BACTÉRIAS RESISTENTES


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15.05.2018, 07:33

O CONSUMO DE ANTIBIÓTICOS ESTÁ QUASE FORA DE CONTROLE

Aumenta o uso de antibióticos, sobretudo nos países em via de desenvolvimento. Microrganismos causadores de doenças estão cada vez mais resistentes e para combate-los é preciso usar medicamentos para vez mais fortes e mais tóxicos.


Por: Le Figaro Santé

Uma análise global do uso de antibióticos no mundo revela números preocupantes e um panorama que poderá ter consequências sobre a situação da saúde global. O Center for Disease Dynamics, Economics & Policy, a Universidade de Princeton, o Instituto Politécnico de Zurique e a Universidade de Antuérpia (Bélgica) reuniram dados sobre a utilização de moléculas antibacterianas no mundo, e publicaram um artigo denominado  Proceedings of the national academy of sciences (PNAS).
O estudo esclarece que o uso de antibióticos em nível mundial aumentou 39% entre os anos 2000 e 2015. Em particular, as doses diárias desses fármacos necessárias para combater as doenças aumentaram na proporção de 11,3 para 15,7. Tais valores representam as dosagens de manutenção por cada dia de terapia.
 A maior parte desse aumento é observada em países de renda baixa e média (entre 800 a 3.200 dólares per capita anuais), e isso é em parte devido ao aumento da população. À parte o fator populacional, os números mostram que entre 2000 e 2015, nesses países, houve um aumento real de 77% por mil habitantes ao dia na utilização desses fármacos. Em particular, nesse período, o consumo de antibióticos aumentou 103% na Índia, 79% na China e 65% no Paquistão. No mesmo período, no entanto, houve uma ligeira diminuição do uso desses fármacos nos países de renda muito alta.
O fim da medicina moderna
O estudo também leva em consideração os vários tipos de antibióticos, destacando-se em particular um aumento de 56% do consumo de penicilinas de amplo espectro nos países em via de desenvolvimento, e também de antibióticos como as oxazolidonas, os carbapenêmicos (beta-lactâmicos) e a colistina – todos eles definidos como “de última geração” e usados apenas em ambientes controlados e para cepas de bactérias que se tornaram resistentes aos fármacos mais comuns.
 O uso excessivo de antibióticos para se defender das doenças infecciosas infelizmente agravou o fenômeno da resistência aos antibióticos e o da difusão, em todo o planeta, de cepas bacterianas que já não sucumbem à ação dos fármacos. Esta situação é potencialmente muito perigosa e pode acarretar graves consequências, a ponto de Sally Davies, porta-voz do ministério inglês para a saúde afirmar que esta situação pode representar “o fim da medicina moderna”.
Novos rumos
Para sair do círculo vicioso da resistência bacteriológica, a ciência aposta neste momento em novos tipos de antibióticos e em novos instrumentos terapêuticos, tais como os fagos.
Para resumir, a pesquisa científica investiga agora todas as possibilidades. Uma das últimas descobertas diz respeito a moléculas da classe dos retinoides, similares à vitamina A. Graças a alguns testes, descobriu-se que tais moléculas não apenas matam bactérias (como a Staphylococcus aureus o dos doentes de fibrose cística. Infelizmente, tais substâncias por enquanto têm limites: não são ativas contra algumas bactérias, como as da pneumonia e da peste bubônica, hoje ainda presentes em muitas regiões do planeta.
NOTA DA REDAÇÃO
Resistência antibiótica
A resistência antibiótica, resistência a antibióticos ou resistência antimicrobiana é a capacidade de um micróbio ou bactérias de resistir aos efeitos da medicação anteriormente utilizada para tratá-los, como antibióticos. A resistência surge através de uma das três maneiras seguintes: resistência natural em certos tipos de
bactérias; mutação genética ou por uma espécie que adquire resistência de outra.
