economia sociopata




















 O segredo sórdido do capitalismo

O aumento da desigualdade e da instabilidade política são o resultado direto de décadas da péssima teoria econômica que está na base do modelo capitalista vigente, diz o empreendedor Nick Hanauer. Em sua palestra visionária, ele ataca o mantra de que “a ganância é boa”, uma ideia que descreve não somente como moralmente corrosiva, mas também como cientificamente errada, e expõe uma nova teoria econômica baseada na reciprocidade e cooperação.
Vídeo: TED – Ideas Worth Spreading
Tradução: Simone Gumier. Revisão: Maricene Crus
Nick Hanauer é um homem rico, um capitalista impenitente e tem algo a dizer aos colegas plutocratas: Acordem! A crescente desigualdade está prestes a empurrar as nossas sociedades para condições semelhantes à França pré-revolucionária. Ouçam o seu argumento sobre como um grande aumento no salário mínimo poderia fazer crescer a classe média, entregar prosperidade econômica … e evitar uma revolução.

Tradução integral da palestra de Nick Hanauer:
Sou capitalista. E depois de uma carreira de 30 anos no capitalismo, que se estendeu por umas 30 empresas, gerando dezenas de bilhões de dólares em valores de mercado, não estou apenas entre o 1% que ganha mais, estou entre o 0,01% de todos eles. Estou aqui hoje para compartilhar os segredos de nosso sucesso, porque capitalistas ricos como eu nunca foram tão ricos. Então, a pergunta é: como fazemos? Como conseguimos abocanhar uma fatia cada vez maior do bolo a cada ano? Será que ficamos mais espertos do que éramos há 30 anos? Será que estamos trabalhando mais do que antes? Ficamos mais altos, mais bonitos?
O empresário Nick Hanauer
Infelizmente, não. Tudo se resume a apenas uma coisa: a economia. Porque aqui está o segredo sórdido: havia um tempo em que os economistas trabalhavam no setor público, mas, atualmente, na era neoliberal, eles trabalham apenas para grandes corporações e bilionários, e isso tem sido um pouco problemático. Poderíamos escolher promulgar leis de política econômica que elevassem os impostos dos ricos, regulassem corporações poderosas ou aumentassem os salários dos empregados. Fizemos isso antes, mas os economistas neoliberais alertariam que todas essas medidas seriam um terrível erro, porque aumentar os impostos sempre aniquila o crescimento econômico, qualquer forma de interferência do governo é ineficiente e aumentar os salários sempre prejudica os empregos. Como consequência desse pensamento, nos 30 últimos anos, somente nos EUA, aquele 1% tem ficado US$ 21 trilhões mais rico enquanto os outros 50% estão US$ 900 bilhões mais pobres, um padrão de crescente desigualdade que se repete pelo mundo. Contudo, enquanto famílias de classe média lutam para sobreviverem com salários que não têm se alterado em 40 anos, os economistas neoliberais continuam a alertar que a única resposta razoável às dolorosas desarticulações da austeridade e da globalização é ainda mais austeridade e globalização.
Portanto, o que a sociedade deve fazer? Bem, para mim está muito claro o que precisa ser feito. Precisamos de uma nova economia. A economia é descrita como uma ciência sombria, e por uma boa razão, pois por mais que seja ensinada hoje, não é uma ciência, apesar de toda a incrível matemática. De fato, um grande número de acadêmicos e profissionais têm concluído que a teoria econômica neoliberal está totalmente errada, e que as crises atuais de aumento da desigualdade e instabilidade política são o resultado direto de décadas de péssima teoria econômica. O que sabemos agora é que o neoliberalismo que me enriqueceu não está apenas errado, é retrógrado. Porque, na verdade, não é o capital que gera o crescimento econômico, mas são as pessoas. E não são os interesses pessoais que promovem o bem comum, mas é a reciprocidade. E não é a competição que gera nossa prosperidade, mas é a cooperação. Podemos ver agora que uma economia que não é nem justa nem inclusiva nunca pode sustentar os altos níveis de cooperação social que possibilitam que uma sociedade moderna prospere.
Portanto, onde erramos? Bem, acontece que tem se tornado dolorosamente óbvio que as premissas fundamentais que sustentam o neoliberalismo econômico são objetivamente falsas. É por isso que hoje quero lhes mostrar algumas dessas premissas errôneas e depois detalhar de onde a ciência sugere que a prosperidade de fato vem.
Então, a primeira premissa neoliberal é que o mercado é um sistema de equilíbrio eficiente, ou seja, se algo na economia aumenta, como os salários, outra coisa deve diminuir, como os empregos. Por exemplo, onde moro, em Seattle, quando foi aprovado, em 2014, o valor da hora do salário mínimo em US$ 15, os neoliberais enlouqueceram por causa do precioso equilíbrio. Eles alertaram: “Se aumentarem o valor do trabalho, as empresas contratarão menos, milhares de assalariados perderão os empregos e restaurantes fecharão”. Porém, não aconteceu isso. O índice de desemprego caiu drasticamente. O setor de restaurantes de Seattle se expandiu. Por quê? Porque não há equilíbrio. Aumentar os salários não prejudica os empregos, mas cria novos, por exemplo quando os donos de restaurantes têm que remunerar os empregados melhor, de modo que eles mesmos possam pagar para comerem em restaurantes, isso não encolhe o setor, é óbvio que ele cresce.
A segunda premissa é que o preço das coisas sempre corresponde ao valor, o que basicamente significa que quando se ganha US$ 50 mil por ano, e eu ganho US$ 50 milhões, é porque gero mil vezes mais valor do que você. Agora, vocês não se surpreenderão ao saberem que essa é uma premissa muito confortável quando se é um CEO que paga a si mesmo US$ 50 milhões ao ano, mas paga aos seus empregados salários de pobreza. Mas, por favor, ouçam de alguém que dirigiu dezenas de negócios: isso é um absurdo. As pessoas não são pagas pelo que valem; são pagas pelo poder que têm de negociar. E a queda da participação dos salários no PIB não ocorre porque os empregados têm se tornado menos produtivos, mas porque os empregadores têm se tornado mais poderosos.
E ao ignorar que o enorme desequilíbrio no poder entre capital e trabalho não existe, a teoria econômica neoliberal tornou-se essencialmente uma medida de proteção para os ricos.
