balanço da situação da tireoide
É feito para se detectar os distúrbios da tireoide e para se acompanhar o tratamento de um possível hipotireoidismo ou de um hipertireoidismo. Medimos a tireostimulina hipofisiária (ou TSH), que estimula a secreção de hormônios. A secreção da TSH depende da retomada do controle dos hormônios da tireoide. O que significa que um hipertireoidismo acarreta uma diminuição da taxe de TSH, enquanto que, inversamente, o hipotireoidismo provocará o seu aumento. As normas consideradas como sendo valores indicativos de uma TSH normal estão situadas entre 0,4 e 4 mUI/l.
Balanço do estado inflamatório
Dois exames podem ser prescritos para detectar uma patologia inflamatória ou uma eventual infecção.
Por um lado, o exame da velocidade de sedimentação. Ela corresponde à quantidade de sangue coagulado no interior de um tubo de ensaio ao final de uma ou duas horas. Esse valor permite diagnosticar uma eventual inflamação aguda ou crônica, não importa qual seja a sua origem (infecção, câncer, doença autoimune etc). Considera-se que antes dos 65 anos de idade a velocidade de sedimentação deve ser inferior a 15 no homem e a 20 na mulher, e que após os 65 anos esses valores devem ser inferiores a 20 nos homens e a 25 nas mulheres.
Por outro lado, a taxa da proteína C-reativa (CRP) . A CRP é produzida pelo fígado. Sua taxa no sangue aumenta rapidamente em caso de infecção ou de inflamação. Ela diminui quando ocorre uma melhora, mais rapidamente do que a velocidade de sedimentação. Habitualmente, a CRP se situa abaixo de 6 mg/l. A obesidade, o álcool e o tabaco causam um aumento da CRP fora de qualquer inflamação.
Hemograma ou numeração de fórmula sanguínea
É o exame mais solicitado pelos médicos. É utilizado como um teste geral para se ter um panorama do estado de saúde geral. Sua finalidade é detectar as variadas disfunções que uma anemia, uma infecção, um câncer de sangue e vários outros fatores podem produzir em um paciente. A interpretação de uma numeração sanguínea (ou NFS) é particularmente complexa. Trata-se, com efeito, de um conjunto de testes que analisam os diferentes componentes do sangue: glóbulos vermelhos, glóbulos brancos, plaquetas, etc. Como podemos interpretar esses resultados?
Os glóbulos vermelhos transportam o oxigênio para todos os órgãos e na volta trazem o gás carbônico para os pulmões para que ele seja eliminado.
As análises biológicas dos glóbulos vermelhos (ou hemácias) consistem na contagem deles, medir a hemoglobina contida nos glóbulos vermelhos e que fixa o ferro, e medir o volume dos glóbulos vermelhos (hematócrito). No homem, estima-se que o número normal de hemácias está compreendido entre 4,2 e 5,7 milhões por mm3 de sangue, a hemoglobina entre 130 e 180 g/l e o hematócrito entre 4 a 5,3 milhões por mm3 de sangue, 120 a 160 g/l e de 37 a 46%. A diminuição desses valores frequentemente indica a provável presença de uma anemia.
O número de glóbulos brancos (leucócitos) costuma também ser interpretado. Ee aumenta em  numerosos casos: infecção, inflamação, alergia, uso de certos medicamentos, disfunções da medula espinhal, etc. A taxa habitual de leucócitos é de 4 mil à 10 mil por mm3.
Mas na família dos leucócitos todos não regem da mesma maneira. Os linfócitos, que representam cerca de 30% dos leucócitos, diminuem em caso de déficit imunológico e aumentam por ocasião de infecções virais ou bacterianas ou em caso de doença autoimune. Os monócitos, que representam cerca de 7% dos leucócitos, aumentam em caso de doenças infecciosas crônicas ou de inflamações. Os polinucleares neutrófilos, que representam cerca de 60% dos leucócitos, diminuem em caso de infecção viral ou parasitária e de hipertireoidismo, e aumentam em caso de infecção bacteriana ou de tratamentos à base de cortisonas.
O aumento do número dos polinucleares eosinófilos (2% dos leucócitos) permitem, por seu lado, detectar a presença de reações alérgicas ou de infecções parasitárias. No que diz respeito aos polinucleares basófilos (1% dos leucócitos), a sua taxa pode aumentar em caso de reações alérgicas ou de infecções.
As plaquetas, finalmente, desempenham um papel essencial na coagulação do sangue. A numeração plaquetária geralmente faz parte da NFS. Ela também pode ser solicitada no caso do aparecimento de hematomas inexplicáveis. Habitualmente, o número de plaquetas se situa entre 150 mil e 450 mil por mm3, tanto no adulto como na criança. O aumento do número de plaquetas deve-se a numerosas causas como uma carência de ferro ou doenças inflamatórias. Uma diminuição pode estar ligada a um déficit de vitamina B, a uma infecção viral, ao uso de certos medicamentos.