A resistência pode aparecer espontaneamente por mutações aleatórias; ou mais comumente após o acúmulo gradual ao longo do tempo e devido ao mau uso de antibióticos ou antimicrobianos. Os micróbios resistentes são cada vez mais difíceis de tratar, exigindo doses mais elevadas ou medicamentos alternativos, que podem ser mais caros ou mais tóxicos. Os micróbios resistentes a múltiplos antimicrobianos são chamados de "resistente a múltiplos medicamentos" (RMM); ou às vezes superbactérias. A resistência antimicrobiana está aumentando com milhões de mortes a cada ano. Todas as classes de micróbios desenvolvem resistência: os fungos desenvolvem resistência antifúngica, os vírus desenvolvem resistência antiviral, os protozoários desenvolvem resistência antiprotozoária e as bactérias desenvolvem resistência aos antibióticos.
Só tomar quando for necessário
Os antibióticos só devem ser utilizados quando necessário, conforme prescrito pelos profissionais da saúde. O médico que prescreve deve aderir aos cinco direitos da administração de medicamentos: o direito do paciente, o medicamento certo, a dose certa, a via correta e o tempo adequado. Os antibióticos de espectro estreito são preferidos, quando possível, em relação aos antibióticos de largo espectro, uma vez que a alocação efetiva e precisa de organismos específicos torna a resistência menos provável. Os medicamentos devem ser tomados antes do tratamento quando indicado e o tratamento pode mudar de acordo com o relatório de susceptibilidade.
Para as pessoas que tomam esses medicamentos em casa, a educação sobre o uso adequado é essencial. Os prestadores de assistência médica podem minimizar a propagação de infecções resistentes pelo uso de saneamento e higiene adequados (como a lavagem das mãos e a desinfecção) e devem encorajar o mesmo entre os pacientes, visitantes e membros da família.
Aumento da resistência
O aumento da resistência aos medicamentos é causada principalmente pelo uso indevido de antimicrobianos em seres humanos, bem como em animais, e pela disseminação de cepas resistentes entre os dois. Os antibióticos aumentam a pressão seletiva nas populações bacterianas, causando a morte de bactérias vulneráveis; isso aumenta a porcentagem de bactérias resistentes que continuam crescendo. Com a resistência aos antibióticos tornando-se mais comum, há uma maior necessidade de tratamentos alternativos. Pedidos de novas terapias com antibióticos foram emitidos, mas o desenvolvimento de novos medicamentos está se tornando mais raro.
Um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgado em abril de 2014 afirmou: "esta ameaça séria não é mais uma previsão para o futuro, está acontecendo agora em todas as regiões do mundo e tem o potencial de afetar qualquer pessoa, de qualquer idade, em qualquer país. A resistência aos antibióticos - quando as bactérias mudam, de modo que os antibióticos já não funcionam em pessoas que precisam delas para tratar infecções - agora é uma grande ameaça para a saúde pública". O aumento das chamadas públicas para ação coletiva global para enfrentar esta ameaça inclui propostas para tratados internacionais sobre resistência antimicrobiana.
A resistência mundial aos antibióticos não está totalmente mapeada, mas os países mais pobres com sistemas de saúde deficientes são os mais afetados. De acordo com os centros de controle e prevenção de doenças norte-americanos: "Anualmente nos Estados Unidos, ao menos 2 milhões de pessoas ficam infectadas com bactérias resistentes a antibióticos e pelo menos 23 mil pessoas morrem todos os anos como resultado direto dessas infecções". Existem múltiplos programas de monitoramento nacionais e internacionais sobre ameaças resistentes a medicamentos, como o Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA), a betalactamase de espectro estendido (ESBL) e a Acinetobacter baumanii multirresistente (MRAB). 