A terceira premissa, sem dúvida a mais prejudicial, é um modelo comportamental que descreve os seres humanos como algo chamado “homo economicus”, segundo o qual todos nós somos perfeitamente egoístas e racionais, e incansavelmente automaximizadores. Mas perguntem a si mesmos: é plausível que todas as vezes durante a vida de vocês, quando fizeram algo de bom para alguém, tudo o que estavam fazendo era tirar o máximo de proveito? Quando um soldado salta sobre uma granada para proteger os companheiros, está apenas promovendo o estrito interesse pessoal? Se pensam que é loucura, em oposição a qualquer intuição moral razoável, é porque é mesmo, e, conforme os dados científicos recentes, não é verdadeira. Mas é esse modelo comportamental que está no cerne frio e cruel do neoliberalismo econômico e é tão moralmente corrosivo quanto cientificamente errado, porque se aceitarmos sem questionar que nós, humanos, somos essencialmente egoístas, e então olharmos ao redor do mundo, para toda a prosperidade inequívoca que existe, então, logicamente, deve ser verdade por definição que bilhões de atos individuais de egoísmo magicamente se transmutam em prosperidade e o bem comum. Se nós, seres humanos, somos meramente maximizadores egoístas, então o egoísmo é a causa de toda nossa prosperidade. Segundo essa lógica da economia, a ganância é boa, o crescimento da desigualdade é eficiente e o único propósito da cooperação pode ser enriquecer os acionistas, porque de outro modo significaria desacelerar o crescimento econômico e prejudicar toda a economia. É essa verdade sobre o egoísmo que forma o alicerce ideológico da economia neoliberal, um modo de pensar que tem produzido políticas econômicas que permitiram que eu e meus colegas ricos entre os 1% conseguíssemos quase todos os benefícios de crescimento nos últimos 40 anos.
Mas, se ao contrário, aceitarmos a última pesquisa empírica, a real ciência, que descreve corretamente os seres humanos como altamente cooperativos, recíprocos e criaturas intuitivamente morais, então é lógico que deve ser a cooperação, não o egoísmo, a causa de toda a nossa prosperidade. E não é o nosso interesse pessoal, mas nossa reciprocidade inerente, o superpoder econômico da humanidade.
Portanto, no centro dessa nova economia, há uma história sobre nós mesmos que nos permite sermos melhores e, ao contrário da antiga visão, esta é uma história virtuosa e que também é verdadeira.
Agora, quero enfatizar que esta nova teoria não é algo que imaginei ou inventei. As teorias e modelos estão sendo desenvolvidos e aperfeiçoados em universidades ao redor do mundo, com base em alguns dos melhores estudos em economia: teoria da complexidade, da evolução, psicologia, antropologia e outras disciplinas. Embora esta nova teoria ainda não tenha um manual próprio ou até mesmo um consenso quanto ao nome, em linhas gerais, a explicação da origem da riqueza é algo mais ou menos assim.
Então, o capitalismo de mercado é um sistema evolutivo, no qual a prosperidade surge de um ciclo de resposta positivo entre o crescimento da inovação e da demanda dos consumidores. A inovação é o processo que possibilita resolver os problemas da humanidade; a demanda dos consumidores é o mecanismo pelo qual o mercado seleciona inovações úteis. E quanto mais resolvermos os problemas, mais prósperos nos tornaremos. Mas quanto mais prósperos nos tornamos, nossos problemas e soluções tornam-se mais complexos. E esse aumento de complexidade técnica requer níveis cada vez maiores de cooperação econômica e social para produzirmos os produtos altamente especializados que definem uma economia moderna.
É claro que a antiga economia está correta. A competição tem um papel essencial no funcionamento dos mercados, mas não vê que é em grande parte uma competição entre grupos altamente corporativos, entre empresas, entre redes de empresas, entre nações, e quem já tiver administrado um negócio de sucesso sabe, que construir uma equipe corporativa incluindo os talentos de todos é quase sempre uma estratégia melhor do que ter um monte de tolos egoístas.
Então, como abandonamos o neoliberalismo e construímos uma sociedade mais sustentável, próspera e mais igualitária? A nova economia sugere apenas cinco regras básicas.
A primeira é que economias de sucesso não são selvas, são jardins. O que significa que os mercados, assim como os jardins, devem ser cuidados, que o mercado é a maior tecnologia social já inventada para resolver nossos problemas. Mas sem limitações de normas sociais ou de regulação democrática, os mercados inevitavelmente criam mais problemas do que resolvem. A mudança climática e a grande crise financeira de 2008 são dois exemplos simples.
A segunda regra é que a inclusão gera o crescimento econômico. Portanto, a ideia neoliberal de que a inclusão é uma extravagância a ser proporcionada se e quando tivermos crescimento é errada e antiquada. A economia é feita de pessoas. A inclusão de mais pessoas de vários modos é o que gera o crescimento econômico nas economias de mercado.
O terceiro princípio é que o propósito da cooperação não é apenas enriquecer os acionistas. O grande mal da vida econômica contemporânea é a ideia neoliberal de que o único propósito da cooperação e a única responsabilidade dos executivos é enriquecer a si mesmos e aos acionistas. A nova teoria deve e pode insistir que o propósito da cooperação é melhorar o bem-estar de todos os interessados: os clientes, os trabalhadores, a comunidade, bem como os acionistas.
A quarta regra é que a ganância não é boa. Ser ganancioso não faz de você um capitalista, mas um sociopata.
E em uma economia tão dependente de cooperação quanto a nossa, a sociopatia é ruim para os negócios e a sociedade.
E a quinta e última regra: ao contrário das leis da física, as leis da economia são uma escolha. Agora, a teoria econômica neoliberal vendeu-se como lei natural e imutável, quando de fato são normas sociais e narrativas construídas com base em pseudociência. Se realmente quisermos uma economia mais igualitária, próspera e sustentável, democracias e sociedade civil que realmente funcionem, devemos ter uma nova economia.
E aqui estão as boas notícias: se quisermos uma nova economia, tudo o que temos que fazer é escolher tê-la.
Moderadora: Então, Nick, tenho certeza de que esta pergunta é recorrente. Se está tão infeliz com o sistema econômico, por que não doa todo o seu dinheiro e se junta aos 99%?
Nick Hanauer: Sim, tudo bem. Sempre me perguntam. “Já que se importa tanto com impostos, por que não paga mais? E já que se preocupa tanto com salários, por que não paga mais?” E eu poderia fazer isso. O problema é que não faz muita diferença, e descobri uma estratégia que funciona literalmente 100 mil vezes melhor, que é usar o meu dinheiro para criar narrativas e aprovar leis que exigirão que todos os outros ricos paguem os impostos e remunerem os empregados melhor.
E então, por exemplo, o valor da hora do salário mínimo de US$ 15 que criamos agora atinge 30 milhões de trabalhadores. Assim funciona melhor.
Saiba mais em
https://www.brasil247.com/oasis/a-economia-sociopata-o-segredo-sordido-do-capitalismo