Leia mais em
https://www.brasil247.com/pt/saude247/saude247/353353/Exame-de-sangue-O-que-significam-os-resultados.htm

CRIANÇAS VICIADAS EM AÇÚCAR


 (photo: )

25.04.2018, 11:28

COMO VENCER O CONSUMO EXCESSIVO DE ALIMENTOS DOCES

Refrigerantes, doces, balas, bombons. Em todo o mundo desenvolvido as crianças comem diariamente de duas a três vezes mais açúcar do que o necessário. Com o consequente risco de obesidade, cáries e moléstias cardíacas no futuro. Mas de nada adiante proibir. Mais vale explicar aos pequenos que o excesso de açúcar é muito prejudicial a saúde.


 Por: Aude Rambaud – Le Figaro Santé  
Uma única latinha de refrigerante e pronto: seu filho já superou o limite de consumo de açúcar recomendado para uma inteira jornada. Na teoria, seria preciso que os açúcares escondidos nas bebidas e alimentos industrializados representem menos de 5% da ração calórica quotidiana para prevenir a obesidade, o diabetes e as cáries dentárias. Na França, a pesquisa alimentar Inca 3 revela que os jovens franceses consomem de duas a três vezes mais açúcar do que o recomendado. Mas é preciso dizer que, no nosso modelo de vida, os açúcares estão em toda a parte. Então, como evitar o seu consumo em excesso?
“De nada adianta proibir”, previne logo de início o professor Jean-Michel Lecerf, chefe do serviço de nutrição do Instituto Pasteur da cidade de Lille. Proibir é contraproducente, não importa se a interdição venha dos pais ou da sociedade. Na verdade, a interdição é a melhor forma de incitar as crianças a desafiar esse limite. Por outro lado, demonizar uma categoria de alimento acarreta distúrbios da relação alimentar, e o desenvolvimento de comportamentos potencialmente graves. O que é realmente necessário é explicar às crianças por que o açúcar pode ser nocivo para a saúde  e as ajudar a tomar consciência das quantidades que consomem. De modo paralelo, também é fundamental ensinar a elas como apreciar os produtos açucarados e os degustar. É preciso evitar que elas se escondam para engolir rapidamente os doces mas, ao contrário, que elas tomem todo o tempo que for necessário para saboreá-los, sem experimentar nenhum sentimento de culpa. É necessário desenvolver nos pequenos a consciência de uma relação sadia com a alimentação”, explica Lecerf.
Reduzir a tentação
A primeira providência a ser tomada para limitar as tentações é limitar a exposição. Não se deve, em absoluto, deixar produtos açucarados expostos à disposição para o consumo em casa. “Se doces, refrigerantes, sorvetes e cremes estivirem visíveis nas prateleiras u nas geladeiras, eles serão comidos. E em maior quantidade se esse consumo for proibido! Não guarde estoques desses produtos. Como sobremesa, uma fruta já é suficiente”, declara Jean-Michel Lecerf. “Isso é ainda mais importante quando os pais que trabalham nos fins de semana estiverem ausentes aos sábados e domingos, por exemplo, quando as crianças ficam sozinhas em casa. Se elas mesmas tiverem de preparar o almoço ou um lanche, elas sempre terão a tendência a comer produtos supérfluos e açucarados” insiste Béatrice de Reynal, médica nutricionista.
É preciso igualmente ensinar as crianças a conhecer as quantidades de açúcar presentes nos alimentos. Para tanto, cozinhar com as crianças ao lado, como auxiliares, é uma medida excelente. É ao fazer um bolo, um doce, que elas realizarão que 200 gramas de açúcar representam mais de 5 vezes a quantidade diária recomendada para eles. Assim que a criança aprende a ler, podemos lhe mostrar os dados nutricionais que constam dos rótulos nos produtos. Isso permitirá que ela saiba que o ketchup, por exemplo, contem muito açúcar, destinado a mascarar a acidez do tomate.
Proibir sem explicar não serve a nada
Existem também numerosos pequenos “truques” para se praticar em família para reduzir os aportes de açúcar: fazer a própria comida a partir de alimentos simples para evitar os açúcares adicionados aos produtos industrializados, diminuir progressivamente as quantidades de açúcar nas receitas de doces ou nos doces à base de laticínios para desabituar a pessoa que prefere alimentos muito doces, preferir as compotas e geleias sem açúcar adicionado, oferecer pão com manteiga no café da manhã, em vez de biscoitos e bolachas açucarados, reduzir as porções de cereais doces pela manhã, substituindo-os com uma fatia de pão. E, evidentemente, deixar sempre disponível sobre a mesa uma garrafa de água, de preferência com uma ramo de mente ou hortelã frescas ou uma fatia de limão.
Para os adolescentes, a informação e a sensibilização são fundamentais: ainda uma vez, as proibições não servem para nada. “Os adolesdcentes não são insensíveis às mensagens de prevenção, mas o efeito de grupo acaba sempre vencendo a decisão individual. Se todo o grupo vai ao fast-food ou à pizzaria, o jovem simplesmente segue a decisão da maioria e isso é normal. Apesar disso, é bom saber que os adolescentes geralmente não comem de tudo e qualquer coisa. Eles dão muita importância à alimentação. Não por razões de saúde, já que não sentem que isso lhes diz respeito, mas para se sentir bem, para serem bonitos em relação aos outros”, comenta Béatrice de Reynal.
  

Leia mais em
https://www.brasil247.com/pt/saude247/saude247/352524/Crian%C3%A7as-viciadas-em-a%C3%A7%C3%BAcar-Como-vencer-o-consumo-excessivo-de-alimentos-doces.htm