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JOVENS LELÉS DA CUCA


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09.05.2018, 02:14

PROBLEMAS PSICOEMOCIONAIS ATINGEM A JUVENTUDE CADA VEZ MAIS CEDO

Ansiedade, depressão e outros distúrbios do comportamento, agora encabeçam a lista das moléstias mais frequentes entre os que têm menos de 15 anos. O fenômeno é mundial e preocupante


Por: Anne Prigent – Le Figaro Santé

Nos últimos anos, os distúrbios emocionais, psicológicos e mentais superaram todos os outros e agora estão em primeiro lugar na lista dos males que acometem os jovens no mundo moderno. Para comprovar essa conclusão, o professor Bruno Falissard, pedopsiquiatra do Centro de Pesquisa Epidemiológica e Saúde das populações, na França, fez um estudo comparativo usando dados da organização Mundial da Saúde (OMS). Esse estudo avalia o número de anos de boa saúde perdidos devido à ocorrência de uma patologia, entre 2000 e 2015.
“Globalmente, em termos de saúde física, os jovens entre 5 e 15 anos estão cada vez melhor. Mas essa melhora é bem menos evidente no que diz respeito a saúde mental. Na verdade, a parte relativa aos distúrbios mentais aumenta”, explica Falissard, “particularmente nos países ocidentais”. O estudo desse especialista acaba de publicado na revista Child and Adolescent Psychiatry and Mental Health. Ele também classifica cada distúrbio mental em função do sofrimento experimentado pela criança. Resultado: os problemas de comportamento, os distúrbios de ansiedade e de depressão maior be como a síndrome de autismo Asperger encabeçam a lista das doenças mais frequentes na atualidade entre os jovens de todo o mundo. Um dado surpreendente revelado pelo estudo: em vinte anos, as auto-mutilações praticadas pelos jovens aumentaram cerca de 300%.
“Todas essas descobertas nos mostram que os distúrbios de comportamento representam hoje uma parte muito importante das causas de sofrimento da criança. Ora, essas crianças impulsivas, que não conseguem se controlar, sofrem com frequência uma dupla penalização. Eles estão mal, mas quase sempre são vistos como crianças mal-educadas e não como crianças em estado de sofrimento”, diz Falissard.
Os pacientes são cada vez mais jovens
É preciso dizer que, de modo geral, é difícil para os adultos imaginar que uma criança possa sofrer psiquicamente. Mas a verdade é que a infância não é uma idade feliz para todas as pessoas. “Há 25 anos, a depressão dizia respeito quase exclusivamente aos adolescentes. Agora, com muito mais frequência, ela se manifesta em crianças com menos de dez anos. Há alguns anos, para que uma criança apresentasse um quadro de depressão, havia necessidade de uma série de acontecimentos desencadeadores. Este não é mais o caso nos dias que correm”, explica a professora Marie-Rose Moro, chefe operacional na instituição para adolescentes Cochin, em Paris. E as ações suicidas entre jovens com menos de 11 anos de idade são cada vez mais numerosas.
Outros distúrbios, durante muito tempo considerados aflições exclusivas de adolescentes, atingem agora populações a cada dia mais jovens. É o caso, por exemplo, da anorexia mental. Essa patologia, que antes atingia sobretudo as garotas das classes mais abastadas após a puberdade, concerne cada vez mais garotas que ainda não chegaram à puberdade, e também muitos jovens rapazes, provindos ambos de todos os meios sociais.
Um sentimento generalizado de mal-estar
Para o professor Xavier Pommereau, responsável do polo adolescente do Centro Hospitalar Universitária de Bordéus, os transtornos de comportamento alimentar tornaram-se um verdadeira tema de preocupação. “Ao lado de distúrbios clássicos como a anorexia mental e a bulimia nervosa, vemos agora surgir novas disfunções”, explica o especialista. Entre elas, as questões do excesso de peso e da obesidade mórbida, ligadas a um voltar-se para si mesmo e ao vício dos jogos eletrônicos no caso dos rapazes, e uma bulimia com vômitos que se manifesta sobretudo nas moças jovens. “Algumas chegam a se autoprovocar vômitos de 3 a 4 vezes por dia, num processo que acarreta riscos reais para a sua saúde”, adverte Xavier Pommereau.
Um outro fenômeno ainda chama a atenção e preocupa os pedopsiquiatras: a explosão do número de automutilações. Nos últimos vinte anos, essa prática aumentou mais de 300% entre os jovens. “Um estudo que conduzi junto a 2 mil adolescentes de 15 anos nas regiões da Alsace e Poitou-Charentes mostra que 33% deles se automutilaram pelo menos uma vez.”, afirma o professor Ludovic Gicquel, chefe do polo de psiquiatria da criança e do adolescente do Centro Hospitalar Universitário de Poitiers.
Embora a pedopsiquiatria, hoje, estar democratizada e estar ao alcance de todos na França, certas famílias ainda hesitam em recorrer a esses profissionais por medo do estigma que ainda recobre os distúrbios psiquiátricos em pessoas jovens.
Muitos episódios de automutilação podem ser cada vez mais observados também entre moças muito jovens. Elas raramente estão relacionadas a experiências traumáticas vividas no passado pela paciente. Bem mais que isso, “tais automutilações traduzem um sentimento de mal-estar generalizado. Elas agridem seus próprios corpos por não se sentirem suficientemente reconhecidas e levadas em consideração. Seu único objetivo na vida é ganhar muito dinheiro e se tornarem célebres. Tratam-se de jovens destituídas de um projeto de vida, desinteressadas em qualquer tipo de engajamento”, analisa o professor Xavier Pommerau.
Todos esses distúrbios, enfim, traduzem o sentimento de mal-estar que domina um grande número de pessoas jovens. Cerca de 10 a 15% deles se encaixam hoje nesse modelo de crianças e adolescentes que passam por seguidos momentos difíceis. Marie-Rose Moro conta que “Os pacientes chegam nos consultórios em média quatro anos após o aparecimento dos primeiros sintomas”. Ora, da mesma forma que para um grande número de patologias, mais tarda o diagnóstico e a tomada de medidas terapêuticas, mais a moléstia será difícil de ser tratada.