O Tao da gastronomia


A comida é o novo sexo, a nova droga, a nova religião

Livros de culinária e gastronomia dominam as listas dos mais vendidos em quase todo o mundo, bem como a programação televisiva. Transformados em celebridades, os grandes cozinheiros, agora apelidados de chefs tornaram-se gurus de estilo de vida. A culinária tornou-se uma arte maior? Ou será uma das formas que, na atualidade, o ser humano encontrou para dar uma razão à própria existência?
Por: Luis Pellegrini 
Até o começo da década de 1970, quando vivi os meus anos doidos de juventude, o barato era o álcool, e ele chegava na forma de drinques de nomes curiosos, cuba-libre (rum, coca-cola e gelo), hi-fi (vodca, refrigerante de laranja e gelo), bloody-mary (vodca, suco de tomate, limão, sal e gelo), para não falar das tradicionais e atemporais caipirinhas, as batidas de frutas e os rabos-de-galo (conhaque com cachaça). Fora isso, o máximo a que se chegava eram algumas cheiradas de lança-perfume, à base de éter, mas apenas durante o carnaval. Depois, pouco a pouco, chegaram as drogas médicas (Dexamil, Perventin, Mandrix e as várias anfetaminas), as drogas psicodélicas (LSD, cogumelos alucinógenos, mescalina, ayuasca), os fumos recreativos (maconha, hashish, marijuana) e os entorpecentes propriamente ditos (cocaína, heroína, até chegar ao flagelo chamado crack).
Hoje, em plena era do politicamente correto, parece que chegamos a um novo e ao mesmo tempo antiquíssimo tipo de barato: a comida. Como diz o jornalista inglês Steven Pole, a comida é o novo sexo, a nova droga, a nova religião.
Alex James, baixista dos Blur, que se tornou fazendeiro e produtor de queijos, e que agora virou colunista de gastronomia do jornal The Sun, confessou publicamente: “A festa dos meus 20 anos foi à base de álcool, a dos 30 à base de drogas, e agora percebo que, aos 40, estou muito mais voltado para a comida. ”Ele não é o único. À medida que os cabelos embranquecem, a comida substitui as drogas no panteão hedonista dos gastrônomos que desejam envelhecer com suavidade. Ela traz consigo as marcas de um outro vocabulário. Ouvimos agora falar de um prato ou molho que “bate”, como se se tratasse de um baseado de maconha ou um tiro de cocaína.
E surgem os modernos templos da comida: restaurantes caríssimos, de Chicago a Copenhague, de Tóquio a São Paulo, são objeto de perfis hagiográficos em revistas e jornais sérios.
Festivais de comida começam a tomar o espaço dos festivais de rock, apresentando emocionantes performances ao vivo e em cores e sabores de… arte culinária.
Se você não conseguir assistir a sessões de culinária na televisão ou ao vivo, pode, pelo menos, ler notícias sobre o assunto. Grandes fatias da internet foram abocanhadas por blogs de comida. Seus donos postam fotografias do que comeram no botequim de um beco escuso ou num restaurante com aspirações grandiosas.
Hoje, cinco de cada dez livros mais vendidos na amazon.co.uk são de culinária, com Nigellissima (livro de receitas da chef inglesa Nigella Lawson) batendo todos os recordes. Esse best-seller de receitas ultrapassou em vendas o livro As Cinquenta Sombras de Grey (que por sua vez, na Grã- Bretanha, ultrapassara as vendas de Harry Potter!) Segundo os dados mais recentes da Bookscan (empresa tipo Ibope para estudar os números do mercado de livros na Inglaterra) as vendas britânicas de livros caíram em quase todos os segmentos e gêneros literários, exceto na categoria de “comida e bebida” (subiu 26.2% ) e na de religião (subiu 13%). Antes de 1990, a categoria bibliográfica “comida e bebida” nem sequer constava.
Mas será mesmo possível pensar filosoficamente sobre comida? A resposta é sim, como sobre qualquer outro assunto. Por sinal, isso não é de hoje, mas vem de muito longe. Na Índia, por exemplo – uma cultura que pelo menos em termos de antiguidade dá de dez a zero na nossa – existe, há milênios, uma inteira escola de crescimento espiritual baseada no preparo e no consumo da comida. Essa escola se chama Anna Ioga, a ioga da alimentação, e é um caminho de realização do Self (o eu impessoal) tão importante e, pelo que se diz, tão eficaz quanto as demais iogas, hatha, raja, karma, bakhti, tantra, etc.
A pergunta é: Está acontecendo algo de certo modo semelhante na gastrocultura contemporânea? Ou o atual endeusamento da gastronomia está mais para psicose gastronômica?
Arte culinária ou psicose gastronômica
Onde tudo isso irá parar? Não seria melhor preocuparmo-nos mais com o que colocamos nas nossas cacholas do que nas nossas bocas? Muitos começam a ver nesse anseio desmesurado por comida e por degustação um sucedâneo do anseio de preenchimento de um vazio espiritual característico da nossa civilização. Comida, além de estar diretamente conectada ao instinto primordial de preservação da vida, tem a ver com “espiritualidade” e com “expressão de identidade”, defende o moderno cavaleiro culinário Michael Pollan. Ele é o autor do elogiado “The Omnivore’s Dilemma” (O Dilema do Onívoro), uma espécie de catecismo da gastronomia moderna, onde se fala sem rodeios em comer com “plena consciência” e se afirma sem o menor rubor de vergonha que cada refeição tem o seu “preço cármico”; termina com a declaração de que “o que estamos comendo é parte do corpo do mundo”. E assim, seguindo essa lógica, degustar um virado à paulista ou um vatapá baiano torna-se uma união sublime do eu com o planeta, uma eucaristia da Terra Mãe.
Não à toa muitos livros de gastronomia se autoproclamam “bíblias”, dos molhos, dos assados, dos legumes, das maioneses, das sopas e por aí a fora.
A igreja primitiva definia a gula como pecado, mas hoje se supõe que comer possa nutrir também o espírito…
Nem só de pão vive o homem
Gula, no entendimento original, não era comer demasiado; era viver demasiadamente interessado por comida, independentemente da sua real ingestão. A gula, como dizia o teólogo Tomás de Aquino, pode ser cometida de várias maneiras diferentes, entre as quais procurar cada vez mais “pratos suntuosos” ou querer alimentos “mais meticulosamente preparados”. Nessa linha de raciocínio, os gastrônomos modernos seriam certamente condenados como glutões pecaminosos…
Mas, se a comida é espiritual, os chefs célebres tornaram-se nossos sacerdotes ou gurus, canais para se alcançar o inefável, o nirvana através do paladar.
Perdemos a confiança nos políticos e no clero; mas estamos sequiosos pelo que os cozinheiros têm para nos dizer, não apenas sobre a forma de comer, mas sobre como viver.
Dietas, sucedâneas de ordens religiosas
E as dietas? Se agora aceitamos alegremente que a alimentação seja uma razão de vida e do viver, podemos também entender as dietas e as inúmeras escolas de alimentação como sucedâneas de ordens religiosas: Existe uma para cada gosto e para cada necessidade.
Não foi assim na Índia, onde cada um podia escolher a ioga da sua preferencia, os que gostavam da ação física iam para a hatha ioga, os meditativos para a raja, os intelectuais para a jnana, os sociais para a karma ioga, os eróticos para a tantra, etc? Ou, mais perto de nós, os católicos que desejavam se dedicar a uma existência religiosa também tinham várias opções, cada uma delas mais ou menos adequada ao caráter, tendências, personalidade do interessado. Os de temperamento militar viravam jesuítas, os de vocação eremita se trancavam nos mosteiros beneditinos ou carmelitas, os estudiosos vestiam o hábito dos dominicanos, os amantes da vida simples seriam franciscanos, etc.
O mesmo acontece hoje com as N opções de dietas disponíveis. Os neo-bichos-grilos radicalizaram e passaram do vegetarianismo para o veganismo, com rejeição total de qualquer alimento de origem animal; os planejadores, pessoas metódicas que tem hora e lugar certo para tudo e não gostam de mudanças, costumam escolher a dieta dos pontos; os sentimentais, que encaram a comida como forma de conforto (o chamado comer emocional) são perfeitos para entrar nos programas tipo o dos Vigilantes do Peso, baseado num jogo de sacrifícios e recompensas; o intelectual, aquele ser que dificilmente muda de opinião e em relação à comida faz cálculos para ver quantas calorias tem cada alimento antes de comê-lo e quantas horas na esteira vai precisar para queimá-lo, esse se dará bem com qualquer dieta, desde que indicada por um médico especialista que o faça entender a lógica do sistema que está indicando. E por aí vai.
Pois, na verdade, em matéria de comida, não existe uma dieta que sirva para todos. “Se isso funcionasse, não existiriam tantas dietas da moda”, afirma o endocrinologista Filippo Pedrinola, que completa o seu parecer de bom senso dizendo: “Regime que funciona é aquele que respeita a individualidade de cada um e é a personalidade que vai determinar o comportamento das pessoas em relação a hábitos alimentares e estilo de vida”. 
Saiba mais em
https://www.brasil247.com/oasis/o-tao-da-gastronomia-a-comida-e-o-novo-sexo-a-nova-droga-a-nova-religiao