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FUTURO PRÓXIMO


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EXAME DE SANGUE


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02.05.2018, 00:54

O QUE SIGNIFICAM OS RESULTADOS

Glicemia, taxa de proteína C-reativa, glóbulos vermelhos, etc. Para que você possa entender melhor os itens que constam do seu exame de sangue, aqui vai uma descrição dos principais elementos que fazem parte dos resultados que interessam aos médicos clínicos.



Por: Anne Prigent – Le Figaro Santé 

Antes de tudo, uma questão importante: O que significa a normalidade em matéria de exame de sangue? Se você já leu a lista de itens que fazem parte de uma amostra de sangue analisado, deve ter percebido que ao lado do resultado existem “valores de referência”, com um limite inferior e um limite superior. Para definir esses valores de referência, os biólogos trabalham sobre os dados de populações que gozam de boa saúde. Ora, como em toda análise estatística, 5% da amostragem se encontra fora da norma. Eis porque estar ligeiramente fora dos “valores de referência” nem sempre significa que existe uma doença. Assim sendo, em face de uma análise que parece “anormal”, é inútil se preocupar sem antes discutir o assunto com o médico que prescreveu os exames sanguíneos.l
Glicemia de jejum
Este é, por exemplo, o exame de referência para diagnosticar diabete. Ele avalia a taxa de açúcar no sangue. Em face de uma glicemia que se situa entre 1,10 e 1,25 g/l (gramas por litro), falamos de uma situação de pré-diabete, e de diabete quando o índice supera 1,26 g/l.  No caso dos diabéticos, medimos também a taxa de hemoglobina glicosada (ou HbA1c). Ela permite estimar de modo retrospectivo o equilíbrio glicêmico para uma duração de cerca três meses. Sua taxa em um adulto não-diabético se situa entre 4% e 6%.
Balanço lipídico ou exploração de uma anomalia lipídica
Um dos objetivos do exame de sangue é descobrir o excesso de lipídios (gorduras) no organismo, pois ele aumenta o risco de desenvolver uma doença cardiovascular. Essa análise compreende duas medidas: para os triglicérides e o colesterol.
Os triglicérides, fornecidos pela alimentação, são estocados nas células chamadas “adiposas” para servir re reserva de energia ao organismo. Habitualmente, a taxa de triglicérides é inferior a 2 g/l. Uma alimentação rica em açúcares ou emálcool, e também uma diabetes mal administrada, a obesidade, o hipotireoidismo são frequentemente acompanhados por uma híper-trigliceridemia.
O colesterol, principalmente fabricado pelo fígado, também é fornecido pela alimentação. O exame de sangue considera três elementos: a taxa de colesterol total, o colesterol LDL (ou colesteril bomterol de colsterol icado pelo figliceridemia. mo, a taxa de triglicil.ivo o equile ao lado do resultado existem  “colesterol ruim”) e o colesterol HDL (ou “colesterol bom”). Uma taxa elevada de LDL representa um fator de risco cardiovascular. E mais o número de fatores de risco é elevado (idade, hipertensão, diabete, tabagismo), mais a taxa de LDL deve ser baixa. Em um indivíduo com menos de 50 anos sem fatores de risco, seu valor se situa habitualmente abaixo de 1,6 g/l.
O colesterol HDL coleta o LDL para favorecer a sua eliminação. Ele se situa habitualmente entre 0,4 a 0,5 g/l para o homem e entre 0,5 e 0,6 para a mulher. Mais a taxa de HDL é elevada, tanto melhor. Uma taxa inferior a 0,4 g/l é considerada como um fator de risco cardiovascular, enquanto uma taxa superior a 0,6 é considerada como um fator de proteção. O colesterol total é normalmente inferior a 2 g/l.
Balanço da situação hepática
O exame de sangue contribui sobretudo para a identificação de eventuais patologias do fígado. Considera-se quase sempre vários elementos.