Colonização de Marte


Os primeiros moradores do Planeta Vermelho serão os homens ou as bactérias?

A vanguarda da colonização de Marte não será constituída por seres humanos, mas sim por micro-organismos. Eles irão preparar o terreno para a instalação do homem – exatamente como fizeram na Terra durante milhões de anos.

Por: Equipe Oásis
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Químicos, engenheiros, cientistas das áreas mais variadas? Nada disso: os primeiros verdadeiros colonos do planeta Marte (e provavelmente também dos demais corpos celestes que virão depois) deverão ser as bactérias. Esta é a controvertida teoria do cientista José Lopez, publicada no FEMS Microbiology Ecology. Segundo Lopez, que é professor e pesquisador na Nova Southeastern University (Flórida), para tornar Marte realmente habitável será necessário mudar completamente a abordagem da exploração espacial e confiar a vanguarda da colonização às bactérias, vírus e fungos capazes de atuar como catalisadores para muitos dos processos biológicos essenciais à vida e à ecologia do planeta.
Não há como evitar: os primeiros colonos marcianos levarão para o Planeta vermelho inteiras colônias de bactérias e outros micro-organismos. Mas isso não será necessariamente um problema.
Bactérias, bases da vida 
Lopez e os outros cientistas responsáveis pelo estudo ressaltam que, se não fossem os micro-organismos a vida na Terra nunca teria acontecido, e que, até prova em contrário, para difundir a vida e sobreviver em um planeta estéril é necessário partir das bases biológicas mais básicas e elementares. Essa teoria subverte algumas das crenças mais arraigadas a respeito da exploração espacial, assim como ela foi encarada até agora.
Terra-formação bacteriológica: devemos contaminar com micro-organismos os planetas exteriores potencialmente habitáveis para garantir o futuro da humanidade? Na foto, um tardígrado.
Bactérias da decomposição e da composição
Desse modo o Planeta Vermelho poderia se preparar para acolher a vida. Na Terra, numerosos processos essenciais são desempenhados e dependem de micro-organismos, por exemplo a decomposição (com todos os processos que tornam fértil o solo do nosso planeta) ou a composição da atmosfera (desde a quantidade correta de oxigênio até a capacidade de sequestro do anidrido carbônico.
Segundo os pesquisadores, os primeiros organismos a serem enviados a Marte deverão ser os extremófilos como, por exemplo, os tardígrados, capazes de viver por períodos muito longos em condições particularmente adversas. O que os cientistas esperam é, portanto, uma mudança de paradigma no futuro da exploração espacial: isso não significa lançar sobre Marte bombas bacteriológicas, mas sim selecionar os micro-organismos corretos relativos aos objetivos propostos.
Por outro lado, lembra Lopez, quando o homem estará em Marte, inevitavelmente levará consigo uma grande quantidade de micro-organismos, já que será impossível mantê-los separados do meio ambiente. No fundo, concluem os pesquisadores, “durante milhões de anos os únicos habitantes da Terra foram os organismos unicelulares. E ninguém pode negar que eles fizeram um excelente trabalho”.
Vídeo: Como construir a vida em Marte

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https://www.brasil247.com/oasis/colonizacao-de-marte-os-primeiros-moradores-do-planeta-vermelho-serao-os-homens-ou-as-bacterias

Mudança climática


Por que devemos ser ativistas em prol do meio ambiente

“Sonho com um mundo onde as aulas de geografia ensinem sobre a crise climática como um grande desafio que foi vencido por pessoas como você e eu”, diz a ativista climática Luisa Neubauer. Com Greta Thunberg, Neubauer ajudou a iniciar “sextas-feiras para o futuro”, o importante movimento internacional de greve escolar que protesta contra a falta de ação sobre a crise climática. Ela compartilha os quatro primeiros passos que qualquer pessoa, independentemente da idade, pode adotar para se tornar um ativista climático. “Este não é um trabalho para uma única geração. Este é um trabalho para a humanidade”, diz ela.
Vídeo: TED Ideas Worth Spreading
Tradução: Cristiano Frota. Revisão: Maricene Crus
Luisa Neubauer é uma ativista climática, escritora e líder do movimento “Fridays for Future”, que atua sobretudo nos meios estudantis em muitos países preconizando uma postura mais série e proativa dos governos em favor da preservação do meio ambiente em escala planetária. O movimento foi inspirado na garota sueca Greta Thunberg. Preocupada do aumento global da temperatura, Neubauer organiza ações de massa destinadas a pressionar os governos a tomarem providências e a cumprir as decisões acordadas no Acordo de Paris 2015.
Vídeo: Palestra de Luisa Neubauer no TED
Tradução integral da palestra de Luisa Neubauer:
Nunca planejei me tornar ativista climática. Mas as coisas mudaram, e agora, aqui na frente, como ativista climática, peço que se tornem um também. Aqui está o porquê, e o mais importante, como.
A ativista Luisa Neubauer
E foi aí que tudo mudou. Foi a primeira vez que observei os dados na ciência por trás da crise climática, e não pude acreditar no que estava lendo. Assim como muitos de vocês, pensei que o planeta não estava realmente em bom estado. Não tinha ideia de que estamos acelerando neste desastre em um ritmo tão rápido. Foi também a primeira vez que entendi a diferença que isso faz ao considerarmos um panorama geral. Consideremos a concentração de CO2 na atmosfera, por exemplo, o contribuinte número um para o aquecimento global. Sim, isso parece péssimo, como se estivéssemos em uma pista muito ruim. Mas é só quando não consideramos apenas os últimos 60 anos, mas sim os últimos 10 mil anos, que entendemos o quanto isso é realmente assustador. E este é apenas um aspecto da crise que estamos vendo. Eu não vou entrar em detalhes aqui, mas deixem-me dizer uma coisa: estamos em um ponto da história que a força mais destrutiva no planeta é a própria humanidade. Estamos em um ponto da história em que nenhum cientista poderá garantir que iremos sobreviver a isso. Estamos em um ponto da história que a humanidade está criando um ambiente que não é mais seguro para os seres humanos.
As ativistas climáticas Luisa Neubauer (esquerda) e Greta Thunberg
Exceto… algo não deu muito certo a respeito disso. Após a assinatura desse acordo, as coisas não melhoraram. Na verdade, elas pioraram muito. Tomadores de decisão e empresários, líderes e políticos voltaram aos negócios como sempre, explorando nossos meios de subsistência como se não houvesse amanhã, literalmente, construindo novas usinas de carvão, mesmo sabendo que isso precisa parar, de acordo com o Acordo de Paris.
Então, enquanto há também bons desenvolvimentos, é claro, existem instalações de energia eólica e energia solar em todo o mundo, essas mudanças positivas são muito lentas, na verdade. Desde a assinatura do Acordo de Paris, os gráficos climáticos continuam subindo ao topo, quebrando recordes todos os anos. Os cinco anos mais quentes já registrados foram os cinco últimos anos, e em nenhum momento emissões globais têm sido superiores às emissões de hoje.
Então, ali estava eu, vendo e compreendendo a ciência de um lado, mas não via as respostas, nem a ação do outro lado. Nesse ponto, foi demais para mim. Queria ir à Conferência do Clima da ONU, naquele mesmo lugar que foi criado para unir as pessoas para corrigir o clima, só que de mentira, aparentemente. Isso foi no ano passado. Fui à Conferência do Clima e queria descobrir como é isso e do que se trata. Para políticos realistas, isso pode não ser surpresa, mas achei difícil suportar que as indústrias de combustíveis fósseis e líderes políticos estão fazendo tudo para impedir que mudanças reais aconteçam. Eles não desejam estabelecer metas ambiciosas o suficiente que nos coloquem num caminho abaixo de 2 graus centígrados. Afinal, esses são os únicos que se beneficiam dessa crise climática, certo? A indústria de combustíveis fósseis gera lucros, e líderes políticos estão de olho na próxima eleição, no que os torna populares, e acho que não estão fazendo as perguntas inconvenientes. Eles não têm intenção de mudar o jogo. Não existe país no mundo onde empresas ou poderes políticos são sancionados por destruir o clima.