Antes de tudo, as gama GT. Tratam-se de enzimas provenientes de diversos órgãos (fígado, pâncreas, rins). A taxa de gama GT no sangue aumenta quando existe alguma dentre numerosas afecções do fígado, como as hepatites virais, a obstrução das vias biliares ou o alcoolismo. Pode também estar elevada por causa do uso de certos medicamentos, da obesidade ou de uma pancreatite aguda. O valor de referência da gama GT é, para o homem, inferior a 45 UI/l (unidades internacionais por litro) e, para a mulher, inferior a 35 UI/l. Mas para cerca de 10% das pessoas, ela é duas ou três vezes mais elevada, sem que conheçamos a razão disso.
A seguir, o exame de sangue considera as transaminases. São enzimas que desempenham uma atividade metabólica no interior das células. As ;principais causas da elevação das taxas de transaminases no sangue são as anomalias hepáticas: hepatites virais, infecciosas ou tóxicas, cirrose, consequências do alcoolismo. Outras patologias, no entanto, acarretam taxas elevadas de transaminases: a obesidade, as miopatias, o infarto do miocárdio, e o uso de certos medicamentos. Distinguimos dois tipos de transaminases: a Alat, presente sobretudo no fígado, e a Asat, presente sobretudo no coração. Suas taxas se situam entre 5 e 50 UI/l. O aumento com frequência é mencionado em múltiplos do valor usual: 5N, 10N, etc. (N significa norma: por exemplo, 5N corresponde a 5 vezes a norma).
Balanço da situação renal
Ele serve para a avaliação do funcionamento dos rins. O balanço renal é feito com regularidade para os diabéticos, os hipertensos e as pessoas idosas, para os quais o risco de surgimento de uma insuficiência renal é muito importante. E também no caso de a pessoa ter tomado certos medicamentos. Esse balanço leva em conta diversos elementos.
Em primeiro lugar, a creatinina sanguínea que provem da degradação da creatina e é eliminada pelos rins. Uma taxa elevada de creatinina assinala portanto uma disfunção renal. Como a quantidade de creatinina produzida depende da massa muscular, as concentrações são mais elevadas nos homens -entre 80 e 110 μmol/l (micromole por litro) - que nas mulheres - entre 60 e 95 μmol/l. As causas do seu aumento são muito variadas: infecção bacteriana, cálculos renais, insuficiência cardíaca, etc.
A seguir, o débito de filtragem glomerular (DFG). Ele acompanha a dosagem da creatinemia. É o meio para se detectar alterações renais muito precocemente. É calculado a partir de uma fórmula que leva em consideração a creatinemia, a idade e o sexo do paciente. A filtragem glomerular é habitualmente superior a 90 ml/mn (mililitro por minuto).
Balanço da situação da tireoide
É feito para se detectar os distúrbios da tireoide e para se acompanhar o tratamento de um possível hipotireoidismo ou de um hipertireoidismo. Medimos a tireostimulina hipofisiária (ou TSH), que estimula a secreção de hormônios. A secreção da TSH depende da retomada do controle dos hormônios da tireoide. O que significa que um hipertireoidismo acarreta uma diminuição da taxe de TSH, enquanto que, inversamente, o hipotireoidismo provocará o seu aumento. As normas consideradas como sendo valores indicativos de uma TSH normal estão situadas entre 0,4 e 4 mUI/l.
Balanço do estado inflamatório
Dois exames podem ser prescritos para detectar uma patologia inflamatória ou uma eventual infecção.
Por um lado, o exame da velocidade de sedimentação. Ela corresponde à quantidade de sangue coagulado no interior de um tubo de ensaio ao final de uma ou duas horas. Esse valor permite diagnosticar uma eventual inflamação aguda ou crônica, não importa qual seja a sua origem (infecção, câncer, doença autoimune etc). Considera-se que antes dos 65 anos de idade a velocidade de sedimentação deve ser inferior a 15 no homem e a 20 na mulher, e que após os 65 anos esses valores devem ser inferiores a 20 nos homens e a 25 nas mulheres.