As chamas dos incêndios devoram a AmazôniaCom todo o estranhamento e a tristeza por esta conferência, havia alguém que era diferente, uma pessoa que parecia bem preocupada, e era a Greta Thunberg. Eu decidi ali mesmo que todo o resto parecia sem esperança e não parecia fazer sentido, então, me juntei à greve climática dela na conferência. Foi a minha primeira greve climática e um cenário incrivelmente estranho, só eu e ela sentadas lá na sala de conferência, cercadas por uma agitada multidão de homens usando terno na conferência que não tinham ideia do que fazer conosco. E, no entanto, isso parecia mais poderoso que qualquer coisa que eu esperava há muito tempo. E foi ali que senti que talvez fosse a hora de iniciar a greve na Alemanha. Agora eu sabia que ninguém iria corrigir isso para nós, e se houvesse a menor chance de que isso poderia fazer a diferença, parecia quase tolice não tentar. Então eu… Então, eu voltei para Berlim. Encontrei aliados que tinham a mesma ideia ao mesmo tempo, e juntos pensamos em dar uma chance a essa “sexta-feira para o futuro”. Obviamente, não tínhamos ideia no que estávamos entrando. Antes de nossa primeira greve, muitos de nós, inclusive eu, nunca tinham organizado uma manifestação pública ou qualquer tipo de protesto. Não tínhamos dinheiro, nem recursos e absolutamente nenhuma ideia do que realmente é a greve climática. Então começamos a fazer aquilo em que éramos bons: começamos a enviar mensagens de texto, noite e dia, a todos aqueles que pudéssemos alcançar, organizando nossa primeira greve climática via WhatsApp. Na véspera da nossa primeira greve estava tão nervosa que não consegui dormir. Eu não sabia o que esperar, mas esperava o pior. Talvez fosse porque não éramos os únicos que desejavam ter uma voz em um ambiente político no qual, aparentemente, haviam esquecido de incluir a perspectiva dos jovens na tomada de decisões, talvez. Mas de alguma forma isso funcionou. E de um dia para o outro, estávamos por todo canto. E eu, de um dia para o outro, me tornei ativista climática. Geralmente, nesses tipos de palestras TED, eu diria agora como é muito esperançoso, como nós, jovens, vamos resolver isso, como vamos salvar o futuro e o planeta e tudo mais, como nós, jovens, lutando pelo clima, vamos corrigir isso. Geralmente. Mas não é assim que isso funciona. Não é assim que esta crise funciona. Aqui está uma reviravolta: hoje, três anos e meio depois da assinatura do Acordo de Paris, quando observamos a ciência, descobrimos que ainda é possível manter o aquecimento global abaixo de 2° C… tecnicamente. E também vemos que ainda é possível evitar que outros avanços desastrosos tais como a extinção em massa e degradação do solo aconteçam, sim, tecnicamente. É simplesmente incrivelmente improvável. E em qualquer caso, o mundo teria que ver mudanças que nunca experimentamos antes. Teríamos que descarbonizar completamente nossas economias até 2050 e transformar a distribuição de poderes, que hoje permite aos gigantes dos combustíveis fósseis e líderes políticos que fiquem no topo do jogo. Estamos falando nada menos do que a maior transformação desde a Revolução Industrial. Estamos falando, pode-se dizer, de uma revolução climática. em um período mínimo de tempo. Não temos um único ano a mais a perder.
24 out 2015 – Fotografias aéreas mostram incêndio florestal na Terra Indígena (TI) Arariboia, no Maranhão, onde vivem 12 mil Guajajaras e cerca de 80 indivíduos isolados do povo Awá-Guajá.
E, de qualquer modo, para que qualquer uma dessas mudanças aconteça, o mundo precisa parar de depender de 1 a 3 milhões de estudantes grevistas para resolver isso. Sim, nós somos ótimos, vamos continuar. Vamos continuar indo a lugares que ninguém jamais nos esperaria. Mas nós não somos o limite; somos o começo. Esse não é trabalho pra uma única geração, e sim para a humanidade. E é aí que todos os olhos recaem sobre você. Para essa mudança acontecer, teremos que resolver um milhão de coisas. Afinal, é uma coisa incrivelmente complexa. Mas … todos podem começar a ajudar com algumas coisas… Más notícias primeiro: se pensaram que eu diria para pedalarem mais, comer menos carne, voar menos ou comprar coisas usadas, desculpem, não é tão simples assim. Mas aqui esta a boa notícia: vocês são mais que consumidores e compradores, mesmo que a indústria queira que se mantenham limitados a isso. Não! Nós somos todos seres políticos. E todos podemos fazer parte desta resposta. Podemos ser algo que muitos chamam de ativistas climáticos. Quais são os primeiros passos? Quatro primeiros passos essenciais para realizar todo o resto, que todos podem começar a dar, e que decidem sobre tudo o que pode acontecer depois.
Então, o que é isso?
Número um: nós precisamos reformular drasticamente nossa compreensão de quem pode ser a resposta para isso. Um ativista climático não é aquela pessoa que leu todos os estudos e agora está passando as tardes distribuindo folhetos sobre vegetarianismo em shopping centers. Não. Um ativista climático pode ser qualquer pessoa, todos os que querem se juntar a um movimento daqueles que pretendem envelhecer em um planeta que prioriza proteção de ambientes naturais e felicidade e saúde para muitos em vez da destruição do clima e do planeta para o benefício de alguns poucos. E como a crise climática está afetando cada parte de nossa vida política, social e privada, precisamos de ativistas climáticos em todos os cantos, não apenas em todos os cômodos, mas também em todas as cidades, países, estados e continentes.
Em segundo lugar: preciso que saiam da zona de conveniência, longe de tudo aquilo que diz: viva como se não houvesse um amanhã. Todos vocês aqui são um amigo ou um membro de família, um trabalhador, um colega, um aluno, um professor ou, em muitos casos, um eleitor. Tudo isso vem junto com uma responsabilidade que esta crise exige que você amadureça. Será que a empresa na qual trabalha ou que patrocina você está a caminho de cumprir o Acordo de Paris? Será que seu parlamentar sabe que você se importa com isso, e quer que isso seja uma prioridade em todas as eleições? O seu melhor amigo sabe sobre isso? Você lê jornal ou escreve para um? Ótimo! Diga a eles que você quer que relatem isso em todas as edições, e que desafiem os tomadores de decisão em todas as entrevistas. Se você é cantor, cante sobre isso, se é professor, ensine a respeito. E se tem uma conta bancária, diga ao banco que vai cancelá-la se continuarem investindo em combustíveis fósseis. E, claro, às sextas-feiras, sabem o que o que devem fazer.
Em terceiro lugar: sair dessa zona de conveniência funciona melhor quando vocês unem forças. Uma pessoa que pede mudanças inconvenientes é, na maior parte, inconveniente. Duas, cinco, dez, cem pessoas pedindo mudanças inconvenientes são difíceis de ignorar. Quanto mais vocês são, mais difícil fica para as pessoas justificarem um sistema que não tem futuro. O poder não é algo que você tem ou não tem. Poder é algo que você toma ou deixa para os outros, e cresce quando é compartilhado. Nós jovens nas ruas, estudantes grevistas, estamos mostrando como isso pode dar certo. Um estudante grevista sempre será apenas um único estudante grevista… bem, Greta Thunberg. Duas, cinco, dez, mil pessoas fazendo greve escolar é um movimento, e é disso que precisamos em todo lugar. Sem pressão.
E finalmente, em quarto lugar, e este é provavelmente o aspecto mais importante de tudo isso: preciso que comecem a se levar mais a sério. Se há uma coisa que aprendi durante sete meses organizando ação climática, é que se você não for atrás de algo, as chances são maiores de que ninguém mais irá. As instituições mais poderosas deste mundo não têm intenção de mudar o jogo que estão lucrando com a maioria, então não faz mais sentido depender deles. Isso é assustador, eu sei. É uma responsabilidade enorme, um fardo nos ombros de todos, sim. Mas isso também significa, se quisermos, que podemos ter algo a dizer sobre isso. Podemos fazer parte dessa mudança e da resposta. E isso é muito bonito, certo?
Então, vamos tentar, vamos botar pra quebrar, vamos inundar o mundo com ativistas climáticos. Vamos sair das zonas de conveniência unir forças e começar a nos levar mais a sério. Imaginem como seria este mundo, onde as crianças cresceriam sabendo que o futuro delas é uma grande aventura que podem esperar ansiosamente, sem nada a temer. Como seria este mundo quando a próxima conferência climática, esse grande acontecimento de pessoas que se reúnem, que ouviram a voz de milhões de pessoas, que arregaçariam as mangas, prontas para criar mudanças reais?
Sabem, sonho com um mundo onde as aulas de geografia ensinam sobre a crise climática. como um grande desafio que foi vencido por pessoas como vocês e eu, que começaram a agir a tempo porque entenderam que não tinham nada a perder e tudo a ganhar.
Então, por que não dar uma chance? Ninguém mais vai salvar o futuro para nós. Isso é mais do que um convite. Espalhem a ideia.
Obrigada.

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https://www.brasil247.com/oasis/mudanca-climatica-por-que-devemos-ser-ativistas-em-prol-do-meio-ambiente

Liderança responsável



Harrison Ford faz um apelo em prol da Amazônia

Harrison Ford, o legendário ator das séries Guerra nas Estrelas e Indiana Jones, pronunciou um discurso breve porém cheio de paixão em prol da proteção e da conservação da Amazônia durante o UN Climate Action Summit, realizado há pouco em Nova York.



“Quando a sala de nossa casa pega fogo, você diz ‘minha casa está pegando fogo’… e nós só temos uma casa”, afirma o ator.

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