Por outro lado, a taxa da proteína C-reativa (CRP) . A CRP é produzida pelo fígado. Sua taxa no sangue aumenta rapidamente em caso de infecção ou de inflamação. Ela diminui quando ocorre uma melhora, mais rapidamente do que a velocidade de sedimentação. Habitualmente, a CRP se situa abaixo de 6 mg/l. A obesidade, o álcool e o tabaco causam um aumento da CRP fora de qualquer inflamação.
Hemograma ou numeração de fórmula sanguínea
É o exame mais solicitado pelos médicos. É utilizado como um teste geral para se ter um panorama do estado de saúde geral. Sua finalidade é detectar as variadas disfunções que uma anemia, uma infecção, um câncer de sangue e vários outros fatores podem produzir em um paciente. A interpretação de uma numeração sanguínea (ou NFS) é particularmente complexa. Trata-se, com efeito, de um conjunto de testes que analisam os diferentes componentes do sangue: glóbulos vermelhos, glóbulos brancos, plaquetas, etc. Como podemos interpretar esses resultados?
Os glóbulos vermelhos transportam o oxigênio para todos os órgãos e na volta trazem o gás carbônico para os pulmões para que ele seja eliminado.
As análises biológicas dos glóbulos vermelhos (ou hemácias) consistem na contagem deles, medir a hemoglobina contida nos glóbulos vermelhos e que fixa o ferro, e medir o volume dos glóbulos vermelhos (hematócrito). No homem, estima-se que o número normal de hemácias está compreendido entre 4,2 e 5,7 milhões por mm3 de sangue, a hemoglobina entre 130 e 180 g/l e o hematócrito entre 4 a 5,3 milhões por mm3 de sangue, 120 a 160 g/l e de 37 a 46%. A diminuição desses valores frequentemente indica a provável presença de uma anemia.
O número de glóbulos brancos (leucócitos) costuma também ser interpretado. Ee aumenta em  numerosos casos: infecção, inflamação, alergia, uso de certos medicamentos, disfunções da medula espinhal, etc. A taxa habitual de leucócitos é de 4 mil à 10 mil por mm3.
Mas na família dos leucócitos todos não regem da mesma maneira. Os linfócitos, que representam cerca de 30% dos leucócitos, diminuem em caso de déficit imunológico e aumentam por ocasião de infecções virais ou bacterianas ou em caso de doença autoimune. Os monócitos, que representam cerca de 7% dos leucócitos, aumentam em caso de doenças infecciosas crônicas ou de inflamações. Os polinucleares neutrófilos, que representam cerca de 60% dos leucócitos, diminuem em caso de infecção viral ou parasitária e de hipertireoidismo, e aumentam em caso de infecção bacteriana ou de tratamentos à base de cortisonas.
O aumento do número dos polinucleares eosinófilos (2% dos leucócitos) permitem, por seu lado, detectar a presença de reações alérgicas ou de infecções parasitárias. No que diz respeito aos polinucleares basófilos (1% dos leucócitos), a sua taxa pode aumentar em caso de reações alérgicas ou de infecções.
As plaquetas, finalmente, desempenham um papel essencial na coagulação do sangue. A numeração plaquetária geralmente faz parte da NFS. Ela também pode ser solicitada no caso do aparecimento de hematomas inexplicáveis. Habitualmente, o número de plaquetas se situa entre 150 mil e 450 mil por mm3, tanto no adulto como na criança. O aumento do número de plaquetas deve-se a numerosas causas como uma carência de ferro ou doenças inflamatórias. Uma diminuição pode estar ligada a um déficit de vitamina B, a uma infecção viral, ao uso de certos medicamentos.



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https://www.brasil247.com/pt/saude247/saude247/353353/Exame-de-sangue-O-que-significam-os-resultados.htm